Intergeracionalidade: cartas na mesa

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Intergeracionalidade: Cartas na Mesa

As atividades de natureza Intergeracionais têm ganhado cada vez mais protagonismo durante as últimas décadas. A busca pela resolução de conflitos ou mesmo aproximação entre jovens e pessoas idosas, tem colaborado muito para a intensificação das relações Intergeracionais. O distanciamento entre gerações deriva, dentre outros fatores, da perda de sinergia comunitária em nosso arranjo social contemporâneo. Por esse motivo, iniciativas de programas Intergeracionais são de extrema importância para atenuar esse distanciamento entre pessoas e combater preconceitos e discriminações.

A renovação de estruturas sociais e econômicas está diretamente ligada ao restabelecimento de melhores condições de convívio entre diferentes gerações seja dentro ou fora do contexto familiar. Tais transformações precisam, no entanto, passar pelo processo educacional das novas gerações, percorrendo todas as etapas pedagógicas, desde a primeira educação, até a formação adquirida nos anos mais avançados.

Ainda que as relações entre avós e netos sejam frequentemente subvertidas pelo mercado em consumo, por meio de propagandas que fazem uso do tema para vender toda sorte de produtos, é notório também, o fato que tanto a pessoa idosa quanto a criança e adolescente têm seus direitos frequentemente negligenciados, tornando as iniciativas Intergeracionais, um importante meio pelo qual se busca equidade e justiça nas relações sociais.

Por essa razão, a aproximação entre gerações distintas se faz muito importe, principalmente se levando em conta todo o contexto social atual. A pesquisa realizada pela Doutora Divina e relatada no livro Intergeracionalidade: Cartas Na Mesa se mostra, portanto, providencial para que se possam vislumbrar meios que atenuam o distanciamento entre gerações.

Quando a diferença está no escopo da pesquisa, é necessário que se encontrem pontos pacíficos onde as partes busquem aspectos onde se identificam umas com as outras, tornando essa diferença cada vez menor e derrubando barreiras entre os diferentes, estimulando a aceitação e aproximação durante um contínuo processo de aprendizado.

O meio utilizado pela Doutora Divina para encontrar esses pontos pacíficos, foi a troca de cartas entre crianças e idosos. Essa atividade envolvia a elaboração de correspondências com o auxilio de profissionais pedagógicos, tornando essa experiência tanto nostálgica para os idosos, quanto intrigante para as crianças, solidificando o papel da educação na formação das novas gerações e criando novas perspectivas para o processo de envelhecimento.

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Livro
Intergeracionalidade: Cartas na Mesa
Autora: Divina de Fátima dos Santos
430 páginas
Editora: Portal Edições Obs.: o livro será despachado a partir de 01/10

 

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Livro sobre relações triangulares conta com participação de docente do Centro Universitário Módulo

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Livro sobre relações triangulares conta com participação da professora Dra Divina

Por Patrícia Pereira

O artigo “avós, filhos e netos – um estudo sobre relações intergeracionais”, de autoria de Divina de Fátima dos Santos, docente do Centro Universitário Módulo (Caraguatatuba/SP) e da Faculdade de São Sebastião (FASS), e de Gabriela Garcia Plaza Teixeira e Renata Plaza Teixeira, integra o livro “Relações triangulares: dois é bom, três é demais?”, publicado pela Juruá Editora. O lançamento da obra ocorreu no dia 3 de setembro de 2019 na Livraria da Vila, no Jardim Paulista, em São Paulo/SP.

Professora Divina explica que a obra surgiu a partir de uma reflexão sobre como viver em sociedade nos tempos atuais e como as pessoas se relacionam entre seus graus de parentesco.De acordo com ela, a linguagem é acessível e permite aos estudantes elucidarem conceitos, fornecendo também ao leitor leigo a compreensão da dinâmica familiar com exemplos do cotidiano.

Entre os temas do livro estão: família e relações familiares, casamento intercultural, temática do casamento, bullying escolar e seus motivos, o nascimento dos filhos, trans-geracionalidade e depressão, crianças em terapia, família e escola, entre outros abordados nos capítulos. A temática do artigo do qual a docente do Módulo participou aborda questões referentes às relações vivenciadas entre gerações. “Trata-se de como se dá a relação entre avós, filhos e netos, gerações que coabitam, dividem, se educam, reeducam, trocam experiências entre si no meio interno e externo”, disse Divina.

O artigo da professora é encontrado no 39º capítulo e contém 22 páginas. Todas autoras do livro fazem parte de um grupo de pesquisa de famílias, da PUC/SP, sob orientação da professora CeneideCerveny. Para a produção dos textos, as autoras desenvolveram pesquisas sobre triangulações familiares. “O tema é contínuo, com diversas perspectivas a serem abordadas”, completou a docente.

Saiba mais sobre a autora

Divina de Fátima dos Santos é doutora em psicologia clínica (2015) e mestre em gerontologia social (2010) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Tem graduação em pedagogia pela faculdade de educação da PUC/SP na habilitação administração escolar (2007) e em orientação educacional pela Universidade Paulista (1992) e graduação em psicologia clínica pela Universidade Paulista (1996). A docente tem ainda especialização em psicodrama (2002) e em psicopedagogia (2005) pela PUC/SP. Atualmente, Divina é professora dos cursos de graduação e pós-graduação do Centro Universitário Módulo, em Caraguatatuba (SP), e da Faculdade São Sebastião (FASS), onde coordena o núcleo de apoio psicológico e psicopedagógico dos alunos. A docente é colaboradora do www.portaldoenvelhecimento.org.br e do Conselho Regional de Psicologia do Vale de Paraíba e Litoral Norte de São Paulo, além de desenvolver pesquisas envolvendo encontros intergeracionais, coeducação entre gerações e escrita terapêutica.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Breve reflexão sobre a intergeracionalidade na pesquisa científica

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Breve reflexão sobre a intergeracionalidade na pesquisa científica

02/03/2019 José Carlos Ferrigno

Devemos cultivar a humildade, a paciência, a perseverança e, sobretudo, a capacidade de auto-observação durante nossas investigações sobre a intergeracionalidade.

Atividades, projetos e programas intergeracionais têm se multiplicado dentro e fora do Brasil desde os anos 90, a partir da percepção de que a aproximação de velhos e jovens pode se constituir como uma resposta ao distanciamento ou até mesmo aos conflitos de geração. Comumente compostas por atividades lúdicas, culturais e de lazer, tais programas são voltados para a coeducação e a solidariedade etária. Também podem se apresentar em ações voluntárias e militantes, adquirindo mais fortemente um caráter assistencial e/ou político. Nesse caso, temos gerações ombro a ombro trabalhando em prol da comunidade, como é o caso das comissões intergeracionais em ações comunitárias, sobretudo na Inglaterra e na Alemanha, países em que esse tipo de intervenção se encontra mais desenvolvida.

As ações intergeracionais também podem ser percebidas como aliadas na luta contra discriminações ao “diferente”, perfilando-se ao lado das mobilizações contra o preconceito à mulher, ao negro, ao homossexual, ao imigrante etc. De fato, tanto o velho quanto a criança e também o adolescente não são devidamente respeitados em seus direitos e na expressão de seus desejos e potencialidades, como bem ressalta Divina dos Santos em sua tese de doutorado (SANTOS, pp.40-41). Mas, felizmente, há resistência a essa opressão, é bom lembrar Simone de Beauvoir quando ela nos fala sobre a salutar cumplicidade de avós e netos na resistência às imposições do dono e da dona da casa, a chamada geração intermediária, frequentemente detentora do poder econômico, físico e psicológico no ambiente familiar (BEAUVIOR, 1990, p. 270). Também por isso, a relação avós e netos é especial porque pode ser um contraponto ao nosso contexto socioeconômico marcado pela competição, pelo individualismo e pelo consumismo.

A intergeracionalidade merece uma abordagem científica. Nesse sentido, como devemos agir como pesquisadores das relações intergeracionais? Como abordar os entrevistados? Ecléa Bosi em “O Tempo Vivo a Memória”, no capítulo intitulado “Sugestões para um jovem pesquisador” nos diz: “Às vezes falta ao pesquisador maturidade afetiva ou mesmo formação histórica para compreender a maneira de ser do depoente(ou de nossos sujeitos jovens e velhos, diria eu). Somos em geral (prossegue a autora) prisioneiros de nossas representações, mas somos também desafiados a transpor esse limite, acompanhando o ritmo da pesquisa” (BOSI, 2003, p. 61). Nessa perspectiva, penso que devemos cultivar a humildade, a paciência, a perseverança e, sobretudo, a capacidade de auto-observação durante nossas investigações.

Ainda bebendo do rico manancial nos deixado por Ecléa, na mesma obra acima citada, dessa vez no capítulo “Entre a opinião e o estereótipo”, ela comenta a alvissareira possibilidade do pesquisador desenvolver amor por seu objeto de estudo e de sua ação profissional. Assim o fazendo, ela sugere que mais do que a aquisição de técnicas, pode-se falar, então, de uma conversão à causa de pessoas oprimidas e estigmatizadas (BOSI, 2003, p. 61).

Outro aspecto que considero importante é a compreensão de que a ciência nos solicita parcimônia em nossas conclusões. Devemos ser econômicos em relação aos resultados de nossas pesquisas, evitando afirmações categóricas, por mais sedutoras que possam ser. É um longo processo, decorrente de uma prática constante e sistematizada. É a práxis, reflexão resultante da digestão e da assimilação de nossas práticas cotidianas. Determinadas ações que desencadeamos, em uma primeira etapa, são movimentos que levam a uma sensibilização, uma espécie de prontidão para começar a pensar no assunto. A mudança de atitudes e comportamentos demanda tempo. Isso vale para pessoas e para instituições.

“O pesquisador deve ser sensível e aderir à causa de seus sujeitos. Quando estudamos as gerações, devemos estudá-las não como algo estranho à nossa natureza, como um objeto de estudo em relação ao qual mantemos distância em uma (impossível) neutralidade. Mas sim com nossa própria geração, nossas experiências, nossa história de relação com os mais velhos e com os mais novos. Já fomos crianças, seremos velhos (ou já somos)”

Cora Coralina, durante entrevista no Sesc Pompéia, em São Paulo no ano de 1982, ao ser perguntada sobre o que achava da idade que tinha respondeu: “Eu tenho dentro de mim todas as idades, da criança, da moça e da velha”. Essa experiência interna nos fornece elementos importantes para pensarmos sobre as gerações. Devemos estar alerta para o valor da empatia, pois devemos nos esforçar para entender o sentido que nossos sujeitos pesquisados dão às suas vidas, suas escolhas, representações, desejos e posição no mundo, para sondarmos e descobrirmos algo dos profundos de sua subjetividade. O tempo dirá sobre a eficácia dos programas intergeracionais. O ideal é que no futuro, ações dessa natureza não sejam mais necessárias, na medida em que recuperarmos o vigor da vida comunitária (se o recuperarmos). As perspectivas desses programas são promissoras, mas, elas não são panaceias, não tem o poder de revolucionar as relações sociais. É preciso lembrar que as dificuldades do diálogo intergeracional devem ser compreendidas no contexto maior das relações humanas no mundo em que vivemos. Portanto, em última instância, o bom convívio entre pais e filhos, avós e netos, velhos e moços dentro e fora da família depende da transformação radical das estruturas econômicas e de suas superestruturas políticas. Quando se trabalha com o objetivo da aproximação de pessoas marcadas pela diferença, no nosso caso a etária, o primeiro passo é buscar que se familiarizem umas com as outras. Nesse caminho as diferenças são paulatinamente conhecidas e, posteriormente, na melhor das circunstâncias, aceitas. O grau máximo desse processo é o desenvolvimento da admiração pelo outro por ele possuir algo que me falta e daí desejar sua presença para que se dê essa complementação, na forma de um constante aprendizado recíproco. Temos aí uma relação igualitária, sem dominação. Mais uma vez, recordo Ecléa Bosi quando pondera: Quando duas culturas se defrontam, não como predador e presa, mas como diferentes formas de existir, uma é para a outra como uma revelação” (BOSI, 2003, p. 175). Isso vale para povos, isso vale para pessoas.

Referências
BEAUVOIR. Simone de. Velhice. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira, 1990.
BOSI, Ecléa. Sugestões para um jovem pesquisador. In: BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Atelier Editorial, 2003.
SANTOS, Divina de Fátima dos. Olha para mim: encontro de gerações intermediado pela escrita de cartas. Tese de doutorado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2015.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Educação e Velhice

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Educação e Velhice

Este trabalho resultou da realização de um estudo sobre o conteúdo de cartas, utilizadas como forma de comunicação entre idosos e crianças, visando verificar a forma de interação vivenciada entre eles e a identificar os significados desta troca. Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada em entrevistas com idosos e nos dados coletados das cartas escritas por estudantes do curso da EJA (Educação de Jovens e Adultos) com idades variando entre 18 e 72 anos em fase de alfabetização e pelas crianças do ensino regular com idades entre 8 e 10 anos que frequentam uma das unidades da rede SESI-SP – Serviço Social da Indústria de São Paulo. A troca de cartas entre os estudantes ocorreu no período de 2008 e 2009. Foram selecionados 12 alunos como sujeitos da pesquisa, sendo seis idosos na condição de avós, com seus respectivos correspondentes, as seis crianças. Os assuntos abordados nas cartas deram abertura para inúmeras discussões. Os dados foram analisados e apresentados tendo como referência temas como: religiosidade, sonhos, as palavras certas, o mundo do trabalho e a aposentadoria, a alteridade, a comunicação pictográfica e por símbolos e a troca de olhares, todos igualmente envolventes, pois provocaram reflexões tanto por parte das crianças quanto por parte dos idosos. A análise dos dados, além de permitir a caracterização dos sujeitos envolvidos, aponta que a troca de cartas promove a interação dos estudantes e favorece o processo de mudança de atitudes e de construção de valores éticos importantes na vida escolar, familiar e social tanto dos idosos quanto das crianças participantes. As alterações ocorridas por meio dessas vivências podem propiciar ou facilitar um convívio mais saudável entre diferentes gerações no âmbito da escola e nos mais diferentes espaços sociais da vida cotidiana.

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Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Roda de Conversa: Longevidade e Velhice

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Roda de Conversa: Longevidade e Velhice

Por: Divina de Fátima dos Santos;
Sonia Fuentes

O Conselho Regional de Psicologia por meio da sua Subsede no Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo em parceria com a UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba – em São José dos Campos promoveu no dia 29.03.2012 a Roda de Conversa sobre a temática Longevidade e Velhice, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para os anos alargados de nossa velhice.

Esta atividade objetivou refletir sobre o assunto com psicólogos e outros profissionais que atuam na área, de modo a falar um pouco das suas experiências e, dessa forma, estimular outros profissionais a prepararem-se melhor no exercício do trabalho com idosos, o que exige qualificação, consciência da responsabilidade e respeito às necessidades do público “envelhescente”.

O número de idosos vem crescendo e, com o aumento da longevidade, cresce também a necessidade de que mais profissionais estejam preparados para atendê-los e dar suporte ao público idoso em todas as suas demandas.

Com um auditório lotado e bastante interessado no tema, as três palestrantes da noite falaram um pouco das suas experiências no trabalho com idosos. Entre os inscritos para o evento estavam estudantes do curso de especialização em Gerontologia oferecida pela própria Universidade, assim como psicólogos, assistentes sociais, pessoas da comunidade e, também, alguns idosos. Foi uma conversa repleta de informações e novidades, com os assuntos versando sobre os pontos descritos a seguir.

O crescimento do número dos velhos no mundo e a forma com que o mundo está envelhecendo são informações que emanam das estatísticas existentes. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje o Brasil chega quase a 20 milhões de idosos, a projeção é a de que em 2050 teremos aproximadamente 64 milhões. Entre os idosos acima de 90 anos, no ano de 2000 tínhamos 261mil brasileiros; em 2010 esta porcentagem saltou para 75% e o número foi para 449 mil idosos. E existem algumas pesquisas e notícias que apontam a possibilidade de se chegar até a idade de 150 anos no futuro (encarte Jornal Valor –Ano 12 –N 575, de 4 de Novembro de 2011).

Mas será que vale a pena viver tanto? Quais as consequências desta empreitada? Não queremos só prolongar a vida, mas também melhorar a saúde de cada um. Nunca se falou tanto em manter-se jovem e bem cuidado como neste século. Há gostos para tudo e para todos, e também para os diferentes bolsos. Você poderá bancar as 150 pílulas que a Glória Maria consome diariamente para manter-se jovem? Quais seriam as consequências imediatas de viver mais de cem anos?

No que se refere ao papel, às ações e aos trabalhos possíveis do psicogerontólogo, foi traçado um painel histórico do envolvimento da Psicologia com a causa do envelhecimento desde Freud, passando por seus seguidores , Eric Erickson e Jung, até  alguns dos profissionais e pesquisadores atuais como Birman, Goldfarb e Messy.

Quais os campos, ações e locais, onde estudantes voltados ao estudo da Gerontologia podem atuar? Alguns dos novos desafios são apresentados a seguir: criar projetos, ações e oficinas que visem o bem-estar não só físico, mas também social e psicológico para o idoso; criar consultorias para orientar trabalhos para idosos nas Instituições de Longa Permanência; escrever manuais, jornais e notícias voltadas para esta parcela etária; dar aulas de graduação na formação de gerontólogos, em cursos de especialização, comunidades, centros de referências e universidades da maturidade. São, portanto, muitos os campos de atuação profissional e com certeza outros virão.

Divina de Fátima dos Santos, Psicóloga e Mestre em Gerontologia, abordou na noite os assuntos relacionados à família contemporânea e à longevidade. E propôs uma pergunta: Que idoso é este de hoje no ano de 2012? Diante da complexidade em que se encontram as famílias contemporâneas, é preciso também saber que família é esta. É necessário contextualizar, antes de atuar, para abordar melhor a importância do trabalho intergeracional e também do apoio familiar e da melhoria da autoimagem, como consequência destas intervenções.

A Psicóloga e Mestre em Gerontologia, Mariângela Faggionato, discursou sobre seu trabalho com os idosos por meio de oficinas ambientais com o objetivo de preservar a área do Forjo na APA (Área de Proteção Ambiental), na Serra da Mantiqueira, em Campos do Jordão. Este foi um trabalho muito interessante e que resultou num livro de nome “Paralelos de vida”.

Ao perceber o interesse do público em conhecer as experiências em relação ao tema do envelhecimento, a Doutoranda em Psicologia e Mestre em Gerontologia da PUC-SP, Sonia Fuentes, contou sobre sua entrada no campo da Gerontologia, descrevendo a sua trajetória, os percalços e o envolvimento crescente com as questões do envelhecimento entrelaçadas com seus interesses pessoais. Abordou a sua tese de mestrado intitulada “As várias faces do cuidar de si” e contou como foi entrevistar dez profissionais “top” de linha da área do envelhecimento; apesar destes profissionais conhecerem a fundo a Gerontologia, ficou claro que também têm dificuldades em cumprir os “cuidados de si”, relacionados às regras de bem viver propagadas pela mídia que se direcionam na maioria ao cuidar do seu corpo físico. No entanto, em relação à liberdade de escolha de como, onde e quando se cuidar, considerou que estes profissionais conseguem seguir seu livre arbítrio e cuidam de si mesmos de acordo com seus limites e interesses. Não há uma regra de bem viver: pensar isto, seria o mesmo que acreditar que existe uma só velhice e um só modo de envelhecer. É preciso ampliar  nosso olhar e acolher toda a diversidade que se apresenta no envelhecimento.

Ao final do encontro, muitos elogios foram feitos tanto as palestrantes que demonstraram total domínio e grande conhecimento do tema em pauta, quanto à iniciativa do CRP em promover tal debate.

As palestrantes agradeceram à UNIVAP e ao CRP-Vale pela confiança e pela oportunidade concedida em expor seus conhecimentos, bem como de refletir sobre esse tão necessário campo de atuação tanto para os psicólogos quanto para os demais profissionais e sobre a necessidade de especializar-se nas questões do envelhecimento humano.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Pessoas idosas em Moçambique: com a palavra, Teresinha da Silva

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Pessoas idosas em Moçambique: com a palavra, Teresinha da Silva

Divina de Fátima dos Santos
Flamínia Manzano Moreira Lodovici

Nesta entrevista em Maputo, Moçambique, Teresinha da Silva reflete sobre a problemática das pessoas idosas naquela região africana, além de relatar sobre sua prática e atuação profissional, ambas ligadas aos Direitos Humanos. Aborda também aspectos de sua vida pessoal, destacando a necessidade de maior respeito não apenas às pessoas idosas, mas entre todos os seres humanos, independentemente de idade, gênero, etnia e religião.

Ter a oportunidade de entrevistar, de viva voz, Teresinha da Silva foi uma grata surpresa, pois embora seja ela uma mulher de grande reconhecimento na área da Gerontologia internacional, e especialmente em Moçambique, recebeu-nos com muita simplicidade, revelando-se acolhedora às nossas perguntas e esbanjando simpatia. Mesmo sendo uma pessoa bastante ocupada e com agenda lotada, acolheu-nos no escritório e depois em casa, mostrando-nos um pouco de sua vida cotidiana, que no presente se volta para preocupações em particular com a da mulher idosa que lhe é próxima, a moçambicana. Revelou-nos também histórias de suas origens e nos mostrou a coleção particular de objetos da cultura africana, o que testemunha seu apego à vasta paisagem local, o sentimento de uma espécie de unidade-diversidade dirigida ao conjunto de produções de seus artistas. Nesta entrevista, pudemos depreender como ela é sensível aos dramas humanos, coletivos ou privados; tivemos, pois, a oportunidade de conhecer uma verdadeira guerreira no sentido mais apropriado da palavra.

Ela é profissional de grande referência em toda a África Austral, tanto em Moçambique quanto na comunidade internacional acerca de assuntos ligados aos Direitos Humanos, ao envelhecimento e à defesa de direitos de gênero. Teresinha dá voz a minorias excluídas e luta pelo respeito ao próximo, sendo reconhecida em vários países pelo seu trabalho. Participou de alguns encontros no Brasil, em congressos oficiais a convite da assessoria da Presidência da República.

 

Confira a entrevista completa aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2011: Envelhecer é viver

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2011: Envelhecer é viver

Caraguatatuba promove evento com objetivo de eliminar a invisibilidade da pessoa que envelhece. Aliás, essa é a maior queixa de grande parte dos idosos do litoral Norte de São Paulo.

A cidade de Caraguatatuba no litoral Norte de São Paulo vem se destacando na região e se tornando exemplo a ser seguido pelas cidades vizinhas no que se refere ao tratamento dado a pessoa idosa. Neste ano de 2011, com apoio de várias entidades, tivemos uma intensa agenda dedicada aos eventos comemorativos para a semana do idoso. Dessa forma, as autoridades locais, organizadores e parceiros ampliaram o calendário do município destinado ao tema.

O objetivo do evento foi chamar a atenção da população local no sentido de eliminar a invisibilidade da pessoa que envelhece. Aliás, essa é a maior queixa de grande parte dos idosos. Eles afirmam que, conforme vão envelhecendo vão sendo esquecidos e ignorados por boa parte da sociedade e, muitas vezes, inclusive, pelos próprios familiares. A prefeitura da cidade, por meio das suas secretarias da Educação, da Saúde, dos Esportes, da Assistência Social e do Turismo, entre outras secretarias, promoveu uma grande mobilização na cidade, para quebrar essa “invisibilidade” e despertar nas pessoas a sensibilidade para entender que envelhecer faz parte do processo humano: estamos todos envelhecendo e, certamente, seremos velhos algum dia, basta deixar o tempo passar. Assim sendo, se desejamos ser respeitados nas nossas velhices, devemos já educar e conscientizar as pessoas sobre o assunto.

Início das atividades

Os eventos comemorativos da semana da pessoa idosa tiveram início no dia 17/09/2011 no Centro Esportivo da cidade, com uma grande festa, pois nesse dia, além da abertura oficial, ocorreram várias atividades esportivas. Um dos objetivos foi a realização da eliminatória de diferentes modalidades esportivas, cujas competições integram os jogos do JOREMI – Jogos Regionais Municipais do Idoso – que se estenderam até o final do dia 18/09/2011. Dessa forma, com a realização das competições, definiram-se os representantes da cidade de Caraguatatuba no JORI – Jogos Regionais do Idoso.

Segundo os organizadores, a proposta de realizar os jogos juntamente com a comemoração da semana do idoso, visava sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de praticarem algum esporte, de manterem-se ativos e, dessa forma, prevenirem doenças e promover uma melhor qualidade de vida como um todo, assim estimulando as pessoas de todas as idades participantes desse evento a iniciarem alguma modalidade esportiva que melhor se adequasse ao estilo de vida de cada um, não necessariamente visando uma competição.

O terceiro dia de atividades ocorreu no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – sob a coordenação de Marta Borges que contou com toda a sua equipe de profissionais e vários voluntários. Com uma equipe bastante dedicada à causa do idoso, todos foram sensíveis de modo a preparar inúmeras atividades para seus frequentadores, bem como para seus familiares. Todos foram convidados a participar de vivências estimuladoras que incluíram atividades recreativas, ginásticas e produções manuais com o objetivo de elevar a autoestima dos idosos, e assim torná-los mais participativos tantos em seus lares como na sociedade. Estas atividades provocaram momentos de autorreflexão e estimularam a ação e a participação social de forma mais relevante em suas vidas.

Mas não foi só isso, nesse dia, o CREMI recebeu a visita das crianças da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) da cidade, que fizeram várias apresentações de dança e música para os presentes. As apresentações foram de tal sensibilidade e delicadeza que provocaram grandes emoções aos presentes. Alguns idosos chegaram a falar que ao assistir as apresentações das crianças ficaram mais fortalecidos e com mais vontade de conquistar desejos adormecidos, inclusive voltando a sonhar. “Nada é impossível!” disse Sr. Francisco (78 anos) após ver a apresentação das crianças.

Com o apoio da Secretaria do Esporte, os moradores dos bairros mais afastados do centro da cidade, como as regiões sul (Bairro Travessão) e norte (Bairro Massaguaçu), também vivenciaram diferentes atividades recreativas e esportivas. Os idosos puderam participar de todos os eventos com seus familiares e amigos, neste caso, o objetivo foi envolver a família de forma a estimular e aproximar pessoas de diferentes idades e interesses. Para que todos pudessem participar, professores e organizadores realizaram atividades variadas e interativas.

Uma lembrança àqueles comumente esquecidos

Uma das queixas pontuadas por vários idosos membros do Conselho dos Idosos, como a sua atual presidente, a Sra. Cida Waak, foi em relação aos idosos das casas asilares que normalmente são esquecidos tanto pela sociedade quanto por muito de seus próprios familiares. Segundo sua fala, a semana do idoso deveria também contemplar o despertar para a consciência das pessoas nestas condições.

Para contemplar essa necessidade, os organizadores do evento programaram uma tarde de visita ao Lar Pró Mais Vida e ao Lar Vila Vicentina. Sob o comando das professoras de Dança Sênior, Maria José, e de Ginástica, Amanda Marques, com a participação de muitos idosos frequentadores do CREMI e a colaboração dos responsáveis dos locais foi promovida uma tarde de atividades diferenciadas como músicas e brincadeiras envolvendo e incluindo os residentes destas instituições, o que tornou a tarde mais agradável e descontraída. A visita foi aprovada pela maioria dos internos presentes, já que alguns deles informaram que raramente recebem visitas de familiares e que o encontro trouxe um pouco de alegria aos residentes. Alguns se emocionaram e solicitaram a nós que o encontro da tarde se repita em outras oportunidades. “Você precisa vir aqui nos visitar mais vezes para conversar mais com a gente” disse um senhor, que vive ali a apenas seis meses, à psicóloga Divina dos Santos e, muito emocionado apertou com bastante força a sua mão no momento de se despedir, num gesto claro de agradecimento. O CCTI – Centro de Convivência da Terceira Idade reservou o dia de sábado (24/09/2011) para desenvolver suas atividades para com os idosos, seus familiares e toda a comunidade local. Nesse dia, a ordem foi se descontrair, relaxar e melhorar as relações sociais e a qualidade de vida com atividades que favoreçam as novas relações.

No dia 27/09/2011, a festa foi na Praça Candido Mota e contou com a participação de todos os idosos, familiares, convidados e pessoas que passavam pela praça. A Universidade Aberta da Terceira Idade do Centro Universitário Módulo marcou presença com uma exposição de quadros e a performance do coral com seus alunos para os presentes.

A proposta visava chamar a atenção dos populares e moradores locais convidando-os a participarem do evento para fazê-los compreender que independentemente da idade das pessoas, o mais importante é a sua vivacidade, os seus desejos e os seus sonhos. Sim! Os idosos também sonham. Assim sendo, o objetivo era que os participantes desse evento, que tivessem em seu meio uma pessoa idosa, como avô, avó, bisavô, bisavó ou vizinho, passassem a olhar com um olhar mais respeitoso para essa pessoa. Afinal, o desejo dos “envelhecentes” é poder viver com dignidade, independentemente da idade e da classe social. Assim, todos ali presentes puderam participar de jogos, brincadeiras, palestras informativas e inúmeras outras atividades apresentadas na praça, tomando consciência de seus papeis no mundo atual.

Após esta intensa programação, a finalização das atividades foi no dia internacional da pessoa idosa (01/10/2011) com um grande baile promovido pela Associação dos Aposentados da cidade em grande estilo, agitando toda a comunidade.

A proposta visava chamar a atenção dos populares e moradores locais convidando-os a participarem do evento para fazê-los compreender que independentemente da idade das pessoas, o mais importante é a sua vivacidade, os seus desejos e os seus sonhos. Sim! Os idosos também sonham. Assim sendo, o objetivo era que os participantes desse evento, que tivessem em seu meio uma pessoa idosa, como avô, avó, bisavô, bisavó ou vizinho, passassem a olhar com um olhar mais respeitoso para essa pessoa. Afinal, o desejo dos “envelhecentes” é poder viver com dignidade, independentemente da idade e da classe social. Assim, todos ali presentes puderam participar de jogos, brincadeiras, palestras informativas e inúmeras outras atividades apresentadas na praça, tomando consciência de seus papeis no mundo atual.

Após esta intensa programação, a finalização das atividades foi no dia internacional da pessoa idosa (01/10/2011) com um grande baile promovido pela Associação dos Aposentados da cidade em grande estilo, agitando toda a comunidade.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2011 – Para se divertir não tem idade

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2011 - Para se divertir não tem idade

Para alguns, é bobagem se fantasiar; para outros é momento de brincar e se divertir como pessoas idosas e não como crianças, cada uma a sua maneira.

Vamos celebrar a vida! Coloquem sua fantasia e vamos dançar! Esta foi a frase mais repetida durante os preparativos da festa junina realizada no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade em Caraguatatuba. Todos estavam muitos ansiosos para o dia da festa, que contou com vários ensaios de teatro, música e dança tendo como atores protagonistas os próprios idosos, que se divertiam, se alegravam e certamente celebravam grandes momentos de pura alegria e descontração, inclusive com recordação de bons momentos de suas vidas vividas.

Ali estavam muitos profissionais e voluntários, amigos, enfim, muita gente dedicando-se para o sucesso da realização do evento que simbolicamente permitiu fazer um balanço dos trabalhos direcionados ao público envelhescente da região. “Não é uma simples festa, é um marco que nos permite avaliar como nosso trabalho esta repercutindo em nossa comunidade e assim conquistarmos novas adesões, visibilidade, respeito e apoio para com a pessoa idosa em nossa região”: palavras de Marta Borges, uma das pessoas responsáveis pelo evento e coordenadora do CREMI, mas ela não estava sozinha, pois contou com a disposição de toda a sua equipe de profissionais que trabalharam muito para que cada idoso pudesse participar da sua própria maneira da festa.

“Eu até já comprei meu vestido, quero me divertir, pois aqui posso fazer o que tenho vontade sem que meus filhos se preocupem comigo” disse Maria (67 anos). Com essa fala ela contagiou a colega desanimada que, afirmava não gostar de dançar, mas que prestigiaria o evento para que as colegas se divertissem.

Aproveitamos os preparativos dessa festa para conversar mais proximamente com alguns idosos, para entender um pouco mais sobre as razões que os movem até este lugar e sobre suas histórias de vida. As respostas foram variadas. Alguns afirmavam que se fantasiar com roupas caipiras e maquiagem era bobagem, coisa de criança. Mas para a grande maioria dos idosos era momento de brincar. Para se divertir não tem idade! “A gente se diverte como uma pessoa velha e não como criança, cada uma a sua maneira” disse uma senhora idosa que cantarolou muito no evento em que tivemos um belo casamento celebrado com padre e todo requinte.

Mas para se ter uma vida longa, é preciso ser alegre o tempo todo? Estar sempre disposto? Especialistas no assunto afirmam que fatores como herança genética, alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, entre tantas outras coisas, podem nos dar uma possível resposta para que algumas pessoas sejam agraciadas e possam ter uma vida longeva. O estilo de vida de cada ser humano e essencial para se viver muitos anos. Mas isso é bem particular. Uma pessoa pode ser tímida, extrovertida, recatada ou extravagante, não importa! O que para alguns é alegria e muito significativo, para outros é tudo bobagem.

Para alguns dos idosos que frequentam o CREMI existem muitas explicações para se ter uma vida longa. A Sra. Mafalda, 83 anos, por exemplo, afirma que ser ativa e perseverante é sua principal receita. Ela que já é bisavó, afirma que hoje seu maior desejo é ser tataravó. Disse também que ao longo de sua vida sempre trabalhou muito e que ainda hoje trabalha como recepcionista, agendando reuniões e anotando recados no escritório de advocacia de um de seus filhos na cidade. Com esse trabalho sente-se muito bem e útil: quando está trabalhando a hora passa sem que se perceba. Ela disse que não participaria da festa junina do CREMI por questão dos limites físicos. Não consegue ficar em local agitado por muito tempo, devido às seqüelas de um acidente, preferindo a tranquilidade e segurança de sua casa.

A Sra. Otália de 91 anos compartilha com Mafalda quanto ao desejo de ser tataravó. Ela aproveitou muito bem a festa junina, dançou e brincou pra valer o quanto pode. Mas ela não está sozinha, pois participa de tudo com sua incansável amiga Maria, de 67 anos. Juntas participaram com grande entusiasmo da festa junina do CREMI, dançaram, brincaram e se divertiram: “Quem canta os males espanta”. “A gente se sente bem aqui e tem sempre alguém para conversar” disse Maria.

A professora de dança sênior Maria José, de 63 anos, disse que se renova a cada dia de trabalho e que, por trabalhar com esse público, está se preparando para o próprio envelhecimento uma vez que aprende muito com o grande entusiasmos de seus alunos, vários deles na casa dos 80 anos. “Às vezes chego triste devido aos problemas pessoais, mas ao olhar para eles esqueço de tudo”. Sempre muito animada, participou com muita garra das quadrilhas estimulando seus alunos Acredita que sua convivência com idosos a preparará para a própria velhice.

Ainda não sabemos quais os segredos da longevidade, mas notamos que as pessoas perseverantes, flexíveis e positivas estão mais satisfeitas com a própria vida e encaram os desafios e as limitações da velhice com mais tranquilidade. Notamos também que a realização de uma festa popular, como no caso de uma festa junina, pode permitir aos idosos momentos de grande descontração, união e retorno às origens, pois podem compartilhar suas emoções com outros colegas, independentemente da idade. Parabenizamos todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram e permitiram a realização de mais um evento popular, tendo como protagonista o público idoso que certamente não se esquecerá desse encontro.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

A finalização das atividades do CREMI seguiu de festa e confraternização, que não foram afetadas mesmo com as volumosas chuvas naturais de dezembro

As chuvas que sempre assolam a região do Litoral Norte nesta época do ano não impediram a realização de  um dia de festa e confraternização com a finalização de todas as atividades promovidas pelo CREMI- Centro de Referência da Melhor Idade da cidade de Caraguatatuba.

Nesse dia, a festa foi direcionada a familiares, aos idosos e às crianças que participaram de diferentes projetos direcionados ao público envelhescente. Este dia foi celebrado pelos idosos com muita dança, música e arte, sendo assim um encontro marcado por grandes emoções.

Entre essas atividades de encerramento, tivemos o encontro dos participantes do projeto “Aproximando Gerações pela Escrita”, coordenado por Divina de Fátima dos Santos que envolveu a troca de correspondências (cartas) entre os idosos do CREMI e as crianças dos 4º e 5º anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Aída de Almeida Castro Grazioli do município de Caraguatatuba.  

Um dos objetivos desse projeto foi o de promover o encontro de pessoas de idades distintas, além de integrar e romper barreiras e assim aproximar os diferentes numa tentativa de proporcionar maior flexibilidade e respeito entre pessoas de diversas idades.

Mas não foi só isso, o projeto visou, também, auxiliar as crianças pedagogicamente, pois a troca de cartas possibilita a melhora da leitura e da escrita, ampliando o conhecimento do vocabulário, das regras gramaticais e da língua portuguesa para aqueles que estão em fase de escolarização.

Neste ano, foram 80 participantes de ambos os sexos, sendo 40 crianças e 40 idosos que tiveram a oportunidade de corresponderem-se ao longo do segundo semestre e assim conhecerem outra pessoa diferente do seu círculo habitual de amizade.

É preciso lembra que devido à vida contemporânea, crianças, jovens, adultos e idosos quase não têm tempo de compartilhar suas vidas e encontros intergeracionais são cada vez mais raros. Esse tipo de trabalho ajuda a fortalecer a estabilidade emocional e os laços familiares que se iniciam a princípio na escola ou nos centros de convivência para idosos e que podem expandir-se para outros locais de convivência dessas pessoas. Nesse sentido, mesmos não sendo avós e netos consanguíneos, os participantes deste projeto tiveram a oportunidade de relacionarem-se como se tivessem ao seu lado um avô(ó) ou um neto(a) e isso pode auxiliar e fortalecer a ambos

Agradecemos aos Gestores da Escola Aída de Almeida Castro Grazioli, à Coordenadora Pedagógica Laura, às professoras das crianças que bravamente abraçaram a ideia e encararam o desafio do projeto, às Secretarias da Educação e da Assistência Social da cidade de Caraguatatuba e à Coordenadora Marta Borges do CREMI, pois todos compreenderam a relevância e amplitude social do projeto, facilitando a realização desta proposta.

“Vó é palavra mágica,

Feita de favos de mel,

Por fadas do bem querer,

Ser avó é ter desejos de mudanças,

Aceitar pacificamente as mudanças dos desejos…

É quebra de paradigmas.

Conquista de novos olhares,

São diferentes visões de mundo,

Num mundo mais colorido,

Feito de pura emoção que segue a cada momento,

A cada dia a explodir de prazer o coração,

De excesso de emoção…”

(Maria JoséA. Araújo apud Almeida, Vera)

RevistaEsesc n.5 – 2010

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Esse foi o slogan da campanha que deu início às comemorações da Semana do Idoso entre os dias 21 e 26 de setembro de 2010, na Cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Ao todo, foram seis dias com atividades variadas, todas direcionadas ao público envelhescente.

Um dos objetivos dos organizadores do evento foi chamar a atenção das famílias e da comunidade local para esse segmento da população que vem crescendo na região, já que alguns sofrem com o abandono e o descaso de parentes, e são esquecidos e ignorados em seu meio social.

                O evento foi um verdadeiro sucesso de público do primeiro ao último dia e recebeu pessoas de toda a região. Elas foram convidadas a participar das inúmeras atividades previamente planejadas e organizadas por toda a equipe de profissionais e de voluntários do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – coordenado pela Sra. Marta Borges e pela presidente do Conselho do Idoso, Sra. Cida Waak. Ambas se dedicaram pessoalmente pela realização do evento e estavam muito felizes com a participação do público.

A fonoaudióloga Mariana Tolosa e a terapeuta ocupacional Elizabeth Escaño disseram que esse tipo de evento ajuda os idosos a sentirem-se mais respeitados e valorizados, já que para a sociedade, eles muitas vezes são invisíveis. A estagiária de educação física Amanda Marques disse que adora trabalhar com a terceira idade e que com este convívio passou a valorizar coisas que antes não dava atenção. Lúcia e Marco – da secretaria de esporte de Caraguatatuba – disseram que a cada dia de trabalho com os idosos no CREMI, eles ganham força para superar seus próprios limites.

                Caraguatatuba vem se destacando no litoral norte como pioneira na valorização e nos investimentos específicos para a pessoa idosa. A cidade tem se tornado uma das mais escolhidas entre os aposentados que buscam nela um lugar agradável e acolhedor para desfrutar a vida na envelhescência.

A cerimônia oficial de abertura do evento contou com a participação do prefeito da cidade Antonio Carlos, do vice-prefeito Antonio Carlos Junior, da secretária de Assistência Social Márcia de Medeiros, assim como de alguns líderes religiosos locais e de outros representantes de setores de destaque da cidade, mas a grande estrela da noite foram os idosos que lotaram o Auditório do Clube Ilha Morena.

O dia de abertura contou com a apresentação da Dança Sênior realizada por idosos, alunos das professoras Maria José e Mara, que foram ensaiados especialmente para o evento. Alguns deles se emocionaram no momento da apresentação e por poderem mostrar aos seus familiares um pouco das coisas que estão aprendendo nos espaços que os acolhem, seja o CREMI, a Associação dos Aposentados ou o CCTI – Centro de Convivência da terceira Idade “Estrela do Mar”.

Foram inúmeras as atrações e no final da tarde do primeiro dia tivemos uma palestra sobre sustentabilidade com o biólogo André Cabral, seguida de um coquetel ao som do músico argentino Juan Bruera.

No segundo dia as festividades iniciaram bem cedo. Às 9 horas os idosos foram convidados a participarem no espaço do Clube Ilha Morena de um torneio de pesca; outros puderam fazer atividades variadas como as gincanas elaboradas pela equipe do esporte liderada por Lúcia Gardelin e sua equipe que comandaram diferentes jogos e brincadeiras. Mas não foi só isso! Os idosos puderam escrever e declamar poesias de suas autorias ao longo do dia em diferentes momentos, num estímulo pela valorização literária que revelou novos talentos.

A nutricionista Aline Roberta e a cozinheira chefe Sonia Rosa do CREMI comandaram uma equipe de profissionais e voluntários no preparo do almoço do dia oferecido a mais de 190 pessoas idosas que após degustarem a deliciosa refeição foram convidados a assistir o filme “Elza e Fred”. Após o seu término, ocorreu um debate sobre os temas abordados pelo filme que foi coordenado pela pesquisadora do Programa de Gerontologia da PUC-SP Divina Santos, o qual teve grande repercussão e ressonância entre a plateia. Após o debate, alguns idosos agradeceram a oportunidade, pois relataram que ao ver o filme, sentiram-se mais fortalecidos na busca de sua felicidade, afirmando que nunca é tarde para viver plenamente a vida.

                A inauguração da praça do idoso ocorreu no dia 23/09/10, que conta com equipamentos de exercícios para alongamentos que podem ser utilizado de forma autônoma pelos seus frequentadores. A inauguração que contou com a presença das autoridades locais e de vários idosos e ocorreu após uma caminhada ao longo da cidade.

No dia seguinte, os idosos e seus familiares puderam apreciar e curtir a noite no Teatro Mario Covas com atividades promovidas pela FUNDACC (Fundação Cultural de Caraguatatuba) e que contou com apresentações musicais, de piano, de teatro e de dança, dentre outras, todas realizadas por artistas locais e com temáticas voltadas ao público idoso e seus familiares. Um dos destaques da noite foi a dança de salão apresentada por Gloria Leontina (secretária do conselho do Idoso) e seu parceiro.

                A região também valorizou artesãos locais e, em vários dias do evento foram exibidas as bonecas caiçaras. Trata-se da imortalização dos povos caiçaras naturais da região que foram transformados em bonecas confeccionadas com produtos recicláveis, em grande parte por materiais de descarte de pesca de moradores locais. Estas bonecas, que representam as senhoras e senhores pescadores caiçaras, já receberam inúmeros prêmios no exterior devido a sua história e originalidade.

Na noite de sábado, como não poderia ser diferente, o CREMI ofereceu um baile para a terceira idade. O salão ficou lotado pelos amantes da dança; alguns idosos relataram que a música e a dança os mantêm vivos e longe da depressão.

O ultimo dia foi marcado com um almoço comemorativo de encerramento das festividades oferecido pelo presidente do CCTI (Sr. Roberto) e sua esposa (Sra. Marisa) aos idosos asilares no Clube de Convivência Estrela do Mar. Foram mais de 40 idosos que degustaram e prestigiaram o momento que também contou com danças e brincadeiras. Os idosos também homenagearam a Sra. Marta Borges pelo seu esforço e empenho juntamente com sua equipe de profissionais e de colaboradores.

O destaque das festividades da cidade foi o presente dado ao idoso da região com a inauguração da praça do idoso. Mas a maior conquista desse evento foi a grande mobilização da comunidade local e de seus familiares no respeito a velhice. Este é seguramente um exemplo a ser seguido pelos demais municípios e autoridades do país no sentido de ter um olhar diferenciado para a velhice, afinal somos todos envelhescentes.

O evento mobilizou inúmeros setores da cidade e contou com o apoio do Lions Clube de Caragua, do Conselho do Idoso, das Secretarias de Assistência Social, da Educação, do Esporte e Recreação, da Saúde e também da FUNDACC, da Associação dos Aposentados da Cidade, do CCTI e do CREMI.

Parabéns a todos aqueles que direta ou indiretamente participaram da realização deste evento num verdadeiro ato de cidadania!

Abaixo segue poema escrito e declamado no evento pela senhora Terezinha Ferreira dos Santos, freqüentadora do CREMI que revela seu sentimento quando chegou nesse local pela primeira vez. Talvez ela seja uma porta voz de muitos idosos que ali estão.

“Uma História Real”

Na manhã do dia 4 de Março

Sai de casa sem destino de lugar

Meu desespero era tanto

Chorava de soluçar.

Uma igreja eu avistei

Entrei para rezar

Depois de longa conversa

Só falava e chorava

Nenhuma palavra ouvia

De alguém pra me ajudar.

No banco da praça, em frente,

Sozinha me assentei

E de todos os lados olhei

Vi uma banca de jornal

Até lá eu caminhei

E um deles eu peguei

Seu nome é A Melhor Idade

As lagrimas enxuguei

E ainda com dificuldade

Li somente um pedacinho

E emocionada fiquei.

 

CREMI

Abre inscrições para atividades de idosos

(Bem embaixo) Próximo à Rodoviária.

Sai para procurar

O bendito lugar

Me mandaram pra lá, pra cá,

E nada de encontrar,

Desanimada fiquei.

A ultima tentativa pensai

Custou muito, mas agora acertei.

Com muita vergonha cheguei

Por grande porta de vidro entrei

E todos os lados olhei.

Um imenso salão vazio.

No momento me assustei.

De um lado do salão

Um anjo me apareceu

Muito lindo e com sorriso

Alegre me recebeu

Com o jornalzinho na mão

O motivo lhe contei

Porque fui para ali

Em silêncio me ouviu.

Me animou e me abraçou

E com muita delicadeza

Um cafezinho serviu.

Já me senti protegida

Lhe contei que não ouvia

Com muita simpatia

Em um papelzinho escreveu,

Que eu poderia voltar,

Dia e hora até marcou.

Quinta-feira dia 11, às 10 horas

Para a oficina da memória.

Não vi passar os dias

Contei todos os minutos

A minha resposta estava ali

Por isso que na Igreja, não ouvi.

Fui levada por Jesus.

Entrei para o céu em vida

Muitos anjos conheci

Professora Maria José. Mariana.

Amanda. Lucia.

Não vou citar mais nomes

Para não correr o risco

De esquecer algum

Mas amo todos vocês

Só que um todo especial.

O primeiro que encontrei

Tem um nome tão pequeno

E um coração tão grande

Gentil e carinhoso.

Com cinco letras escrevo

MARTA

Você foi enviada por Deus

Para coordenar, e nos ajudar.

Nesta terra de muitas histórias

Vou acrescentar mais uma

Que começou tão triste

Mas acabou com um final feliz

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica