Festa Junina CREMI 2011 – Para se divertir não tem idade

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2011 - Para se divertir não tem idade

Para alguns, é bobagem se fantasiar; para outros é momento de brincar e se divertir como pessoas idosas e não como crianças, cada uma a sua maneira.

Vamos celebrar a vida! Coloquem sua fantasia e vamos dançar! Esta foi a frase mais repetida durante os preparativos da festa junina realizada no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade em Caraguatatuba. Todos estavam muitos ansiosos para o dia da festa, que contou com vários ensaios de teatro, música e dança tendo como atores protagonistas os próprios idosos, que se divertiam, se alegravam e certamente celebravam grandes momentos de pura alegria e descontração, inclusive com recordação de bons momentos de suas vidas vividas.

Ali estavam muitos profissionais e voluntários, amigos, enfim, muita gente dedicando-se para o sucesso da realização do evento que simbolicamente permitiu fazer um balanço dos trabalhos direcionados ao público envelhescente da região. “Não é uma simples festa, é um marco que nos permite avaliar como nosso trabalho esta repercutindo em nossa comunidade e assim conquistarmos novas adesões, visibilidade, respeito e apoio para com a pessoa idosa em nossa região”: palavras de Marta Borges, uma das pessoas responsáveis pelo evento e coordenadora do CREMI, mas ela não estava sozinha, pois contou com a disposição de toda a sua equipe de profissionais que trabalharam muito para que cada idoso pudesse participar da sua própria maneira da festa.

“Eu até já comprei meu vestido, quero me divertir, pois aqui posso fazer o que tenho vontade sem que meus filhos se preocupem comigo” disse Maria (67 anos). Com essa fala ela contagiou a colega desanimada que, afirmava não gostar de dançar, mas que prestigiaria o evento para que as colegas se divertissem.

Aproveitamos os preparativos dessa festa para conversar mais proximamente com alguns idosos, para entender um pouco mais sobre as razões que os movem até este lugar e sobre suas histórias de vida. As respostas foram variadas. Alguns afirmavam que se fantasiar com roupas caipiras e maquiagem era bobagem, coisa de criança. Mas para a grande maioria dos idosos era momento de brincar. Para se divertir não tem idade! “A gente se diverte como uma pessoa velha e não como criança, cada uma a sua maneira” disse uma senhora idosa que cantarolou muito no evento em que tivemos um belo casamento celebrado com padre e todo requinte.

Mas para se ter uma vida longa, é preciso ser alegre o tempo todo? Estar sempre disposto? Especialistas no assunto afirmam que fatores como herança genética, alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, entre tantas outras coisas, podem nos dar uma possível resposta para que algumas pessoas sejam agraciadas e possam ter uma vida longeva. O estilo de vida de cada ser humano e essencial para se viver muitos anos. Mas isso é bem particular. Uma pessoa pode ser tímida, extrovertida, recatada ou extravagante, não importa! O que para alguns é alegria e muito significativo, para outros é tudo bobagem.

Para alguns dos idosos que frequentam o CREMI existem muitas explicações para se ter uma vida longa. A Sra. Mafalda, 83 anos, por exemplo, afirma que ser ativa e perseverante é sua principal receita. Ela que já é bisavó, afirma que hoje seu maior desejo é ser tataravó. Disse também que ao longo de sua vida sempre trabalhou muito e que ainda hoje trabalha como recepcionista, agendando reuniões e anotando recados no escritório de advocacia de um de seus filhos na cidade. Com esse trabalho sente-se muito bem e útil: quando está trabalhando a hora passa sem que se perceba. Ela disse que não participaria da festa junina do CREMI por questão dos limites físicos. Não consegue ficar em local agitado por muito tempo, devido às seqüelas de um acidente, preferindo a tranquilidade e segurança de sua casa.

A Sra. Otália de 91 anos compartilha com Mafalda quanto ao desejo de ser tataravó. Ela aproveitou muito bem a festa junina, dançou e brincou pra valer o quanto pode. Mas ela não está sozinha, pois participa de tudo com sua incansável amiga Maria, de 67 anos. Juntas participaram com grande entusiasmo da festa junina do CREMI, dançaram, brincaram e se divertiram: “Quem canta os males espanta”. “A gente se sente bem aqui e tem sempre alguém para conversar” disse Maria.

A professora de dança sênior Maria José, de 63 anos, disse que se renova a cada dia de trabalho e que, por trabalhar com esse público, está se preparando para o próprio envelhecimento uma vez que aprende muito com o grande entusiasmos de seus alunos, vários deles na casa dos 80 anos. “Às vezes chego triste devido aos problemas pessoais, mas ao olhar para eles esqueço de tudo”. Sempre muito animada, participou com muita garra das quadrilhas estimulando seus alunos Acredita que sua convivência com idosos a preparará para a própria velhice.

Ainda não sabemos quais os segredos da longevidade, mas notamos que as pessoas perseverantes, flexíveis e positivas estão mais satisfeitas com a própria vida e encaram os desafios e as limitações da velhice com mais tranquilidade. Notamos também que a realização de uma festa popular, como no caso de uma festa junina, pode permitir aos idosos momentos de grande descontração, união e retorno às origens, pois podem compartilhar suas emoções com outros colegas, independentemente da idade. Parabenizamos todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram e permitiram a realização de mais um evento popular, tendo como protagonista o público idoso que certamente não se esquecerá desse encontro.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Homenagem às mães, avós, bisavós e tataravós

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Homenagem às mães, avós, bisavós e tataravós

Os idosos participantes do CREMI fazem questão de registrar com muita alegria de que viver é muito bom.

No mês das mães, o CREMI- Centro de Referência da Melhor Idade da cidade de Caraguatatuba/SP fez uma grande festa que reuniu mães, avós, bisavós, tataravós, seus familiares e amigos. Todos os participantes tiveram a oportunidade de relembrar momentos do passado e celebrar o futuro ao declarar amor à vida.

Entre as homenagens tivemos danças, teatros, músicas e até um repentista que se revezaram no palco para que os presentes pudessem apreciar e se divertir, juntamente com seus filhos, netos e bisnetos.

Notamos que o fortalecimento do convívio intergeracional e do respeito mútuo tem valorizado e proporcionado orgulho entre os envelhescentes de suas próprias idades. Os idosos participantes do CREMI fazem questão de registrar com muita alegria de que viver é muito bom e que sentem-se privilegiados em poder dividir com os amigos presentes mais este momento. Outros disseram que é preciso ter fé, ser perseverante, além de não desanimar diante das inúmeras dificuldades, pois, uma pessoa positiva e feliz supera mais facilmente os desafios do dia a dia.

“Sinto-me privilegiada por poder participar deste momento, afinal já tenho 84 anos, sei que meu tempo esta acabando, mas permanecerei viva através dos meus netos e bisnestos. Isso me dá ânimo para continuar vivendo” disse a Sra. Aparecida Garcia.

O tataravô Sr. Luiz da Silva de 94 anos tocou sua gaita e declamou poesias a todas as mulheres presentes e agradeceu à coordenadora do CREMI, a Sra. Marta Borges, pela organização do evento.

 A Sra. Cida Waak de 83 anos, presidente do conselho do idoso da cidade, brincou com as amigas “Se você somar as idades desta mesa verá que somos mais de meio milhar”, ou seja, mais de 500. “Eu vivo cada minuto da minha vida com muito trabalho e muito prazer”.

Mas vale lembrar que poder estar ao lado de tantas pessoas interessantes, experientes e conhecedoras de uma riquíssima cultura, também proporciona aos mais jovens um grande aprendizado de vida que certamente permitirá que eles se prepararem também para o futuro e o envelhecimento. Afinal, ainda não sabemos o quanto viveremos, mas sabemos que queremos continuar a viver.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

A finalização das atividades do CREMI seguiu de festa e confraternização, que não foram afetadas mesmo com as volumosas chuvas naturais de dezembro

As chuvas que sempre assolam a região do Litoral Norte nesta época do ano não impediram a realização de  um dia de festa e confraternização com a finalização de todas as atividades promovidas pelo CREMI- Centro de Referência da Melhor Idade da cidade de Caraguatatuba.

Nesse dia, a festa foi direcionada a familiares, aos idosos e às crianças que participaram de diferentes projetos direcionados ao público envelhescente. Este dia foi celebrado pelos idosos com muita dança, música e arte, sendo assim um encontro marcado por grandes emoções.

Entre essas atividades de encerramento, tivemos o encontro dos participantes do projeto “Aproximando Gerações pela Escrita”, coordenado por Divina de Fátima dos Santos que envolveu a troca de correspondências (cartas) entre os idosos do CREMI e as crianças dos 4º e 5º anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Aída de Almeida Castro Grazioli do município de Caraguatatuba.  

Um dos objetivos desse projeto foi o de promover o encontro de pessoas de idades distintas, além de integrar e romper barreiras e assim aproximar os diferentes numa tentativa de proporcionar maior flexibilidade e respeito entre pessoas de diversas idades.

Mas não foi só isso, o projeto visou, também, auxiliar as crianças pedagogicamente, pois a troca de cartas possibilita a melhora da leitura e da escrita, ampliando o conhecimento do vocabulário, das regras gramaticais e da língua portuguesa para aqueles que estão em fase de escolarização.

Neste ano, foram 80 participantes de ambos os sexos, sendo 40 crianças e 40 idosos que tiveram a oportunidade de corresponderem-se ao longo do segundo semestre e assim conhecerem outra pessoa diferente do seu círculo habitual de amizade.

É preciso lembra que devido à vida contemporânea, crianças, jovens, adultos e idosos quase não têm tempo de compartilhar suas vidas e encontros intergeracionais são cada vez mais raros. Esse tipo de trabalho ajuda a fortalecer a estabilidade emocional e os laços familiares que se iniciam a princípio na escola ou nos centros de convivência para idosos e que podem expandir-se para outros locais de convivência dessas pessoas. Nesse sentido, mesmos não sendo avós e netos consanguíneos, os participantes deste projeto tiveram a oportunidade de relacionarem-se como se tivessem ao seu lado um avô(ó) ou um neto(a) e isso pode auxiliar e fortalecer a ambos

Agradecemos aos Gestores da Escola Aída de Almeida Castro Grazioli, à Coordenadora Pedagógica Laura, às professoras das crianças que bravamente abraçaram a ideia e encararam o desafio do projeto, às Secretarias da Educação e da Assistência Social da cidade de Caraguatatuba e à Coordenadora Marta Borges do CREMI, pois todos compreenderam a relevância e amplitude social do projeto, facilitando a realização desta proposta.

“Vó é palavra mágica,

Feita de favos de mel,

Por fadas do bem querer,

Ser avó é ter desejos de mudanças,

Aceitar pacificamente as mudanças dos desejos…

É quebra de paradigmas.

Conquista de novos olhares,

São diferentes visões de mundo,

Num mundo mais colorido,

Feito de pura emoção que segue a cada momento,

A cada dia a explodir de prazer o coração,

De excesso de emoção…”

(Maria JoséA. Araújo apud Almeida, Vera)

RevistaEsesc n.5 – 2010

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Esse foi o slogan da campanha que deu início às comemorações da Semana do Idoso entre os dias 21 e 26 de setembro de 2010, na Cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Ao todo, foram seis dias com atividades variadas, todas direcionadas ao público envelhescente.

Um dos objetivos dos organizadores do evento foi chamar a atenção das famílias e da comunidade local para esse segmento da população que vem crescendo na região, já que alguns sofrem com o abandono e o descaso de parentes, e são esquecidos e ignorados em seu meio social.

                O evento foi um verdadeiro sucesso de público do primeiro ao último dia e recebeu pessoas de toda a região. Elas foram convidadas a participar das inúmeras atividades previamente planejadas e organizadas por toda a equipe de profissionais e de voluntários do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – coordenado pela Sra. Marta Borges e pela presidente do Conselho do Idoso, Sra. Cida Waak. Ambas se dedicaram pessoalmente pela realização do evento e estavam muito felizes com a participação do público.

A fonoaudióloga Mariana Tolosa e a terapeuta ocupacional Elizabeth Escaño disseram que esse tipo de evento ajuda os idosos a sentirem-se mais respeitados e valorizados, já que para a sociedade, eles muitas vezes são invisíveis. A estagiária de educação física Amanda Marques disse que adora trabalhar com a terceira idade e que com este convívio passou a valorizar coisas que antes não dava atenção. Lúcia e Marco – da secretaria de esporte de Caraguatatuba – disseram que a cada dia de trabalho com os idosos no CREMI, eles ganham força para superar seus próprios limites.

                Caraguatatuba vem se destacando no litoral norte como pioneira na valorização e nos investimentos específicos para a pessoa idosa. A cidade tem se tornado uma das mais escolhidas entre os aposentados que buscam nela um lugar agradável e acolhedor para desfrutar a vida na envelhescência.

A cerimônia oficial de abertura do evento contou com a participação do prefeito da cidade Antonio Carlos, do vice-prefeito Antonio Carlos Junior, da secretária de Assistência Social Márcia de Medeiros, assim como de alguns líderes religiosos locais e de outros representantes de setores de destaque da cidade, mas a grande estrela da noite foram os idosos que lotaram o Auditório do Clube Ilha Morena.

O dia de abertura contou com a apresentação da Dança Sênior realizada por idosos, alunos das professoras Maria José e Mara, que foram ensaiados especialmente para o evento. Alguns deles se emocionaram no momento da apresentação e por poderem mostrar aos seus familiares um pouco das coisas que estão aprendendo nos espaços que os acolhem, seja o CREMI, a Associação dos Aposentados ou o CCTI – Centro de Convivência da terceira Idade “Estrela do Mar”.

Foram inúmeras as atrações e no final da tarde do primeiro dia tivemos uma palestra sobre sustentabilidade com o biólogo André Cabral, seguida de um coquetel ao som do músico argentino Juan Bruera.

No segundo dia as festividades iniciaram bem cedo. Às 9 horas os idosos foram convidados a participarem no espaço do Clube Ilha Morena de um torneio de pesca; outros puderam fazer atividades variadas como as gincanas elaboradas pela equipe do esporte liderada por Lúcia Gardelin e sua equipe que comandaram diferentes jogos e brincadeiras. Mas não foi só isso! Os idosos puderam escrever e declamar poesias de suas autorias ao longo do dia em diferentes momentos, num estímulo pela valorização literária que revelou novos talentos.

A nutricionista Aline Roberta e a cozinheira chefe Sonia Rosa do CREMI comandaram uma equipe de profissionais e voluntários no preparo do almoço do dia oferecido a mais de 190 pessoas idosas que após degustarem a deliciosa refeição foram convidados a assistir o filme “Elza e Fred”. Após o seu término, ocorreu um debate sobre os temas abordados pelo filme que foi coordenado pela pesquisadora do Programa de Gerontologia da PUC-SP Divina Santos, o qual teve grande repercussão e ressonância entre a plateia. Após o debate, alguns idosos agradeceram a oportunidade, pois relataram que ao ver o filme, sentiram-se mais fortalecidos na busca de sua felicidade, afirmando que nunca é tarde para viver plenamente a vida.

                A inauguração da praça do idoso ocorreu no dia 23/09/10, que conta com equipamentos de exercícios para alongamentos que podem ser utilizado de forma autônoma pelos seus frequentadores. A inauguração que contou com a presença das autoridades locais e de vários idosos e ocorreu após uma caminhada ao longo da cidade.

No dia seguinte, os idosos e seus familiares puderam apreciar e curtir a noite no Teatro Mario Covas com atividades promovidas pela FUNDACC (Fundação Cultural de Caraguatatuba) e que contou com apresentações musicais, de piano, de teatro e de dança, dentre outras, todas realizadas por artistas locais e com temáticas voltadas ao público idoso e seus familiares. Um dos destaques da noite foi a dança de salão apresentada por Gloria Leontina (secretária do conselho do Idoso) e seu parceiro.

                A região também valorizou artesãos locais e, em vários dias do evento foram exibidas as bonecas caiçaras. Trata-se da imortalização dos povos caiçaras naturais da região que foram transformados em bonecas confeccionadas com produtos recicláveis, em grande parte por materiais de descarte de pesca de moradores locais. Estas bonecas, que representam as senhoras e senhores pescadores caiçaras, já receberam inúmeros prêmios no exterior devido a sua história e originalidade.

Na noite de sábado, como não poderia ser diferente, o CREMI ofereceu um baile para a terceira idade. O salão ficou lotado pelos amantes da dança; alguns idosos relataram que a música e a dança os mantêm vivos e longe da depressão.

O ultimo dia foi marcado com um almoço comemorativo de encerramento das festividades oferecido pelo presidente do CCTI (Sr. Roberto) e sua esposa (Sra. Marisa) aos idosos asilares no Clube de Convivência Estrela do Mar. Foram mais de 40 idosos que degustaram e prestigiaram o momento que também contou com danças e brincadeiras. Os idosos também homenagearam a Sra. Marta Borges pelo seu esforço e empenho juntamente com sua equipe de profissionais e de colaboradores.

O destaque das festividades da cidade foi o presente dado ao idoso da região com a inauguração da praça do idoso. Mas a maior conquista desse evento foi a grande mobilização da comunidade local e de seus familiares no respeito a velhice. Este é seguramente um exemplo a ser seguido pelos demais municípios e autoridades do país no sentido de ter um olhar diferenciado para a velhice, afinal somos todos envelhescentes.

O evento mobilizou inúmeros setores da cidade e contou com o apoio do Lions Clube de Caragua, do Conselho do Idoso, das Secretarias de Assistência Social, da Educação, do Esporte e Recreação, da Saúde e também da FUNDACC, da Associação dos Aposentados da Cidade, do CCTI e do CREMI.

Parabéns a todos aqueles que direta ou indiretamente participaram da realização deste evento num verdadeiro ato de cidadania!

Abaixo segue poema escrito e declamado no evento pela senhora Terezinha Ferreira dos Santos, freqüentadora do CREMI que revela seu sentimento quando chegou nesse local pela primeira vez. Talvez ela seja uma porta voz de muitos idosos que ali estão.

“Uma História Real”

Na manhã do dia 4 de Março

Sai de casa sem destino de lugar

Meu desespero era tanto

Chorava de soluçar.

Uma igreja eu avistei

Entrei para rezar

Depois de longa conversa

Só falava e chorava

Nenhuma palavra ouvia

De alguém pra me ajudar.

No banco da praça, em frente,

Sozinha me assentei

E de todos os lados olhei

Vi uma banca de jornal

Até lá eu caminhei

E um deles eu peguei

Seu nome é A Melhor Idade

As lagrimas enxuguei

E ainda com dificuldade

Li somente um pedacinho

E emocionada fiquei.

 

CREMI

Abre inscrições para atividades de idosos

(Bem embaixo) Próximo à Rodoviária.

Sai para procurar

O bendito lugar

Me mandaram pra lá, pra cá,

E nada de encontrar,

Desanimada fiquei.

A ultima tentativa pensai

Custou muito, mas agora acertei.

Com muita vergonha cheguei

Por grande porta de vidro entrei

E todos os lados olhei.

Um imenso salão vazio.

No momento me assustei.

De um lado do salão

Um anjo me apareceu

Muito lindo e com sorriso

Alegre me recebeu

Com o jornalzinho na mão

O motivo lhe contei

Porque fui para ali

Em silêncio me ouviu.

Me animou e me abraçou

E com muita delicadeza

Um cafezinho serviu.

Já me senti protegida

Lhe contei que não ouvia

Com muita simpatia

Em um papelzinho escreveu,

Que eu poderia voltar,

Dia e hora até marcou.

Quinta-feira dia 11, às 10 horas

Para a oficina da memória.

Não vi passar os dias

Contei todos os minutos

A minha resposta estava ali

Por isso que na Igreja, não ouvi.

Fui levada por Jesus.

Entrei para o céu em vida

Muitos anjos conheci

Professora Maria José. Mariana.

Amanda. Lucia.

Não vou citar mais nomes

Para não correr o risco

De esquecer algum

Mas amo todos vocês

Só que um todo especial.

O primeiro que encontrei

Tem um nome tão pequeno

E um coração tão grande

Gentil e carinhoso.

Com cinco letras escrevo

MARTA

Você foi enviada por Deus

Para coordenar, e nos ajudar.

Nesta terra de muitas histórias

Vou acrescentar mais uma

Que começou tão triste

Mas acabou com um final feliz

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica