Confraternização CREMI 2010

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

A finalização das atividades do CREMI seguiu de festa e confraternização, que não foram afetadas mesmo com as volumosas chuvas naturais de dezembro

As chuvas que sempre assolam a região do Litoral Norte nesta época do ano não impediram a realização de  um dia de festa e confraternização com a finalização de todas as atividades promovidas pelo CREMI- Centro de Referência da Melhor Idade da cidade de Caraguatatuba.

Nesse dia, a festa foi direcionada a familiares, aos idosos e às crianças que participaram de diferentes projetos direcionados ao público envelhescente. Este dia foi celebrado pelos idosos com muita dança, música e arte, sendo assim um encontro marcado por grandes emoções.

Entre essas atividades de encerramento, tivemos o encontro dos participantes do projeto “Aproximando Gerações pela Escrita”, coordenado por Divina de Fátima dos Santos que envolveu a troca de correspondências (cartas) entre os idosos do CREMI e as crianças dos 4º e 5º anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Aída de Almeida Castro Grazioli do município de Caraguatatuba.  

Um dos objetivos desse projeto foi o de promover o encontro de pessoas de idades distintas, além de integrar e romper barreiras e assim aproximar os diferentes numa tentativa de proporcionar maior flexibilidade e respeito entre pessoas de diversas idades.

Mas não foi só isso, o projeto visou, também, auxiliar as crianças pedagogicamente, pois a troca de cartas possibilita a melhora da leitura e da escrita, ampliando o conhecimento do vocabulário, das regras gramaticais e da língua portuguesa para aqueles que estão em fase de escolarização.

Neste ano, foram 80 participantes de ambos os sexos, sendo 40 crianças e 40 idosos que tiveram a oportunidade de corresponderem-se ao longo do segundo semestre e assim conhecerem outra pessoa diferente do seu círculo habitual de amizade.

É preciso lembra que devido à vida contemporânea, crianças, jovens, adultos e idosos quase não têm tempo de compartilhar suas vidas e encontros intergeracionais são cada vez mais raros. Esse tipo de trabalho ajuda a fortalecer a estabilidade emocional e os laços familiares que se iniciam a princípio na escola ou nos centros de convivência para idosos e que podem expandir-se para outros locais de convivência dessas pessoas. Nesse sentido, mesmos não sendo avós e netos consanguíneos, os participantes deste projeto tiveram a oportunidade de relacionarem-se como se tivessem ao seu lado um avô(ó) ou um neto(a) e isso pode auxiliar e fortalecer a ambos

Agradecemos aos Gestores da Escola Aída de Almeida Castro Grazioli, à Coordenadora Pedagógica Laura, às professoras das crianças que bravamente abraçaram a ideia e encararam o desafio do projeto, às Secretarias da Educação e da Assistência Social da cidade de Caraguatatuba e à Coordenadora Marta Borges do CREMI, pois todos compreenderam a relevância e amplitude social do projeto, facilitando a realização desta proposta.

“Vó é palavra mágica,

Feita de favos de mel,

Por fadas do bem querer,

Ser avó é ter desejos de mudanças,

Aceitar pacificamente as mudanças dos desejos…

É quebra de paradigmas.

Conquista de novos olhares,

São diferentes visões de mundo,

Num mundo mais colorido,

Feito de pura emoção que segue a cada momento,

A cada dia a explodir de prazer o coração,

De excesso de emoção…”

(Maria JoséA. Araújo apud Almeida, Vera)

RevistaEsesc n.5 – 2010

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Aproximando gerações pela escrita

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Aproximando gerações pela escrita

A experiência aqui descrita ocorreu como parte de um processo pedagógico realizado por meio de troca de cartas entre alunos de uma instituição de ensino localizada na periferia da cidade de São Paulo, mais especificamente, entre crianças do ensino fundamental e alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) em processo de alfabetização.

Embora o uso de cartas no meio educacional não seja novidade, o foco desta vivência se direcionou não apenas para os ganhos pedagógicos, mas, principalmente, para a perspectiva intergeracional, visando aproximar estudantes de diferentes idades, períodos escolares e níveis socioeconômicos. Nossa proposta foi de favorecer e estimular a construção de uma convivência respeitosa, pautada em valores éticos e morais entre cidadãos independentes da idade, gênero e classe social. Seguimos também o pensamento de Paulo Freire (1983, p.27-8) segundo o qual “a educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando”.

Para Goldfarb e Lopes (2006), a aproximação de diferentes gerações, sobretudo entre jovens e idosos, pode promover e facilitar o crescimento emocional de ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo de viver plenamente a vida cultural e social. A relevância desta aproximação entre gerações tem implicações sociais associadas a o sofrimento emocional e ao decorrente custo econômico provocado por um indivíduo com baixa autoestima.

Por inúmeras razões, os alunos da EJA, sobretudo os mais idosos e em fase de letramento, não tiveram oportunidade de aprender a ler e a escrever quando eram crianças e, de certa forma, sentem-se inferiorizados, com baixa autoestima e excluídos da sociedade. Esse sentimento de inferioridade provoca um retraimento que ocasiona um medo de escrever, de se colocar e de expressar o que se pensa em palavras postas no papel, pois imaginam que ninguém se interessará por suas produções.

Ao utilizar cartas como material de apoio pedagógico, muitas barreiras podem ser quebradas, pois o adulto, ao ver que uma criança escreveu a ele, sente-se na mesma “obrigação” no sentido de não decepcionar aquele pequeno ser que ainda em formação espera por sua resposta e “necessita” ser estimulado na escola, para levar os estudos a sério e para não passar pelos mesmos sofrimentos aos quais os adultos interlocutores foram submetidos ao longo de suas vidas.

Por outro lado, hoje, a comunicação das crianças, seja na internet, seja por meio de torpedos em celulares, é fragmentada e composta por inúmeros códigos eletrônicos e informais, visto que elas crescem em um mundo cercado por outras formas de comunicação igualmente válidas (CUNHA, 2002).

Ao escrever uma carta, é possível produzir um maior contato com a própria história e com a história do outro; isto possibilita a troca de informação e aproxima as pessoas no ato de compartilhar suas experiências, abrindo espaço para a imaginação e para a criatividade, bem como para a cumplicidade, além de banir o sentimento de solidão (BOLLÉME, 1988).

Um dos problemas enfrentados no mundo contemporâneo e mais precisamente nas grandes cidades é a dificuldade de convívio entre as diferentes gerações em função das inúmeras responsabilidades às quais a s pessoas estão sujeitas. Desde muito cedo, crianças cada vez menores vão à escola, e passam a conviver apenas com outras crianças de sua faixa etária e alguns poucos educadores e cuidadores adultos. Também os adolescentes ficam a maior parte do tempo nas escolas e convivem com outros jovens muitas vezes unidos pelos mesmos comportamentos, ideias e valores.

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Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Esse foi o slogan da campanha que deu início às comemorações da Semana do Idoso entre os dias 21 e 26 de setembro de 2010, na Cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Ao todo, foram seis dias com atividades variadas, todas direcionadas ao público envelhescente.

Um dos objetivos dos organizadores do evento foi chamar a atenção das famílias e da comunidade local para esse segmento da população que vem crescendo na região, já que alguns sofrem com o abandono e o descaso de parentes, e são esquecidos e ignorados em seu meio social.

                O evento foi um verdadeiro sucesso de público do primeiro ao último dia e recebeu pessoas de toda a região. Elas foram convidadas a participar das inúmeras atividades previamente planejadas e organizadas por toda a equipe de profissionais e de voluntários do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – coordenado pela Sra. Marta Borges e pela presidente do Conselho do Idoso, Sra. Cida Waak. Ambas se dedicaram pessoalmente pela realização do evento e estavam muito felizes com a participação do público.

A fonoaudióloga Mariana Tolosa e a terapeuta ocupacional Elizabeth Escaño disseram que esse tipo de evento ajuda os idosos a sentirem-se mais respeitados e valorizados, já que para a sociedade, eles muitas vezes são invisíveis. A estagiária de educação física Amanda Marques disse que adora trabalhar com a terceira idade e que com este convívio passou a valorizar coisas que antes não dava atenção. Lúcia e Marco – da secretaria de esporte de Caraguatatuba – disseram que a cada dia de trabalho com os idosos no CREMI, eles ganham força para superar seus próprios limites.

                Caraguatatuba vem se destacando no litoral norte como pioneira na valorização e nos investimentos específicos para a pessoa idosa. A cidade tem se tornado uma das mais escolhidas entre os aposentados que buscam nela um lugar agradável e acolhedor para desfrutar a vida na envelhescência.

A cerimônia oficial de abertura do evento contou com a participação do prefeito da cidade Antonio Carlos, do vice-prefeito Antonio Carlos Junior, da secretária de Assistência Social Márcia de Medeiros, assim como de alguns líderes religiosos locais e de outros representantes de setores de destaque da cidade, mas a grande estrela da noite foram os idosos que lotaram o Auditório do Clube Ilha Morena.

O dia de abertura contou com a apresentação da Dança Sênior realizada por idosos, alunos das professoras Maria José e Mara, que foram ensaiados especialmente para o evento. Alguns deles se emocionaram no momento da apresentação e por poderem mostrar aos seus familiares um pouco das coisas que estão aprendendo nos espaços que os acolhem, seja o CREMI, a Associação dos Aposentados ou o CCTI – Centro de Convivência da terceira Idade “Estrela do Mar”.

Foram inúmeras as atrações e no final da tarde do primeiro dia tivemos uma palestra sobre sustentabilidade com o biólogo André Cabral, seguida de um coquetel ao som do músico argentino Juan Bruera.

No segundo dia as festividades iniciaram bem cedo. Às 9 horas os idosos foram convidados a participarem no espaço do Clube Ilha Morena de um torneio de pesca; outros puderam fazer atividades variadas como as gincanas elaboradas pela equipe do esporte liderada por Lúcia Gardelin e sua equipe que comandaram diferentes jogos e brincadeiras. Mas não foi só isso! Os idosos puderam escrever e declamar poesias de suas autorias ao longo do dia em diferentes momentos, num estímulo pela valorização literária que revelou novos talentos.

A nutricionista Aline Roberta e a cozinheira chefe Sonia Rosa do CREMI comandaram uma equipe de profissionais e voluntários no preparo do almoço do dia oferecido a mais de 190 pessoas idosas que após degustarem a deliciosa refeição foram convidados a assistir o filme “Elza e Fred”. Após o seu término, ocorreu um debate sobre os temas abordados pelo filme que foi coordenado pela pesquisadora do Programa de Gerontologia da PUC-SP Divina Santos, o qual teve grande repercussão e ressonância entre a plateia. Após o debate, alguns idosos agradeceram a oportunidade, pois relataram que ao ver o filme, sentiram-se mais fortalecidos na busca de sua felicidade, afirmando que nunca é tarde para viver plenamente a vida.

                A inauguração da praça do idoso ocorreu no dia 23/09/10, que conta com equipamentos de exercícios para alongamentos que podem ser utilizado de forma autônoma pelos seus frequentadores. A inauguração que contou com a presença das autoridades locais e de vários idosos e ocorreu após uma caminhada ao longo da cidade.

No dia seguinte, os idosos e seus familiares puderam apreciar e curtir a noite no Teatro Mario Covas com atividades promovidas pela FUNDACC (Fundação Cultural de Caraguatatuba) e que contou com apresentações musicais, de piano, de teatro e de dança, dentre outras, todas realizadas por artistas locais e com temáticas voltadas ao público idoso e seus familiares. Um dos destaques da noite foi a dança de salão apresentada por Gloria Leontina (secretária do conselho do Idoso) e seu parceiro.

                A região também valorizou artesãos locais e, em vários dias do evento foram exibidas as bonecas caiçaras. Trata-se da imortalização dos povos caiçaras naturais da região que foram transformados em bonecas confeccionadas com produtos recicláveis, em grande parte por materiais de descarte de pesca de moradores locais. Estas bonecas, que representam as senhoras e senhores pescadores caiçaras, já receberam inúmeros prêmios no exterior devido a sua história e originalidade.

Na noite de sábado, como não poderia ser diferente, o CREMI ofereceu um baile para a terceira idade. O salão ficou lotado pelos amantes da dança; alguns idosos relataram que a música e a dança os mantêm vivos e longe da depressão.

O ultimo dia foi marcado com um almoço comemorativo de encerramento das festividades oferecido pelo presidente do CCTI (Sr. Roberto) e sua esposa (Sra. Marisa) aos idosos asilares no Clube de Convivência Estrela do Mar. Foram mais de 40 idosos que degustaram e prestigiaram o momento que também contou com danças e brincadeiras. Os idosos também homenagearam a Sra. Marta Borges pelo seu esforço e empenho juntamente com sua equipe de profissionais e de colaboradores.

O destaque das festividades da cidade foi o presente dado ao idoso da região com a inauguração da praça do idoso. Mas a maior conquista desse evento foi a grande mobilização da comunidade local e de seus familiares no respeito a velhice. Este é seguramente um exemplo a ser seguido pelos demais municípios e autoridades do país no sentido de ter um olhar diferenciado para a velhice, afinal somos todos envelhescentes.

O evento mobilizou inúmeros setores da cidade e contou com o apoio do Lions Clube de Caragua, do Conselho do Idoso, das Secretarias de Assistência Social, da Educação, do Esporte e Recreação, da Saúde e também da FUNDACC, da Associação dos Aposentados da Cidade, do CCTI e do CREMI.

Parabéns a todos aqueles que direta ou indiretamente participaram da realização deste evento num verdadeiro ato de cidadania!

Abaixo segue poema escrito e declamado no evento pela senhora Terezinha Ferreira dos Santos, freqüentadora do CREMI que revela seu sentimento quando chegou nesse local pela primeira vez. Talvez ela seja uma porta voz de muitos idosos que ali estão.

“Uma História Real”

Na manhã do dia 4 de Março

Sai de casa sem destino de lugar

Meu desespero era tanto

Chorava de soluçar.

Uma igreja eu avistei

Entrei para rezar

Depois de longa conversa

Só falava e chorava

Nenhuma palavra ouvia

De alguém pra me ajudar.

No banco da praça, em frente,

Sozinha me assentei

E de todos os lados olhei

Vi uma banca de jornal

Até lá eu caminhei

E um deles eu peguei

Seu nome é A Melhor Idade

As lagrimas enxuguei

E ainda com dificuldade

Li somente um pedacinho

E emocionada fiquei.

 

CREMI

Abre inscrições para atividades de idosos

(Bem embaixo) Próximo à Rodoviária.

Sai para procurar

O bendito lugar

Me mandaram pra lá, pra cá,

E nada de encontrar,

Desanimada fiquei.

A ultima tentativa pensai

Custou muito, mas agora acertei.

Com muita vergonha cheguei

Por grande porta de vidro entrei

E todos os lados olhei.

Um imenso salão vazio.

No momento me assustei.

De um lado do salão

Um anjo me apareceu

Muito lindo e com sorriso

Alegre me recebeu

Com o jornalzinho na mão

O motivo lhe contei

Porque fui para ali

Em silêncio me ouviu.

Me animou e me abraçou

E com muita delicadeza

Um cafezinho serviu.

Já me senti protegida

Lhe contei que não ouvia

Com muita simpatia

Em um papelzinho escreveu,

Que eu poderia voltar,

Dia e hora até marcou.

Quinta-feira dia 11, às 10 horas

Para a oficina da memória.

Não vi passar os dias

Contei todos os minutos

A minha resposta estava ali

Por isso que na Igreja, não ouvi.

Fui levada por Jesus.

Entrei para o céu em vida

Muitos anjos conheci

Professora Maria José. Mariana.

Amanda. Lucia.

Não vou citar mais nomes

Para não correr o risco

De esquecer algum

Mas amo todos vocês

Só que um todo especial.

O primeiro que encontrei

Tem um nome tão pequeno

E um coração tão grande

Gentil e carinhoso.

Com cinco letras escrevo

MARTA

Você foi enviada por Deus

Para coordenar, e nos ajudar.

Nesta terra de muitas histórias

Vou acrescentar mais uma

Que começou tão triste

Mas acabou com um final feliz

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Seminário Encontro de Gerações – Sesc Pompéia

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Seminário Encontro de Gerações - Sesc Pompéia

O relacionamento entre as gerações assumiu diferentes formas ao longo da história. Assim como as gerações são construídas socialmente e pautadas por normas e expectativas de conduta, também as relações entre elas são determinadas pelos valores culturais de cada época. Em certas culturas, prevaleceram esquemas de solidariedade entre jovens e velhos, em outras a competição apareceu com maior freqüência.

A família foi e prossegue sendo o âmbito mais provável desse encontro. Mas, na sociedade contemporânea, observa-se um certo distanciamento intergeracional no núcleo familiar, traduzido por pouco diálogo entre pais e filhos e entre avós e netos. Os espaços públicos são também pouco compartilhados, aumentando a distância afetiva entre as faixas etárias. No entanto, a partir dos anos 90, em vários países, inclusive no Brasil, tem havido um aumento significativo de ações e programas intergeracionais promovidos por entidades públicas e privadas.
O Serviço Social do Comércio SESC SP há seis anos desenvolve o programa SESC Gerações, conjunto de atividades artísticas e de lazer que tem por objetivo a integração e a co-educação entre gerações.

Pensando numa integração entre as experiências do SESC e de outras entidades, tanto por iniciativa de pesquisadores e especialistas quanto de voluntários, o SESC-SP promoveu o Seminário Encontro de Gerações, no qual todos os presentes puderam trocar suas experiências, enriquecendo-se mutuamente com os relatos, simpósios, pôsteres, estudos de casos e atividades artísticas culturais apresentadas durante o evento. O seu principal objetivo foi estimular o convívio saudável entre as gerações, como afirma a proposta da ONU (Organização das Nações Unidas): “UMA SOCIEDADE PARA TODAS AS IDADES”.

Vários países marcaram presença no encontro como: Brasil, Espanha, Peru, Argentina, México e Estados Unidos. Grandes exemplos intergeracionais promovidos nas diferentes unidades do SESC serviram também de inspiração para o evento. Assim, tivemos a oportunidade de conhecer os trabalhos realizados por meio de diferentes estratégias, tais como: arte, literatura, música, teatro, cinema, cultura, educação, arquitetura, saúde, faculdade aberta à terceira idade e diferentes cursos acadêmicos.

A abertura contou com a Dra. Sally Newman dos Estados Unidos que, proferiu uma palestra sobre diferentes trabalhos na área, realizados em seu país ao longo dos últimos 30 anos. Segundo ela existe nos EUA grande estímulo para que, ao longo de suas vidas, as pessoas desenvolvam algum tipo de trabalho voluntário e isso geralmente é realizado por boa parte dos norte-americanos: trata-se de uma atividade muito comum e reconhecida entre os cidadãos. Ela também apresentou um vídeo com alguns exemplos intergeracionais realizados por jovens e idosos e esclareceu que esses encontros em geral são bastante enriquecedores tanto para aqueles que prestam o serviço quanto para aqueles que recebem, afirmando que os reflexos são sentidos por toda a sociedade e são estimulados socialmente.

O professor Mariano Martinez da Espanha levantou os ânimos do público presente com muita criatividade e espontaneidade, trazendo inúmeros dados de como ocorrem os encontros intergeracionais na Europa e fornecendo várias informações a respeito. Ele também alertou o público sobre a necessidade de se fazer trabalho em equipe com parcerias e salientou a necessidade de fortalecimento profissional nesta área.

Na manhã seguinte tivemos uma conferência bastante produtiva com a presença do médico geriatra Santiago Pszemiarower (Argentina), do também médico e educador Rafael Chura (Peru), da demógrafa Liliana Rodriguez (México) e do Psicólogo e referência brasileira na área da GerontologiaJosé Ferrigno (Brasil). Cada um expôs como ocorrem os trabalhos sobre envelhecimento e encontros de gerações nos seus respectivos países. Inclusive Ferrigno destacou o pioneirismo da professora Suzana Medeiros quanto à implantação de estudos e pesquisas na área do envelhecimento humano.

O programa de Gerontologia da PUC e a Universidade Aberta da Terceira Idade, marcaram forte presença no evento e, contou com inúmeros profissionais em diferentes mesas. A Profa. Elizabeth Mercadante coordenou os trabalhos apresentados nas duas tardes do evento e que apresentaram relatos de experiências.

O público pode conhecer os mais variados exemplos de trabalhos práticos todos muito enriquecedores e esclarecedores e que trouxeram verdadeiros exemplos de cidadania, de coragem e de muita luta. Entre eles, tivemos exemplos de grande destaque relatados pelos profissionais no próprio SESC de diferentes estados do Brasil.

As ex-alunas do programa em gerontologia Maria de Fátima Agostinho e Gisele Maria Schramm falaram sobre suas experiências profissionais que envolveram estudo das relações de avós e netos em conflito com a justiça e que se tornaram dissertações de mestrado. Todos os trabalhos merecem destaques, bem como revelaram forte dedicação e esperança sobre as relações familiares e pessoais.

