Docente do Módulo e FASS apresenta pesquisa de doutorado em congresso nos Estados Unidos
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Professora Divina apresenta pesquisa de doutorado em congresso nos Estados Unidos
A Profa. Dra. Divina de Fátima dos Santos, docente do Centro Universitário Módulo e da Faculdade São Sebastião – FASS participou do 21º IAGG Congresso Mundial de Gerontologia e Geriatria, realizado na cidade de São Francisco (Califórnia), nos Estados Unidos, entre os dias 23 e 27/07.
O evento deste ano reuniu aproximadamente 6.000 pessoas de 75 países e contou com a participação de pesquisadores de várias Universidades públicas e privadas do Brasil. Entre estes pesquisadores estava a Dra. Divina de Fátima dos Santos, Professora do Módulo e da FASS – Faculdade São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. Seu trabalho contou com a colaboração da Dra. Renata Plaza Teixeira (IFSP-Campus Cubatão) e orientação da Dra. Ceneide Cerveny (PUC-SP). A pesquisa foi realizada na cidade de Caraguatatuba e defendida em 2015 na PUC-SP
Segundo a Profa. Divina, participar de um congresso desse porte oportuniza o intercâmbio de diferentes profissionais nas mais variadas áreas que envolvem o envelhecimento humano. Seu trabalho foi bastante elogiado, devido à sua complexidade de realização e dos efeitos emocionais benéficos constatados entre todos os sujeitos envolvidos no estudo de cunho intergeracional e interdisciplinar, uma vez que envolveu o encontro de gerações distintas por meio da escrita terapêutica. Além disso, trata-se de um trabalho que envolveu a Educação, a Psicologia, a Gerontologia, a Sociologia, dentre outras áreas do conhecimento, o que exigiu grande esforço para a sua realização.
A participação no congresso permitiu estabelecer novas amizades e ampliar o network, bem como rever grandes amigos e amigas pesquisadoras como a Dra. Sonia Fuentes, que apresentou sua pesquisa de pós-doutoramento e nomes famosos, tais como o médico Dr. Alexandre Kalache, cuja atuação na gerontologia tem grande destaque. Tivemos a oportunidade de conhecer muitos trabalhos, cuja preocupação visou unir as diferentes idades. Experiências que promovem o encontro de gerações têm se tornando de suma importância visto que a população idosa no Brasil e no Mundo vem crescendo a cada dia, portanto trabalhos nessa linha precisam ser estimulados e apoiados.
Devido a complexidade e grandiosidade do congresso o mesmo ocorreu simultaneamente no Complexo Moscone Center e no Marriot Hotel próximo à Market Street – na área central de San Francisco próximo à região do Embarcadero.
O evento reuniu grandes nomes de todas as áreas que envolvem a geriatria e a gerontologia, além de estudantes de diferentes áreas em formação. Muitos idosos protagonizaram suas atuações em suas comunidades revelando que precisamos saber envelhecer com saúde e de forma integrada com outras gerações de maneira respeitosa.
O manual do congresso contou com mais de 382 páginas e cerca de 8.000 resumos de pesquisadores de diferentes países, fato que de certa maneira fez com que os participantes do congresso levassem várias horas para que pudessem escolher de quais atividades desejavam participar, já que tudo parecia muito interessante. Uma constatação foi que os profissionais e pesquisadores brasileiros estão produzindo pesquisas de alto nível e de grande destaque em âmbito internacional. A programação completa do evento pode ser conferida no:
Dentre as inúmeras apresentações do evento, uma que muito agradou o público foi a presença de vários animais “terapeutas” que são utilizados tanto para o tratamento direcionado à preservação da memória em idosos quanto para o tratamento de crianças com deficiência; também foram apresentados animais robôs, criação de uma equipe do Japão com a mesma finalidade.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
Cartas Intergeracionais: efeitos e signifiados
Divina de fátima dos Santos
Doutora em psicologia clínica
Cartas Intergeracionais: efeitos e signifiados
O Brasil tem atualmente 11,8% da população de idosos, e é previsto que em 2025 seja a 6ª maior população de idosos do mundo. Por este motivo, diversos recursos de trabalho para esta população vêm sendo desenvolvidos, uma dessas são as práticas Intergeracionais (BODSTEIN; LIMA; BARROS, 2014).
Para Goldfarb e Lopes (2006 apud Santos, Cerveny e Silveira, 2012), a aproximação de diferentes gerações, inclusive entre crianças e idosos, pode promover e facilitar crescimentos para ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo de viver plenamente a vida cultural e social.
Escrever cartas na escola é uma prática comum para as crianças no Ensino Fundamental, apesar de parecer coisa ultrapassada na atualidade devido a tecnologia, o uso quase exclusivo de computadores e celulares com internet. Portanto, pode-se questionar a função da escrita de cartas neste contexto. De acordo com Santos, Cerveny e Silveira (2012, p. 112) “escrever cartas constitui-se uma das inúmeras maneiras possíveis de entrar em contato com outras pessoas com as quais podemos iniciar ou manter um relacionamento”.
Em um centro de referência para a terceira idade de Caraguatatuba foi realizado o projeto “Encontro de Gerações”, baseado em trocas mensais de correspondências entre idosos que frequentam o centro e crianças na faixa de 10 anos que são estudantes do ensino fundamental da rede municipal de ensino (SANTOS; CERVENY; SILVEIRA, 2012).
A troca de cartas promoveu a autoria, além de ativar a imaginação das crianças e dos idosos. A prática também se torna um recurso de estimulação da memória, na medida em que os idosos escrevem sobre suas experiências passadas. “Escrever dá “vida” e significado a um pequeno pedaço de papel tecnicamente sem valor, além de tornar presente os ausentes” (SANTOS; CERVENY; SILVEIRA, 2012, p. 113).
De acordo com Pennebaker e Beall (1986 apud Santos, Cerveny e Silveira, 2012) a escrita funciona como um recurso de ressignificação de si e dos outros pela influência no comportamento das pessoas, uma vez que passam a acreditar mais em si mesmas. As palavras escritas são relatos que podem revelar sentimentos e significados. Não são recursos inventados pela psicologia, mas disparam aspectos cognitivos, afetivos e emocionais, mobilizam relações potentes, pois são abertas e abrem os processos de significação.
A partir disto, sugere-se que a troca de Cartas Intergeracionais se qualifica como uma tecnologia psicossocial, pois é um processo que estabelece relações “intercessoras”, ou seja, produz algo entre os sujeitos, é um processo que existe para os idosos e para as crianças e não teria existência sem o momento da relação em processo. Portanto, este processo caracteriza-se como uma tecnologia psicossocial pela potência de agenciar o encontro, de possibilitar trocas, relações de acolhimento e estabelecimento de vínculo (MERHY; FRANCO, 2003).
Dito de outra forma, a utilização de um processo sistematizado, que consiste na troca de correspondências entre idosos de uma instituição e criança de uma escola, é um “processo de construção social, política, cultural, subjetiva”, que configura “um novo sentido para as práticas assistenciais, tendo como consequência o impacto nos resultados a serem obtidos” (MERHY; FRANCO, 2003, p. 09).
Esta tecnologia psicossocial poderia ser aplicada, por exemplo, nos atuais Centro de Convivência do Idoso (CCI). Neste serviço, são organizados grupos de convivência, com uma média de 20 participantes, e encontros de duas horas semanais. As atividades são planejadas com o objetivo de contribuir para o processo de envelhecimento saudável, autonomia, sociabilidade e fortalecimento de vínculos.
Atividades Intergeracionais são conhecidas pelos trabalhadores deste serviço, contudo a novidade está nas cartas como dispositivo, e no “manejo” do vínculo entre as crianças e os idosos que é viabilizado. Este processo pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia, na medida em que o idoso escreve sozinho as suas cartas, escolhe o conteúdo da comunicação, e lê as que são endereçadas a ele. Além disso, muitas memórias podem ser evocadas e, novos sentidos produzidos.
REFERÊNCIAS
BODSTEIN, Airton; LIMA, Valéria Vanda Azevedo de; BARROS, Angela Maria Abreu de. A vulnerabilidade do idoso em situações de desastres: necessidade de uma política de resiliência eficaz. Ambiente & Sociedade, v.17, n.2, pp.157-174, 2014.
MERHY, Emerson Elias; FRANCO, Túlio Batista. Por uma composição técnica do trabalho centrada nas tecnologias leves e no campo relacional. Saúde em debate, v. 27, n.65, Rio de Janeiro, 2003.
SANTOS, Divina de Fátima dos; CERVENY, Ceneide Maria de Oliveira; SILVEIRA, Nadia Dumara Ruiz. Vivendo, escrevendo e reescrevendo a vida: Encontros Intergeracionais. Revista Portal da Divulgação, n. 28, ano III, p. 111-117, 2012. Disponível em: . Acesso em 25 mai. 2016.
Fonte: Plataforma Psicossociais
Divina de fátima dos Santos
Doutora em psicologia clínica
Oficina para produção de documentos escritos
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Oficina para produção de documentos escritos
O Conselho Regional de Psicologia do Vale do Paraíba e Litoral Norte do Estado de São Paulo em parceria com a UNIBR Faculdade São Sebastião, realizou no sábado dia 22/06/2013, no auditório da Faculdade, na cidade de São Sebastião, um encontro com os psicólogos da região com o objetivo de promover mais uma capacitação e orientação destinada a estes profissionais, no que se refere à produção de documentos escritos, muitos deles sigilosos, que são de responsabilidade direta do profissional da área da psicologia.
O palestrante deste encontro foi o psicólogo, psicoterapeuta e educador social Leandro Gabarra que é conselheiro e coordenador da subsede de Ribeirão Preto e membro da Comissão de Ética (COE) do CRP.
A Oficina
A oficina contou com um público interessado, participativo e com muito desejo em esclarecer dúvidas diversas. Participaram do evento: psicólogos e profissionais de outras áreas interessadas no assunto.
O CRP tem procurado fazer vários encontros com essa temática em diferentes regiões do estado, numa tentativa de aprofundar o debate e ampliar o conhecimento dos diferentes tipos de documentos escritos que podem ser realizados por psicólogos. A ideia, de certa forma, visa dar subsídios necessários à escrita para a elaboração de um bom documento técnico com cuidado teórico e ético.
Segundo o conselheiro Leandro, as recomendações do CRP visam que os documentos produzidos por psicólogos possuam uma linguagem direta, clara, coesa e que, ao mesmo tempo, não exponham nem prejudiquem o usuário de serviços de saúde e, ao mesmo tempo, não tragam problema ao profissional. Ele esclareceu também que cabe ao psicólogo saber diferenciar a escrita técnica para outros profissionais da saúde com a escrita para usuários e familiares.
Leandro pontuou que existem vários documentos que são produzidos por psicólogos, alguns realizados individualmente e outros produzidos conjuntamente com uma equipe multidisciplinar, ou seja, documentos escritos em conjunto com assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e médicos. Eles podem ser produzidos em postos de saúde, clínicas e hospitais particulares ou públicos, organizações não governamentais, escolas, planos de saúde etc. Em geral, podem ser realizados para fazer encaminhamentos, laudos técnicos, pareceres, relatórios e atestados e que devem ser formatados de formas diferentes. Esclareceu em que momento cada um é produzido e com qual finalidade, pontuando suas principais características.
Finalmente, ele enfatizou ainda sobre a necessidade de um comprometimento ético, ressaltando a importância da utilização do Código de Ética Profissional e do conhecimento de todas as Resoluções e Portarias do Conselho Federal de Psicologia que norteiam a categoria. Lembrou ainda que o profissional da Psicologia possui grande prestígio e reconhecimento em todo o país; portanto, necessita estar atento as suas atitudes, suas falas, ponderações e documentos escritos, para continuar a ter o respeito de todos.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
Objeto de pesquisa de mestrado é destaque na coluna de Lucila Cano
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Objeto de pesquisa de mestrado é destaque na coluna de Lucila Cano
A colunista abordou o tema do trabalho derivado da pesquisa de mestrado que fora produzido pela Doutora Divina. Reproduzimos a matéria abaixo.
Original:
https://educacao.uol.com.br/colunas/lucila-cano/2012/08/17/palavras-que-estimulam.htm
PALAVRAS QUE ESTIMULAM
Por Lucila Cano
17 de agosto de 2012
Crianças e idosos estão nos extremos da vida. São os mais necessitados de atenção, afeto e compreensão. São os mais vulneráveis ao cotidiano desrespeitoso dos tempos atuais.
Crianças e idosos são um desafio e uma oportunidade para reaprendermos a viver em harmonia. Eles são os protagonistas do projeto Encontro de Gerações, de Divina de Fátima dos Santos, psicóloga e mestre em Gerontologia pela PUC-SP.
O projeto se sustenta na troca de correspondências entre crianças e idosos e na mudança de atitudes e de construção de valores que decorrem dessa interação.
Realizado em Caraguatatuba (SP) ao longo de 2011, o Encontro de Gerações foi premiado na II Mostra Estadual de Práticas Inovadoras em Psicologia, promovida pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo em dezembro passado.
Experiência e mais prêmios
A proposta de aproximar crianças e idosos surgiu quando Divina atuava na área de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em escola do SESI-SP. Na época, ela já se dedicava ao estudo do envelhecimento. Sua pesquisa de mestrado na PUC-SP – “Relações Intergeracionais: palavras que estimulam” – se pautava pelo uso de cartas como forma de comunicação entre crianças e idosos.
A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas com idosos, conteúdos de cartas escritas por estudantes do curso de EJA em fase de alfabetização, com idades entre 18 anos e 72 anos, e crianças do ensino regular de uma das unidades do SESI-SP, na faixa dos 8 anos aos 10 anos.
Havia uma preocupação inicial de melhorar a leitura e a escrita dos alunos, mas alguns fatores contribuíram para ampliar o âmbito do trabalho. Além de aspectos emocionais, relacionados à sua vida pessoal, Divina queria saber por que tantos idosos das aulas de EJA queriam aprender a escrever. Ela também queria entender a forma de interação entre as crianças e os idosos, para poder identificar os significados dessa troca.
Alguns dos temas abordados foram religiosidade, sonhos, palavras certas, o mundo do trabalho e a aposentadoria, a comunicação pictográfica e por símbolos, a troca de olhares. Eles renderam discussões e reflexões. A troca de cartas beneficiou a interação, a mudança de atitudes e a construção de valores éticos para a vida escolar, familiar e social de ambas as partes, crianças e idosos.
Com essa pesquisa, que antecedeu o Encontro de Gerações, Divina obteve o seu diploma de mestrado e conquistou o primeiro lugar em dois eventos de Gerontologia, um no Chile e outro em São Paulo.
Próximos passos
Uma etapa significativa do Encontro de Gerações ocorreu em 2 de dezembro de 2011. Após quase um ano de troca de cartas, idosos e crianças se conheceram pessoalmente. De um lado, eram 54 frequentadores do Centro de Convivência da Melhor Idade (Cremi), onde Divina atua como voluntária, e de outro, 51 alunos da Escola Municipal Professora Aída A. C. Grazioli.
Segundo a pesquisadora, “a correspondência serve para que tanto idosos quanto crianças se expressem, falem de suas vidas, expectativas, dificuldades. Um aspecto positivo é o quanto os idosos se sentem valorizados, porque percebem que a sua experiência é significativa na relação com as crianças. Mães de crianças que participaram do projeto relataram melhoras no relacionamento familiar e até no processo pedagógico, porque muitas delas superaram dificuldades com a escrita”.
Para a tese de doutorado em Psicologia Clínica, também pela PUC-SP, Divina segue trabalhando no projeto, em Caraguatatuba. Além da Escola Aída A. C. Grazioli, conta com os alunos do 4º ano da Escola Municipal Prof. João Batista Gardelin. Ao todo, participam da troca de cartas 60 idosos e 60 crianças do ensino fundamental de ambas as escolas.
Nas palavras de sua idealizadora, “o Encontro de Gerações estimula o convívio respeitoso de parte a parte. Além das mudanças de comportamento no convívio social, familiar e escolar, essa interação favorece a prática de valores, como a tolerância e o respeito, entre pessoas de idades e classes sociais distintas”.
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* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.
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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética (a coluna).
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
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