III Encontro de Residência Pedagógica Capes

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

III Encontro de Residência Pedagógica Capes

No dia 27 de fevereiro, realizamos no Centro Universitário Módulo -Campus Martin De Sá- o III Encontro de Residência Pedagógica Capes. 

Durante o evento, contamos com o protagonismo dos residentes, na exposição dos artigos elaborados durante o programa.
Além disso, aprendemos o papel e o dever da escola e do professor, compreendemos que a escola deve ser um lugar de cultivo, curiosidade, crescimento, descoberta e experimentação.

Agradecemos todos os residentes, preceptores, coordenadores, professores, colaboração, visitantes e autoridades da educação municipal, pela presença em nosso evento, assim como pela troca de experiências, que tornaram nosso evento uma grande memória.

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Abaixo, imagens do evento:

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Oficina de Estímulo à Memória na Universidade Aberta

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Oficina de Estímulo à Memória na Universidade Aberta

Durante a quinta-feira, 23/11/23 estudantes do curso de Psicologia participaram das atividades da Universidade Aberta – uma parceria entre Módulo e SEPEDI.
A atividade contou com a presença do palestrante gerontologo e estudante de Psicologia Alex Ferreira, que elaborou uma oficina com diversos estímulos à Memória.
A ação proporcionou uma tarde envolvente de exercícios que estimularam a criatividade, a lógica, a memória,  levando à sensações que deixou os participantes com desejo de repetir a experiência.

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Abaixo, imagens do evento:

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Web-Conferência: Mentes Saudáveis E As Tecnologias

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Web-Conferência: Mentes Saudáveis E As Tecnologias

Web-conferência ministrada pelas professoras Gisele Nepomuceno Ferreira, Camila Helena de Souza Queiroz e Mirian Béccheri Cortez ocorrida no dia 11/08/2022, quinta-feira, com transmissão pelo canal “Psicologia e Pedagogia em Ação”, no Youtube tendo como tema “Mentes saudáveis e as tecnologias”, assuntos de grande de relevância no momento.  Esta atividade é totalmente gratuita e aberta aos estudantes do curso e demais interessados nos temas que serão discutidos. Seu objetivo é científico, educacional e cultural. Os idealizadores da atividade são professores do Centro Universitário Módulo e integram as equipes dos cursos de Fisioterapia, Psicologia e Pedagogia. 

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Desconstruindo Tabus: Um diálogo sobre a diversidade sexual e de gênero

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina participa de mesa redonda: "Desconstruindo Tabus: Um diálogo sobre a diversidade sexual e de gênero" com Ayla Camargo

Durante a noite do dia 9 de maio de 2022 ocorreu no auditório do Centro Universitário Módulo, uma mesa redonda mediada pelas professoras Sandra F. Faustino dos Santos e Divina de Fátima dos Santos e que contou com a participação da socióloga e pedagoga Ayla Camargo e que tinha como tema: “Desconstruindo Tabus: Um diálogo sobre a diversidade sexual e de gênero”.

Ayla concedeu uma valiosa contribuição ao debate da noite ao apresentar aos alunos de pedagogia e de psicologia temas que envolvem seu objeto de pesquisa aplicado nas questões sociais mais latentes atualmente, como gênero e sexualidade, expondo como essas questões ainda são tidos como tabus e que precisam ter sua estigmatização superada. 

A socióloga conduziu sua apresentação com maestria ímpar, demonstrando muito conhecimento que eram aplicados com a delicadeza que o tema demanda, sem economizar em dados históricos, abordando períodos diversos como antiguidade grega e até a cultura de povos indígenas durante a época da colonização do Brasil com a vinda dos europeus para a para a América do Sul, mostrando, assim que culturalmente, os papéis sociais de homens e mulheres foram construídos e modificados ao longo da história. 

Ayla ainda alertou sobre a utilização da imagem da mulher de forma objetivada na mídia e sobre o quanto pesa a exploração do corpo e da sexualidade feminina, levando a banalização de sua imagem. A socióloga ainda expôs o fenômeno que ainda oprime mulheres e meninas que ainda sofrem para tentar atender a um determinado padrão social que é exigido seja culturalmente, religiosamente ou advindo de outros fatores determinantes.

É sempre muito valiosa a contribuição de profissionais tão brilhantes como Ayla Camargo, sendo extremamente importante esse tipo de debate na formação de psicólogos(as) e pedagogos(as) que passarão a assimilar que a diversidade faz parte da humanidade e que isso nos enriquece culturalmente, nos impedindo de perpetuar preconceitos completamente ultrapassados. 

Além da exposição de Ayla, durante a noite houve uma apresentação teatral musicada e que foi brilhantemente apresentada pelos alunos de pedagogia, estudantes da disciplina de libras, realizaram uma atividade musicada e dançada que agregou muito ao evento, que contou, ainda com sorteio de livros aos presentes: estudantes, convidados e toda a comunidade interna e externa que prestigiaram a noite.

Imagens do evento seguem abaixo.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina participa de ação de extensão debatendo saúde mental no contexto da pandemia de COVID-19

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina é convidada para ação de extensão debatendo a saúde mental no contexto da pandemia de COVID-19

Em 12 de setembro de 2020, sábado, a partir das 18h00, aconteceu, de modo virtual, a atividade de extensão “Setembro amarelo e saúde mental na pandemia” que foi organizada por bolsistas do projeto de extensão “Atividades audiovisuais de divulgação científica e cultural mediadas pela internet” que ocorre no âmbito do câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e que é coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira.

Esta atividade contou com a participação das psicólogas Dra. Divina de Fátima dos Santos e Dra. Maria Cecilia Gracioso Costa. A equipe deste projeto de extensão agradece imensamente às duas psicólogas que participaram com desprendimento desta ação e compartilharam com os participantes os conhecimentos profissionais sobre os temas abordados.

Foto: Imagem de divulgação deste evento produzida pela estudante Lais Rodrigues Ramos

Os bolsistas extensionistas que organizaram e participaram diretamente desta atividade – juntamente com o professor Ricardo Plaza – foram os seguintes alunos de cursos superiores do IFSP-Caraguatatuba: Larissy Santos da Silva, Kaue Marques Barbosa, Lais Rodrigues Ramos, Danilo Henrique Oliveira Souza e Vinicius Carvalho Rosa. A bolsista Sofia Kaiser Sant Ana de Jesus também colaborou para o planejamento prévio desta atividade.

Foto: “Debate Consciência” no Instagram

A bolsista Larissy convidou as psicólogas Divina e Maria Cecilia para esta ação, bem como foi ela quem conduziu os debates e as intervenções que ocorreram. Além disso, os extensionistas Larissy e Kaue, com o apoio de seus colegas bolsistas, prepararam e organizaram as ferramentas tecnológicas necessárias para que a atividade acontecesse com sucesso. O evento se efetivou como uma vídeo-conferência do “Google Meet” e a transmissão em tempo real (“streaming”) foi realizada no Youtube, pelo canal “Debate Consciência”, organizado pela equipe de bolsistas deste projeto de extensão.

Foto: Lais, Ricardo, Danilo, Vinicius, Maria Cecilia, Kaue e Divina

No início foi apresentado um vídeo de curta duração (4 minutos) intitulado “4 fatos sobre a saúde mental no Brasil” do canal “Minutos Psíquicos” do YouTube e que está disponível para ser assistido no link. Este vídeo, a partir de uma pesquisa fundamentada em dados científicos, aborda a evolução nos últimos anos no Brasil, de índices: sobre transtornos de ansiedade e depressivos; sobre o número de suicídios; sobre as preocupações das pessoas a respeito da pandemia de COVID-19; sobre a procura por ajuda profissional no que diz respeito à saúde mental.

Foto: Canal “Minutos Psíquicos” do YouTube

A seguir foi iniciado o debate com a apresentação de algumas ideias a respeito dos temas abordados pela professora Divina de Fátima dos Santos que é doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e é docente do Centro Universitário Módulo e da Faculdade São Sebastião. Em sua intervenção, a professora Divina destacou que há ainda poucos profissionais da área de psicologia no serviço público para uma demanda gigantesca. Divina enfatizou também que quando uma pessoa percebe e reconhece que não está bem, este autorreconhecimento em si já é algo positivo: é a partir da autoconsciência que a pessoa pode tomar a decisão de procurar ajuda de um profissional que tenha feito um curso de graduação e esteja habilitado para tratar com questões de saúde mental.

Foto: Professora Divina de Fátima dos Santos

A professora Maria Cecilia Gracioso Costa, que é graduada em Psicologia no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, deu sequência ao debate enfatizando a importância de trabalhar as emoções na educação das crianças, desde a mais tenra idade, ensinando-as a falar e refletir sobre os seus sentimentos. Assim é importante trabalhar com questões que articulem psicologia e educação, para o ensino do sentir, de modo a lidar com questões como: por que se está triste, por que se está com raiva?

Foto: Professora Maria Cecilia Gracioso Costa

As duas psicólogas puderam, durante o evento, se aprofundar nos temas abordados. O professor Ricardo Plaza procurou também trazer questões a respeito dos assuntos em foco. Antes do término do evento, foi apresentado um segundo vídeo do canal “Minutos Psíquicos” do Youtube intitulado “Como procurar ajuda psicológica?” (com 4 minutos) que está disponível para ser assistido gratuitamente no link.

Foto: Professora Ricardo Roberto Plaza Teixeira

Durante a transmissão os participantes puderam realizar perguntas e fazer comentários por meio do “chat” do Youtube; vários destes comentários foram reproduzidos por áudio durante a ação e as psicólogas tentaram responder as questões formuladas. No canal “Debate Consciência” do Youtube, o vídeo intitulado “Setembro amarelo e Saúde mental na pandemia” (com duração de 1 hora e 53 minutos), referente a esta ação, está disponível para todos os interessados assistirem no link.

Foto: “Como procurar ajuda psicológica?”, vídeo do canal “Minutos Psicológicos”

Esta foi a segunda ação realizada pelo projeto de extensão “Atividades audiovisuais de divulgação científica e cultural mediadas pela internet”. Este projeto foi aprovado no âmbito do Edital 196 de 11 de junho de 2020 da Pró-Reitoria de Extensão do Instituto Federal de São Paulo – IFSP, referente ao “Programa Institucional de Apoio a Atividades de Extensão do IFSP – Em tempos de Distanciamento Social” que dialoga com o período da pandemia de COVID-19 pelo qual estamos vivendo. Os recursos viabilizados por este edital 196 permitem o financiamento de bolsas a seis alunos extensionistas selecionados para a execução das atividades previstas para este projeto. O objetivo deste projeto de extensão é colaborar para disseminar o conhecimento, a cultura e a ciência, por meio da internet, durante a pandemia de coronavírus.

Os bolsistas extensionistas deste projeto agradecem tanto à Pró-Reitoria de Extensão do IFSP pelas bolsas fomentadas pelo edital 196, quanto às pessoas que participaram ativamente e prestigiaram este vídeo-debate, inclusive com a realização de perguntas e reflexões. Sugestões para temas das ações futuras deste projeto são bem-vindas e podem ser feitas para qualquer membro da equipe.

Fonte: Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Maria Rita Kehl sobre ressentimento

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Maria Rita Kehl sobre ressentimento

A psicanálise do ressentimento como sintoma social

A atualidade do tema do ressentimento é, antes de mais nada, clínica. Essa paixão triste comparece com frequência em nossos consultórios, alimentada por acusações contra alguém ou contra o mundo todo. “Eu sofro: alguém deve ser culpado por isso”: assim Nietzsche resume a lógica do ressentido e seu apego ao dano. O ressentimento é uma constelação afetiva que serve aos conflitos característicos do homem contemporâneo, entre as exigências e as configurações imaginárias próprias do individualismo, e os mecanismos de defesa do “eu” a serviço do narcisismo. A lógica do ressentimento privilegia o “indivíduo” em detrimento do sujeito, e contribui para sustentar nele uma integridade narcísica que independe do sucesso de seus empreendimentos. Adianto a hipótese de que a versão imaginária da falta, no ressentimento, é interpretada como prejuízo.

Ressentir-se significa atribuir ao outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer. Um outro a quem delegamos, em um momento anterior, o poder de decidir por nós, de modo a poder culpá-lo do que venha a fracassar. Neste aspecto, o ressentido pode ser tomado como o paradigma do neurótico, com sua servidão inconsciente e sua impossibilidade de implicar-se como sujeito do desejo. Mas esta é uma definição genérica demais para nos permitir focar nosso objeto.

O ressentimento não é uma estrutura clínica, e tampouco se confunde rigorosamente com um sintoma, embora se possa considerá-lo como uma solução de compromisso entre dois campos psíquicos, o do narcisismo e o do Outro. Ressentimento não é um conceito da psicanálise; é uma categoria do senso comum que nomeia a impossibilidade de se esquecer ou superar um agravo. Impossibilidade ou recusa? Na língua portuguesa, o prefixo “re” indica o retorno da mágoa, a insistência em uma queixa, a conservação ativa de uma ofensa. A partícula “re” também se apresenta em outros idiomas. Ressentiment, resentfulness, resentimiento, respectivamente em francês, inglês e espanhol. Trata-se de uma repetição mantida ativamente por aquele que foi ofendido. O ressentido não é alguém incapaz de se esquecer ou de perdoar; é um que não quer se esquecer, ou que “quer não se esquecer”, não perdoar, nem superar o mal que o vitimou.

O filósofo Max Scheler, que discute as teorias de Nietzsche a partir de uma ótica cristã, considera como “auto-envenenamento psicológico” o estado emocional do ressentido, um introspectivo ocupado com ruminações acusadoras e fantasias vingativas. Trata-se de uma disposição psicológica relativamente estável que, por um recalcamento sistemático, libera certas emoções e certos sentimentos, por si só normais e inerentes aos fundamentos da natureza humana, e tende a provocar uma deformação mais ou menos permanente tanto do sentido dos valores quanto da faculdade de julgamento [1].

Para Scheler, a constelação afetiva do ressentimento compõe-se da soma de rancor, desejo de vingança, raiva, maldade, ciúmes, inveja, malícia. Uma conjunção maligna, portanto, na qual o desejo de vingança exerce um papel predominante; a palavra ressentimento indica que se trata de uma reação – mas se esta reação tivesse sido posta em ato no momento do agravo, ainda que fosse um ato de palavra, o sentimento de injúria ou agravo teria sido aplacado.

O conceito de repressão indica que um impulso foi impedido de se efetivar. O que ocorre no ressentimento é que o ofendido não se atreve, ou não se permite, responder à altura da ofensa recebida. O “envenenamento psicológico” a que se refere o autor produz-se a partir da reorientação para o “eu” dos impulsos agressivos impedidos de descarga, gerando uma disposição passiva para a queixa e a acusação, assim como a impossibilidade de esquecer o agravo passado.

Mas observemos que, no caso em questão, esse desejo não se confunde absolutamente com uma tendência à resposta ou à defesa, acompanhada de cólera, de raiva ou de indignação”[2].

A raiva, a cólera, a indignação, impedidas de se exercer na direção do objeto, transformam-se em raiva e indignação contra si mesmo; a má consciência, como veremos em Nietzsche, é a contrapartida necessária do ressentimento. A culpa que o ressentido insiste em atribuir ao outro, responsável pelo agravo, é a face manifesta do “sentimento inconsciente de culpa”[3] que o “envenenamento psíquico” – o retorno das pulsões agressivas sobre o eu – produz. O ressentido é um vingativo que não se reconhece como tal.

Há uma diferença entre o desejo de vingança e o impulso de responder a um ataque, indignar-se contra ele ou defender-se. A vingança é uma necessidade psíquica que só faz sentido nos casos em que a vítima não foi capaz de reagir. Nesse ponto, Max Scheler [4] vale-se de uma metáfora de ressonâncias nietzscheanas: a fera capturada que morde o caçador não está tentando se vingar: está tentando livrar-se do cativeiro. A vingança decorre da falta de resposta imediata ao agravo. É “um prato que se come frio”, diz o povo; a vingança deve ocorrer depois de um tempo durante o qual o contra ataque da vítima fica como que em suspenso, adiado mas nunca renunciado, alimentado pela raiva, ou pela impossibilidade do esquecimento de uma raiva passada.

Mas no ressentimento, o tempo da vingança nunca chega. Muito menos o da justiça. O ressentido é tão incapaz de vingar-se quanto foi impotente em reagir imediatamente aos agravos e às injustiças sofridos. Voltando à constelação “maligna” enumerada acima, nenhum daqueles afetos por si só é suficiente para produzir ressentimento. O rancor que deságua em agressão, a indignação que se expressa em uma catadupa de acusações, a inveja que mobiliza o invejoso para a conquista do objeto cobiçado, não precisam perpetuar-se na forma de ressentimento. Para que ele se instale, é preciso que a vítima não se sinta à altura de responder ao agressor; que sinta-se fraca, ou inferior a ele. Ou então, na via oposta, queira ostentar uma superioridade moral. É por isso que Nietzsche o considera como qualidade dos “escravos”. Para Max Scheler, o terreno onde ele se origina, só dele, faz do ressentimento a característica dos serviçais, dos comandados, dos que se debatem em vão sob o aguilhão da autoridade.

Uma das condições centrais do ressentimento é que o sujeito estabeleça uma relação de dependência infantil com um outro, supostamente poderoso, a quem caberia protegê-lo, premiar seus esforços, reconhecer seu valor. O ressentimento também expressa a recusa do sujeito em sair da dependência: ele prefere ser “protegido” ainda que prejudicado, do que livre, mas desamparado. Com isso quero antecipar aqui que, no ressentimento, o Outro é representado pelas figuras que, na infância, tinham poder efetivo para proteger, premiar e punir a criança. É a face imaginária do Outro, à qual se endereçam demandas de amor e reconhecimento, que determinam que o ressentido se represente não como faltante, mas como prejudicado.

O ressentimento como sintoma social

Percebe-se aqui a importância política do tema; embora eu priorize abordar o ressentimento predominantemente do ponto de vista dos arranjos e negociações subjetivos, que é o ponto de vista da psicanálise, é possível perguntar se o ressentimento não seria o efeito mais provável produzido em certas condições de opressão nas quais que só resta ao sujeito “debater-se em vão sob o aguilhão da autoridade”. Como colocar em ato o saudável impulso de reação imediata aos agravos, nos casos da impotência objetiva de quem se vê diante da força de coerção do opressor? Como reagir a uma injustiça, mesmo à força de argumentos e protestos, nos casos em que qualquer reação custaria a vida do injustiçado? Sob uma ditadura militar, sob estado de exceção, sob regimes de terror, toda reação tem que ser forçosamente adiada, até mesmo para que tenha chances de sucesso. Em que circunstâncias esse adiamento forçado, esse “recuo tático”, funciona para organizar forças e amadurecer um projeto de retomada legítima do poder, e em que condições o adiamento da reação pode transformar-se em ressentimento?

O estado de exceção, segundo o filósofo Giorgio Agamben[5], impõe a suspensão de todos os direitos: só o Estado, soberano, exerce poder de vida e morte sobre todos os homens. A vida humana que perde as condições de cidadania é qualificada por ele como “vida nua”, desprovida de direitos e de garantias. Nos casos em que nenhum direito humano, nem mesmo o direito à vida, é garantido por antecipação (nisso consiste a responsabilidade dos Estados democráticos sobre a vida dos prisioneiros sob sua custódia) como detectar a implicação dos agentes sociais em relação às suas escolhas de destino, individuais ou coletivas? Nos casos em que o Estado dispõe da vida dos cidadãos, em condições de desrespeito absoluto aos direitos humanos, faz sentido pensar que o ressentimento seja uma reação provável das vítimas?

A leitura dos relatos de Primo Levi sobre os campos de concentração faz ver ao leitor que mesmo nas condições de opressão absoluta alguns prisioneiros mantiveram diante do algoz uma posição subjetiva que não predispõe ao ressentimento. Há quem seja capaz de – obrigado pela força a beijar as botas de seu carrasco – não viver esse ato de forma humilhante. A vergonha, a abjeção, escreve Levi[6], deve ficar do lado do homem que, tendo liberdade de escolha, quis forçar seu semelhante a um ato abjeto. No limite, alguns prisioneiros “escolhem” a morte como meio de preservar sua humanidade. Morrer, ou deixar-se matar, é a afirmação extrema de insubmissão sob regimes totalitários – nessas condições seria uma leviandade incluir certos casos de suicídio sob a rubrica da melancolia.

Mas a prova de que a organização dos campos de concentração sob o nazismo tinha como objetivo produzir a desumanização dos prisioneiros é que os índices de suicídio nos lager foram muito baixos. Desprovidos de qualquer implicação subjetiva em relação ao mal e à abjeção, reduzidos à condição de “coisa”, vítimas absolutas do arbítrio do Outro, os homens deixam-se abater passivamente, sem lançar mão do último recurso que distingue o humano do animal: a capacidade de escolher a própria morte. “É isso um homem?” pergunta Lévi ao leitor no título de seu livro mais conhecido.

Um outro destino para a raiva que não pode se expressar é possível? É possível passar pela condição da escravidão sem ocupar subjetivamente a posição de escravo? Creio que sim; nesse ponto é importante ressaltar que o ressentimento não é a conseqüência necessária da condição do derrotado. Ele tem mais a ver com a rendição voluntária do que com a derrota. A reação adiada que produz o ressentimento é aquela a que a pessoa se impediu por conta própria. A “fera capturada que morde o caçador” está lutando contra o cativeiro. Os prisioneiros de guerra foram vencidos em batalha, pela superioridade bélica do inimigo.

Quando uma revolta é abafada pelo poder militar, os revoltosos se vêem obrigados a recolher suas forças e esperar por condições mais favoráveis para voltar à luta. Essa “vingança adiada” não é a mesma das elucubrações mentais a que se entrega o ressentido, psicologicamente impotente para dar outro destino à sua amargura. Mas mesmo nos casos em que a derrota é imposta à força e a reação é objetivamente impedida, é possível que o adiamento prolongado da ação ameace arrefecer a disposição à luta. Nesses casos a manutenção ativa da memória do agravo, que em um primeiro tempo é necessária para alimentar a disposição dos revoltosos, pode degenerar em predisposição ao ressentimento.

Não se pode qualificar irrefletidamente como atos vingativos as convulsões sociais que põem fim aos regimes totalitários, nem de “ressentimento” o abatimento de escravos e prisioneiros impedidos à força do exercício de sua liberdade. O ressentimento não se confunde com a revolta silenciada nem com a resignação forçada que se produz sob regimes totalitários ou em sociedades fortemente estratificadas. A “vida nua” não produz ressentimento; ela é a vida humana desprovida de condições de humanidade, limitada à reprodução da sobrevivência biológica – como na escravidão, nos campos de concentração ou em situações de extrema miséria. Não é humana a vida que decorre em função da mera satisfação de necessidades, desprovida das condições que possibilitam aos homens criar alguma forma do “novo”, escreve Hanna Arendt[7].

A “vida nua” produz uma espécie grave de abatimento e resignação, mas esse estado não configura o ressentimento. Este último é o afeto característico dos impasses gerados nas democracias liberais modernas, que acenam para os indivíduos com a promessa de uma igualdade social que não se cumpre, pelo menos nos termos em que foi simbolicamente antecipada. Os membros de uma classe ou de um segmento social inferiorizado só se ressentem de sua condição se a proposta de igualdade lhes foi antecipada simbolicamente, de modo a que a falta dela seja percebida não como condenação divina ou como predestinação – como nas sociedades pré-modernas – mas como “privação”[8]. São os casos em que a igualdade é “oficialmente reconhecida mas não obtida na prática[9]” que produzem o ressentimento na política. É preciso que exista um pressuposto simbólico de  igualdade entre opressor e oprimido, entre rico e pobre, poderoso e despossuído, para que os que se sentem inferiorizados se ressintam.

Mas outra condição deve estar presente aqui: é preciso também que a igualdade da lei democrática seja interpretada como dádiva paterna dos poderosos e não como conquista popular. O ressentimento na política se produz na interface entre a lei democrática – antecipação simbólica de igualdade de direitos – e as práticas de dominação paternalistas, que predispõem a sociedade a esperar passivamente que essa igualdade lhes seja legada como prova do amor e da bondade dos agentes do poder. No Brasil, em que essas duas condições se combinam de maneira freqüentemente perversa, os movimentos sociais oscilam entre as proposições ativas de transformações sociais e as manifestações reativas, ressentidas, que expressam insatisfação popular, mas não levam a nenhum resultado efetivo no sentido do aperfeiçoamento dos dispositivos da democracia.

Não sou capaz de responder à questão sobre as condições em que uma rebelião adiada produz o ressentimento; a ação política, mesmo que atravessada pelo campo de forças do inconsciente, tem sua especificidade em relação à psicanálise. Se enumero essas questões é porque elas estão associadas ao tema do ressentimento e não podem deixar de ser pelo menos formuladas, de modo a evitar um certo reducionismo psicanalítico no trato desse tema tão atravessado pelo campo da política.

*Maria Rita Kehl é psicanalista, jornalista e escritora. Autora, entre outros livros, de Deslocamentos do feminino: a mulher freudiana na passagem para a modernidade (Boitempo).

Notas

[1] – Max Scheler, L’homme du ressentiment (1912). Paris: Gallimard, 1958. p.14: “une disposition psychologique, d’une certaine permanence, qui, par un refoulement systématique, libère certaines émotions et certains sentiments, de soi normaux et inhérents aux fondements de la nature humaine, et tend à provoquer une déformation plus ou moins permanente du sens des valeurs, comme aussi de la faculté du jugement (tradução minha).

[2] – Max Scheler, (cit), p. 15: Mais notons bien que, dans le cas qui nous occupe, ce désir ne se confond aucunement avec une tendence à la riposte ou à la défense, même accompagné de colère, de rage ou d’indignation. (tradução minha).

[3] – A expressão é empregada por Freud em O eu e o isso (1923), para explicar a relação existente entre o sentimento de culpa e a prática de atos delinqüentes que visam o castigo, “como se o indivíduo sentisse alívio em poder relacionar este sentimento inconsciente de culpa a um ato real e atual” (p. 2274). Esse tema já tinha sido abordado por ele no texto “Os delinqüentes por sentimentos de culpa”, de 1916. Mais adiante, em O eu e o isso, Freud reafirma o caráter inconsciente de grande parte dos sentimentos de culpa em função de sua relação com a parte inconsciente do supereu, herdeiro do complexo de Édipo: “o surgimento da consciência moral está intimamente ligado ao complexo de Édipo, que permanece inconsciente”. (p. 2721)

[4] – M. Scheler, p. 19: Le terrain où il prend naissance, à lui seul, fait du ressentiment le propre des serviteurs, des commandés, de ceux qui se cabrent en vain sous l’aguillon de l’autorité.

[5] – Giorgio Agambem, Homo Sacer. Belo Horizonte: UFMG, 2002. Tradução de Henrique Burigo.

[6] – Primo Levi, É isso um homem? (1947). Rio de Janeiro: Rocco, 1989.

[7] – Ver Hanna Arendt, The human condition (1958). Chicago: The University if Chicago, 1958.

[8] – O conceito de privação será mais desenvolvido no capítulo 1, “O ressentimento na psicanálise”.

[9] – M. Scheler, p. 21.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Quarentena: porque você deveria ignorar toda a pressão para ser produtivo agora

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Quarentena: porque você deveria ignorar toda a pressão para ser produtivo agora

Uma pesquisadora com experiência em ambientes adversos dá conselhos aos acadêmicos ansiosos com a quebra de rotina causada pelo coronavírus

Por Aisha S. Ahmad, no Chronicle of Higher Education.
Tradução de Renato Pincelli.

OQUE TENHO OBSERVADO entre meus colegas e amigos acadêmicos é uma resposta comum à contínua crise da COVID-19. Eles estão lutando bravamente para manter um senso de normalidade — correndo para os cursos online, mantendo rigorosos cronogramas de escrita e criando escolinhas Montessori nas mesas de cozinha. A expectativa deles é apertar os cintos por um breve período, até que as coisas voltem ao normal. Para qualquer um que segue esse caminho, desejo muita saúde e boa sorte.

Entretanto, como alguém que tem experiência com diversas crises ao redor do mundo, o que eu vejo por trás dessa busca pela produtividade é uma suposição perigosa. A resposta para a pergunta que todo mundo está se fazendo — “Quando isso vai acabar?” — é simples é óbvia, mas difícil de engolir. A resposta é nunca.

Catástrofes globais mudam o mundo e esta pandemia é muito semelhante a uma grande guerra. Mesmo que a crise do coronavírus seja contida dentro de alguns meses, o legado dessa pandemia vai viver conosco por anos, talvez décadas. Isso vai mudar o modo como nos movemos, como construímos, como aprendemos e nos conectamos. É simplesmente impossível voltar à vida como se nada disso tivesse acontecido. Assim, embora possa parecer bom por enquanto, é tolice mergulhar num frenesi de atividade ou ficar obcecado com sua produtividade acadêmica neste momento. Isso é negação e auto-ilusão. A resposta emocional e espiritualmente saudável seria se preparar para ser mudado para sempre.

O resto deste artigo é um conselho. Fui constantemente procurada por meus colegas ao redor do mundo para compartilhar minhas experiências de adaptação às condições de crise. Claro que sou apenas uma humana, lutando como todo mundo para se ajustar à pandemia. Entretanto, já trabalhei e vivi sob condições de guerra, conflitos violentos, pobreza e desastres em muitos lugares do mundo. Passei por racionamento de comida e surtos de doenças, bem como prolongados períodos de isolamento social, restrição de movimento e confinamento. Conduzi pesquisas premiadas sob condições físicas e psicológicas extremamente difíceis — e tenho orgulho de minha produtividade e desempenho na minha carreira de pesquisadora.

Deixo aqui os seguintes pensamentos durante esse momento difícil na esperança de que eles ajudem outros acadêmicos a se adaptar a essas condições duras. Pegue o que precisa e deixe o resto.

Primeiro Estágio: Segurança

SEUS PRIMEIROS dias ou suas primeiras semanas numa crise são cruciais e você deveria ter um amplo espaço para fazer um ajuste mental. É perfeitamente normal e aceitável sentir-se mal ou perdido durante essa transição inicial. Considere positivo que não esteja em negação e que está se permitindo trabalhar apesar da ansiedade. Nenhuma pessoa sã sente-se bem durante um desastre global, então agradeça pelo desconforto que sente. Neste estágio, eu diria para focar em alimentação, família, amigos e talvez exercícios físicos — mas você não vai virar um atleta olímpico em quinze dias, então baixe sua bola.

Em seguida, ignore todo mundo que está postando a pornografia da produtividade nas mídias sociais. Está bem se você continua acordado às 3 da manhã. Está bem esquecer de almoçar ou não conseguir fazer uma teleaula de ioga. Está bem se faz três semanas que você nem toca naquele artigo-que-só-falta-revisar-e-submeter.

Ignore tanto as pessoas que dizem estar escrevendo papers quanto as que reclamam de não conseguir escrever. Cada qual está em sua jornada. Corte esse ruído.

Saiba que você não está fracassando. Livre-se das ideias profundamente toscas que você tem a respeito do que deveria estar fazendo agora. Em vez disso, seu foco deve se voltar prioritariamente para sua segurança física e mental. Neste começo de crise, sua prioridade deveria ser a segurança da sua casa. Adquira itens essenciais para sua dispensa, limpe seu lar e faça um plano de coordenação com sua família. Tenha conversas razoáveis sobre preparos de emergência com seus entes queridos. Se você é próximo de alguém que trabalha nos serviços de emergência ou num ramo essencial, redirecione suas energias e faça do apoio a essa pessoa uma prioridade. Identifique e cubra as necessidades dessas pessoas.

Não importa como é o perfil da sua família: vocês vão ter que ser um time nas próximas semanas ou meses. Monte uma estratégia para manter conexões sociais com um pequeno grupo de familiares, amigos e/ou vizinhos, mas mantenha o distanciamento físico de acordo com as orientações de saúde pública. Identifique os vulneráveis e garanta que eles estejam incluídos e protegidos.

A melhor maneira de construir um time é ser um bom companheiro de equipe, então tome alguma iniciativa para não ficar sozinho. Se você não montar essa infra-estrutura psicológica, o desafio das medidas de distanciamento social necessárias pode ser esmagador. Crie uma rede sustentável de apoio social — agora.

Segundo Estágio: Modificação Mental

ASSIM QUE estiver seguro junto com seu time, você vai começar a se sentir mais estável e seu corpo e sua mente vão se adaptar, fazendo-o buscar desafios mais exigentes. Depois de um tempo seu cérebro pode e vai reiniciar sob condições de crise e você vai reaver sua capacidade de trabalhar em alto nível.

Essa modificação mental permitirá que você volte a ser um pesquisador de alta performance, mesmo sob condições extremas. No entanto, você não deve tentar forçar sua modificação mental, especialmente se você nunca passou por um desastre. Um dos posts mais relevantes que vi no Twitter (do escritor Troy Johnson) dizia: “Dia 1 da Quarentena — vou meditar e fazer treinamento físico. Dia 4 — ah, vamos misturar logo o sorvete com o macarrão”. Pode parecer engraçado, mas diz muito sobre o problema.

Mais do que nunca, precisamos abandonar o performativo e abraçar o autêntico. Modificar nossas essências mentais exige humildade e paciência. Mantenha o foco nessa mudança interna. Essas transformações humanas vão ser sinceras, cruas, feias, esperançosas, frustrantes, lindas e divinas — e serão mais lentas do que os acadêmicos atarefados estão acostumados. Seja lento. Permita-se ficar distraído. Deixe que isso mude o modo como você pensa e como você vê o mundo. Porque o nosso trabalho é o mundo. Que essa tragédia, enfim, nos faça derrubar todas as nossas suposições falhas e nos dê coragem para ter novas ideias.

Terceiro Estágio: Abrace o Novo Normal

Do outro lado dessa mudança, seu cérebro maravilhoso, criativo e resiliente estará te esperando. Quando suas fundações estiverem sólidas, faça uma agenda semanal priorizando a segurança do seu time doméstico e depois reserve blocos de tempo para as diferentes categorias do seu trabalho: ensino, administração e pesquisa. Faça primeiro as tarefas simples e vá abrindo caminho até os pesos-pesados. Acorde cedo. Aquela aula online de ioga ou crossfit vai ser mais fácil nesse estágio.

A essa altura, as coisas começam a parecer mais naturais. O trabalho também vai fazer mais sentido e você estará mais confortável para mudar ou desfazer o que estava fazendo. Vão surgir ideias novas, que nunca lhe passariam pela cabeça se você tivesse ficado em negação. Continue abraçando sua modificação mental, tenha fé no processo e dê apoio ao seu time.

Lembre-se que isso é uma maratona: se você disparar na largada, vai vomitar nos seus pés até o fim do mês. Esteja emocionalmente preparado para uma crise que vai durar 12 ou 18 meses, seguida de uma recuperação lenta. Se terminar antes, será uma surpresa agradável. Neste momento, trabalhe para estabelecer sua serenidade, sua produtividade e seu bem-estar sob condições prolongadas de desastre.

Nenhum de nós sabe quanto tempo essa crise vai durar. Gostaríamos de receber nossas tropas de volta ao lar antes do Natal. Essa incerteza nos enlouquece.

Porém, virá o dia em que a pandemia estará acabada. Vamos abraçar nossos vizinhos e amigos. Vamos retornar às nossas salas de aula e cantinhos do café. Nossas fronteiras voltarão a se abrir para o livre movimento. Nossas economias, um dia, estarão recuperadas das recessões por vir.

Só que, agora, estamos no começo desta jornada. Muita gente ainda não entendeu o fato de que o mundo já mudou. Alguns membros da faculdade sentem-se distraídos ou culpados por não conseguir escrever muito ou dar aulas online apropriadas. Outros usam todo seu tempo em casa para escrever e relatam um surto de produtividade. Tudo isso é ruído — negação e ilusão. Neste momento, essa negação só serve para atrasar o processo fundamental da aceitação, que permite que a gente possa se reinventar nessa nova realidade.

Do outro lado desta jornada de aceitação estão a esperança e a resiliência. Nós sabemos que podemos passar por isso, mesmo que dure anos. Nós seremos criativos e responsivos; vamos lutar em todas as brechas e recantos possíveis. Vamos aprender novas receitas e fazer amizades desconhecidas. Faremos projetos que nem podemos imaginar hoje e vamos inspirar estudantes que ainda estamos para conhecer. E vamos nos ajudar mutuamente. Não importa o que vier depois: juntos, estaremos preparados e fortalecidos.

Por fim, gostaria de agradecer aos colegas e amigos que vivem em lugares difíceis, que sentem na própria pele essa sensação de desastre. Nos últimos anos, rimos ao trocar lembranças sobre as dores da infância e exultamos sobre nossas tribulações. Agradecemos à resiliência que veio com nossas velhas feridas de guerra. Obrigado a vocês por serem os guerreiros da luz e por partilhar de sua sabedoria nascida do sofrimento — porque a calamidade é uma grande professora.


Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Inteligência emocional: 10 formas para combater a ansiedade durante o contexto da crise

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Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Inteligência emocional: 10 formas para combater a ansiedade durante o contexto da crise

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A informação de qualidade é uma arma imprescindível para que todos possam compreender com seriedade e tratar a presente crise de forma serena, atentando-se aos cuidados necessários para evitar a contração do COVID-19 e, para tanto, uma série de ações se fazem necessárias para que se consiga a devida prevenção, sendo o isolamento social a principal delas.

A necessidade de adoção do distanciamento – e isolamento social – pode se tornar bastante penosa com o correr dos dias e semanas, uma vez que não se sabe por quanto tempo durará esta crise, que já vem tomando proporções cada vez maiores ao redor do globo. Assim, uma medida que tem o propósito de preservar nossa saúde física, pode vir a ser deteriorante para a saúde mental.

Ansiedade

A ansiedade é considerada como o mal do século, pois assola pessoas de diversas faixas etárias e se manifesta de maneira alheia à posição social e cultural, tornando-se um dos principais desafios do mundo moderno. É, portanto, um dos mais relevantes males que se manifestam nos dias atuais, mesmo em situação de normalidade, podendo vir a se apresentar de maneira mais intensa em um cenário de isolamento em função da quarentena.

É fundamental  buscar meios para controlar a ansiedade, bem como manter o equilíbrio emocional nesse momento, assim, conseguir de forma conjunta empreender o enfrentamento da pandemia.

Preparamos dez sugestões para auxiliar nesse processo de autocuidado:

1 – Mantenha o contato, mas a distância

Buscar ter o mínimo de contato físico durante o atual momento é importantíssimo para conter a propagação do vírus, ou seja, é realmente necessário nos isolarmos. Assim, para que o contato social seja mantido, o uso dos meios de comunicação online se apresenta como uma ferramenta valiosa. Nos dias atuais é possível se comunicar com qualquer parte do mundo usando um celular, por meio de texto ou mesmo ligações de vídeo. Dessa forma, continuamos a nos apoiar sem estarmos expostos aos riscos do ambiente externo.

2 – Cuidado com Fake News

Devido ao alto volume de informação que dispomos hoje nas redes, é preciso ter cautela com aquilo que se consome. Buscar por informações confiáveis é fundamental para não ser pego em Fake News. Assim, recomendamos conferir as fontes de notícias oficiais, como o site da Organização Mundial de Saúde, bem como veículos de impressa. Acompanhar os telejornais já é o bastante para manter-se informado e evitar a sobrecarga de informação que pode ocorrer em redes sociais.

3 – Cuide do corpo e da mente

Manter o corpo saudável é fundamental para manter a mente sã. É importante se exercitar diariamente, da maneira que for possível, e observar os sinais emitidos pelo corpo que podem revelar a carga de tensão e estresse pela qual se está submetidos, o que pode atenuar os efeitos da ansiedade. Respire, observe seu ambiente e não se esqueça de beber água.

4 – Mantenha a mente ocupada

Focar a energia em ocupações úteis e positivas é muito importante para amenizar os efeitos do isolamento social. Assim, recomenda-se que se busque por temas relacionados à cultura e ao conhecimento, promovendo o desenvolvimento pessoal. Há muito material de qualidade espalhado pela internet, em forma de vídeo, áudio e texto.

5 – Administre a ansiedade

​​Procure administrar os gatilhos que podem desencadear a ansiedade. Escrever notas em um caderno pode ajudar a aliviar os efeitos e distrair a mente. Focar em atividades que exigem concentração também pode ser de alta valia nos momentos mais agudos

6 – Desfrute da família e amigos

Aproveite esse momento de isolamento para cuidar das relações afetivas. Ligue para aquele amigo que há tempos não se falam. Aproveite mais momentos com a família. Restabeleça pontes e canais de comunicações que estavam precisando de atenção. Aproveite as apresentações ao vivo que artistas promovem através da internet.

7 – Filtre o volume de informação

Procure dosar as cargas de informação acerca da crise do COVID-19 para não sobrecarregar a saúde mental e desestabilizar-se emocionalmente, provocando a elevação do estresse e da ansiedade, uma vez que seja de fato um tema bastante pesado, mas angustiar-se não trará qualquer benefício. Não deixe que a crise monopolize os assuntos diários.

8 – Não interrompa o uso de medicações especiais

Em casos de pessoas com histórico de males como depressão, alcoolismo, síndrome do pânico, e demais transtornos, é imprescindível que não se interrompa os tratamentos psicológicos ou psiquiátricos em qualquer circunstância, pois isso poderia trazer sérias complicações levando a recaídas perigosas. . Diversas instituições de saúde mental, bem como profissionais da área da saúde continuarão a oferecer suporte por meio de atendimentos online. Esse tipo de ajuda é fundamental no presente momento.

9 – Mantenha-se produtivo

O Remanejamento de funções que podem ser desempenhadas remotamente é muito importante nesse momento, uma vez que as contas não param de chegar e é preciso continuar trabalhando, ainda que de forma remota. Se for possível, adote o modelo de trabalho a distância, dispensando o deslocamento para escritórios, salas de aula, etc.

10 – Mude velhos hábitos

As práticas cotidianas diárias nos traziam dificuldade para viabilizar comportamentos mais saudáveis da forma como desejávamos, nos levando à procrastinação. Nesse momento de isolamento social, no entanto, é possível estabelecer novas rotinas, revendo velhas prioridades. Incluir práticas de atividade física, técnicas de relaxamento e meditação em casa pode ser fundamental para se criar um ambiente saudável. É possível encontrar diversos aplicativos e sites que auxiliam nessa tarefa.

Tempos de crise são propícios para a reflexão e reorganização. É preciso ponderar nossas prioridades e cuidarmos de nós e de nossos entes queridos. Precisamos recalcular e afastar velhas práticas que provocam o adoecimento de nosso ambiente.   A vida continua e esse tempo nebuloso também vai passar. Deixaremos esse período para trás, nos tornando pessoas fortalecidas e afetivas.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina promove campanha pela não violência

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina promove campanha pela não violência

Com o objetivo de despertar a conscientização de cada cidadão sobre a cultura da paz e a prática da não violência, a professora Dra Divina e os estudantes do curso de Pedagogia do Centro Universitário Módulo, promoveram no último dia 4/11, um encontro com o objetivo de debater a invisível violência psicológica que ainda afeta boa parte da população, sobretudo, os mais fragilizados socialmente e que inclusive foi relatada por várias estudantes em situações que vivenciaram esse tipo de experiência.

Em 2019, o município de Caraguatatuba por meio das secretarias municipais vem realizando a campanha dos 16 dias de atividades em prol do fim de todo tipo de violência e o Centro Universitário Módulo não podia ficar de fora. Dessa forma, os estudantes de pedagogia decidiram abordar a violência psicológica e tentaram mobilizar e conscientizar os demais cursos a participarem da iniciativa não apenas na universidade, mas durante a vida externa ao ambiente pedagógico.

O evento é realizado mundialmente, entre 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e 10 de dezembro, data em que foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. As atividades promovidas pelo município de Caraguatatuba visam o enfrentamento de toda forma de violência contra a mulher, com campanhas que pretendem ainda promover o debate sobre os demais tipos de violências e estimular a cultura da paz e do convívio harmonioso entre todos, independentemente de classe social, gênero, grupo etário etc.

Assim, durante as atividades que foram iniciadas com o curso de pedagogia, relativas às ações que abordaram a violência psicológica, criou-se um ambiente seguro e oportuno onde os estudantes pensaram e apresentaram situações pelas quais os próprios foram submetidos a algum tipo de violência dessa natureza.

As experiências foram expostas por meio de frases e para trabalhar esse trauma, foi proposta a construção de poesias, por meio das quais se pretendeu superar dores e angústias que ainda assolassem aqueles que sofreram as violências reportadas. Dessa forma, o resultado do trabalho foi exposto em painéis, assim como foi efetuado o convite para toda a faculdade – professores, alunos e funcionários a participarem do projeto.

A exposição de painéis estará à mostra até o dia 14 de novembro, e terá como objetivo conscientizar os universitários, bem como o público em geral, para pensar a respeito do tema e analisar se os próprios estariam sendo vítimas deste tipo de violência, para assim buscarem a devida a ajuda para superar esse mal.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Expo + Fórum e Coquetel marcam o lançamento do livro Intergercionalidade: Cartas na Mesa

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Expo + Fórum e Coquetel marcam o lançamento do livro Intergercionalidade: Cartas na Mesa

Baseado na pesquisa desenvolvida por Divina de Fátima dos Santos, durante a produção de sua tese de doutorado, o livro Intergeracionalidade: Cartas na Mesa teve seu lançamento oficializado entre os meses de setembro e outubro de 2019.

Sua pré-venda teve início na ocasião do evento Expo+Fórum da Longevidade, sediado na ExpoCenter em São Paulo no dia 29 de setembro e que contou com a participação de diversos profissionais que atuam no setor de qualidade de vida.

No primeiro dia do mês de outubro, também na cidade de São Paulo, Divina promoveu o coquetel de lançamento de sua obra. A celebração ocorreu no Espaço Vila dos Louros, na Vila Madalena e reuniu amigos e familiares que apreciaram momentos de confraternização durante o lançamento oficial de Intergeracionalidade: Cartas na Mesa.

Confira as imagens abaixo!

Pré-venda na Expo+Fórum da Longevidade

Coquetel de lançamento

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica