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Psicóloga Divina

Doutora em psicologia clínica

Tag: Consultório

Publicado em 28 de julho de 201712 de novembro de 2020

Docente do Módulo e FASS apresenta pesquisa de doutorado em congresso nos Estados Unidos

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina apresenta pesquisa de doutorado em congresso nos Estados Unidos

A Profa. Dra. Divina de Fátima dos Santos, docente do Centro Universitário Módulo e da Faculdade São Sebastião – FASS participou do 21º IAGG Congresso Mundial de Gerontologia e Geriatria, realizado na cidade de São Francisco (Califórnia), nos Estados Unidos, entre os dias 23 e 27/07.

O evento deste ano reuniu aproximadamente 6.000 pessoas de 75 países e contou com a participação de pesquisadores de várias Universidades públicas e privadas do Brasil. Entre estes pesquisadores estava a Dra. Divina de Fátima dos Santos, Professora do Módulo e da FASS – Faculdade São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. Seu trabalho contou com a colaboração da Dra. Renata Plaza Teixeira (IFSP-Campus Cubatão) e  orientação da Dra. Ceneide Cerveny (PUC-SP). A pesquisa foi realizada na cidade de Caraguatatuba  e defendida em 2015 na PUC-SP

Apresentando o painel Look At Me

Segundo a Profa. Divina, participar de um congresso desse porte oportuniza o intercâmbio de diferentes profissionais nas mais variadas áreas que envolvem o envelhecimento humano. Seu trabalho foi bastante elogiado, devido à sua complexidade de realização e dos efeitos emocionais benéficos constatados entre todos os sujeitos envolvidos no estudo de cunho intergeracional e interdisciplinar, uma vez que envolveu o encontro de gerações distintas por meio da escrita terapêutica.  Além disso, trata-se de um trabalho que envolveu a Educação, a Psicologia, a Gerontologia, a Sociologia, dentre outras áreas do conhecimento, o que exigiu grande esforço para a sua realização.

A participação no congresso permitiu estabelecer novas amizades e ampliar o network, bem como rever grandes amigos e amigas pesquisadoras como a Dra. Sonia Fuentes, que apresentou sua pesquisa de pós-doutoramento e nomes famosos, tais como o médico Dr. Alexandre Kalache, cuja atuação na gerontologia tem grande destaque. Tivemos a oportunidade de conhecer muitos trabalhos, cuja preocupação visou unir as diferentes idades. Experiências que promovem o encontro de gerações têm se tornando de suma importância visto que a população idosa no Brasil e no Mundo vem crescendo a cada dia, portanto trabalhos nessa linha precisam ser estimulados e apoiados. 

Devido a complexidade e grandiosidade do congresso o mesmo ocorreu simultaneamente no Complexo Moscone Center e no Marriot Hotel próximo à Market Street – na área central de San Francisco próximo à região do Embarcadero.

O evento reuniu grandes nomes de todas as áreas que envolvem a geriatria e a gerontologia, além de estudantes de diferentes áreas em formação. Muitos idosos protagonizaram suas atuações em suas comunidades revelando que precisamos saber envelhecer com saúde e de forma integrada com outras gerações de maneira respeitosa.

O manual do congresso contou com mais de 382 páginas e cerca de 8.000 resumos de pesquisadores de diferentes países, fato que de certa maneira fez com que os participantes do congresso levassem várias horas para que pudessem escolher de quais atividades  desejavam participar, já que tudo parecia muito interessante. Uma constatação foi que os profissionais e pesquisadores brasileiros estão produzindo pesquisas de alto nível e de grande destaque em âmbito internacional. A programação completa do evento pode ser conferida no:

https://academic.oup.com/innovateage/issue/1/suppl_1

Dentre as inúmeras apresentações do evento, uma que muito agradou o público foi a presença de vários animais “terapeutas” que são utilizados tanto para o tratamento direcionado à preservação da memória em idosos quanto para o tratamento de  crianças com deficiência; também foram apresentados animais robôs, criação de uma equipe do Japão com a mesma finalidade.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

  • divina.multiply@gmail.com
Publicado em 21 de agosto de 201327 de agosto de 2019

Cartas Intergeracionais: efeitos e signifiados

Divina de fátima dos Santos

​Doutora em psicologia clínica

Cartas Intergeracionais: efeitos e signifiados

O Brasil tem atualmente 11,8% da população de idosos, e é previsto que em 2025 seja a 6ª maior população de idosos do mundo. Por este motivo, diversos recursos de trabalho para esta população vêm sendo desenvolvidos, uma dessas são as práticas Intergeracionais (BODSTEIN; LIMA; BARROS, 2014).
Para Goldfarb e Lopes (2006 apud Santos, Cerveny e Silveira, 2012), a aproximação de diferentes gerações, inclusive entre crianças e idosos, pode promover e facilitar crescimentos para ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo de viver plenamente a vida cultural e social.
Escrever cartas na escola é uma prática comum para as crianças no Ensino Fundamental, apesar de parecer coisa ultrapassada na atualidade devido a tecnologia, o uso quase exclusivo de computadores e celulares com internet. Portanto, pode-se questionar a função da escrita de cartas neste contexto. De acordo com Santos, Cerveny e Silveira (2012, p. 112) “escrever cartas constitui-se uma das inúmeras maneiras possíveis de entrar em contato com outras pessoas com as quais podemos iniciar ou manter um relacionamento”.
Em um centro de referência para a terceira idade de Caraguatatuba foi realizado o projeto “Encontro de Gerações”, baseado em trocas mensais de correspondências entre idosos que frequentam o centro e crianças na faixa de 10 anos que são estudantes do ensino fundamental da rede municipal de ensino (SANTOS; CERVENY; SILVEIRA, 2012).
A troca de cartas promoveu a autoria, além de ativar a imaginação das crianças e dos idosos. A prática também se torna um recurso de estimulação da memória, na medida em que os idosos escrevem sobre suas experiências passadas. “Escrever dá “vida” e significado a um pequeno pedaço de papel tecnicamente sem valor, além de tornar presente os ausentes” (SANTOS; CERVENY; SILVEIRA, 2012, p. 113).
De acordo com Pennebaker e Beall (1986 apud Santos, Cerveny e Silveira, 2012) a escrita funciona como um recurso de ressignificação de si e dos outros pela influência no comportamento das pessoas, uma vez que passam a acreditar mais em si mesmas. As palavras escritas são relatos que podem revelar sentimentos e significados. Não são recursos inventados pela psicologia, mas disparam aspectos cognitivos, afetivos e emocionais, mobilizam relações potentes, pois são abertas e abrem os processos de significação.
A partir disto, sugere-se que a troca de Cartas Intergeracionais se qualifica como uma tecnologia psicossocial, pois é um processo que estabelece relações “intercessoras”, ou seja, produz algo entre os sujeitos, é um processo que existe para os idosos e para as crianças e não teria existência sem o momento da relação em processo. Portanto, este processo caracteriza-se como uma tecnologia psicossocial pela potência de agenciar o encontro, de possibilitar trocas, relações de acolhimento e estabelecimento de vínculo (MERHY; FRANCO, 2003).
Dito de outra forma, a utilização de um processo sistematizado, que consiste na troca de correspondências entre idosos de uma instituição e criança de uma escola, é um “processo de construção social, política, cultural, subjetiva”, que configura “um novo sentido para as práticas assistenciais, tendo como consequência o impacto nos resultados a serem obtidos” (MERHY; FRANCO, 2003, p. 09).
Esta tecnologia psicossocial poderia ser aplicada, por exemplo, nos atuais Centro de Convivência do Idoso (CCI). Neste serviço, são organizados grupos de convivência, com uma média de 20 participantes, e encontros de duas horas semanais. As atividades são planejadas com o objetivo de contribuir para o processo de envelhecimento saudável, autonomia, sociabilidade e fortalecimento de vínculos.
Atividades Intergeracionais são conhecidas pelos trabalhadores deste serviço, contudo a novidade está nas cartas como dispositivo, e no “manejo” do vínculo entre as crianças e os idosos que é viabilizado. Este processo pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia, na medida em que o idoso escreve sozinho as suas cartas, escolhe o conteúdo da comunicação, e lê as que são endereçadas a ele. Além disso, muitas memórias podem ser evocadas e, novos sentidos produzidos.




REFERÊNCIAS

BODSTEIN, Airton; LIMA, Valéria Vanda Azevedo de;  BARROS, Angela Maria Abreu de. A vulnerabilidade do idoso em situações de desastres: necessidade de uma política de resiliência eficaz. Ambiente & Sociedade, v.17, n.2, pp.157-174, 2014.

MERHY, Emerson Elias; FRANCO, Túlio Batista. Por uma composição técnica do trabalho centrada nas tecnologias leves e no campo relacional. Saúde em debate, v. 27, n.65, Rio de Janeiro, 2003.

SANTOS, Divina de Fátima dos; CERVENY, Ceneide Maria de Oliveira; SILVEIRA, Nadia Dumara Ruiz. Vivendo, escrevendo e reescrevendo a vida: Encontros Intergeracionais. Revista Portal da Divulgação, n. 28, ano III, p. 111-117, 2012. Disponível em: . Acesso em 25 mai. 2016.



Fonte: Plataforma Psicossociais

Divina de fátima dos Santos

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