Quarentena: porque você deveria ignorar toda a pressão para ser produtivo agora
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Quarentena: porque você deveria ignorar toda a pressão para ser produtivo agora
Uma pesquisadora com experiência em ambientes adversos dá conselhos aos acadêmicos ansiosos com a quebra de rotina causada pelo coronavírus
Por Aisha S. Ahmad, no Chronicle of Higher Education.
Tradução de Renato Pincelli.
OQUE TENHO OBSERVADO entre meus colegas e amigos acadêmicos é uma resposta comum à contínua crise da COVID-19. Eles estão lutando bravamente para manter um senso de normalidade — correndo para os cursos online, mantendo rigorosos cronogramas de escrita e criando escolinhas Montessori nas mesas de cozinha. A expectativa deles é apertar os cintos por um breve período, até que as coisas voltem ao normal. Para qualquer um que segue esse caminho, desejo muita saúde e boa sorte.
Entretanto, como alguém que tem experiência com diversas crises ao redor do mundo, o que eu vejo por trás dessa busca pela produtividade é uma suposição perigosa. A resposta para a pergunta que todo mundo está se fazendo — “Quando isso vai acabar?” — é simples é óbvia, mas difícil de engolir. A resposta é nunca.
Catástrofes globais mudam o mundo e esta pandemia é muito semelhante a uma grande guerra. Mesmo que a crise do coronavírus seja contida dentro de alguns meses, o legado dessa pandemia vai viver conosco por anos, talvez décadas. Isso vai mudar o modo como nos movemos, como construímos, como aprendemos e nos conectamos. É simplesmente impossível voltar à vida como se nada disso tivesse acontecido. Assim, embora possa parecer bom por enquanto, é tolice mergulhar num frenesi de atividade ou ficar obcecado com sua produtividade acadêmica neste momento. Isso é negação e auto-ilusão. A resposta emocional e espiritualmente saudável seria se preparar para ser mudado para sempre.
O resto deste artigo é um conselho. Fui constantemente procurada por meus colegas ao redor do mundo para compartilhar minhas experiências de adaptação às condições de crise. Claro que sou apenas uma humana, lutando como todo mundo para se ajustar à pandemia. Entretanto, já trabalhei e vivi sob condições de guerra, conflitos violentos, pobreza e desastres em muitos lugares do mundo. Passei por racionamento de comida e surtos de doenças, bem como prolongados períodos de isolamento social, restrição de movimento e confinamento. Conduzi pesquisas premiadas sob condições físicas e psicológicas extremamente difíceis — e tenho orgulho de minha produtividade e desempenho na minha carreira de pesquisadora.
Deixo aqui os seguintes pensamentos durante esse momento difícil na esperança de que eles ajudem outros acadêmicos a se adaptar a essas condições duras. Pegue o que precisa e deixe o resto.
Primeiro Estágio: Segurança
SEUS PRIMEIROS dias ou suas primeiras semanas numa crise são cruciais e você deveria ter um amplo espaço para fazer um ajuste mental. É perfeitamente normal e aceitável sentir-se mal ou perdido durante essa transição inicial. Considere positivo que não esteja em negação e que está se permitindo trabalhar apesar da ansiedade. Nenhuma pessoa sã sente-se bem durante um desastre global, então agradeça pelo desconforto que sente. Neste estágio, eu diria para focar em alimentação, família, amigos e talvez exercícios físicos — mas você não vai virar um atleta olímpico em quinze dias, então baixe sua bola.
Em seguida, ignore todo mundo que está postando a pornografia da produtividade nas mídias sociais. Está bem se você continua acordado às 3 da manhã. Está bem esquecer de almoçar ou não conseguir fazer uma teleaula de ioga. Está bem se faz três semanas que você nem toca naquele artigo-que-só-falta-revisar-e-submeter.
Ignore tanto as pessoas que dizem estar escrevendo papers quanto as que reclamam de não conseguir escrever. Cada qual está em sua jornada. Corte esse ruído.
Saiba que você não está fracassando. Livre-se das ideias profundamente toscas que você tem a respeito do que deveria estar fazendo agora. Em vez disso, seu foco deve se voltar prioritariamente para sua segurança física e mental. Neste começo de crise, sua prioridade deveria ser a segurança da sua casa. Adquira itens essenciais para sua dispensa, limpe seu lar e faça um plano de coordenação com sua família. Tenha conversas razoáveis sobre preparos de emergência com seus entes queridos. Se você é próximo de alguém que trabalha nos serviços de emergência ou num ramo essencial, redirecione suas energias e faça do apoio a essa pessoa uma prioridade. Identifique e cubra as necessidades dessas pessoas.
Não importa como é o perfil da sua família: vocês vão ter que ser um time nas próximas semanas ou meses. Monte uma estratégia para manter conexões sociais com um pequeno grupo de familiares, amigos e/ou vizinhos, mas mantenha o distanciamento físico de acordo com as orientações de saúde pública. Identifique os vulneráveis e garanta que eles estejam incluídos e protegidos.
A melhor maneira de construir um time é ser um bom companheiro de equipe, então tome alguma iniciativa para não ficar sozinho. Se você não montar essa infra-estrutura psicológica, o desafio das medidas de distanciamento social necessárias pode ser esmagador. Crie uma rede sustentável de apoio social — agora.
Segundo Estágio: Modificação Mental
ASSIM QUE estiver seguro junto com seu time, você vai começar a se sentir mais estável e seu corpo e sua mente vão se adaptar, fazendo-o buscar desafios mais exigentes. Depois de um tempo seu cérebro pode e vai reiniciar sob condições de crise e você vai reaver sua capacidade de trabalhar em alto nível.
Essa modificação mental permitirá que você volte a ser um pesquisador de alta performance, mesmo sob condições extremas. No entanto, você não deve tentar forçar sua modificação mental, especialmente se você nunca passou por um desastre. Um dos posts mais relevantes que vi no Twitter (do escritor Troy Johnson) dizia: “Dia 1 da Quarentena — vou meditar e fazer treinamento físico. Dia 4 — ah, vamos misturar logo o sorvete com o macarrão”. Pode parecer engraçado, mas diz muito sobre o problema.
Mais do que nunca, precisamos abandonar o performativo e abraçar o autêntico. Modificar nossas essências mentais exige humildade e paciência. Mantenha o foco nessa mudança interna. Essas transformações humanas vão ser sinceras, cruas, feias, esperançosas, frustrantes, lindas e divinas — e serão mais lentas do que os acadêmicos atarefados estão acostumados. Seja lento. Permita-se ficar distraído. Deixe que isso mude o modo como você pensa e como você vê o mundo. Porque o nosso trabalho é o mundo. Que essa tragédia, enfim, nos faça derrubar todas as nossas suposições falhas e nos dê coragem para ter novas ideias.
Terceiro Estágio: Abrace o Novo Normal
Do outro lado dessa mudança, seu cérebro maravilhoso, criativo e resiliente estará te esperando. Quando suas fundações estiverem sólidas, faça uma agenda semanal priorizando a segurança do seu time doméstico e depois reserve blocos de tempo para as diferentes categorias do seu trabalho: ensino, administração e pesquisa. Faça primeiro as tarefas simples e vá abrindo caminho até os pesos-pesados. Acorde cedo. Aquela aula online de ioga ou crossfit vai ser mais fácil nesse estágio.
A essa altura, as coisas começam a parecer mais naturais. O trabalho também vai fazer mais sentido e você estará mais confortável para mudar ou desfazer o que estava fazendo. Vão surgir ideias novas, que nunca lhe passariam pela cabeça se você tivesse ficado em negação. Continue abraçando sua modificação mental, tenha fé no processo e dê apoio ao seu time.
Lembre-se que isso é uma maratona: se você disparar na largada, vai vomitar nos seus pés até o fim do mês. Esteja emocionalmente preparado para uma crise que vai durar 12 ou 18 meses, seguida de uma recuperação lenta. Se terminar antes, será uma surpresa agradável. Neste momento, trabalhe para estabelecer sua serenidade, sua produtividade e seu bem-estar sob condições prolongadas de desastre.
Nenhum de nós sabe quanto tempo essa crise vai durar. Gostaríamos de receber nossas tropas de volta ao lar antes do Natal. Essa incerteza nos enlouquece.
Porém, virá o dia em que a pandemia estará acabada. Vamos abraçar nossos vizinhos e amigos. Vamos retornar às nossas salas de aula e cantinhos do café. Nossas fronteiras voltarão a se abrir para o livre movimento. Nossas economias, um dia, estarão recuperadas das recessões por vir.
Só que, agora, estamos no começo desta jornada. Muita gente ainda não entendeu o fato de que o mundo já mudou. Alguns membros da faculdade sentem-se distraídos ou culpados por não conseguir escrever muito ou dar aulas online apropriadas. Outros usam todo seu tempo em casa para escrever e relatam um surto de produtividade. Tudo isso é ruído — negação e ilusão. Neste momento, essa negação só serve para atrasar o processo fundamental da aceitação, que permite que a gente possa se reinventar nessa nova realidade.
Do outro lado desta jornada de aceitação estão a esperança e a resiliência. Nós sabemos que podemos passar por isso, mesmo que dure anos. Nós seremos criativos e responsivos; vamos lutar em todas as brechas e recantos possíveis. Vamos aprender novas receitas e fazer amizades desconhecidas. Faremos projetos que nem podemos imaginar hoje e vamos inspirar estudantes que ainda estamos para conhecer. E vamos nos ajudar mutuamente. Não importa o que vier depois: juntos, estaremos preparados e fortalecidos.
Por fim, gostaria de agradecer aos colegas e amigos que vivem em lugares difíceis, que sentem na própria pele essa sensação de desastre. Nos últimos anos, rimos ao trocar lembranças sobre as dores da infância e exultamos sobre nossas tribulações. Agradecemos à resiliência que veio com nossas velhas feridas de guerra. Obrigado a vocês por serem os guerreiros da luz e por partilhar de sua sabedoria nascida do sofrimento — porque a calamidade é uma grande professora.
AISHA AHMAD é professora-assistente de Ciências Políticas na Universidade de Toronto, no Canadá, onde também dá cursos avançados sobre Segurança Internacional. Fruto de pesquisas feitas no Afeganistão, Paquistão, Somália, Mali e Líbano, seu livro “Jihad & Co: Black Markets and Islamist Power” (2017) explora as motivações econômicas por trás dos conflitos no mundo islâmico. Este artigo com conselhos sobre produtividade acadêmica em condições adversas foi publicado originalmente no “Chronicle of Higher Education” em 27/03/20.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
É preciso perdoar: ciência confirma ligação da mágoa com infarto
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
É preciso perdoar: ciência confirma ligação da mágoa com infarto
É preciso dizer: “Eu te perdoo”. A conclusão é da Medicina e da Psicologia que, juntas, começam a comprovar que o corpo reage negativamente a sensações como o ressentimento e a raiva. Os infartos, por exemplo, são associados, em alguns casos, a pessoas que não conseguem perdoar.
Enquanto isso, o perdão tem sido visto como a possibilidade de viver melhor e com mais saúde. Uma questão não apenas subjetiva, mas que faz parte do campo da saúde.
A atenção da ciência em relação ao assunto ganhou força nos últimos 15 anos. Os exames mais modernos de imagem como os eletromagnéticos começaram a medir com mais precisão a reação do cérebro e, consequentemente, do coração a situações de estresse similares ao perdão.
É do cérebro que partem estímulos nervosos para o coração e o resto do corpo.
A Psicologia, principalmente depois do advento da Psicanálise, em 1920, sempre se interessou pelos processos inconscientes e subjetivos dos seres humanos.
Em uma mesa do 40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), em junho deste ano, a psicanalista Suzana Avezum apresentou uma pesquisa que mostra relação entre o enfarte agudo do miocárdio, quando a circulação de sangue para uma parte do coração é interrompida, e a dificuldade em perdoar.
A pesquisadora entrevistou 130 pacientes que enfartaram, de 2016 a 2018, e encontrou maior incidência do problema entre aqueles que diziam ter dificuldade para perdoar. Segundo a Secretaria de Saúda da Bahia (Sesab), neste ano, 2,8 mil pessoas foram internadas depois de sofrerem infarto do miocárdio. Não é possível determinar a causa direta de cada infarto.
Na Bahia, o tema do perdão na saúde é tratado diretamente por médicos desde 2017, Foi quando surgiu o chamado Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (Genca), ligado à Sociedade Brasileira de Cardiologia na Bahia. São 14 médicos dedicados no estado.
“Estamos num momento muito aberto uma Medicina um pouco diferente, sem tanta medicação, mas mais sutil, peculiar do ser humano”, explica Lucélia Magalhães, cardiologista coordenadora nacional do Genca.
Até agora, descobertas comprovam, e explicam, como o ato de perdoar age bioquimicamente a ponto de fazer bem ao coração.
Como o corpo reage
Todas as situações traumáticas ficam, de alguma forma, registradas no corpo. No corpo, perdoar significa diminuir a quantidade de hormônios de estresse e de desgaste emocional como o cortisol , explica Lucélia,
É quando a mágoa deixa de ser exclusivamente subjetiva e passa a ser passível de observação, física, palpável. Não há estudos que deem conta dos efeitos medicinais do perdão no corpo de quem o recebe. Mas quem estuda o perdão está certo de efeitos positivos para ambos.
“Em alguém com raiva crônica, o cérebro fica modificado. Conseguimos ver, com marcadores cintilográficos [método de diagnóstico por imagem] alterações“, explica.
As lesões no coração podem ser causadas justamente nesse processo de alterações que levam a um aumento da frequência cardíaca e até a um processo de inflamação do endotélio, a parte mais interna do coração.
A médica afirma que os estudos já conseguem apontar possíveis relações entre o câncer e sentimentos como a mágoa, a partir da produção excessiva do hormônio cortisol. Não há, no entanto, nenhum consenso científico sobre essa relação.
Por enquanto, relata a cardiologista e psicoterapeuta Rosário von Flach, a ciência já atesta que qualquer momento estressante eleva a frequência cardíaca.
São chamados de momentos estressantes qualquer episódio em que o corpo se vê obrigado a dar um resposta rápida a uma situação. É o que acontece, por exemplo, quando a mente recebe a notícia de uma traição.
Se os batimentos cardíacos são mais fortes, é porque o coração está sendo requisitado além da conta, pontua a médica. Outro ponto é que, na resposta a esse estresse, o corpo pode iniciar um processo inflamatório, que é uma resposta natural do corpo a uma possível desregulação interna ou externa como alterações de níveis de hormônios ou lesões físicas.
“O processo que leva ao infarto é justamente a formação de placas interna no endotélio”, ressalta.
O perdão é a possibilidade de deixar de reviver traumas e, com isso, ativar sensações e dores passadas. O ciclo de ativar substâncias danosas, então, é rompido. Não por isso, perdoar significa esquecer.
Quando falam de perdão, as especialistas também falam de um processo de ressignificação de um trama. E não adianta ser apenas da boca para fora, pois o corpo não pode ser enganado.
“Um dia, algo que tem importância, perde sua força. Quando falo de esquecer, eu falo disso”, ressalta Von Flach.
Mas como perdoar?
A Medicina já possui um vocabulário próprio para falar do perdão. Aquele que perdoa, por exemplo, é chamado de “magoado”, e o outro a quem se destina o perdão, de “objeto”. Para medir a disposição para o perdão, geralmente são aplicados questionários que supõem situações hipotéticas nas quais os pacientes precisam se colocar.
“Medir, diretamente, não conseguimos, porque é uma coisa muito subjetiva. Mas costumamos perguntar: em tal situação, você seria capaz de perdoar?”, explica o doutor em Cardiologia Luiz Ritt e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.
Um momento traumático é registrado pelo corpo e o ressentimento – o ato de sentir de novo – traz à tona sensações passadas. Se a pessoa não conseguir ressignificar o sentimento, haverá um dano no corpo toda as vezes em quea pessoarelembrar um trauma passado. Isso porque as lembranças reativarão os mesmo processos bioquímicos, como a liberação de hormônios, como a situação fosse revivida.
Embora seja possível comprovar que o perdão é curativo, não há receita de bolo, nem tempo específico, para perdoar. A médica Rosário Von Flach sugere momentos de busca pelo perdão.
Primeiro, é preciso admitir que o sofrimento existe. Também é necessário dar espaço à vazão de sentimentos que aparecerão, como raiva e ódio. E compreender a humanidade do outro. Se quem magoou é humano, é esperado que erros sejam cometidos – falhas que são, inclusive, recíprocas. Nessa lógica, ninguém é vítima, ninguém é algoz.
O resultado é que quem errou começa a ser colocado numa posição de “educador”.
“Quando colocamos aquele que nos agrediu como nosso mestre, porque todo trauma nos ensina, passamos a honrá-lo como nosso mestre”.
Se, até agora, você ainda acha que o perdão é impossível, vale dizer que os traumas, na verdade, são nossas primeiras experiências de vida. O primeiro grande trauma sofrido é o próprio nascimento, quando somos lançados a força do único mundo conhecido a um universo completamente novo.
“É uma situação traumática gravíssima. Você lembra? Eu não. Mas o que foi difícil, depois de sermos bem recebidas, alimentadas, tudo aquilo fica como uma memória traumática que não reativa“, diz a médica. Então, se o nascimento pode ser perdoado, atesta a ciência, tudo pode.
‘Achavam que falar de perdão não era ciência’
Quando, há 10 anos, começou a se interessar pelo tema do perdão, a cardiologista Lucélia Magalhães lembra que, em todo Brasil, eram apenas ela e outros seis médicos. A comunidade médica acreditava que aquilo sequer era ciência.
“Lá dentro, havia um debate que aquilo não era ciência, mas provamos que é ciência, é baseado em estudos. Achavam que falar de perdão não era ciência”, lembra a médica.
Os seis médicos, ao longo dos anos, viraram 930 – quantidade de médicos cadastrados no Genca Brasil. Se antes, também era escassas as produções científicas, entre cinco e seis no ano, hoje, a média anual é mais que o triplo.
O assunto do perdão faz parte de um tópico chamado de “espiritualidade” pela Medicina. A espiritualidade, explica o cardiologista Luiz Ritt, é compreendida não sob o ponto de vista religioso, mas como “conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento inter e intrapessoal”.
Neste ano, a Sociedade de Cardiologia lançou uma diretriz especifica espiritualidade e saúde. O documento sugere que os médicos perguntem de modo aberto sobre os valores dos pacientes, por exemplo.
Hoje, em Salvador, duas faculdades de Medicina têm matérias específicas sobre espiritualidade, segundo Lucélia Magalhães – a Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e o Centro Universitário UFTC.
Em agosto de 2017, quando o Genca Bahia foi lançado, em média 240 pessoas se reuniam para discutir questões mais subjetivas ligadas à Medicina.
“Só tende a crescer. Tínhamos que começar com embasamento científico, se não, não conseguiríamos sobreviver”, opina Lucélia.
O doutor em cardiologia Luiz Ritt afirma que ainda não é padrão, nos hospitais, levantar a rotina psicológica do paciente, como ele se relaciona nos momentos de raiva, do que ele sente raiva, se ele é capaz de perdoar.
A incorporação das demandas ditas espirituais nas consultas depende, no entanto, de cada médico. E das próprias demandas dos pacientes, opina Ritt, que cada vez mais solicitam abordagens mais pessoais e subjetivas. “As pesquisas, nesse sentido, são mais recentes. Acho que estamos num processo de difundir mais esse conhecimento”, finaliza.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
Caminhada: 8 benefícios para a saúde física e mental
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Caminhada: 8 benefícios para a saúde física e mental
Um exercício simples de ser praticado que além de barato, é muito eficiente. A caminhada é uma excelente atividade para prevenir doenças, perder peso e cuidar da saúde mental. Conheça 8 benefícios da caminhada:
1. Combate o Mal de Alzheimer
Ao estudar 6 mil voluntários, um estudo realizado pela Universidade da California, EUA, descobriu que uma caminhada simples pode reduzir consideravelmente o risco de desenvolver Alzheimer, uma vez que tal atividade física ocasiona uma melhor capacidade mental nas pessoas de idade mais avançada.
2. Evita doenças vasculares, como o AVC
De acordo com um estudo publicado na revista Stroke, que analisou 33 mil pessoas, as mulheres que mantinham o hábito de caminhar por mais de três horas por semana apresentaram 435 menos riscos de sofrerem um AVC, em comparação com aquelas que não mantinham o mesmo hábito e não praticavam qualquer atividade física.
3. Combate os sintomas da depressão
O hábito de caminhar regularmente é um forte aliado no combate aos sintomas da depressão, pois durante a atividade, é liberado a endorfina, hormônio responsável pela sensação de prazer, relaxamento e bem-estar.
4. Auxilia a regular a diabetes
A caminhada regular também ajuda a controlar a diabetes, uma vez que a insulina (substância responsável por absorver glicose) é produzida em maior quantidade durante a prática de atividades físicas, e isso ocorre por conta do esforço físico empregado que estimula a circulação sanguínea, bem como o bom funcionamento do fígado e pâncreas.
5. Auxilia no desejo pelo consumo de doces
De acordo com uma pesquisa cientifica realizada pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, uma caminhada de 15 minutos diários pode diminuir consideravelmente o desejo de comer doces, além de controlar a compulsão alimentar. Isso ocorre porque o exercício físico provoca uma sensação de bem-estar que se assemelha com a mesma que é liberada ao consumir doces.
6. Auxilia no Tratamento a Osteoporose
Quem sofre de osteoporose, com a devida orientação profissional, pode encontrar na caminhada uma preciosa aliada para combater esse mal, uma vez que, ao contrario do que pensa o senso comum, a movimentação do corpo e o atrito dos pés com o estimulam impulsos elétricos que aumentam a absorção de cálcio fortalecendo, dessa forma, os ossos.
7. Auxilia no processo de emagrecer
Além de combater a compulsão pelo consumo de doces, melhorar a capacidade respiratória e combater problemas cardiovasculares, a atividade regular de caminhada auxilia a emagrecer, uma vez que respeitadas as particularidades e regras referentes a regularidade, tempo e velocidade.
8. Auxilia no abandono ao tabagismo
Novamente de acordo com pesquisa cientifica produzida pela Universidade de Exeter, a caminhada é uma forte aliada para aqueles que desejam parar de fumar. O estudo que analisou 140 pessoas viciadas em cigarro, pode observar que a abstinência pode ser combatida com curtos períodos de exercícios físicos de intensidade moderada, fator essencial parar o abandono do tabagismo.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
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Dica Frazão: 90 anos levando a moda do Pará ao mundo
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Dica Frazão: 90 anos levando a moda do Pará ao mundo
Dona Dica Frazão como é conhecida na cidade de Santarém, estado do Pará, nasceu em 29 de setembro de 1910 e, hoje, seus 90 anos de idade, segundo suas palavras, foram intensamente vividos. Disse ser apaixonada pela vida, e pela sua grande família que inclui vários irmãos que segunda ela eram muitos ligados uns aos outros, além de orgulhar-se de seus filhos, disse ter muitos netos, e a incrível marca de trinta e dois bisnetos e dois tataranetos.
Ela foi uma mulher revolucionária na Arte e na Moda: no meio do século XX começou a costurar belos vestidos feitos de materiais da região: folhas, raízes, palha, flores, fibras… São belíssimos! Suas roupas estão no museu do Vaticano e vestem a rainha da Bélgica!
Considera-se uma autodidata e disse que foi por respeito à natureza que fez suas criações a partir das coisas que via a sua volta no meio da floresta amazônica, coisas que com muita delicadeza e criatividade transformaram-se em arte em suas mãos e viajaram o mundo, levadas por turistas de diferentes países: assim ficou conhecida e seu trabalho foi reconhecido e consagrado.
O pioneirismo de suas obras foi destacado por diversas reportagens e encontra-se em destaque em guias turístico internacionais.
Dica recebeu inúmeras homenagens e participou de vários eventos patrocinados por importantes entidades tanto do estado do Pará quanto do Brasil e do exterior e, segundo ela, recebeu em seu museu em Santarém, local que também é sua residência, personalidades ilustres e famosas. No seu museu pode-se observar uma enorme quantidade de medalhas, títulos e diplomas de honra ao mérito das mais variadas entidades que orgulhosamente
reconheceram sua dedicação, a originalidade de seu trabalho e a beleza incomum e única de tudo que criou.
O Museu foi criado em 22 de junho de 1999, para homenagear e imortalizar tanto a própria Zica Frazão, quanto sua arte, por meio de convênio entre a prefeitura de Santarém e o Ministério da Cultura. Este museu divide espaço com seu antigo ateliê, hoje um pouco menor. A entrada é grátis, mas uma contribuição para a manutenção do museu é bem vinda. Ela disse que vez ou outra passa as horas pelo ateliê, contudo sua dedicação hoje está mais voltada para a recepção dos visitantes e turistas, coisa que ela faz com muito prazer, gentileza e atenção.
Foi a própria Dona Dica que nos guiou pelo museu (devagarinho, com o seu andador, mas contando tudo, por quase uma hora, antes do almoço dela)! Ela nos deu uma verdadeira aula sobre moda, arte, vestimentas e história. Os modelos de seus vestidos e chapéus que estão expostos em seu museu são replicas de trabalhos sob encomenda de diferentes clientes, todos exuberantes. Visitar o museu Dica Frazão deveria entrar na agenda de todos que visitam a bela cidade de Santarém, no oeste do estado do Pará!
Mas não é só isso, Dona Zica também é poeta como podemos conferir na “Lenda” que escreveu sobre o belo Rio Tapajós que banha a cidade de Santarém:
Lenda
Tapajós, conto de fadas
Uma linda perfeição
Que contada com carinho
Faz tocar os corações
Tapajós, quem o pintou
Foi a própria natureza
Usou todas as tintas,
Todas elas naturais.
O sol, o amarelo
A lua, o prateado
A noite, a sombra
O dia, o branco
A neve, a pureza
Tudo isto ajudou
A decorar sua beleza
Tapajós, dos meus encantos,
Entre as margens pantanosas
Veem-se lindos e gigantescos
Discos verdes navegando
Transportando suas rainhas
Vestidas de rosas e branco
A orgulhosa vitória-régia
Sorridente e orgulhosa
Aos olhos dos navegantes
Que o admiram apaixonadamente.
Tapajós, imenso rio,
Tua riqueza
É de nobreza
O ouro e o diamante
São jóias constantes
Tuas praias brancas
Como lençol se estende
A brisa brinca
Trepidando a areia
E formando algumas rugas
Nela pode bem se admirar
Os desfiles
Das mais lindas tartarugas
Tapajós, nome sagrado
Na história dos brasões
Lindas virgens em tuas margens
Todas elas lindas e sãs
São as filhas de Tupã
Tribos fortes e bem nutridas
Neste imenso céu de anil
Tudo isso ajudou
O orgulho do Brasil.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
