Mulher! Perspectivas e reflexões no contexto atual
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
LIVE: Mulher! Perspectivas e reflexões no contexto atual
Live: Mulher! Perspectivas e reflexões no contexto atual
Live que ocorreu no dia 08/03/2020, Dia Internacional da Mulher, com participação da Professora Dra Divina. Confira!
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
Pandemia e o esgotamento das mulheres
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Pandemia e o esgotamento das mulheres
Por Giuliana Capello
Faz alguns meses que ouço de muitas mulheres a mesma reclamação (e eu me incluo no time): “estou exausta”.
Hoje, quando sentei para escrever este post, minha mente pensava na enorme lista de tarefas que “preciso” cumprir até literalmente cair na cama, num esgotamento que parece sem fim. Como escrever assim tão cansada, tão sem tempo pra nada, tão… tão esgotada?
Sempre foi difícil conciliar trabalho remunerado com a invisível e desprezada economia do cuidado (representada pelo trabalho com a casa, os filhos, os idosos da família).
E a pandemia chegou destampando o baú que antes sufocava esse tema em nome da “normalidade” tão conveniente a muitos.
Sim, essa droga de pandemia pintou com cores mais fortes traços que já estavam presentes em nossa sociedade. Já parou para pensar nisso?
Alguns dos temas mais comentados nesse último ano não são novidade para ninguém, não foram criados pela pandemia. Ela apenas jogou um holofote enorme em cada um deles: racismo, desigualdade social, desigualdades na educação, corrupção, negacionismos, fake news, precarização do trabalho e, claro, o machismo nosso de cada dia.
Abismo de gênero
Li em algum lugar sobre uma pesquisa que apontou esse abismo de gênero durante a pandemia. E também sobre a psicóloga ou psicanalista, não lembro bem, que contou sobre dois pacientes: um homem de 40 e poucos anos, que dizia estar levando numa boa as mudanças na rotina provocadas pela covid-19, e uma mulher na mesma faixa etária, absolutamente exausta e à beira de uma depressão.
Algumas semanas depois do início das sessões, a terapeuta descobriu algo intrigante: os dois pacientes eram casados.
Que coisa! Por que essa disparidade toda?
É claro que existem singularidades e cada pessoa sente o mundo ao redor do seu jeito. Mas não é só isso, a gente sabe. E, o pior, sempre foi assim. É que a “normalidade” de antes dava conta de disfarçar e dar retoques finos a essa crueldade.
É por isso que sempre que fico refletindo sobre estratégias para mudar o mundo, regenerar a humanidade e o planeta incluo pautas feministas ou ecofeministas. Sem isso seria mais do mesmo, seria maquiagem mal feita, piada de mau gosto.
Mulheres de diferentes extratos sociais, com experiências culturais das mais diversas estão à beira de um colapso.
No Japão, depois de 11 anos sem curva ascendente, o índice de suicídio aumentou em 2020. Mas repare: entre as mulheres, a taxa subiu 15% ano passado, enquanto que entre os homens houve uma leve redução no mesmo período.
Esgotadas e ainda mais atarefadas
Sobre as brasileiras mais vulneráveis eu nem dou conta de falar muito.
Elas enfrentam o fantasma da fome todos os dias, veem os filhos sem acesso à escola, sofrem com o desemprego, o desamparo e, não raras vezes, com a violência doméstica (que também aumentou na pandemia, apesar das dificuldades extras que enfrentam as mulheres dispostas a denunciar as agressões).
Na classe média, terceirizar serviços para outras mulheres (mais vulneráveis, sempre) era rotina de muitas famílias. As crianças ficavam parte do dia nas escolas e depois com a avó ou uma babá.
A faxineira limpava a casa e, entre os mais abastados, a cozinheira servia a mesa. E assim desandava a humanidade…
E agora? Como estamos?
As mulheres têm, hoje, ainda mais tarefas para executar, mais demanda mental e desafios de logística e planejamento que são pura adrenalina ruim.
Eu, que neste caso me considero uma privilegiada por ter um teto, comida na mesa, água potável, trabalho (muito mais incerto neste momento, é verdade), um quintal para brincar com minha filha, áreas verdes por perto para me conectar com a natureza, enfim, condições de sobrevivência mais do que garantidas, estou absolutamente exausta.
Minha agenda, que ainda é de papel porque é assim que gosto mesmo, não tem espaço para anotar todas as tarefas, que agora incluem os horários de aula online da minha filha e as tarefas que tenho que ajudá-la a fazer, as compras do dia-a-dia que, agora, são via internet, horários das entrevistas, feira, textos para entregar, boletos para pagar, aniversários de gente querida (para quem tento enviar algo por e-commerce, quando possível), os cuidados com os cães, enfim, a lista é enorme e termina por aqui para não ficar entendiante, sem graça.
Maternidade e gestão do lar
Antes de ser mãe, confesso que não tinha ideia da dimensão desse desafio. De verdade.
As mulheres mais próximas, na época, também não tinham filhos. E as que tinham pareciam bem resolvidas dentro do esquema da terceirização da infância: escola, cursos extracurriculares para passar o tempo e toda sorte de ‘entretenimento’ para distrair os pequenos até a mãe voltar do trabalho.
Durante uma entrevista para uma vaga, anos atrás, o cara me perguntou se eu teria que faltar ao trabalho para levar minha filha ao médico, ou teria alguém para fazer isso por mim. Fiquei atônita.
Naquele instante desisti da vaga dentro de mim, mas precisei dela durante um tempo e resisti a ataques machistas que me faziam chorar vez ou outra.
A lista de machismo sutil, se é que podemos chamar assim só porque não envolve tapas e socos, é enorme. E dá até preguiça. Mas é tão real que tem feito o tema pipocar aqui e ali. É claro!
A mulherada está enlouquecendo. Tem que ser a cozinheira, a faxineira, a mãe, a professora auxiliar das aulas online, a profissional produtiva no home office, a planejadora da despensa e do vestuário da família, a grande provedora da ordem mínima necessária ao funcionamento de cada centímetro quadrado do lar.
E o que fazer para reverter isso ou, ao menos, reduzir um pouco a carga?
Minha amiga, as respostas dependem do cenário real de cada uma, do contexto social, cultural, enfim, de muita coisa. É algo que passa pela aprovação de auxílio de emergência ou, melhor ainda, de projetos na linha da renda cidadã, porque a emergência é o novo normal, né não?
Passa também por mudanças estruturais na sociedade, que sempre levam tempo para surtir efeitos.
De mãos dadas, sempre
Mas, nessa história, quem sou eu pra dizer algo sobre isso? O que sei é o que sinto na pele. Nas pálpebras cansadas, nos fios brancos dos cabelos, no coração palpitando porque preciso do computador que a filha está usando para estudar.
E olha que tenho sorte (na verdade, bons critérios de escolha). Meu marido é bastante parceiro em tudo. Lava louça, cozinha, faz faxina na casa, cuida da filhota, dos cachorros, vai buscar compra no drive thru e está sempre por perto quando preciso de ajuda.
Neste momento, compaixão e empatia não podem virar palavras vazias de sentido. É cada vez mais crucial que não percamos a capacidade de enxergar saídas, de ter disposição para lutar contra o que está errado, contra o que e quem pode e – até – quer nos adoecer.
Saúde mental é algo sério. E nós mulheres precisamos dela forte, vívida, inspiradora (para nós mesmas, em primeiro lugar).
Homens com as nossas sandálias teriam surtado por muito menos, já teriam chamado a mãe, a esposa, a filha mais velha, a empregada, qualquer versão desses seres tão preciosos, mas que ainda são tratados como inferiores, menores, menos capazes, merecedoras de salários mais baixos mesmo quando executam exatamente a mesma função.
Basta dessa canalhice. E que a pandemia nos ajude, ainda que em luto pela nação que sofre, a escancarar o que somos. Poderosas por natureza, mas dignas de descanso e (auto)cuidado também. Tenho fé.
Vamos respirar juntas e esperançar, de mãos dadas, ventre quentinho e coração cheio de amor pela vida.
Agora me dá licença que vou até a pia lavar a louça enquanto ouço um podcast desses bem revolucionários… Aliás, aceito sugestões.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
O luto pela covid como processo coletivo
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
O luto pela covid como processo coletivo
Em entrevista ao portal Brasil de Fato, Mariana Tavares destaca a importância dos cuidados paliativos e propões uma reflexão sobre a lógica individualista
Por Raíssa Lopes
Mariana Tavares é psicóloga, especialista em Psicoterapia Contemporânea e em Recursos Humanos em Saúde. Integra o Conselho de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) e recentemente se especializou em cuidados paliativos pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG).
Escreveu o artigo “Luto complicado e pandemia: possibilidades de intervenções paliativas”, juntamente com Raqueline Assunção, Renato Barreto, e sob orientação de Glaucia Tavares.
O estudo traça reflexões importantes sobre o que a pandemia de covid-19 pode revelar a respeito de como as sociedades ocidentais entendem a saúde e como se relacionam com a morte.
O Brasil é um dos piores países para morrer, porque não se preocupa com a morte
Saindo da noção da saúde mental como um processo inteira e unicamente individual, a especialista chama a atenção para a influência da realidade social na vida dos sujeitos. Em conversa com o Brasil de Fato, também reforça o poder indispensável das políticas públicas para superar coletivamente os traumas expostos e criados pelo coronavírus.
“Não dá pra ignorar, passar por cima. A gente vai precisar de uma política do luto”, diz.
Leia a entrevista:
Brasil de Fato – O que são cuidados paliativos? Por que são importantes e de que forma estão relacionados à pandemia de covid-19?
Mariana Tavares – Os cuidados paliativos representam um campo da saúde ainda não completamente regulamentado. Existem escassos serviços no Brasil e essa concepção é um pouco mais desenvolvida em outros países. A definição de cuidados paliativos é, inclusive, muito recente.
Cuidados paliativos constituem uma assistência feita por uma equipe com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e da família diante de uma doença ameaçadora à vida. Deseja prevenir e aliviar o sofrimento das pessoas frente a essas doenças.
Não são realizados apenas nos casos em que as pessoas estão perto de morrer, é uma concepção mais ampla. Existem cuidados paliativos com pessoas acamadas, por exemplo, mas também os relacionados à garantia de uma boa qualidade do fim da vida.
A nossa sociedade – inclusive profissionais de saúde – lida muito mal com a morte
Existe uma visão pejorativa dos cuidados paliativos como se fossem bobagem, como se fossem nada… Essa visão preconceituosa é muito prejudicial, porque está dizendo que a qualidade da morte não é relevante. Por isso é importante entender que a qualidade da morte tem a ver com a qualidade da vida.
O Brasil é um dos piores países para morrer, justamente porque tem uma baixa preocupação com a qualidade da morte. Isso tem a ver com a ideia de que a medicina vai apenas salvar vidas, e com a dificuldade de lidar com a morte. A morte é vista como um fracasso. Existe todo um medo, um tabu nas sociedades ocidentais.
E aí vem o pessoal dos cuidados paliativos tentando garantir uma morte, ou um cuidado, não somente centrados na tecnologia, na medicina. O modo de morrer de antigamente, com o doente em casa, cercado pelos familiares, foi migrando para uma morte solitária, dentro de um box de CTI, com a pessoa sozinha e em agonia.
O suporte social comunitário ajuda na prevenção do luto complicado
Então o mundo dos cuidados paliativos vai procurar fornecer assistência psicológica para a família, incentivar as conversas com o “eu te amo”, “eu te perdoo”… É uma visão muito maior do que é enfrentar essa terminalidade. A nossa sociedade lida muito mal com a morte, e os profissionais de saúde lidam muito mal com a morte. A gente é mal formado para pensar sobre.
A covid vem e nos dá um tapa na cara. Evidencia e desnuda tudo. A morte por covid traz todos esses componentes: solidão; despreparo das equipes na lida e no diálogo com a família; ausência desse raciocínio [de que a morte não é um fracasso] nas unidades de saúde e hospitais; sofrimento enorme para os profissionais e familiares.
E agora são justamente os profissionais os intermediários entre família e paciente durante a morte.
Exatamente. A carga sobre eles está enorme, porque são profissionais criados para salvar vidas, nessa suposição de que a morte seria uma derrota, e o tempo todo estão sendo confrontados com essa frustração. Está difícil para o sistema como um todo.
E o luto dentro dessa situação? Porque existe o luto por perder pessoas amadas, mas especialistas também apontam para o luto por perder um emprego, por mudar o modo de agir…
O luto é a perda de um vínculo, não necessariamente a perda de uma pessoa e nem necessariamente por morte. Imagine então a quantidade de luto que está por aí… Pessoas que iam se casar, que perderam emprego, renda, o medo de quem tem que trabalhar de contaminar seus familiares. É uma série de sofrimentos invisíveis.
Ao mesmo tempo, o luto é uma vivência muito individual. Existem teorias mais antigas que tentam dizer que o luto possui um determinado tempo, percorre certas fases. Elas criam quase que uma normativa sobre o luto.
É preciso pensar como promover conforto e sobrevivência para enfermeiras
É o luto sendo um processo do sujeito, e aí o modo como o sujeito o enfrenta seria próprio de cada um, de acordo com cada estrutura de personalidade. O que é possível fazer sobre isso? Quase nada. É mandar para a psicóloga. E eu acho que não, no momento não é o caso de vermos o luto como um processo absolutamente subjetivo.
Existe um conceito de luto complicado, que é quando a pessoa enfrenta mal, não dá conta de retomar a vida, adoece, deprime. Esse luto é comum em mortes violentas, solitárias, injustas, precoces. E a morte pela covid tem várias dessas características – é uma má morte, tem dor, sofrimento, falta de ar, é solitária, sem despedida.
Então nós fomos investigar se existem formas de prevenir o luto complicado, já que o luto é tão singular, tão de cada um… E sim, tem jeito.
Estudamos vários artigos, de países diferentes, e o que encontramos, resumimos em dois pontos: é possível precaver ao melhorar a qualidade da morte e garantir suporte social. E é nesse contexto que os cuidados paliativos são enormemente relevantes.
Como seria isso?
Na melhoria da qualidade da morte entram, por exemplo, os dispositivos eletrônicos. A telemedicina, as videoconferências com os familiares, os grupos com psicólogos focados nas conversas com a família etc.
O trauma causado pela pandemia vai durar muitos anos, mesmo após a vacina
Sobre o suporte social… Uma das coisas que mais alivia a morte nas sociedades são os rituais. Eles existem como uma forma de nos consolar, abrandar a dor, criar um efeito simbólico entre a pessoa amada que partiu e quem fica. Foi outra coisa que a covid cortou, né? Os velórios devem ser rápidos e sem aglomeração até mesmo para aqueles que não morreram pela covid.
Além dessas características de má morte, temos uma situação que o ritual não pode auxiliar. É preciso, então, criar maneiras de suprir essa falta da ritualização tal como a gente conhece.
Tipo criar um ambiente em casa para celebrar e se despedir da pessoa que se foi?
Aí é que está. Não com as pessoas sozinhas, não com ações individuais. É exatamente onde entra um suporte social comunitário, para tirar essa morte da situação de invisibilidade.
Existem projetos da sociedade civil que se atentam a isso, como o @reliquia.rum, da Debora Diniz [antropóloga], o @inumeraveismemorial e o Santinho. Eles visam prover homenagens que apontem a singularidade de quem morreu.
A pandemia da covid nos mostra de cara que não somos tão autossuficientes
Porque é particular, mas também é público. É preciso ressaltar: o luto pela covid não é um processo apenas individual, é um processo coletivo.
Em outros países e em algumas cidades daqui, todo dia é realizado um minuto de silêncio, é tocada uma música, ou passa algo na televisão sobre as pessoas que faleceram. É para dizer que não, essas pessoas não estão despercebidas, e nem sozinhas.
E ações como essa auxiliam na prevenção do luto complicado.
E o luto dos profissionais da saúde? Eles são um caso à parte, pois além de lidarem com o paciente e família, o Brasil é um dos países com o maior número de mortes de profissionais do setor na pandemia. É medo de morrer, de perder os amigos e colegas de trabalho…
O suporte social tem a ver com políticas públicas de enfrentamento para esse sofrimento e para o sofrimento da população no geral.
A respeito das enfermeiras e enfermeiros, é preciso pensar como promover conforto e sobrevivência para esses profissionais. Nem que seja com auxílio financeiro, ou talvez uma aposentadoria mais precoce…
Algo que demonstrasse o valor e o interesse por essas pessoas, ao invés de ficar nessa de tratá-los como heróis, como aqueles que se sacrificam e que morrem pelo outro. Eles são pessoas, que estão trabalhando duramente, com dramas e que não têm garantia. Por exemplo, os filhos dessas mulheres enfermeiras ficam com quem?
O que quero dizer é que em várias áreas haveria formas de pensar políticas públicas: mulheres, crianças, profissionais; pode-se rastrear onde estão os mortos e ver quais assistências específicas o SUS [Sistema Único de Saúde] e o Suas [Sistema Único de Assistência Social] podem fornecer; deve-se refletir o que pode ser feito na educação, na segurança pública.
É necessário questionar como está sendo pensado o conjunto de políticas como suporte para o sofrimento causado pela pandemia. E o trauma vai durar muitos anos ainda, mesmo após a vacina. A gente precisa criar uma política do luto. Não dá para ignorar, para passar por cima.
Como lidar com essa sensação de perda iminente que a pandemia gera?
Não existe uma resposta. Podemos falar do que está acontecendo… Estamos em risco e podemos ver que, enquanto sociedade, já estávamos vivendo um processo negacionista.
A negação é um mecanismo psíquico descrito por Freud. É fingir que não vê. E vemos que essa está sendo uma das formas de lidar com o medo. Só que é um “fingir que não vê” em massa. O comportamento de massa é abrir mão do seu raciocínio e transferir sua capacidade de pensar para um líder. Esse líder, como estudado há muito tempo, manipula por meio dos afetos [da emoção].
Outra forma de lidar é ter comportamento fóbico e obsessivo e se trancar dentro de casa, achar que está infectado o tempo todo, se lavar o tempo todo com álcool.
O que deveria combater isso é informação justa, correta, fidedigna, confiável, que possibilitasse a cada um se posicionar. Sempre que acontece um desastre e morre muita gente de uma vez, o papel dos líderes, dos governantes, é dar a real. É ter ações baseadas na razão. É promover esquemas de compreensão para que a população seja tranquilizada e para que haja uma normativa mais unificada possível. E é exatamente o que não está acontecendo.
Essa é a primeira pandemia do século XX. Até então, éramos uma geração acostumada a ter controle de episódios do tipo, com ferramentas e tecnologias suficientes. Você acha que a covid impacta a nossa geração de uma forma diferente do que as pandemias anteriores impactaram as gerações mais antigas?
Primeiro que é uma pandemia que atingiu todos os continentes e as outras não atingiram. Com a globalização, em poucos dias a pandemia se consolidou e se multiplicou para o mundo inteiro.
E a gente está sustentado numa sociedade tecnológica, científica e narcísica – que crê que dá conta de tudo e que supõe que tem o controle. Uma sociedade que vinha, inclusive, desenvolvendo modos de prolongamento da vida por muito tempo.
Somos uma sociedade com dificuldade de lidar com o sofrimento e com a finitude
É um choque que coloca em questão a onipotência da humanidade, e nos dá essa castração, mostrando que não, não somos os “todos poderosos”. [A covid] nos mostra de cara que não somos tão autossuficientes.
Questiona o estilo de vida capitalista, diz que a gente precisa aprender a lidar com a falta de respostas e ficar mais humilde enquanto espécie. Aprender que nós somos um dos componentes da natureza, e não os donos dela.
Além dos desafios científicos da vacina, da exploração ambiental e natureza, mostra que somos uma sociedade com dificuldade de lidar com a dor, com o sofrimento e com a finitude.
Psicóloga Divina
Doutora em Psicologia Clínica
- divina.multiply@gmail.com
Professora Divina participa de ação de extensão debatendo saúde mental no contexto da pandemia de COVID-19
Divina de fátima dos Santos
Doutora em Psicologia Clínica
Professora Divina é convidada para ação de extensão debatendo a saúde mental no contexto da pandemia de COVID-19
Em 12 de setembro de 2020, sábado, a partir das 18h00, aconteceu, de modo virtual, a atividade de extensão “Setembro amarelo e saúde mental na pandemia” que foi organizada por bolsistas do projeto de extensão “Atividades audiovisuais de divulgação científica e cultural mediadas pela internet” que ocorre no âmbito do câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e que é coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira.
Esta atividade contou com a participação das psicólogas Dra. Divina de Fátima dos Santos e Dra. Maria Cecilia Gracioso Costa. A equipe deste projeto de extensão agradece imensamente às duas psicólogas que participaram com desprendimento desta ação e compartilharam com os participantes os conhecimentos profissionais sobre os temas abordados.
Os bolsistas extensionistas que organizaram e participaram diretamente desta atividade – juntamente com o professor Ricardo Plaza – foram os seguintes alunos de cursos superiores do IFSP-Caraguatatuba: Larissy Santos da Silva, Kaue Marques Barbosa, Lais Rodrigues Ramos, Danilo Henrique Oliveira Souza e Vinicius Carvalho Rosa. A bolsista Sofia Kaiser Sant Ana de Jesus também colaborou para o planejamento prévio desta atividade.
A bolsista Larissy convidou as psicólogas Divina e Maria Cecilia para esta ação, bem como foi ela quem conduziu os debates e as intervenções que ocorreram. Além disso, os extensionistas Larissy e Kaue, com o apoio de seus colegas bolsistas, prepararam e organizaram as ferramentas tecnológicas necessárias para que a atividade acontecesse com sucesso. O evento se efetivou como uma vídeo-conferência do “Google Meet” e a transmissão em tempo real (“streaming”) foi realizada no Youtube, pelo canal “Debate Consciência”, organizado pela equipe de bolsistas deste projeto de extensão.
No início foi apresentado um vídeo de curta duração (4 minutos) intitulado “4 fatos sobre a saúde mental no Brasil” do canal “Minutos Psíquicos” do YouTube e que está disponível para ser assistido no link. Este vídeo, a partir de uma pesquisa fundamentada em dados científicos, aborda a evolução nos últimos anos no Brasil, de índices: sobre transtornos de ansiedade e depressivos; sobre o número de suicídios; sobre as preocupações das pessoas a respeito da pandemia de COVID-19; sobre a procura por ajuda profissional no que diz respeito à saúde mental.
A seguir foi iniciado o debate com a apresentação de algumas ideias a respeito dos temas abordados pela professora Divina de Fátima dos Santos que é doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e é docente do Centro Universitário Módulo e da Faculdade São Sebastião. Em sua intervenção, a professora Divina destacou que há ainda poucos profissionais da área de psicologia no serviço público para uma demanda gigantesca. Divina enfatizou também que quando uma pessoa percebe e reconhece que não está bem, este autorreconhecimento em si já é algo positivo: é a partir da autoconsciência que a pessoa pode tomar a decisão de procurar ajuda de um profissional que tenha feito um curso de graduação e esteja habilitado para tratar com questões de saúde mental.
A professora Maria Cecilia Gracioso Costa, que é graduada em Psicologia no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, deu sequência ao debate enfatizando a importância de trabalhar as emoções na educação das crianças, desde a mais tenra idade, ensinando-as a falar e refletir sobre os seus sentimentos. Assim é importante trabalhar com questões que articulem psicologia e educação, para o ensino do sentir, de modo a lidar com questões como: por que se está triste, por que se está com raiva?
As duas psicólogas puderam, durante o evento, se aprofundar nos temas abordados. O professor Ricardo Plaza procurou também trazer questões a respeito dos assuntos em foco. Antes do término do evento, foi apresentado um segundo vídeo do canal “Minutos Psíquicos” do Youtube intitulado “Como procurar ajuda psicológica?” (com 4 minutos) que está disponível para ser assistido gratuitamente no link.
Durante a transmissão os participantes puderam realizar perguntas e fazer comentários por meio do “chat” do Youtube; vários destes comentários foram reproduzidos por áudio durante a ação e as psicólogas tentaram responder as questões formuladas. No canal “Debate Consciência” do Youtube, o vídeo intitulado “Setembro amarelo e Saúde mental na pandemia” (com duração de 1 hora e 53 minutos), referente a esta ação, está disponível para todos os interessados assistirem no link.
Esta foi a segunda ação realizada pelo projeto de extensão “Atividades audiovisuais de divulgação científica e cultural mediadas pela internet”. Este projeto foi aprovado no âmbito do Edital 196 de 11 de junho de 2020 da Pró-Reitoria de Extensão do Instituto Federal de São Paulo – IFSP, referente ao “Programa Institucional de Apoio a Atividades de Extensão do IFSP – Em tempos de Distanciamento Social” que dialoga com o período da pandemia de COVID-19 pelo qual estamos vivendo. Os recursos viabilizados por este edital 196 permitem o financiamento de bolsas a seis alunos extensionistas selecionados para a execução das atividades previstas para este projeto. O objetivo deste projeto de extensão é colaborar para disseminar o conhecimento, a cultura e a ciência, por meio da internet, durante a pandemia de coronavírus.
Os bolsistas extensionistas deste projeto agradecem tanto à Pró-Reitoria de Extensão do IFSP pelas bolsas fomentadas pelo edital 196, quanto às pessoas que participaram ativamente e prestigiaram este vídeo-debate, inclusive com a realização de perguntas e reflexões. Sugestões para temas das ações futuras deste projeto são bem-vindas e podem ser feitas para qualquer membro da equipe.
Fonte: Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira
Psicóloga Divina
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