Tivemos a oportunidade também acompanhar uma grande quantidade de trabalhos realizados em diferentes estados por profissionais que tiveram a oportunidade de relatar suas pesquisas aos presentes na forma oral ou de pôster. Nós da PUC novamente marcamos presença. Divina de Fátima dos Santos apresentou uma comunicação oral sobre o tema “Relações Intergeracionais: compartilhando palavras escritas” e Ana Tomazoni apresentou um pôster sobre o tema “Uma vivência interdisciplinar na educação dos Sentidos”; porém, vale destacar que foram inúmeras as apresentações e todas foram muito envolventes e motivadoras.

Mas não foi só isso! Tivemos um grande encerramento com as belas e objetivas palavras proferidas por Paulo de Salles Oliveira, autor de vários livros, entre eles “Vidas compartilhadas: cultura e co-educação entre gerações na vida cotidiana”. Com muita sabedoria e serenidade, encerrou o evento em grande estilo sem deixar de estimular a continuidade dos trabalhos de todos ali presente.

Para relaxar, ao longo do encontro, tivemos vários momentos de descontração recheados por músicas, poesias e danças.

Parabéns a toda equipe do SESC e organizadores do Seminário e em especial ao Professor Ferrigno, grande anfitrião que não escondeu sua alegria pela realização e sucesso deste maravilhoso encontro que certamente deixou muitas sementes que germinarão em outras regiões por meio dos participantes deste encontro.


Todos os presentes ao final do encontro sentiram-se renovados e fortalecidos no sentido de continuar seus trabalhos agora com novas idéias a partir das inúmeras sugestões e experiências ali apresentadas.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Prêmio internacional: 4ª edição do Concurso Una sociedad para todas las edades

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Prêmio internacional: 4ª edição do Concurso Una sociedad para todas las edades

A doutora Divina de Fátima dos Santos (Pós em Gerontologia) foi uma das premiadas da 4ª edição do Concurso Una sociedad para todas las edades, promovido pela Rede Latino Americana de Gerontologia. O concurso, que tem como objetivo incentivar as organizações e indivíduos que trabalham na promoção dos idosos na América Latina e no Caribe, recebeu inscrições de trabalhos da Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela.

Dia Internacional da Pessoa Idosa

A celebração fez parte do Dia Internacional da Pessoa Idosa (Día Internacional de las Personas de Edad) onde foram premiados os finalistas da quarta edição do concurso Una Sociedad Para Todas Las Edades, que vem sendo realizado desde 2005 graças ao apoio de toda comunidade latino-americana de gerontologia.

A quarta edição do concurso recebeu 70 aplicações proventientes de países como Argentina, Brasil, Colombia, Costa Rica, Cuba, Chile, Ecuador, México, Perú, Uruguay y Venezuela.

Premiações

O Brasil foi representado logo no primeiro prêmio do concurso, com o trabalho: “Aproximando Gerações Pela Escrita: Palavras Que Estimulam” de Divina De Fátima dos Santos e Maria De Lourdes Franchi Lima. O segundo prêmio ficou com a chilena Lorena Astudillo Pérez, responsável pelo trabalho “Movimiento Pro Emancipación de la Mujer Chilena – MEMCH”.

 

 

 

Para mais informações acesse:

https://www.gerontologia.org/portal/archivosUpload/archivosConcurso2010/Personas_Naturales_Primer_Premio_2010.pdf

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Portal entrevista Divina de Fátima dos Santos, que pesquisou a vivência entre diferentes gerações por meio da escrita.

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Portal entrevista Divina de Fátima dos Santos, que pesquisou a vivência entre diferentes gerações por meio da escrita.

Da infância próxima à avó às aulas na escola do SESI (Serviço Social da Indústria) na área de Educação de Jovens e Adultos (EJA), a psicóloga e pedagoga Divina de Fátima dos Santos foi aos poucos traçando seu caminho em direção ao estudo do envelhecimento.

Sua pesquisa de mestrado – intitulada “Relações Intergeracionais: palavras que estimulam” – foi defendida em maio de 2010 e focou o conteúdo de cartas, utilizadas como forma de comunicação entre idosos e crianças. Divina queria saber a forma de interação vivenciada entre eles, para identificar os significados dessa troca.

A metodologia utilizada foi qualitativa, baseada em entrevistas com idosos e nos dados coletados das cartas escritas por estudantes do curso da EJA, com idades variando entre 18 e 72 anos, em fase de alfabetização, e por crianças do ensino regular com idades entre 8 e 10 anos que frequentavam uma das unidades da rede SESI-SP.

Os assuntos abordados nas cartas deram abertura para inúmeras discussões. Para facilitar a compreensão do leitor, Divina as nomeou como: religiosidade, sonhos, as palavras certas, o mundo do trabalho e a aposentadoria, a alteridade, a comunicação pictográfica e por símbolos e a troca de olhares. Segundo ela, todos igualmente envolventes, pois provocaram reflexões tanto por parte das crianças quanto por parte dos idosos.

Ela explicou que a troca de cartas promoveu a interação dos estudantes e favoreceu o processo de mudança de atitudes e de construção de valores éticos importantes na vida escolar, familiar e social tanto dos idosos quanto das crianças participantes.

Para ela, as alterações ocorridas por meio dessas vivências podem propiciar ou facilitar um convívio mais saudável entre diferentes gerações no âmbito da escola e nos mais diferentes espaços sociais da vida cotidiana. Estas constatações indicam a importância de estudos interdisciplinares com foco na questão da intergeracionalidade, comentou.

Pesquisadora muito focada em seus estudos, Divina revela ainda que a passagem pelo mestrado em Gerontologia na PUC-SP modificou completamente sua vida pessoal e trouxe diversos benefícios para o campo profissional. Agora, enfrenta com paixão os desafios de um doutorado em Psicologia Clínica, também na PUC-SP. Divina elogia ainda a orientação da professora doutora Nadia Dumara Ruiz Silveira, com quem pode contar em diversos momentos delicados, fundamental para o reconhecimento de seu trabalho no meio acadêmico e profissional.

Portal: Por que decidiu fazer mestrado em gerontologia?
Foram vários fatores. Na maior parte da minha infância e juventude me relacionei com pessoas idosas e me sentia muito bem. Os idosos me compreendiam mais que as pessoas da minha idade. O fato de trabalhar com EJA – Educação de Jovens e Adultos – no SESI foi outro fator, pois, em minha sala de aula, a maioria dos alunos tinha idade bastante avançada, e eu fiquei intrigada por ver tantos idosos em busca da aprendizagem da escrita. Outra coisa que influenciou foi o fato de meu pai ter tido Alzheimer: eu senti que necessitava saber mais sobre essa última fase da vida.

Portal: Como se decidiu pelo seu tema de pesquisa?
O tema foi sendo construído aos poucos e eu me decidi por ele ao longo do mestrado. Os inúmeros textos lidos ajudaram. Acho que a releitura do livro “O Sorriso Etrusco”, em aula (já tinha lido alguns anos antes), me tocou pelo tema sobre os avós. O principal motivo, no entanto, foi o trabalho de trocas de cartas entre meus alunos idosos da EJA e as crianças da minha escola. A ideia inicial era melhorar a leitura e escrita de todos os alunos, porém a experiência caminhou em outra direção. Os colegas de curso me ajudaram a descobrir que eu tinha o tema da pesquisa em mãos, mas só pude ver isso ao compartilhar reflexões com os colegas da Gerontologia na disciplina de Metodologia. Na época não percebia a importância do meu trabalho, mas só depois, ao ver o resultado alcançado e a ressonância do mesmo entre todos os envolvidos, compreendi e valorizei o estudo.

Portal: Que desdobramentos esta pesquisa teve na prática?
A escola, os professores, pais e alunos foram todos tocados pelos resultados do trabalho. De modo geral o trabalho foi reconhecido tanto na academia quanto em relação à sua importância social e educativa.

Portal: O que o mestrado e a pesquisa contribuíram para a sua vida pessoal e profissional?
Nossa! Não tenho como avaliar o crescimento pessoal, sou outra pessoa. Já quanto ao crescimento profissional, posso garantir que sou muito mais sensível e melhorei muito minha forma de trabalhar em todos os segmentos. Além disso, escrevi artigos com esta temática, fui convidada para debates e congressos. Acho que um mestrado sempre abre novas perspectivas no campo profissional.

Portal: Quais são seus próximos passos na vida acadêmica a partir deste mestrado? E na vida profissional?
Bem, já iniciei meu doutoramento em psicologia clínica e estou adorando. No doutorado farei a continuação do mestrado, porém com uma visão psicológica do encontro de gerações. Como queria continuar meus estudos na PUC, tive que mudar de área, lamento não existir doutorado em Gerontologia na PUC-SP. Sei que tenho ainda muito a aprender, mas na psicologia também estudo o envelhecimento. Eu pretendo dar consultoria na área e também quero voltar a dar aulas. Só está faltando oportunidade.

Portal: O que diria para quem está começando a estudar na área?
Aproveite ao máximo cada aula, leia tudo que puder, seja por indicação de professores ou de colegas, seja por curiosidade própria. Vale a pena! Ao final descobrimos que temos muito a aprender e a estudar.

Maiores informações sobre a pesquisa, contatar a autora pelo e-mail: divina.multiply@gmail.com

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Xadrez e Alfabetização – Uma Experiência com Crianças na Educação Básica

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Xadrez e Alfabetização – Uma Experiência com Crianças na Educação Básica

29/07/2008

Divina de Fátima dos Santos
Especialista em Psicopedagogia pela PUC-SP; mestranda em Gerontologia pela PUC-SP e professora do SESI-SP

Maria Anita Viviani Martins
Doutora em Educação pela PUC-SP e professora da PUC-SP

Ricardo Roberto Plaza Teixeira
Doutor em Ciências pela USP e Professor da PUC-SP e do CEFET-SP

Introdução

Tanto a LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional quanto os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais ressaltam, de diferentes formas, a importância de estratégias interdisciplinares no ensino em geral e, de forma específica, na educação básica. Avaliações educacionais como o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) apontam para as deficiências na educação matemática, bem como para a baixa compreensão e interpretação de textos simples, das crianças e dos adolescentes no Brasil.

Muitas experiências em diferentes contextos apresentam o jogo de xadrez como uma ferramenta pedagógica interdisciplinar poderosa para a superação de dificuldades no processo de ensino e aprendizagem. Em alguns países da Europa, sobretudo no leste europeu, o xadrez é introduzido desde a educação infantil até o ensino médio e é preparatório para a universidade. Na França e na Hungria, faz parte de toda grade curricular, respeitando-se as fases de desenvolvimento da criança. Em 1966, foi criada a Faculdade de Xadrez em Moscou: nesta instituição, após quatro anos de estudo, formam-se professores de xadrez. Na Rússia, celeiro de grandes enxadristas, o xadrez é utilizado até para treinamento de astronautas, bem como para o repouso do sistema nervoso das pessoas em geral.

No Brasil, o xadrez ainda é pouco jogado. Apesar de existirem tabuleiros vendidos por preços baixos em muitas lojas populares do país, o maior problema não é o seu custo e, sim, a falta de pessoas e professores que saibam jogar e que também possam transmitir seus conhecimentos e trabalhar com este jogo de forma pedagógica. Para isso, é preciso quebrar mitos, crenças e preconceitos, inclusive o de que ele esteja relacionado única e exclusivamente ao uso do pensamento lógico e de que somente pessoas muito inteligentes são capazes de jogá-lo.

Em seus estudos, Piaget (1978) mostrou-se favorável às ideias de uma escola mais ativa, que faça uso de atividades de interesse do aluno: só dessa forma as crianças tornam-se capazes de ir além dos seus limites. Assim sendo, aprender jogando provoca na criança uma maior concentração e um maior interesse pelos assuntos decorrentes do ou relacionados ao jogo, dando ao aprendiz uma maior capacidade de compreender e introjetar códigos complexos. Brincar e jogar é uma atividade excitante que consome espaço e tempo (WINNICOTT, 1975). Nesse sentido, brincar é um “fazer” intermediário entre o interno e o externo, já que se por um lado não é uma alucinação psíquica interna, por outro lado não se restringe a um objetivo exterior, estando a serviço do sonho e dos sentimentos.

Pode-se definir o jogo como uma atividade por meio da qual a criança constrói uma realidade por meio de regras que apontam para certas habilidades específicas; por outro lado, os brinquedos, mais associados ao universo infantil, estimulam de forma mais livre a expressão de imagens que evocam e substituem aspectos da realidade (BROUGÉRE, 1998; KISHIMOTO, 1999). Finalmente a brincadeira é a ação lúdica na sua plenitude.

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Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica