Os desafios e as oportunidades de se longeviver

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Os desafios e as oportunidades de se longeviver

Hoje se vive mais e em condições de vida muito superiores que nossos antepassados. Seremos ainda mais velhos que nossos avós, e não podemos ignorar que seremos nós os velhos do futuro e, que, precisamos urgentemente pensar e planejar que tipo de velhice desejamos para nós.

O Conselho Regional de Psicologia – Subsede Vale do Paraíba e Litoral Norte, em parceria com o Centro Universitário Módulo, realizou no último dia 01 de outubro de 2012, data em que se comemora o Dia Internacional da Pessoa Idosa, uma Roda de Conversa sobre a temática “Longevidade – Desafios e Oportunidades”.

Estiveram presentes no auditório da universidade cerca de 200 pessoas entre professores e estudantes de diferentes áreas como educação física, enfermagem, pedagogia, biologia e matemática, e profissionais que já atuam na área do envelhecimento humano, como é o caso de Terapeutas Ocupacionais, Assistentes Sociais e Psicólogos, além de familiares e pessoas da comunidade interessados no tema. Destacamos a presença do Sr. Sebastião Passarelli da cidade de São Sebastião e membro do diretório estadual da pessoa idosa, da Sra. Cida Waack, atual presidente do Conselho Municipal do Idoso da cidade de Caraguatatuba e da Professora e representante da Universidade Módulo, Sra. Maria Antonia de Lima Ribeiro Furgeri que intermediou a parceria e a realização deste importante evento na cidade.

O crescimento da expectativa de vida e de seus reflexos na estrutura econômica do Brasil

No encontro, tivemos como palestrante o jornalista e Mestre em Economia pela PUC-SP, Jorgemar Soares Felix, que apresentou vários dados sobre a economia do envelhecimento e da necessidade de planejamento tanto de políticas públicas em todas as esferas (municipal, estadual e federal) em relação ao envelhecimento da população, quanto de cada ser humano para que atinja essa importante etapa da vida de forma saudável. Ele fez algumas ponderações a respeito do crescimento da expectativa de vida e de seus reflexos na estrutura econômica do Brasil e do mundo na esfera individual e na sociedade como um todo.

Ele abordou também a temática da aposentadoria, a realidade do INSS e as dificuldades de se manter o sistema de aposentadoria no modelo atual, explicando que quando o atual sistema de aposentadoria foi criado, a população não vivia tanto quanto vive hoje e, que um novo modelo possivelmente deverá ser repensado para o futuro dando exemplos de modelos da Europa, do Japão, dos Estados Unidos e do nosso vizinho Chile. O aumento da expectativa de vida foi uma conquista da humanidade, afinal hoje se vive mais e em condições de vida muito superiores que nossos antepassados. Mas tudo indica que seremos ainda mais velhos que nossos avós, e não podemos ignorar que seremos nós os velhos do futuro e, que, precisamos urgentemente pensar e planejar que tipo de velhice desejamos para nós. Por outro lado, ao longo dos anos e na medida em que envelhecemos necessitamos de cuidados diferenciados principalmente nos que se refere a algumas doenças crônicas, alimentação e autocuidado. 

Ser idoso hoje, suas implicações emocionais e de saúde

Já a psicóloga e Mestre em Gerontologia pela PUC-SP, Isabella Quadros, fez os presentes refletirem sobre o que é ser idoso hoje, suas implicações emocionais e de saúde na família, e sobre a necessidade de se ter e manter uma rede de amizade ampla, próxima e fiel. Ela afirmou que embora a responsabilidade do cuidado do idoso ainda seja predominantemente entendida como sendo da família, é preciso refletir e ponderar sobre qual família falamos, já que o conceito de família mudou e está cada vez mais complexo. É preciso verificar o quanto os membros mais jovens de uma família estão dispostos a investir nos membros mais velhos, principalmente se o velho requer alguns cuidados mais elaborados e específicos. Ela lembrou os presentes dando exemplos concretos do desprezo dado ao velho e do quanto as pessoas negam o próprio envelhecimento, num mundo que supervaloriza o belo e a juventude. Lembrou também que procedimentos cirúrgicos (como as plásticas) têm limitações; portanto, é preciso encarar o processo de envelhecimento e os limites decorrentes desse processo de forma mais madura.

Trabalhar com o público “envelhescente”

A coordenadora da mesa, Divina de Fátima dos Santos, que também é psicóloga e mestre em gerontologia, fechou a noite apresentando aos presentes alguns dados atualizados sobre as possibilidades de mercado de trabalho para os profissionais que desejam trabalhar com o público “envelhescente” e da urgente necessidade de profissionalização na área, uma vez que, o mercado ainda é muito carente nesse sentido, pois o número de geriatras, gerontólogos e profissionais que de fato têm interesse em trabalhar com esse público é pequeno. Ela destacou que a principal queixa da população idosa de hoje é que, em geral, os profissionais da saúde tendem a infantilizá-los e que não dirigem a palavra a eles diretamente; isso tem provocado um certo descontentamento e desconforto entre a população nessa faixa etária.

A representante do Conselho Regional de Psicologia do Vale do Paraíba e Litoral Norte, Rejane Galvão, esclareceu que a entidade deseja ampliar o debate sobre envelhecimento com a comunidade, os profissionais e os interessados no assunto e que o CRP tem empenhado grande esforço na promoção de encontros sobre o tema, como várias rodas de conversa em diferentes cidades, assim ampliando o debate e o respeito para com os idosos: amanhã, os velhos seremos nós e se desejamos ser respeitados na nossa velhice, temos que desde já promover o debate e a reflexão sobre ela.

Durante o encontro, notamos que o público mostrou-se muito interessados no tema, manifestando suas preocupações com a própria velhice ou com membros de suas famílias, já que muitos convivem com seus avós ou bisavós ou ainda porque estão acompanhando a velhice de seus próprios pais.

A noite foi muito proveitosa quanto às reflexões realizadas e os palestrantes receberam inúmeras solicitações para que novos debates sejam realizados na cidade sobre o assunto em pauta.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Objeto de pesquisa de mestrado é destaque na coluna de Lucila Cano

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Objeto de pesquisa de mestrado é destaque na coluna de Lucila Cano

A colunista abordou o tema do trabalho derivado da pesquisa de mestrado que fora produzido pela Doutora Divina. Reproduzimos a matéria abaixo.

Original:

https://educacao.uol.com.br/colunas/lucila-cano/2012/08/17/palavras-que-estimulam.htm

PALAVRAS QUE ESTIMULAM

Por Lucila Cano
17 de agosto de 2012

Crianças e idosos estão nos extremos da vida. São os mais necessitados de atenção, afeto e compreensão. São os mais vulneráveis ao cotidiano desrespeitoso dos tempos atuais.

Crianças e idosos são um desafio e uma oportunidade para reaprendermos a viver em harmonia. Eles são os protagonistas do projeto Encontro de Gerações, de Divina de Fátima dos Santos, psicóloga e mestre em Gerontologia pela PUC-SP.

O projeto se sustenta na troca de correspondências entre crianças e idosos e na mudança de atitudes e de construção de valores que decorrem dessa interação.

Realizado em Caraguatatuba (SP) ao longo de 2011, o Encontro de Gerações foi premiado na II Mostra Estadual de Práticas Inovadoras em Psicologia, promovida pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo em dezembro passado.

Experiência e mais prêmios

A proposta de aproximar crianças e idosos surgiu quando Divina atuava na área de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em escola do SESI-SP. Na época, ela já se dedicava ao estudo do envelhecimento. Sua pesquisa de mestrado na PUC-SP – “Relações Intergeracionais: palavras que estimulam” – se pautava pelo uso de cartas como forma de comunicação entre crianças e idosos.

A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas com idosos, conteúdos de cartas escritas por estudantes do curso de EJA em fase de alfabetização, com idades entre 18 anos e 72 anos, e crianças do ensino regular de uma das unidades do SESI-SP, na faixa dos 8 anos aos 10 anos.

Havia uma preocupação inicial de melhorar a leitura e a escrita dos alunos, mas alguns fatores contribuíram para ampliar o âmbito do trabalho. Além de aspectos emocionais, relacionados à sua vida pessoal, Divina queria saber por que tantos idosos das aulas de EJA queriam aprender a escrever. Ela também queria entender a forma de interação entre as crianças e os idosos, para poder identificar os significados dessa troca.

Alguns dos temas abordados foram religiosidade, sonhos, palavras certas, o mundo do trabalho e a aposentadoria, a comunicação pictográfica e por símbolos, a troca de olhares. Eles renderam discussões e reflexões. A troca de cartas beneficiou a interação, a mudança de atitudes e a construção de valores éticos para a vida escolar, familiar e social de ambas as partes, crianças e idosos.

Com essa pesquisa, que antecedeu o Encontro de Gerações, Divina obteve o seu diploma de mestrado e conquistou o primeiro lugar em dois eventos de Gerontologia, um no Chile e outro em São Paulo.

Próximos passos

Uma etapa significativa do Encontro de Gerações ocorreu em 2 de dezembro de 2011. Após quase um ano de troca de cartas, idosos e crianças se conheceram pessoalmente. De um lado, eram 54 frequentadores do Centro de Convivência da Melhor Idade (Cremi), onde Divina atua como voluntária, e de outro, 51 alunos da Escola Municipal Professora Aída A. C. Grazioli.

Segundo a pesquisadora, “a correspondência serve para que tanto idosos quanto crianças se expressem, falem de suas vidas, expectativas, dificuldades. Um aspecto positivo é o quanto os idosos se sentem valorizados, porque percebem que a sua experiência é significativa na relação com as crianças. Mães de crianças que participaram do projeto relataram melhoras no relacionamento familiar e até no processo pedagógico, porque muitas delas superaram dificuldades com a escrita”.

Para a tese de doutorado em Psicologia Clínica, também pela PUC-SP, Divina segue trabalhando no projeto, em Caraguatatuba. Além da Escola Aída A. C. Grazioli, conta com os alunos do 4º ano da Escola Municipal Prof. João Batista Gardelin. Ao todo, participam da troca de cartas 60 idosos e 60 crianças do ensino fundamental de ambas as escolas.

Nas palavras de sua idealizadora, “o Encontro de Gerações estimula o convívio respeitoso de parte a parte. Além das mudanças de comportamento no convívio social, familiar e escolar, essa interação favorece a prática de valores, como a tolerância e o respeito, entre pessoas de idades e classes sociais distintas”.

———-

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

 

———-
Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética (a coluna).

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Pessoas idosas em Moçambique: com a palavra, Teresinha da Silva

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Pessoas idosas em Moçambique: com a palavra, Teresinha da Silva

Divina de Fátima dos Santos
Flamínia Manzano Moreira Lodovici

Nesta entrevista em Maputo, Moçambique, Teresinha da Silva reflete sobre a problemática das pessoas idosas naquela região africana, além de relatar sobre sua prática e atuação profissional, ambas ligadas aos Direitos Humanos. Aborda também aspectos de sua vida pessoal, destacando a necessidade de maior respeito não apenas às pessoas idosas, mas entre todos os seres humanos, independentemente de idade, gênero, etnia e religião.

Ter a oportunidade de entrevistar, de viva voz, Teresinha da Silva foi uma grata surpresa, pois embora seja ela uma mulher de grande reconhecimento na área da Gerontologia internacional, e especialmente em Moçambique, recebeu-nos com muita simplicidade, revelando-se acolhedora às nossas perguntas e esbanjando simpatia. Mesmo sendo uma pessoa bastante ocupada e com agenda lotada, acolheu-nos no escritório e depois em casa, mostrando-nos um pouco de sua vida cotidiana, que no presente se volta para preocupações em particular com a da mulher idosa que lhe é próxima, a moçambicana. Revelou-nos também histórias de suas origens e nos mostrou a coleção particular de objetos da cultura africana, o que testemunha seu apego à vasta paisagem local, o sentimento de uma espécie de unidade-diversidade dirigida ao conjunto de produções de seus artistas. Nesta entrevista, pudemos depreender como ela é sensível aos dramas humanos, coletivos ou privados; tivemos, pois, a oportunidade de conhecer uma verdadeira guerreira no sentido mais apropriado da palavra.

Ela é profissional de grande referência em toda a África Austral, tanto em Moçambique quanto na comunidade internacional acerca de assuntos ligados aos Direitos Humanos, ao envelhecimento e à defesa de direitos de gênero. Teresinha dá voz a minorias excluídas e luta pelo respeito ao próximo, sendo reconhecida em vários países pelo seu trabalho. Participou de alguns encontros no Brasil, em congressos oficiais a convite da assessoria da Presidência da República.

 

Confira a entrevista completa aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

A escrita como possibilidade coeducativa: aproximando gerações

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

A escrita como possibilidade coeducativa: aproximando gerações

DIVINA F. SANTOS
NADIA D. R. SILVEIRA

Re s u m o

Este artigo é resultado de um estudo sobre o conteúdo de cartas, utilizadas como forma de comunicação entre idosos e crianças, com o objetivo de verificar o modo de interação vivenciado entre eles e identificar os significados desta vivência intergeracional. Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada nos dados coletados das cartas escritas nos anos de 2008 e 2009, por estudantes do curso da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com idades variando entre 18 e 72 anos em fase de alfabetização, e pelas crianças do ensino regular com idades entre 8 e 10 anos de uma das unidades da rede Sesi-SP – Serviço Social da Indústria de São Paulo. Para este estudo foram selecionados seis alunos idosos da EJA, na condição de avós, e seus respectivos correspondentes, as crianças. A análise dos dados aponta que a troca de cartas promove a interação dos estudantes e favorece o processo de mudança de atitudes e de construção de valores éticos importantes na vida escolar, familiar e social, tanto dos idosos quanto das crianças participantes. Os resultados constatados indicam que essa vivência propicia ou facilita um convívio mais saudável entre diferentes gerações no âmbito da escola e em outros espaços sociais da vida cotidiana, frequentados tanto pelos idosos quanto pelas crianças.

Palavras-chave: relações intergeracionais; coeducação entre gerações; crianças e idosos – pesquisa – São Paulo/SP.

Este trabalho se originou de pesquisa realizada a partir da vivência de uma experiência pedagógica de troca de cartas entre alunos de uma das unidades escolares da rede do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), mais especificamente entre alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e crianças do ensino regular, o que resultou na dissertação de mestrado “Relações intergeracionais: palavras que estimulam”, apresentada na PUC-SP (SANTOS, 2010).

Embora se reconheça o uso de cartas como prática educacional de grande valor, o foco de interesse deste estudo se direcionou para a perspectiva intergeracional, com o objetivo de analisar as relações entre alunos de diferentes idades, as preocupações e expectativas que os cercam neste contexto, os resultados deste relacionamento como estimuladores à construção de uma convivência respeitosa, pautada em valores éticos e morais entre cidadãos de diferentes idades, resultados estes observados tanto na escolarização formal como no âmbito familiar e social de modo geral.

A aproximação de diferentes gerações, sobretudo entre jovens e idosos, pode promover e favorecer o crescimento emocional de ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo de viver plenamente a vida cultural e social. A relevância dessa aproximação entre gerações tem implicações sociais e emocionais, que muitas vezes atuam como auxiliar para melhorar a autoestima (GOLDFARB e LOPES, 2006, p. 1.378).

A partir das reflexões apresentadas, e destacando o novo papel que se espera da escola na atualidade, torna-se perceptível o valor da vivência intergeracional, como no caso da experiência em pauta, que revela o significado da coeducação entre crianças e idosos, o que permitiu, por meio da realização de um processo diferenciado de comunicação por intermédio de cartas, desencadear novas formas de relacionamento e consciência em relação ao mundo em que vivem.

Confira a revista completa aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Terapeutas na Cozinha

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Terapeutas na Cozinha

Na cozinha ou no consultório, pensando em sabores ou em causas alheias, Assim esse livro, Terapeutas na Cozinha, foi concebido para trazer a grandiosa missão de reunir 46 terapeutas que apresentarão as receitas mais memoráveis de sua vida.

São receitas simples (nada nível masterchef) que acompanham a deliciosa experiência de revisitar memórias afetivas por meio da atividade culinária e pelos sabores que permeiam nossa memória, uma vez que revisitam o passado de famílias que se reuniam  para preparar as mais diversas e deliciosas receitas.

Os terapeutas participantes do projeto se reúnem nessa obra para demonstrar como s memórias se confundem com sabores durante essa deliciosa terapia culinária.

Em Terapeutas na Cozinha, Divina relata um fim de semana de casa cheia onde a família toda se reunira para preparar pamonhas e matar saudades entre aqueles que estiveram distantes. Todo o preparo é descrito do ponto de vista da criança Divina que interpretava a produção de quitutes como um dia de festa.

Para saber como a história continua e ter acesso às demais receitas, adquira seu volume de Terapeutas na Cozinha aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Aproximando gerações pela escrita

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Aproximando gerações pela escrita

A experiência aqui descrita ocorreu como parte de um processo pedagógico realizado por meio de troca de cartas entre alunos de uma instituição de ensino localizada na periferia da cidade de São Paulo, mais especificamente, entre crianças do ensino fundamental e alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) em processo de alfabetização.

Embora o uso de cartas no meio educacional não seja novidade, o foco desta vivência se direcionou não apenas para os ganhos pedagógicos, mas, principalmente, para a perspectiva intergeracional, visando aproximar estudantes de diferentes idades, períodos escolares e níveis socioeconômicos. Nossa proposta foi de favorecer e estimular a construção de uma convivência respeitosa, pautada em valores éticos e morais entre cidadãos independentes da idade, gênero e classe social. Seguimos também o pensamento de Paulo Freire (1983, p.27-8) segundo o qual “a educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando”.

Para Goldfarb e Lopes (2006), a aproximação de diferentes gerações, sobretudo entre jovens e idosos, pode promover e facilitar o crescimento emocional de ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo de viver plenamente a vida cultural e social. A relevância desta aproximação entre gerações tem implicações sociais associadas a o sofrimento emocional e ao decorrente custo econômico provocado por um indivíduo com baixa autoestima.

Por inúmeras razões, os alunos da EJA, sobretudo os mais idosos e em fase de letramento, não tiveram oportunidade de aprender a ler e a escrever quando eram crianças e, de certa forma, sentem-se inferiorizados, com baixa autoestima e excluídos da sociedade. Esse sentimento de inferioridade provoca um retraimento que ocasiona um medo de escrever, de se colocar e de expressar o que se pensa em palavras postas no papel, pois imaginam que ninguém se interessará por suas produções.

Ao utilizar cartas como material de apoio pedagógico, muitas barreiras podem ser quebradas, pois o adulto, ao ver que uma criança escreveu a ele, sente-se na mesma “obrigação” no sentido de não decepcionar aquele pequeno ser que ainda em formação espera por sua resposta e “necessita” ser estimulado na escola, para levar os estudos a sério e para não passar pelos mesmos sofrimentos aos quais os adultos interlocutores foram submetidos ao longo de suas vidas.

Por outro lado, hoje, a comunicação das crianças, seja na internet, seja por meio de torpedos em celulares, é fragmentada e composta por inúmeros códigos eletrônicos e informais, visto que elas crescem em um mundo cercado por outras formas de comunicação igualmente válidas (CUNHA, 2002).

Ao escrever uma carta, é possível produzir um maior contato com a própria história e com a história do outro; isto possibilita a troca de informação e aproxima as pessoas no ato de compartilhar suas experiências, abrindo espaço para a imaginação e para a criatividade, bem como para a cumplicidade, além de banir o sentimento de solidão (BOLLÉME, 1988).

Um dos problemas enfrentados no mundo contemporâneo e mais precisamente nas grandes cidades é a dificuldade de convívio entre as diferentes gerações em função das inúmeras responsabilidades às quais a s pessoas estão sujeitas. Desde muito cedo, crianças cada vez menores vão à escola, e passam a conviver apenas com outras crianças de sua faixa etária e alguns poucos educadores e cuidadores adultos. Também os adolescentes ficam a maior parte do tempo nas escolas e convivem com outros jovens muitas vezes unidos pelos mesmos comportamentos, ideias e valores.

Para obter acesso completo ao artigo clique aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Xadrez e Alfabetização – Uma Experiência com Crianças na Educação Básica

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Xadrez e Alfabetização – Uma Experiência com Crianças na Educação Básica

29/07/2008

Divina de Fátima dos Santos
Especialista em Psicopedagogia pela PUC-SP; mestranda em Gerontologia pela PUC-SP e professora do SESI-SP

Maria Anita Viviani Martins
Doutora em Educação pela PUC-SP e professora da PUC-SP

Ricardo Roberto Plaza Teixeira
Doutor em Ciências pela USP e Professor da PUC-SP e do CEFET-SP

Introdução

Tanto a LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional quanto os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais ressaltam, de diferentes formas, a importância de estratégias interdisciplinares no ensino em geral e, de forma específica, na educação básica. Avaliações educacionais como o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) apontam para as deficiências na educação matemática, bem como para a baixa compreensão e interpretação de textos simples, das crianças e dos adolescentes no Brasil.

Muitas experiências em diferentes contextos apresentam o jogo de xadrez como uma ferramenta pedagógica interdisciplinar poderosa para a superação de dificuldades no processo de ensino e aprendizagem. Em alguns países da Europa, sobretudo no leste europeu, o xadrez é introduzido desde a educação infantil até o ensino médio e é preparatório para a universidade. Na França e na Hungria, faz parte de toda grade curricular, respeitando-se as fases de desenvolvimento da criança. Em 1966, foi criada a Faculdade de Xadrez em Moscou: nesta instituição, após quatro anos de estudo, formam-se professores de xadrez. Na Rússia, celeiro de grandes enxadristas, o xadrez é utilizado até para treinamento de astronautas, bem como para o repouso do sistema nervoso das pessoas em geral.

No Brasil, o xadrez ainda é pouco jogado. Apesar de existirem tabuleiros vendidos por preços baixos em muitas lojas populares do país, o maior problema não é o seu custo e, sim, a falta de pessoas e professores que saibam jogar e que também possam transmitir seus conhecimentos e trabalhar com este jogo de forma pedagógica. Para isso, é preciso quebrar mitos, crenças e preconceitos, inclusive o de que ele esteja relacionado única e exclusivamente ao uso do pensamento lógico e de que somente pessoas muito inteligentes são capazes de jogá-lo.

Em seus estudos, Piaget (1978) mostrou-se favorável às ideias de uma escola mais ativa, que faça uso de atividades de interesse do aluno: só dessa forma as crianças tornam-se capazes de ir além dos seus limites. Assim sendo, aprender jogando provoca na criança uma maior concentração e um maior interesse pelos assuntos decorrentes do ou relacionados ao jogo, dando ao aprendiz uma maior capacidade de compreender e introjetar códigos complexos. Brincar e jogar é uma atividade excitante que consome espaço e tempo (WINNICOTT, 1975). Nesse sentido, brincar é um “fazer” intermediário entre o interno e o externo, já que se por um lado não é uma alucinação psíquica interna, por outro lado não se restringe a um objetivo exterior, estando a serviço do sonho e dos sentimentos.

Pode-se definir o jogo como uma atividade por meio da qual a criança constrói uma realidade por meio de regras que apontam para certas habilidades específicas; por outro lado, os brinquedos, mais associados ao universo infantil, estimulam de forma mais livre a expressão de imagens que evocam e substituem aspectos da realidade (BROUGÉRE, 1998; KISHIMOTO, 1999). Finalmente a brincadeira é a ação lúdica na sua plenitude.

– Para acessar o artigo completo, clique aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica