Semana da Saúde e do Meio Ambiente tem Atividade sociodramática promovida pelo NAPP

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Semana da Saúde e do Meio Ambiente tem Atividade sociodramática promovida pelo NAPP

Em comemoração da Semana da Saúde e do Meio Ambiente, o Núcleo de Apoio Psicológico e Psicopedagógico (NAPP), as professoras Divina de Fátima dos Santos e Sandra Faustino dos Santos realizaram uma atividade de natureza lúdica conhecida como Sociodrama que foi posta em prática em conjunto com os alunos dos cursos de Enfermagem e de Psicologia.
A atividade, que ocorreu tanto durante o período da manhã (das 8h às 9:30) quanto durante o período da noite (das 18h às 19:30), contou com a participação dos estudantes que realizaram performances diversas sob o comando das professoras.
O propósito da intervenção foi trazer acolhimento, calma e tranquilidade, bem como diminuir a ansiedade e fazer com que os participantes ganhassem um novo olhar, uma nova perspectiva ao encarar o curso que optaram em suas formações acadêmicas.
É um fato conhecido que ser psicólogo/a e ser enfermeiro/a são ofícios que exigem extrema sensibilidade dos profissionais que atuam nessas áreas e, portanto, é necessário que a formação seja capaz de proporcionar aos estudantes toda serenidade e autoconhecimento que a profissão exige.
As atividades foram realizadas através de músicas que foram performadas por meio de dança e atividades grupais durante as quais os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar e trabalhar o autoconhecimento, bem como conhecer melhor seus colegas.

A atividade foi bastante elogiada e celebrada pelos participantes, deixando a impressão de ter atendido com êxito seu propósito que era justamente apaziguar as emoções

 

Confira abaixo as imagens do evento!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

“OFICINA: PSICOLOGIA POSITIVA – Dicas para superar as crises do cotidiano”

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

OFICINA: PSICOLOGIA POSITIVA - Dicas para superar as crises do cotidiano

Com o objetivo de promover inteligência emocional, desenvolvimento pessoal, bem-estar e a felicidade, por meio do ensino e aplicação prática de intervenções da Psicologia Positiva, para períodos de enfrentamento de crises, essa oficina, em formato virtual, trouxe diversos insights sobre o tema em questão.
A ciência, especialmente a Psicologia Positiva, já comprova que temos condições e podemos sim alcançar a felicidade, alcançar realizações e vivermos em bem-estar, com a implantação de práticas e mudanças na mente.
Para colaborar com o desenvolvimento de emoções positivas em meio ao caos diário, é necessário estimular cada vez mais os sentimentos positivos e felizes a todos à nossa volta. Assim, compartilhamos aqui essa oficina promovida pelas professoras Drª Divina Fátima dos Santos e Ms Sandra de Fatima F. dos Santos, que trazem reflexões que ajudarão na mudança positiva.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Pandemia e o esgotamento das mulheres

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Pandemia e o esgotamento das mulheres

Por Giuliana Capello

Faz alguns meses que ouço de muitas mulheres a mesma reclamação (e eu me incluo no time): “estou exausta”.

Hoje, quando sentei para escrever este post, minha mente pensava na enorme lista de tarefas que “preciso” cumprir até literalmente cair na cama, num esgotamento que parece sem fim. Como escrever assim tão cansada, tão sem tempo pra nada, tão… tão esgotada?

Sempre foi difícil conciliar trabalho remunerado com a invisível e desprezada economia do cuidado (representada pelo trabalho com a casa, os filhos, os idosos da família).

E a pandemia chegou destampando o baú que antes sufocava esse tema em nome da “normalidade” tão conveniente a muitos.

Sim, essa droga de pandemia pintou com cores mais fortes traços que já estavam presentes em nossa sociedade. Já parou para pensar nisso?

Alguns dos temas mais comentados nesse último ano não são novidade para ninguém, não foram criados pela pandemia. Ela apenas jogou um holofote enorme em cada um deles: racismo, desigualdade social, desigualdades na educação, corrupção, negacionismos, fake news, precarização do trabalho e, claro, o machismo nosso de cada dia.

Abismo de gênero

Li em algum lugar sobre uma pesquisa que apontou esse abismo de gênero durante a pandemia. E também sobre a psicóloga ou psicanalista, não lembro bem, que contou sobre dois pacientes: um homem de 40 e poucos anos, que dizia estar levando numa boa as mudanças na rotina provocadas pela covid-19, e uma mulher na mesma faixa etária, absolutamente exausta e à beira de uma depressão.

Algumas semanas depois do início das sessões, a terapeuta descobriu algo intrigante: os dois pacientes eram casados.

Que coisa! Por que essa disparidade toda?

É claro que existem singularidades e cada pessoa sente o mundo ao redor do seu jeito. Mas não é só isso, a gente sabe. E, o pior, sempre foi assim. É que a “normalidade” de antes dava conta de disfarçar e dar retoques finos a essa crueldade.

É por isso que sempre que fico refletindo sobre estratégias para mudar o mundo, regenerar a humanidade e o planeta incluo pautas feministas ou ecofeministas. Sem isso seria mais do mesmo, seria maquiagem mal feita, piada de mau gosto.

Mulheres de diferentes extratos sociais, com experiências culturais das mais diversas estão à beira de um colapso.

No Japão, depois de 11 anos sem curva ascendente, o índice de suicídio aumentou em 2020. Mas repare: entre as mulheres, a taxa subiu 15% ano passado, enquanto que entre os homens houve uma leve redução no mesmo período.

Esgotadas e ainda mais atarefadas

Sobre as brasileiras mais vulneráveis eu nem dou conta de falar muito.

Elas enfrentam o fantasma da fome todos os dias, veem os filhos sem acesso à escola, sofrem com o desemprego, o desamparo e, não raras vezes, com a violência doméstica (que também aumentou na pandemia, apesar das dificuldades extras que enfrentam as mulheres dispostas a denunciar as agressões).

Na classe média, terceirizar serviços para outras mulheres (mais vulneráveis, sempre) era rotina de muitas famílias. As crianças ficavam parte do dia nas escolas e depois com a avó ou uma babá.

A faxineira limpava a casa e, entre os mais abastados, a cozinheira servia a mesa. E assim desandava a humanidade…

E agora? Como estamos?

As mulheres têm, hoje, ainda mais tarefas para executar, mais demanda mental e desafios de logística e planejamento que são pura adrenalina ruim.

Eu, que neste caso me considero uma privilegiada por ter um teto, comida na mesa, água potável, trabalho (muito mais incerto neste momento, é verdade), um quintal para brincar com minha filha, áreas verdes por perto para me conectar com a natureza, enfim, condições de sobrevivência mais do que garantidas, estou absolutamente exausta.

Minha agenda, que ainda é de papel porque é assim que gosto mesmo, não tem espaço para anotar todas as tarefas, que agora incluem os horários de aula online da minha filha e as tarefas que tenho que ajudá-la a fazer, as compras do dia-a-dia que, agora, são via internet, horários das entrevistas, feira, textos para entregar, boletos para pagar, aniversários de gente querida (para quem tento enviar algo por e-commerce, quando possível), os cuidados com os cães, enfim, a lista é enorme e termina por aqui para não ficar entendiante, sem graça.

Maternidade e gestão do lar

Antes de ser mãe, confesso que não tinha ideia da dimensão desse desafio. De verdade.

As mulheres mais próximas, na época, também não tinham filhos. E as que tinham pareciam bem resolvidas dentro do esquema da terceirização da infância: escola, cursos extracurriculares para passar o tempo e toda sorte de ‘entretenimento’ para distrair os pequenos até a mãe voltar do trabalho.

Durante uma entrevista para uma vaga, anos atrás, o cara me perguntou se eu teria que faltar ao trabalho para levar minha filha ao médico, ou teria alguém para fazer isso por mim. Fiquei atônita.

Naquele instante desisti da vaga dentro de mim, mas precisei dela durante um tempo e resisti a ataques machistas que me faziam chorar vez ou outra.

A lista de machismo sutil, se é que podemos chamar assim só porque não envolve tapas e socos, é enorme. E dá até preguiça. Mas é tão real que tem feito o tema pipocar aqui e ali. É claro!

A mulherada está enlouquecendo. Tem que ser a cozinheira, a faxineira, a mãe, a professora auxiliar das aulas online, a profissional produtiva no home office, a planejadora da despensa e do vestuário da família, a grande provedora da ordem mínima necessária ao funcionamento de cada centímetro quadrado do lar.

E o que fazer para reverter isso ou, ao menos, reduzir um pouco a carga?

Minha amiga, as respostas dependem do cenário real de cada uma, do contexto social, cultural, enfim, de muita coisa. É algo que passa pela aprovação de auxílio de emergência ou, melhor ainda, de projetos na linha da renda cidadã, porque a emergência é o novo normal, né não?

Passa também por mudanças estruturais na sociedade, que sempre levam tempo para surtir efeitos.

De mãos dadas, sempre

Mas, nessa história, quem sou eu pra dizer algo sobre isso? O que sei é o que sinto na pele. Nas pálpebras cansadas, nos fios brancos dos cabelos, no coração palpitando porque preciso do computador que a filha está usando para estudar.

E olha que tenho sorte (na verdade, bons critérios de escolha). Meu marido é bastante parceiro em tudo. Lava louça, cozinha, faz faxina na casa, cuida da filhota, dos cachorros, vai buscar compra no drive thru e está sempre por perto quando preciso de ajuda.

Neste momento, compaixão e empatia não podem virar palavras vazias de sentido. É cada vez mais crucial que não percamos a capacidade de enxergar saídas, de ter disposição para lutar contra o que está errado, contra o que e quem pode e – até – quer nos adoecer.

Saúde mental é algo sério. E nós mulheres precisamos dela forte, vívida, inspiradora (para nós mesmas, em primeiro lugar).

Homens com as nossas sandálias teriam surtado por muito menos, já teriam chamado a mãe, a esposa, a filha mais velha, a empregada, qualquer versão desses seres tão preciosos, mas que ainda são tratados como inferiores, menores, menos capazes, merecedoras de salários mais baixos mesmo quando executam exatamente a mesma função.

Basta dessa canalhice. E que a pandemia nos ajude, ainda que em luto pela nação que sofre, a escancarar o que somos. Poderosas por natureza, mas dignas de descanso e (auto)cuidado também. Tenho fé.

Vamos respirar juntas e esperançar, de mãos dadas, ventre quentinho e coração cheio de amor pela vida.

Agora me dá licença que vou até a pia lavar a louça enquanto ouço um podcast desses bem revolucionários… Aliás, aceito sugestões.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

O luto pela covid como processo coletivo

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Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

mariana-tavares

O luto pela covid como processo coletivo

Em entrevista ao portal Brasil de Fato, Mariana Tavares destaca a importância dos cuidados paliativos e propões uma reflexão sobre a lógica individualista

Por Raíssa Lopes 

Mariana Tavares é psicóloga, especialista em Psicoterapia Contemporânea e em Recursos Humanos em Saúde. Integra o Conselho de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) e recentemente se especializou em cuidados paliativos pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG).

Escreveu o artigo “Luto complicado e pandemia: possibilidades de intervenções paliativas”, juntamente com Raqueline Assunção, Renato Barreto, e sob orientação de Glaucia Tavares.

O estudo traça reflexões importantes sobre o que a pandemia de covid-19 pode revelar a respeito de como as sociedades ocidentais entendem a saúde e como se relacionam com a morte.

O Brasil é um dos piores países para morrer, porque não se preocupa com a morte

Saindo da noção da saúde mental como um processo inteira e unicamente individual, a especialista chama a atenção para a influência da realidade social na vida dos sujeitos. Em conversa com o Brasil de Fato, também reforça o poder indispensável das políticas públicas para superar coletivamente os traumas expostos e criados pelo coronavírus.

“Não dá pra ignorar, passar por cima. A gente vai precisar de uma política do luto”, diz.

Leia a entrevista:

Brasil de Fato – O que são cuidados paliativos? Por que são importantes e de que forma estão relacionados à pandemia de covid-19?

Mariana Tavares – Os cuidados paliativos representam um campo da saúde ainda não completamente regulamentado. Existem escassos serviços no Brasil e essa concepção é um pouco mais desenvolvida em outros países. A definição de cuidados paliativos é, inclusive, muito recente.

Cuidados paliativos constituem uma assistência feita por uma equipe com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e da família diante de uma doença ameaçadora à vida. Deseja prevenir e aliviar o sofrimento das pessoas frente a essas doenças.

Não são realizados apenas nos casos em que as pessoas estão perto de morrer, é uma concepção mais ampla. Existem cuidados paliativos com pessoas acamadas, por exemplo, mas também os relacionados à garantia de uma boa qualidade do fim da vida.

A nossa sociedade – inclusive profissionais de saúde – lida muito mal com a morte

Existe uma visão pejorativa dos cuidados paliativos como se fossem bobagem, como se fossem nada… Essa visão preconceituosa é muito prejudicial, porque está dizendo que a qualidade da morte não é relevante. Por isso é importante entender que a qualidade da morte tem a ver com a qualidade da vida.

O Brasil é um dos piores países para morrer, justamente porque tem uma baixa preocupação com a qualidade da morte. Isso tem a ver com a ideia de que a medicina vai apenas salvar vidas, e com a dificuldade de lidar com a morte. A morte é vista como um fracasso. Existe todo um medo, um tabu nas sociedades ocidentais.

E aí vem o pessoal dos cuidados paliativos tentando garantir uma morte, ou um cuidado, não somente centrados na tecnologia, na medicina. O modo de morrer de antigamente, com o doente em casa, cercado pelos familiares, foi migrando para uma morte solitária, dentro de um box de CTI, com a pessoa sozinha e em agonia.

O suporte social comunitário ajuda na prevenção do luto complicado

Então o mundo dos cuidados paliativos vai procurar fornecer assistência psicológica para a família, incentivar as conversas com o “eu te amo”, “eu te perdoo”… É uma visão muito maior do que é enfrentar essa terminalidade. A nossa sociedade lida muito mal com a morte, e os profissionais de saúde lidam muito mal com a morte. A gente é mal formado para pensar sobre.

A covid vem e nos dá um tapa na cara. Evidencia e desnuda tudo. A morte por covid traz todos esses componentes: solidão; despreparo das equipes na lida e no diálogo com a família; ausência desse raciocínio [de que a morte não é um fracasso] nas unidades de saúde e hospitais; sofrimento enorme para os profissionais e familiares.

E agora são justamente os profissionais os intermediários entre família e paciente durante a morte.

Exatamente. A carga sobre eles está enorme, porque são profissionais criados para salvar vidas, nessa suposição de que a morte seria uma derrota, e o tempo todo estão sendo confrontados com essa frustração. Está difícil para o sistema como um todo.

E o luto dentro dessa situação? Porque existe o luto por perder pessoas amadas, mas especialistas também apontam para o luto por perder um emprego, por mudar o modo de agir…

O luto é a perda de um vínculo, não necessariamente a perda de uma pessoa e nem necessariamente por morte. Imagine então a quantidade de luto que está por aí… Pessoas que iam se casar, que perderam emprego, renda, o medo de quem tem que trabalhar de contaminar seus familiares. É uma série de sofrimentos invisíveis.

Ao mesmo tempo, o luto é uma vivência muito individual. Existem teorias mais antigas que tentam dizer que o luto possui um determinado tempo, percorre certas fases. Elas criam quase que uma normativa sobre o luto.

É preciso pensar como promover conforto e sobrevivência para enfermeiras

É o luto sendo um processo do sujeito, e aí o modo como o sujeito o enfrenta seria próprio de cada um, de acordo com cada estrutura de personalidade. O que é possível fazer sobre isso? Quase nada. É mandar para a psicóloga. E eu acho que não, no momento não é o caso de vermos o luto como um processo absolutamente subjetivo.

Existe um conceito de luto complicado, que é quando a pessoa enfrenta mal, não dá conta de retomar a vida, adoece, deprime. Esse luto é comum em mortes violentas, solitárias, injustas, precoces. E a morte pela covid tem várias dessas características – é uma má morte, tem dor, sofrimento, falta de ar, é solitária, sem despedida.

Então nós fomos investigar se existem formas de prevenir o luto complicado, já que o luto é tão singular, tão de cada um… E sim, tem jeito.

Estudamos vários artigos, de países diferentes, e o que encontramos, resumimos em dois pontos: é possível precaver ao melhorar a qualidade da morte e garantir suporte social. E é nesse contexto que os cuidados paliativos são enormemente relevantes.

Como seria isso?

Na melhoria da qualidade da morte entram, por exemplo, os dispositivos eletrônicos. A telemedicina, as videoconferências com os familiares, os grupos com psicólogos focados nas conversas com a família etc.

O trauma causado pela pandemia vai durar muitos anos, mesmo após a vacina

Sobre o suporte social… Uma das coisas que mais alivia a morte nas sociedades são os rituais. Eles existem como uma forma de nos consolar, abrandar a dor, criar um efeito simbólico entre a pessoa amada que partiu e quem fica. Foi outra coisa que a covid cortou, né? Os velórios devem ser rápidos e sem aglomeração até mesmo para aqueles que não morreram pela covid.

Além dessas características de má morte, temos uma situação que o ritual não pode auxiliar. É preciso, então, criar maneiras de suprir essa falta da ritualização tal como a gente conhece.

Tipo criar um ambiente em casa para celebrar e se despedir da pessoa que se foi?

Aí é que está. Não com as pessoas sozinhas, não com ações individuais. É exatamente onde entra um suporte social comunitário, para tirar essa morte da situação de invisibilidade.

Existem projetos da sociedade civil que se atentam a isso, como o @reliquia.rum, da Debora Diniz [antropóloga], o @inumeraveismemorial e o Santinho. Eles visam prover homenagens que apontem a singularidade de quem morreu.

A pandemia da covid nos mostra de cara que não somos tão autossuficientes

Porque é particular, mas também é público. É preciso ressaltar: o luto pela covid não é um processo apenas individual, é um processo coletivo.

Em outros países e em algumas cidades daqui, todo dia é realizado um minuto de silêncio, é tocada uma música, ou passa algo na televisão sobre as pessoas que faleceram. É para dizer que não, essas pessoas não estão despercebidas, e nem sozinhas.

E ações como essa auxiliam na prevenção do luto complicado.

E o luto dos profissionais da saúde? Eles são um caso à parte, pois além de lidarem com o paciente e família, o Brasil é um dos países com o maior número de mortes de profissionais do setor na pandemia. É medo de morrer, de perder os amigos e colegas de trabalho…

O suporte social tem a ver com políticas públicas de enfrentamento para esse sofrimento e para o sofrimento da população no geral.

A respeito das enfermeiras e enfermeiros, é preciso pensar como promover conforto e sobrevivência para esses profissionais. Nem que seja com auxílio financeiro, ou talvez uma aposentadoria mais precoce…

Algo que demonstrasse o valor e o interesse por essas pessoas, ao invés de ficar nessa de tratá-los como heróis, como aqueles que se sacrificam e que morrem pelo outro. Eles são pessoas, que estão trabalhando duramente, com dramas e que não têm garantia. Por exemplo, os filhos dessas mulheres enfermeiras ficam com quem?

O que quero dizer é que em várias áreas haveria formas de pensar políticas públicas: mulheres, crianças, profissionais; pode-se rastrear onde estão os mortos e ver quais assistências específicas o SUS [Sistema Único de Saúde] e o Suas [Sistema Único de Assistência Social] podem fornecer; deve-se refletir o que pode ser feito na educação, na segurança pública.

É necessário questionar como está sendo pensado o conjunto de políticas como suporte para o sofrimento causado pela pandemia. E o trauma vai durar muitos anos ainda, mesmo após a vacina. A gente precisa criar uma política do luto. Não dá para ignorar, para passar por cima.

Como lidar com essa sensação de perda iminente que a pandemia gera?

Não existe uma resposta. Podemos falar do que está acontecendo… Estamos em risco e podemos ver que, enquanto sociedade, já estávamos vivendo um processo negacionista.

A negação é um mecanismo psíquico descrito por Freud. É fingir que não vê. E vemos que essa está sendo uma das formas de lidar com o medo. Só que é um “fingir que não vê” em massa. O comportamento de massa é abrir mão do seu raciocínio e transferir sua capacidade de pensar para um líder. Esse líder, como estudado há muito tempo, manipula por meio dos afetos [da emoção].

Outra forma de lidar é ter comportamento fóbico e obsessivo e se trancar dentro de casa, achar que está infectado o tempo todo, se lavar o tempo todo com álcool.

O que deveria combater isso é informação justa, correta, fidedigna, confiável, que possibilitasse a cada um se posicionar. Sempre que acontece um desastre e morre muita gente de uma vez, o papel dos líderes, dos governantes, é dar a real. É ter ações baseadas na razão. É promover esquemas de compreensão para que a população seja tranquilizada e para que haja uma normativa mais unificada possível. E é exatamente o que não está acontecendo.

Essa é a primeira pandemia do século XX. Até então, éramos uma geração acostumada a ter controle de episódios do tipo, com ferramentas e tecnologias suficientes. Você acha que a covid impacta a nossa geração de uma forma diferente do que as pandemias anteriores impactaram as gerações mais antigas?

Primeiro que é uma pandemia que atingiu todos os continentes e as outras não atingiram. Com a globalização, em poucos dias a pandemia se consolidou e se multiplicou para o mundo inteiro.

E a gente está sustentado numa sociedade tecnológica, científica e narcísica – que crê que dá conta de tudo e que supõe que tem o controle. Uma sociedade que vinha, inclusive, desenvolvendo modos de prolongamento da vida por muito tempo.

Somos uma sociedade com dificuldade de lidar com o sofrimento e com a finitude

É um choque que coloca em questão a onipotência da humanidade, e nos dá essa castração, mostrando que não, não somos os “todos poderosos”. [A covid] nos mostra de cara que não somos tão autossuficientes.

Questiona o estilo de vida capitalista, diz que a gente precisa aprender a lidar com a falta de respostas e ficar mais humilde enquanto espécie. Aprender que nós somos um dos componentes da natureza, e não os donos dela.

Além dos desafios científicos da vacina, da exploração ambiental e natureza, mostra que somos uma sociedade com dificuldade de lidar com a dor, com o sofrimento e com a finitude.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Inteligência emocional: 10 formas para combater a ansiedade durante o contexto da crise

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Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Inteligência emocional: 10 formas para combater a ansiedade durante o contexto da crise

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A informação de qualidade é uma arma imprescindível para que todos possam compreender com seriedade e tratar a presente crise de forma serena, atentando-se aos cuidados necessários para evitar a contração do COVID-19 e, para tanto, uma série de ações se fazem necessárias para que se consiga a devida prevenção, sendo o isolamento social a principal delas.

A necessidade de adoção do distanciamento – e isolamento social – pode se tornar bastante penosa com o correr dos dias e semanas, uma vez que não se sabe por quanto tempo durará esta crise, que já vem tomando proporções cada vez maiores ao redor do globo. Assim, uma medida que tem o propósito de preservar nossa saúde física, pode vir a ser deteriorante para a saúde mental.

Ansiedade

A ansiedade é considerada como o mal do século, pois assola pessoas de diversas faixas etárias e se manifesta de maneira alheia à posição social e cultural, tornando-se um dos principais desafios do mundo moderno. É, portanto, um dos mais relevantes males que se manifestam nos dias atuais, mesmo em situação de normalidade, podendo vir a se apresentar de maneira mais intensa em um cenário de isolamento em função da quarentena.

É fundamental  buscar meios para controlar a ansiedade, bem como manter o equilíbrio emocional nesse momento, assim, conseguir de forma conjunta empreender o enfrentamento da pandemia.

Preparamos dez sugestões para auxiliar nesse processo de autocuidado:

1 – Mantenha o contato, mas a distância

Buscar ter o mínimo de contato físico durante o atual momento é importantíssimo para conter a propagação do vírus, ou seja, é realmente necessário nos isolarmos. Assim, para que o contato social seja mantido, o uso dos meios de comunicação online se apresenta como uma ferramenta valiosa. Nos dias atuais é possível se comunicar com qualquer parte do mundo usando um celular, por meio de texto ou mesmo ligações de vídeo. Dessa forma, continuamos a nos apoiar sem estarmos expostos aos riscos do ambiente externo.

2 – Cuidado com Fake News

Devido ao alto volume de informação que dispomos hoje nas redes, é preciso ter cautela com aquilo que se consome. Buscar por informações confiáveis é fundamental para não ser pego em Fake News. Assim, recomendamos conferir as fontes de notícias oficiais, como o site da Organização Mundial de Saúde, bem como veículos de impressa. Acompanhar os telejornais já é o bastante para manter-se informado e evitar a sobrecarga de informação que pode ocorrer em redes sociais.

3 – Cuide do corpo e da mente

Manter o corpo saudável é fundamental para manter a mente sã. É importante se exercitar diariamente, da maneira que for possível, e observar os sinais emitidos pelo corpo que podem revelar a carga de tensão e estresse pela qual se está submetidos, o que pode atenuar os efeitos da ansiedade. Respire, observe seu ambiente e não se esqueça de beber água.

4 – Mantenha a mente ocupada

Focar a energia em ocupações úteis e positivas é muito importante para amenizar os efeitos do isolamento social. Assim, recomenda-se que se busque por temas relacionados à cultura e ao conhecimento, promovendo o desenvolvimento pessoal. Há muito material de qualidade espalhado pela internet, em forma de vídeo, áudio e texto.

5 – Administre a ansiedade

​​Procure administrar os gatilhos que podem desencadear a ansiedade. Escrever notas em um caderno pode ajudar a aliviar os efeitos e distrair a mente. Focar em atividades que exigem concentração também pode ser de alta valia nos momentos mais agudos

6 – Desfrute da família e amigos

Aproveite esse momento de isolamento para cuidar das relações afetivas. Ligue para aquele amigo que há tempos não se falam. Aproveite mais momentos com a família. Restabeleça pontes e canais de comunicações que estavam precisando de atenção. Aproveite as apresentações ao vivo que artistas promovem através da internet.

7 – Filtre o volume de informação

Procure dosar as cargas de informação acerca da crise do COVID-19 para não sobrecarregar a saúde mental e desestabilizar-se emocionalmente, provocando a elevação do estresse e da ansiedade, uma vez que seja de fato um tema bastante pesado, mas angustiar-se não trará qualquer benefício. Não deixe que a crise monopolize os assuntos diários.

8 – Não interrompa o uso de medicações especiais

Em casos de pessoas com histórico de males como depressão, alcoolismo, síndrome do pânico, e demais transtornos, é imprescindível que não se interrompa os tratamentos psicológicos ou psiquiátricos em qualquer circunstância, pois isso poderia trazer sérias complicações levando a recaídas perigosas. . Diversas instituições de saúde mental, bem como profissionais da área da saúde continuarão a oferecer suporte por meio de atendimentos online. Esse tipo de ajuda é fundamental no presente momento.

9 – Mantenha-se produtivo

O Remanejamento de funções que podem ser desempenhadas remotamente é muito importante nesse momento, uma vez que as contas não param de chegar e é preciso continuar trabalhando, ainda que de forma remota. Se for possível, adote o modelo de trabalho a distância, dispensando o deslocamento para escritórios, salas de aula, etc.

10 – Mude velhos hábitos

As práticas cotidianas diárias nos traziam dificuldade para viabilizar comportamentos mais saudáveis da forma como desejávamos, nos levando à procrastinação. Nesse momento de isolamento social, no entanto, é possível estabelecer novas rotinas, revendo velhas prioridades. Incluir práticas de atividade física, técnicas de relaxamento e meditação em casa pode ser fundamental para se criar um ambiente saudável. É possível encontrar diversos aplicativos e sites que auxiliam nessa tarefa.

Tempos de crise são propícios para a reflexão e reorganização. É preciso ponderar nossas prioridades e cuidarmos de nós e de nossos entes queridos. Precisamos recalcular e afastar velhas práticas que provocam o adoecimento de nosso ambiente.   A vida continua e esse tempo nebuloso também vai passar. Deixaremos esse período para trás, nos tornando pessoas fortalecidas e afetivas.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica