Breve reflexão sobre a intergeracionalidade na pesquisa científica

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Breve reflexão sobre a intergeracionalidade na pesquisa científica

02/03/2019 José Carlos Ferrigno

Devemos cultivar a humildade, a paciência, a perseverança e, sobretudo, a capacidade de auto-observação durante nossas investigações sobre a intergeracionalidade.

Atividades, projetos e programas intergeracionais têm se multiplicado dentro e fora do Brasil desde os anos 90, a partir da percepção de que a aproximação de velhos e jovens pode se constituir como uma resposta ao distanciamento ou até mesmo aos conflitos de geração. Comumente compostas por atividades lúdicas, culturais e de lazer, tais programas são voltados para a coeducação e a solidariedade etária. Também podem se apresentar em ações voluntárias e militantes, adquirindo mais fortemente um caráter assistencial e/ou político. Nesse caso, temos gerações ombro a ombro trabalhando em prol da comunidade, como é o caso das comissões intergeracionais em ações comunitárias, sobretudo na Inglaterra e na Alemanha, países em que esse tipo de intervenção se encontra mais desenvolvida.

As ações intergeracionais também podem ser percebidas como aliadas na luta contra discriminações ao “diferente”, perfilando-se ao lado das mobilizações contra o preconceito à mulher, ao negro, ao homossexual, ao imigrante etc. De fato, tanto o velho quanto a criança e também o adolescente não são devidamente respeitados em seus direitos e na expressão de seus desejos e potencialidades, como bem ressalta Divina dos Santos em sua tese de doutorado (SANTOS, pp.40-41). Mas, felizmente, há resistência a essa opressão, é bom lembrar Simone de Beauvoir quando ela nos fala sobre a salutar cumplicidade de avós e netos na resistência às imposições do dono e da dona da casa, a chamada geração intermediária, frequentemente detentora do poder econômico, físico e psicológico no ambiente familiar (BEAUVIOR, 1990, p. 270). Também por isso, a relação avós e netos é especial porque pode ser um contraponto ao nosso contexto socioeconômico marcado pela competição, pelo individualismo e pelo consumismo.

A intergeracionalidade merece uma abordagem científica. Nesse sentido, como devemos agir como pesquisadores das relações intergeracionais? Como abordar os entrevistados? Ecléa Bosi em “O Tempo Vivo a Memória”, no capítulo intitulado “Sugestões para um jovem pesquisador” nos diz: “Às vezes falta ao pesquisador maturidade afetiva ou mesmo formação histórica para compreender a maneira de ser do depoente(ou de nossos sujeitos jovens e velhos, diria eu). Somos em geral (prossegue a autora) prisioneiros de nossas representações, mas somos também desafiados a transpor esse limite, acompanhando o ritmo da pesquisa” (BOSI, 2003, p. 61). Nessa perspectiva, penso que devemos cultivar a humildade, a paciência, a perseverança e, sobretudo, a capacidade de auto-observação durante nossas investigações.

Ainda bebendo do rico manancial nos deixado por Ecléa, na mesma obra acima citada, dessa vez no capítulo “Entre a opinião e o estereótipo”, ela comenta a alvissareira possibilidade do pesquisador desenvolver amor por seu objeto de estudo e de sua ação profissional. Assim o fazendo, ela sugere que mais do que a aquisição de técnicas, pode-se falar, então, de uma conversão à causa de pessoas oprimidas e estigmatizadas (BOSI, 2003, p. 61).

Outro aspecto que considero importante é a compreensão de que a ciência nos solicita parcimônia em nossas conclusões. Devemos ser econômicos em relação aos resultados de nossas pesquisas, evitando afirmações categóricas, por mais sedutoras que possam ser. É um longo processo, decorrente de uma prática constante e sistematizada. É a práxis, reflexão resultante da digestão e da assimilação de nossas práticas cotidianas. Determinadas ações que desencadeamos, em uma primeira etapa, são movimentos que levam a uma sensibilização, uma espécie de prontidão para começar a pensar no assunto. A mudança de atitudes e comportamentos demanda tempo. Isso vale para pessoas e para instituições.

“O pesquisador deve ser sensível e aderir à causa de seus sujeitos. Quando estudamos as gerações, devemos estudá-las não como algo estranho à nossa natureza, como um objeto de estudo em relação ao qual mantemos distância em uma (impossível) neutralidade. Mas sim com nossa própria geração, nossas experiências, nossa história de relação com os mais velhos e com os mais novos. Já fomos crianças, seremos velhos (ou já somos)”

Cora Coralina, durante entrevista no Sesc Pompéia, em São Paulo no ano de 1982, ao ser perguntada sobre o que achava da idade que tinha respondeu: “Eu tenho dentro de mim todas as idades, da criança, da moça e da velha”. Essa experiência interna nos fornece elementos importantes para pensarmos sobre as gerações. Devemos estar alerta para o valor da empatia, pois devemos nos esforçar para entender o sentido que nossos sujeitos pesquisados dão às suas vidas, suas escolhas, representações, desejos e posição no mundo, para sondarmos e descobrirmos algo dos profundos de sua subjetividade. O tempo dirá sobre a eficácia dos programas intergeracionais. O ideal é que no futuro, ações dessa natureza não sejam mais necessárias, na medida em que recuperarmos o vigor da vida comunitária (se o recuperarmos). As perspectivas desses programas são promissoras, mas, elas não são panaceias, não tem o poder de revolucionar as relações sociais. É preciso lembrar que as dificuldades do diálogo intergeracional devem ser compreendidas no contexto maior das relações humanas no mundo em que vivemos. Portanto, em última instância, o bom convívio entre pais e filhos, avós e netos, velhos e moços dentro e fora da família depende da transformação radical das estruturas econômicas e de suas superestruturas políticas. Quando se trabalha com o objetivo da aproximação de pessoas marcadas pela diferença, no nosso caso a etária, o primeiro passo é buscar que se familiarizem umas com as outras. Nesse caminho as diferenças são paulatinamente conhecidas e, posteriormente, na melhor das circunstâncias, aceitas. O grau máximo desse processo é o desenvolvimento da admiração pelo outro por ele possuir algo que me falta e daí desejar sua presença para que se dê essa complementação, na forma de um constante aprendizado recíproco. Temos aí uma relação igualitária, sem dominação. Mais uma vez, recordo Ecléa Bosi quando pondera: Quando duas culturas se defrontam, não como predador e presa, mas como diferentes formas de existir, uma é para a outra como uma revelação” (BOSI, 2003, p. 175). Isso vale para povos, isso vale para pessoas.

Referências
BEAUVOIR. Simone de. Velhice. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira, 1990.
BOSI, Ecléa. Sugestões para um jovem pesquisador. In: BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Atelier Editorial, 2003.
SANTOS, Divina de Fátima dos. Olha para mim: encontro de gerações intermediado pela escrita de cartas. Tese de doutorado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2015.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

III Encontro de Gerações – Caraguatatuba

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

III Encontro de Gerações - Caraguatatuba

Os participantes trocaram cartas ao longo do ano de 2012 e no final do período letivo tivemos o encontro entre seus membros. Esse dia foi muito esperado por ambos, pois foi o momento de conhecer pessoalmente seu correspondente após várias trocas mensais de cartas entre eles. 

No último dia 30 de novembro de 2012, ocorreu mais um encontro entre os idosos do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade e as crianças do ensino fundamental de escolas municipais da cidade de Caraguatatuba, situada no Litoral Norte de São Paulo. Eles participaram do projeto “Encontros de Gerações” que já está no seu terceiro ano de realização e que tem se tornado muito bem sucedido na região.

Os participantes deste projeto trocaram cartas ao longo do ano de 2012 e no final do período letivo tivemos o encontro entre seus membros. Esse dia foi muito esperado por ambos, pois foi o momento de conhecer pessoalmente seu correspondente após várias trocas mensais de cartas entre eles. Vale lembrar que esse trabalho conta com o apoio de muitas pessoas entre professores, estudantes e familiares tanto das crianças quanto dos idosos, além da Secretaria da Educação, da Secretaria da Pessoa com Deficiência e do Idoso e do Conselho do Idoso do município de Caraguatatuba-SP e, faz parte de uma pesquisa de Doutorado em Psicologia coordenado pela pesquisadora Divina de Fátima dos Santos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

 

O dia do encontro foi cercado de muitas emoções de parte a parte. Também é crescente o desejo dos correspondentes de continuarem participando do projeto e assim ganharem novos amigos por meio da escrita de cartas. Notamos que essa troca de correspondência vem fortalecendo os laços não apenas entre os interlocutores, mas também entre seus familiares que sistematicamente solicitam a continuidade do trabalho entre estes dois segmentos da sociedade.

O número de interessados em participar do projeto vem aumentando a cada ano e, assim, pode-se dizer que o mesmo vem ganhando forças para tornar-se parte do projeto pedagógico das escolas envolvidas, o que já vem sendo estudado pelos seus gestores locais. Dessa forma podemos dizer que todos saíram ganhando com o processo, uma vez que ficou patente a grande alegria e satisfação dos participantes.

Com o aumento da longevidade humana e a crescente complexidade da vida moderna que muitas vezes dificultam o convívio pleno entre pessoas de diferentes idades, o estímulo de trabalhos que promovam o encontro de gerações vem ganhando força em diferentes partes do país e, no caso do projeto de troca de cartas que vem sendo realizado no município de Caraguatatuba, tem se mostrado muito eficiente para promover o encontro não apenas entre crianças e idosos, mas também entre seus idealizadores e os gestores locais.

A ideia é unir para ampliar o diálogo, a tolerância, o respeito e promover uma sociedade harmoniosa para todas as idades.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

II Encontro de Gerações Caraguatatuba

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

II Encontro de Gerações Caraguatatuba

A manhã de sexta-feira do dia 2 de Dezembro de 2011 prometia. Todos os presentes estavam muito ansiosos pela expectativa de finalmente conhecerem a pessoa com a qual trocaram correspondências (cartas). Afinal, ao longo do ano, ao escrever ou ler cada nova correspondência, novas emoções, desabafos, sorrisos, alegrias, desilusões e encantamentos, entre tantas outras emoções, apareciam. Assim o ano passou e o apego pelo correspondente foi sendo vagarosamente construído. Ao longo do ano, acompanhamos várias falas como:

“Hoje minha cabeça está ‘fervendo’, mas preciso me acalmar para escrever para a minha ‘netinha’. Preciso da sua ajuda”.
Palavras de uma senhora do CREMI, momento antes de sentar-se e responder a carta da sua interlocutora.

“Eu tô adorando receber a carta deste menino, acho que ele já é um homenzinho, ele me dá dicas [descreve] de como ele é, então, acho que deve ser um garoto bem forte”
Palavras de outro idoso ao ler uma das cartas recebidas por ele ao longo do ano.

“Você sabe quem é o vovô que me escreveu neste ano?”, perguntou curioso um garotinho assim que desceu do ônibus na chegada ao local de encontro.

São exemplos de fala de alguns participantes. O trabalho da escrita de cartas vem conquistando novas adesões a cada nova correspondência recebida pelos participantes.
Assim, o dia do encontro foi muito aguardado, por todos, gestores e profissionais tanto da Escola Municipal Profa. Aida de Almeida Castro Grazioli quanto do CREMI, mas principalmente entre idosos e crianças.

JOGOS DE ADIVINHAÇÃO

As cadeiras do salão foram organizadas de modo que, os presentes pudessem se olhar e tentar se descobrir a partir de alguns comandos dados pela coordenadora do projeto que sugeriam coisas que pudessem estar escritas nas cartas. Assim, todos foram convidados a se olhar e procurar pelo correspondente. Então lançaram-se frases como: “Quem nasceu na cidade de Caraguatatuba?”, “Quem é de outro estado?”, “Quem correspondeu-se com um menino?”, “Quem correspondeu-se com uma menina?”, “Quem está no projeto pelo segundo ano?”, etc.

Assim criou-se um clima de detetive e de atenção, pois foi necessário pensar nas informações reveladas nas cartas de seus interlocutores e deter-se em alguns detalhes. Na troca de olhares alguns se descobriram e emocionaram-se. Na medida em que a manhã foi passando e os correspondentes revelados, notou-se forte emoção de parte a parte.

Uma das participantes disse: “Eu queria tanto falar um montão de coisas a minha menina, mas na hora só consegui abraçá-la. Eu fiquei muda e meu corpo tremia tanto! Não sei o que me aconteceu. Assim que a vi [a menina] tinha certeza de que era ela a minha correspondente.”

Outro idoso afirmou: “Eu sabia que era ele! Desde que ele chegou aqui!”

Descontração e Música

O encontro ainda contou com momentos de descontração proporcionados pelo Sr. Luiz, de 92 anos, que também participa do projeto desde 2010 e que com sua gaita alegrou a garotada com diferentes músicas, enquanto as crianças esperavam a vez de entrar no ônibus para voltar para a escola ou até, aproveitavam para dançar ao som da gaita. Ele foi muito aplaudido, ao mesmo tempo em que teve de responder sobre curiosidades quanto ao instrumento, desconhecido pela maioria.

Outras Mídias

O Conselho Regional de Psicologia também repercutiu o encontro por meio de seu portal na internet, destacando a reação entre crianças e idosos, além de perfilar a realizadora do projeto. A matéria pode ser acessada aqui:

Apoio

Este trabalho só aconteceu porque existiram várias parcerias, envolvendo muitas pessoas e exigindo muita organização e logística. Assim é fundamental citar alguns nomes que acreditaram na proposta desde o início: Marta Borges, Coordenadora do CREMI, e toda sua equipe de profissionais de diferentes setores; as professoras que trabalharam diretamente com as crianças na elaboração das cartas, Eliana Aparecida Oliveira, Tânia C. Espírito Santo e Katia Aparecida Viana, assim como a coordenadora pedagógica Renata das Neves Silva e a gestora escolar Silvia C. S. Eimert e sua vice Sra. Cassiana S. Welester, além de inúmeras outras pessoas que direta ou indiretamente participaram em diferentes momentos do processo no momento da elaboração das respostas e do envio das cartas aos correspondentes.

O projeto conta ainda com o apoio da secretária municipal da educação Sra. Rute M. Pozzi Casati, do secretário municipal de Assistência Social Sr. Antônio Cornélio de Morais Filho e da presidente do Conselho do Idoso Sra. Cida Waack, todos da cidade de Caraguatatuba, além das famílias dos idosos e das crianças.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Seminário Encontro de Gerações – Sesc Pompéia

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Seminário Encontro de Gerações - Sesc Pompéia

O relacionamento entre as gerações assumiu diferentes formas ao longo da história. Assim como as gerações são construídas socialmente e pautadas por normas e expectativas de conduta, também as relações entre elas são determinadas pelos valores culturais de cada época. Em certas culturas, prevaleceram esquemas de solidariedade entre jovens e velhos, em outras a competição apareceu com maior freqüência.

A família foi e prossegue sendo o âmbito mais provável desse encontro. Mas, na sociedade contemporânea, observa-se um certo distanciamento intergeracional no núcleo familiar, traduzido por pouco diálogo entre pais e filhos e entre avós e netos. Os espaços públicos são também pouco compartilhados, aumentando a distância afetiva entre as faixas etárias. No entanto, a partir dos anos 90, em vários países, inclusive no Brasil, tem havido um aumento significativo de ações e programas intergeracionais promovidos por entidades públicas e privadas.
O Serviço Social do Comércio SESC SP há seis anos desenvolve o programa SESC Gerações, conjunto de atividades artísticas e de lazer que tem por objetivo a integração e a co-educação entre gerações.

Pensando numa integração entre as experiências do SESC e de outras entidades, tanto por iniciativa de pesquisadores e especialistas quanto de voluntários, o SESC-SP promoveu o Seminário Encontro de Gerações, no qual todos os presentes puderam trocar suas experiências, enriquecendo-se mutuamente com os relatos, simpósios, pôsteres, estudos de casos e atividades artísticas culturais apresentadas durante o evento. O seu principal objetivo foi estimular o convívio saudável entre as gerações, como afirma a proposta da ONU (Organização das Nações Unidas): “UMA SOCIEDADE PARA TODAS AS IDADES”.

Vários países marcaram presença no encontro como: Brasil, Espanha, Peru, Argentina, México e Estados Unidos. Grandes exemplos intergeracionais promovidos nas diferentes unidades do SESC serviram também de inspiração para o evento. Assim, tivemos a oportunidade de conhecer os trabalhos realizados por meio de diferentes estratégias, tais como: arte, literatura, música, teatro, cinema, cultura, educação, arquitetura, saúde, faculdade aberta à terceira idade e diferentes cursos acadêmicos.

A abertura contou com a Dra. Sally Newman dos Estados Unidos que, proferiu uma palestra sobre diferentes trabalhos na área, realizados em seu país ao longo dos últimos 30 anos. Segundo ela existe nos EUA grande estímulo para que, ao longo de suas vidas, as pessoas desenvolvam algum tipo de trabalho voluntário e isso geralmente é realizado por boa parte dos norte-americanos: trata-se de uma atividade muito comum e reconhecida entre os cidadãos. Ela também apresentou um vídeo com alguns exemplos intergeracionais realizados por jovens e idosos e esclareceu que esses encontros em geral são bastante enriquecedores tanto para aqueles que prestam o serviço quanto para aqueles que recebem, afirmando que os reflexos são sentidos por toda a sociedade e são estimulados socialmente.

O professor Mariano Martinez da Espanha levantou os ânimos do público presente com muita criatividade e espontaneidade, trazendo inúmeros dados de como ocorrem os encontros intergeracionais na Europa e fornecendo várias informações a respeito. Ele também alertou o público sobre a necessidade de se fazer trabalho em equipe com parcerias e salientou a necessidade de fortalecimento profissional nesta área.

Na manhã seguinte tivemos uma conferência bastante produtiva com a presença do médico geriatra Santiago Pszemiarower (Argentina), do também médico e educador Rafael Chura (Peru), da demógrafa Liliana Rodriguez (México) e do Psicólogo e referência brasileira na área da GerontologiaJosé Ferrigno (Brasil). Cada um expôs como ocorrem os trabalhos sobre envelhecimento e encontros de gerações nos seus respectivos países. Inclusive Ferrigno destacou o pioneirismo da professora Suzana Medeiros quanto à implantação de estudos e pesquisas na área do envelhecimento humano.

O programa de Gerontologia da PUC e a Universidade Aberta da Terceira Idade, marcaram forte presença no evento e, contou com inúmeros profissionais em diferentes mesas. A Profa. Elizabeth Mercadante coordenou os trabalhos apresentados nas duas tardes do evento e que apresentaram relatos de experiências.

O público pode conhecer os mais variados exemplos de trabalhos práticos todos muito enriquecedores e esclarecedores e que trouxeram verdadeiros exemplos de cidadania, de coragem e de muita luta. Entre eles, tivemos exemplos de grande destaque relatados pelos profissionais no próprio SESC de diferentes estados do Brasil.

As ex-alunas do programa em gerontologia Maria de Fátima Agostinho e Gisele Maria Schramm falaram sobre suas experiências profissionais que envolveram estudo das relações de avós e netos em conflito com a justiça e que se tornaram dissertações de mestrado. Todos os trabalhos merecem destaques, bem como revelaram forte dedicação e esperança sobre as relações familiares e pessoais.

Tivemos a oportunidade também acompanhar uma grande quantidade de trabalhos realizados em diferentes estados por profissionais que tiveram a oportunidade de relatar suas pesquisas aos presentes na forma oral ou de pôster. Nós da PUC novamente marcamos presença. Divina de Fátima dos Santos apresentou uma comunicação oral sobre o tema “Relações Intergeracionais: compartilhando palavras escritas” e Ana Tomazoni apresentou um pôster sobre o tema “Uma vivência interdisciplinar na educação dos Sentidos”; porém, vale destacar que foram inúmeras as apresentações e todas foram muito envolventes e motivadoras.

Mas não foi só isso! Tivemos um grande encerramento com as belas e objetivas palavras proferidas por Paulo de Salles Oliveira, autor de vários livros, entre eles “Vidas compartilhadas: cultura e co-educação entre gerações na vida cotidiana”. Com muita sabedoria e serenidade, encerrou o evento em grande estilo sem deixar de estimular a continuidade dos trabalhos de todos ali presente.

Para relaxar, ao longo do encontro, tivemos vários momentos de descontração recheados por músicas, poesias e danças.

Parabéns a toda equipe do SESC e organizadores do Seminário e em especial ao Professor Ferrigno, grande anfitrião que não escondeu sua alegria pela realização e sucesso deste maravilhoso encontro que certamente deixou muitas sementes que germinarão em outras regiões por meio dos participantes deste encontro.


Todos os presentes ao final do encontro sentiram-se renovados e fortalecidos no sentido de continuar seus trabalhos agora com novas idéias a partir das inúmeras sugestões e experiências ali apresentadas.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica