Semana do Idoso em Caraguatatuba 2011: Envelhecer é viver

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2011: Envelhecer é viver

Caraguatatuba promove evento com objetivo de eliminar a invisibilidade da pessoa que envelhece. Aliás, essa é a maior queixa de grande parte dos idosos do litoral Norte de São Paulo.

A cidade de Caraguatatuba no litoral Norte de São Paulo vem se destacando na região e se tornando exemplo a ser seguido pelas cidades vizinhas no que se refere ao tratamento dado a pessoa idosa. Neste ano de 2011, com apoio de várias entidades, tivemos uma intensa agenda dedicada aos eventos comemorativos para a semana do idoso. Dessa forma, as autoridades locais, organizadores e parceiros ampliaram o calendário do município destinado ao tema.

O objetivo do evento foi chamar a atenção da população local no sentido de eliminar a invisibilidade da pessoa que envelhece. Aliás, essa é a maior queixa de grande parte dos idosos. Eles afirmam que, conforme vão envelhecendo vão sendo esquecidos e ignorados por boa parte da sociedade e, muitas vezes, inclusive, pelos próprios familiares. A prefeitura da cidade, por meio das suas secretarias da Educação, da Saúde, dos Esportes, da Assistência Social e do Turismo, entre outras secretarias, promoveu uma grande mobilização na cidade, para quebrar essa “invisibilidade” e despertar nas pessoas a sensibilidade para entender que envelhecer faz parte do processo humano: estamos todos envelhecendo e, certamente, seremos velhos algum dia, basta deixar o tempo passar. Assim sendo, se desejamos ser respeitados nas nossas velhices, devemos já educar e conscientizar as pessoas sobre o assunto.

Início das atividades

Os eventos comemorativos da semana da pessoa idosa tiveram início no dia 17/09/2011 no Centro Esportivo da cidade, com uma grande festa, pois nesse dia, além da abertura oficial, ocorreram várias atividades esportivas. Um dos objetivos foi a realização da eliminatória de diferentes modalidades esportivas, cujas competições integram os jogos do JOREMI – Jogos Regionais Municipais do Idoso – que se estenderam até o final do dia 18/09/2011. Dessa forma, com a realização das competições, definiram-se os representantes da cidade de Caraguatatuba no JORI – Jogos Regionais do Idoso.

Segundo os organizadores, a proposta de realizar os jogos juntamente com a comemoração da semana do idoso, visava sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de praticarem algum esporte, de manterem-se ativos e, dessa forma, prevenirem doenças e promover uma melhor qualidade de vida como um todo, assim estimulando as pessoas de todas as idades participantes desse evento a iniciarem alguma modalidade esportiva que melhor se adequasse ao estilo de vida de cada um, não necessariamente visando uma competição.

O terceiro dia de atividades ocorreu no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – sob a coordenação de Marta Borges que contou com toda a sua equipe de profissionais e vários voluntários. Com uma equipe bastante dedicada à causa do idoso, todos foram sensíveis de modo a preparar inúmeras atividades para seus frequentadores, bem como para seus familiares. Todos foram convidados a participar de vivências estimuladoras que incluíram atividades recreativas, ginásticas e produções manuais com o objetivo de elevar a autoestima dos idosos, e assim torná-los mais participativos tantos em seus lares como na sociedade. Estas atividades provocaram momentos de autorreflexão e estimularam a ação e a participação social de forma mais relevante em suas vidas.

Mas não foi só isso, nesse dia, o CREMI recebeu a visita das crianças da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) da cidade, que fizeram várias apresentações de dança e música para os presentes. As apresentações foram de tal sensibilidade e delicadeza que provocaram grandes emoções aos presentes. Alguns idosos chegaram a falar que ao assistir as apresentações das crianças ficaram mais fortalecidos e com mais vontade de conquistar desejos adormecidos, inclusive voltando a sonhar. “Nada é impossível!” disse Sr. Francisco (78 anos) após ver a apresentação das crianças.

Com o apoio da Secretaria do Esporte, os moradores dos bairros mais afastados do centro da cidade, como as regiões sul (Bairro Travessão) e norte (Bairro Massaguaçu), também vivenciaram diferentes atividades recreativas e esportivas. Os idosos puderam participar de todos os eventos com seus familiares e amigos, neste caso, o objetivo foi envolver a família de forma a estimular e aproximar pessoas de diferentes idades e interesses. Para que todos pudessem participar, professores e organizadores realizaram atividades variadas e interativas.

Uma lembrança àqueles comumente esquecidos

Uma das queixas pontuadas por vários idosos membros do Conselho dos Idosos, como a sua atual presidente, a Sra. Cida Waak, foi em relação aos idosos das casas asilares que normalmente são esquecidos tanto pela sociedade quanto por muito de seus próprios familiares. Segundo sua fala, a semana do idoso deveria também contemplar o despertar para a consciência das pessoas nestas condições.

Para contemplar essa necessidade, os organizadores do evento programaram uma tarde de visita ao Lar Pró Mais Vida e ao Lar Vila Vicentina. Sob o comando das professoras de Dança Sênior, Maria José, e de Ginástica, Amanda Marques, com a participação de muitos idosos frequentadores do CREMI e a colaboração dos responsáveis dos locais foi promovida uma tarde de atividades diferenciadas como músicas e brincadeiras envolvendo e incluindo os residentes destas instituições, o que tornou a tarde mais agradável e descontraída. A visita foi aprovada pela maioria dos internos presentes, já que alguns deles informaram que raramente recebem visitas de familiares e que o encontro trouxe um pouco de alegria aos residentes. Alguns se emocionaram e solicitaram a nós que o encontro da tarde se repita em outras oportunidades. “Você precisa vir aqui nos visitar mais vezes para conversar mais com a gente” disse um senhor, que vive ali a apenas seis meses, à psicóloga Divina dos Santos e, muito emocionado apertou com bastante força a sua mão no momento de se despedir, num gesto claro de agradecimento. O CCTI – Centro de Convivência da Terceira Idade reservou o dia de sábado (24/09/2011) para desenvolver suas atividades para com os idosos, seus familiares e toda a comunidade local. Nesse dia, a ordem foi se descontrair, relaxar e melhorar as relações sociais e a qualidade de vida com atividades que favoreçam as novas relações.

No dia 27/09/2011, a festa foi na Praça Candido Mota e contou com a participação de todos os idosos, familiares, convidados e pessoas que passavam pela praça. A Universidade Aberta da Terceira Idade do Centro Universitário Módulo marcou presença com uma exposição de quadros e a performance do coral com seus alunos para os presentes.

A proposta visava chamar a atenção dos populares e moradores locais convidando-os a participarem do evento para fazê-los compreender que independentemente da idade das pessoas, o mais importante é a sua vivacidade, os seus desejos e os seus sonhos. Sim! Os idosos também sonham. Assim sendo, o objetivo era que os participantes desse evento, que tivessem em seu meio uma pessoa idosa, como avô, avó, bisavô, bisavó ou vizinho, passassem a olhar com um olhar mais respeitoso para essa pessoa. Afinal, o desejo dos “envelhecentes” é poder viver com dignidade, independentemente da idade e da classe social. Assim, todos ali presentes puderam participar de jogos, brincadeiras, palestras informativas e inúmeras outras atividades apresentadas na praça, tomando consciência de seus papeis no mundo atual.

Após esta intensa programação, a finalização das atividades foi no dia internacional da pessoa idosa (01/10/2011) com um grande baile promovido pela Associação dos Aposentados da cidade em grande estilo, agitando toda a comunidade.

A proposta visava chamar a atenção dos populares e moradores locais convidando-os a participarem do evento para fazê-los compreender que independentemente da idade das pessoas, o mais importante é a sua vivacidade, os seus desejos e os seus sonhos. Sim! Os idosos também sonham. Assim sendo, o objetivo era que os participantes desse evento, que tivessem em seu meio uma pessoa idosa, como avô, avó, bisavô, bisavó ou vizinho, passassem a olhar com um olhar mais respeitoso para essa pessoa. Afinal, o desejo dos “envelhecentes” é poder viver com dignidade, independentemente da idade e da classe social. Assim, todos ali presentes puderam participar de jogos, brincadeiras, palestras informativas e inúmeras outras atividades apresentadas na praça, tomando consciência de seus papeis no mundo atual.

Após esta intensa programação, a finalização das atividades foi no dia internacional da pessoa idosa (01/10/2011) com um grande baile promovido pela Associação dos Aposentados da cidade em grande estilo, agitando toda a comunidade.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2011 – Para se divertir não tem idade

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2011 - Para se divertir não tem idade

Para alguns, é bobagem se fantasiar; para outros é momento de brincar e se divertir como pessoas idosas e não como crianças, cada uma a sua maneira.

Vamos celebrar a vida! Coloquem sua fantasia e vamos dançar! Esta foi a frase mais repetida durante os preparativos da festa junina realizada no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade em Caraguatatuba. Todos estavam muitos ansiosos para o dia da festa, que contou com vários ensaios de teatro, música e dança tendo como atores protagonistas os próprios idosos, que se divertiam, se alegravam e certamente celebravam grandes momentos de pura alegria e descontração, inclusive com recordação de bons momentos de suas vidas vividas.

Ali estavam muitos profissionais e voluntários, amigos, enfim, muita gente dedicando-se para o sucesso da realização do evento que simbolicamente permitiu fazer um balanço dos trabalhos direcionados ao público envelhescente da região. “Não é uma simples festa, é um marco que nos permite avaliar como nosso trabalho esta repercutindo em nossa comunidade e assim conquistarmos novas adesões, visibilidade, respeito e apoio para com a pessoa idosa em nossa região”: palavras de Marta Borges, uma das pessoas responsáveis pelo evento e coordenadora do CREMI, mas ela não estava sozinha, pois contou com a disposição de toda a sua equipe de profissionais que trabalharam muito para que cada idoso pudesse participar da sua própria maneira da festa.

“Eu até já comprei meu vestido, quero me divertir, pois aqui posso fazer o que tenho vontade sem que meus filhos se preocupem comigo” disse Maria (67 anos). Com essa fala ela contagiou a colega desanimada que, afirmava não gostar de dançar, mas que prestigiaria o evento para que as colegas se divertissem.

Aproveitamos os preparativos dessa festa para conversar mais proximamente com alguns idosos, para entender um pouco mais sobre as razões que os movem até este lugar e sobre suas histórias de vida. As respostas foram variadas. Alguns afirmavam que se fantasiar com roupas caipiras e maquiagem era bobagem, coisa de criança. Mas para a grande maioria dos idosos era momento de brincar. Para se divertir não tem idade! “A gente se diverte como uma pessoa velha e não como criança, cada uma a sua maneira” disse uma senhora idosa que cantarolou muito no evento em que tivemos um belo casamento celebrado com padre e todo requinte.

Mas para se ter uma vida longa, é preciso ser alegre o tempo todo? Estar sempre disposto? Especialistas no assunto afirmam que fatores como herança genética, alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, entre tantas outras coisas, podem nos dar uma possível resposta para que algumas pessoas sejam agraciadas e possam ter uma vida longeva. O estilo de vida de cada ser humano e essencial para se viver muitos anos. Mas isso é bem particular. Uma pessoa pode ser tímida, extrovertida, recatada ou extravagante, não importa! O que para alguns é alegria e muito significativo, para outros é tudo bobagem.

Para alguns dos idosos que frequentam o CREMI existem muitas explicações para se ter uma vida longa. A Sra. Mafalda, 83 anos, por exemplo, afirma que ser ativa e perseverante é sua principal receita. Ela que já é bisavó, afirma que hoje seu maior desejo é ser tataravó. Disse também que ao longo de sua vida sempre trabalhou muito e que ainda hoje trabalha como recepcionista, agendando reuniões e anotando recados no escritório de advocacia de um de seus filhos na cidade. Com esse trabalho sente-se muito bem e útil: quando está trabalhando a hora passa sem que se perceba. Ela disse que não participaria da festa junina do CREMI por questão dos limites físicos. Não consegue ficar em local agitado por muito tempo, devido às seqüelas de um acidente, preferindo a tranquilidade e segurança de sua casa.

A Sra. Otália de 91 anos compartilha com Mafalda quanto ao desejo de ser tataravó. Ela aproveitou muito bem a festa junina, dançou e brincou pra valer o quanto pode. Mas ela não está sozinha, pois participa de tudo com sua incansável amiga Maria, de 67 anos. Juntas participaram com grande entusiasmo da festa junina do CREMI, dançaram, brincaram e se divertiram: “Quem canta os males espanta”. “A gente se sente bem aqui e tem sempre alguém para conversar” disse Maria.

A professora de dança sênior Maria José, de 63 anos, disse que se renova a cada dia de trabalho e que, por trabalhar com esse público, está se preparando para o próprio envelhecimento uma vez que aprende muito com o grande entusiasmos de seus alunos, vários deles na casa dos 80 anos. “Às vezes chego triste devido aos problemas pessoais, mas ao olhar para eles esqueço de tudo”. Sempre muito animada, participou com muita garra das quadrilhas estimulando seus alunos Acredita que sua convivência com idosos a preparará para a própria velhice.

Ainda não sabemos quais os segredos da longevidade, mas notamos que as pessoas perseverantes, flexíveis e positivas estão mais satisfeitas com a própria vida e encaram os desafios e as limitações da velhice com mais tranquilidade. Notamos também que a realização de uma festa popular, como no caso de uma festa junina, pode permitir aos idosos momentos de grande descontração, união e retorno às origens, pois podem compartilhar suas emoções com outros colegas, independentemente da idade. Parabenizamos todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram e permitiram a realização de mais um evento popular, tendo como protagonista o público idoso que certamente não se esquecerá desse encontro.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica