Professoras Divina de Fátima dos Santos e Sandra Faustino promovem intervenção com os alunos de Enfermagem do Módulo

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Professoras Divina de Fátima dos Santos e Sandra Faustino promovem intervenção com os alunos de Enfermagem do Módulo

Na última quarta feira de outubro (30/10), uma intervenção artística ocorria na sala de dança  do Centro Universitário Módulo. Promovida Professoras Divina de Fátima dos Santos e Sandra Faustino, com participação de estudantes matriculados no último semestre do Curso de Enfermagem, a atividade se deu após solicitação da professora de estágio Ms Lidiane Dias dos Anjos, uma vez que notou sinais de estresse emocional da equipe que se encontra em fase final de sua formação, mas que ainda precisavam concluir diversos compromissos acadêmicos para sua formação.

114 alunos, divididos em duas turmas, participaram da atividade, no período da manhã participaram 83 alunos e no período da tarde 31. A intervenção, que não atrapalhou os compromissos acadêmicos dos estudantes, contou ainda com o apoio e acompanhamento de diversos docentes do curso de Enfermagem.

A equipe do NAPP, que é formada pelas profissionais Dra. Divina de Fátima dos Santos (psicóloga) e Prof.ª Ms. Sandra de Fátima Faustino dos Santos (Arte-educadora) do Módulo produziu a atividade com toda a devida atenção e carinho, contando com um ambiente especial, em sala ampla com música ambiente que pode proporcionar aconchego para os participantes, fundamental para que os mesmos pudessem relaxar e se soltarem.

As dinâmicas desenvolvidas trabalharam a concentração e o relaxamento, por meio de trabalho com a expressão corporal, dinâmica musical que formavam o objetivo da intervenção, que foi aprovada por todos que ali estavam.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba: Celebração à velhice

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2012: Celebração à velhice

A cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte do estado de São Paulo vem se tornando referência no litoral norte e região. Deste modo, ela prestou uma grande homenagem a todos os idosos do município: ao longo de 10 dias (de 22/09/2012 a 01/10/2012) fez uma extensa agenda com uma programação sobre temas relacionados à velhice, envolvendo todas as secretarias municipais e convocando a população idosa, os familiares e todos que direta ou indiretamente estão envolvidos com as questões da longevidade.

 

Sob a coordenação da Sra. Ivy Malerba e da Sra. Zally Queiroz, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso, a programação contou com atividades sociais, educativas, esportivas, culturais, de lazer, de saúde e de cidadania que foram realizadas em diferentes pontos da cidade, visando esclarecer a população de que envelhecer é parte do ciclo vital humano e de que todos estarão sujeitos a essa importante e tão esperada fase da vida. O principal objetivo foi promover e despertar a consciência da população sobre o processo de envelhecimento visando uma velhice mais harmoniosa e equilibrada, mesmo que as limitações decorrentes desse processo se façam presentes. Mas também objetivou despertar a população idosa no sentido de ser mais participativa, convocando-a a ocupar os diferentes espaços que o município disponibiliza a esse segmento populacional.

Em todas as atividades que foram cuidadosamente programadas, o público se fez presente e participou com grande entusiasmo. Muitos idosos chegaram a declarar o quanto estavam felizes e renovados por serem os protagonistas e de poderem participar de várias atividades com seus familiares e amigos, além de sentirem-se valorizados por ocuparem um importante papel na sociedade. Como sabemos, nossa sociedade é plural e conviver com pessoas de diferentes características – sejam elas etárias, geracionais, étnicas, religiosas, sociais, econômicas ou de gênero – é essencial para a formação dos cidadãos e para a promoção de uma sociedade mais respeitosa, equilibrada e saudável

Um dos pontos fortes da festividade foi o envolvimento das escolas municipais na programação. Elas foram convidadas a trabalhar com seus alunos sobre o processo de envelhecimento, objetivando envolver os pequenos numa educação humanitária e assim educar para o envelhecimento. Sabemos que muitas pessoas têm medo da velhice e de envelhecer já que existe um estigma negativo dessa fase da vida que é muito comum no mundo atual. Assim, envolver as escolas na semana de celebração aos idosos é um grande passo em direção ao futuro não apenas das crianças, mas também de suas famílias e de toda a sociedade.

Durante a programação, as Escolas Municipais Prof. João Batista Gardelin e Profa. Aida de Almeida Castro Grazioli – que já participam do projeto “Encontro de Gerações”, coordenado por Divina de Fátima dos Santos – receberam o coral composto por idosas do Centro de Convivência da Terceira Idade Estrela do Mar do município de Caraguatatuba. Elas apresentaram um rico repertório musical, contagiando e conquistando a todos e promovendo um encontro intergeracional. As crianças proporcionaram grande alegria às componentes do coral, aos professores e aos demais presentes, cantando juntos com as idosas: a emoção foi geral. Ao longo da semana as professoras, juntamente com os pequenos, confeccionaram cartões e mensagens que foram entregues às integrantes do coral e, também, aos idosos que frequentam o Centro de Referência da Melhor Idade – CREMI.

As atividades se encerraram no dia 01 de Outubro – data em que se comemora o Dia Internacional da Pessoa Idosa – com inúmeras apresentações de diferentes grupos da terceira idade que deram o tom e o colorido às apresentações de vídeos, dança, música e teatro que foram prestigiadas por uma grande e entusiasmada plateia que pode apreciar as várias apresentações juntamente com seus familiares e amigos.

Vale lembrar que toda essa programação só foi possível porque contou com uma grande equipe de profissionais e envolveu praticamente todas as secretarias do município, a FUNDACC, o conselho Municipal do Idoso e inúmeros colaboradores e voluntários.  O objetivo primordial do evento foi celebrar a data, valorizar a pessoa idosa, educar a população conscientizando-a que envelhecer faz parte do ciclo vital e que a melhor forma de enfrentar o preconceito é promover a educação da população em geral.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Brilho e Alegria na Festa Junina do CREMI em Caragutatuba

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2012- Brilho e Alegria

Por se tratar de uma festa folclórica e popular, ela ajuda na manutenção da memória e revitaliza as energias dos participantes, aproximando todos num verdadeiro encontro intergeracional.

O mês de junho tradicionalmente é o período das festas juninas e suas festividades acontecem por todo o país com muitas danças, fogueiras e diversão. Assim também é no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.
Os frequentadores do CREMI aguardam ansiosos por esse dia, pois para a maior parte deles, é o momento de reviver a alegria do passado e emocionar-se novamente nos dias de hoje com muita música, dança e guloseimas, como milho, canjica, arroz doce, pipoca, quentão e paçoca.

Várias quadrilhas compostas por idosos e profissionais – Educadores, Terapeutas Ocupacionais, Assistentes Sociais, Voluntários, Ajudantes, etc. – se apresentaram no último dia 22 de junho, tudo com muita alegria e dança. Não faltou diversão.

“Adoro me fantasiar para esta festa, me sinto como uma garotinha”, disse uma animada senhora. “Eu não sei dançar, mas estou me divertindo vendo as quadrilhas”, disse um morador da Vila Dignidade (residencial para idosos do Município), que aproveitou o momento para fazer convite a todos para conhecerem o local, afirmando que gosta muito da sua nova casa: ”Lá é bem legal e tranquilo, vão nos visitar.”

É importante esclarecer que por se tratar de uma festa folclórica e popular, ela ajuda na manutenção da memória e revitaliza as energias dos participantes; portanto, trata-se de um importante evento para ser comemorado com toda a família, aproximando todos num verdadeiro encontro intergeracional que necessita ser mantido vivo.

Vale lembrar que a festa Junina do CREMI contou com o apoio de todos os funcionários e vários voluntários que trabalharam muito para que tudo ocorresse com muito brilho e alegria. Além disso, o evento contou com o patrocínio da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso, da Secretaria da Educação, da Secretaria da Assistência Social e do Conselho do Idoso da Cidade de Caraguatatuba. Parabenizamos os organizadores do evento pela valorização e respeito à pessoa idosa.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Violência contra o idoso: conhecer, combater e denunciar

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Violência contra o idoso: conhecer, combater e denunciar

O dia 15 de junho é o Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa e geralmente acontecem, em diferentes locais do país, seminários, palestras e encontros com familiares, interessados e profissionais numa tentativa de esclarecer o público em geral para essa importante temática cada vez mais urgente devido à crescente longevidade humana.

 

Na cidade de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, aconteceu a palestra Violência contra o Idoso: conhecer, combater e denunciar, proferida por Zally Queiroz, uma iniciativa para chamar a atenção da população local para a causa.

Zally Queiroz iniciou sua conversa com os frequentadores do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade, levando-os a refletirem sobre o que é de fato violência e questionou com os presentes sobre quem já sofreu algum tipo de violência. Nesse instante, muitos idosos deram vários exemplos de momentos por eles vividos. Assim seguiu a exposição da palestrante para um público participativo que acompanhou atentamente as palavras.

Ao longo da palestra, uma cuidadora da plateia fez o público pensar sobre a questão do abuso e da violência praticados pelo idoso ao seu cuidador e afirmou que muitas vezes o cuidador deseja fazer as coisas da melhor forma possível aos idosos, contudo alguns destes tratam estes profissionais com desrespeito e não entendem que a pessoa a sua frente está ali para auxiliá-lo. 

Zally Queiroz deixou claro que todos têm direitos e deveres. Sabe-se que o idoso muitas vezes é vítima, mas, ele também precisa entender que, assim como os demais membros da família, tem deveres; é preciso que todos respeitem uns aos outros.

Zally deixou claro que todos têm direitos e deveres. Sabe-se que o idoso muitas vezes é vítima, mas, ele também precisa entender que, assim como os demais membros da família, tem deveres; é preciso que todos respeitem uns aos outros. Ela lembrou que muitas vezes os idosos, devido às suas doenças, tornam-se agressivos e briguentos, sendo preciso estar atento à manifestação dessas doenças. Ela esclareceu que em alguns casos, por despreparo, a família sente-se estressada devido ao desgaste provocado por alguns cuidados mais complexos, sobretudo quando o idoso perdeu sua autonomia e isso pode levar alguns cuidadores a uma situação limite, pois os desgastes físicos e emocionais em geral aparecem nesse trabalho. Para evitar esse tipo de situação é fundamental o suporte psicológico a todos os envolvidos e principalmente a capacitação com cursos aos familiares e aos profissionais que desempenham a tarefa de cuidadores, que, segundo ela, é uma tarefa que consome muita energia e fragiliza todos os envolvidos.

Segundo ela, cabe também ao idoso procurar ao longo de sua vida se inovar, ser participativo, praticar atividades físicas, cuidar de si no sentido de manter sua qualidade de vida para preservar sua saúde e autonomia. “Se desejamos viver mais e melhor também temos a nossa responsabilidade no processo: é preciso investir no próprio envelhecimento”, disse Zally.

A violência pode ocorrer na forma física, psicológica, econômica, sexual, como negligência, como abandono etc. Conforme o contexto a violência pode ser classificada como estrutural, institucional e intrafamiliar. A palestrante chamou a atenção dos presentes para ficarem atentos e denunciarem às autoridades sempre que notarem algum tipo de violência contra a pessoa idosa e indicou vários locais para fazer isto, como: Ministério Público, Delegacia de Polícia, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Idoso, Centro de Referência Especializada de Assistência Social, Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguatatuba e o Disque 100 (em seguida a opção 2).

Assim foi finalizada a palestra que contou entre outros com a participação da Presidente do Conselho do Idoso Sra. Cida Waack e de Ivy Monteiro, Secretária Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguatatuba.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

II Encontro de Gerações Caraguatatuba

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

II Encontro de Gerações Caraguatatuba

A manhã de sexta-feira do dia 2 de Dezembro de 2011 prometia. Todos os presentes estavam muito ansiosos pela expectativa de finalmente conhecerem a pessoa com a qual trocaram correspondências (cartas). Afinal, ao longo do ano, ao escrever ou ler cada nova correspondência, novas emoções, desabafos, sorrisos, alegrias, desilusões e encantamentos, entre tantas outras emoções, apareciam. Assim o ano passou e o apego pelo correspondente foi sendo vagarosamente construído. Ao longo do ano, acompanhamos várias falas como:

“Hoje minha cabeça está ‘fervendo’, mas preciso me acalmar para escrever para a minha ‘netinha’. Preciso da sua ajuda”.
Palavras de uma senhora do CREMI, momento antes de sentar-se e responder a carta da sua interlocutora.

“Eu tô adorando receber a carta deste menino, acho que ele já é um homenzinho, ele me dá dicas [descreve] de como ele é, então, acho que deve ser um garoto bem forte”
Palavras de outro idoso ao ler uma das cartas recebidas por ele ao longo do ano.

“Você sabe quem é o vovô que me escreveu neste ano?”, perguntou curioso um garotinho assim que desceu do ônibus na chegada ao local de encontro.

São exemplos de fala de alguns participantes. O trabalho da escrita de cartas vem conquistando novas adesões a cada nova correspondência recebida pelos participantes.
Assim, o dia do encontro foi muito aguardado, por todos, gestores e profissionais tanto da Escola Municipal Profa. Aida de Almeida Castro Grazioli quanto do CREMI, mas principalmente entre idosos e crianças.

JOGOS DE ADIVINHAÇÃO

As cadeiras do salão foram organizadas de modo que, os presentes pudessem se olhar e tentar se descobrir a partir de alguns comandos dados pela coordenadora do projeto que sugeriam coisas que pudessem estar escritas nas cartas. Assim, todos foram convidados a se olhar e procurar pelo correspondente. Então lançaram-se frases como: “Quem nasceu na cidade de Caraguatatuba?”, “Quem é de outro estado?”, “Quem correspondeu-se com um menino?”, “Quem correspondeu-se com uma menina?”, “Quem está no projeto pelo segundo ano?”, etc.

Assim criou-se um clima de detetive e de atenção, pois foi necessário pensar nas informações reveladas nas cartas de seus interlocutores e deter-se em alguns detalhes. Na troca de olhares alguns se descobriram e emocionaram-se. Na medida em que a manhã foi passando e os correspondentes revelados, notou-se forte emoção de parte a parte.

Uma das participantes disse: “Eu queria tanto falar um montão de coisas a minha menina, mas na hora só consegui abraçá-la. Eu fiquei muda e meu corpo tremia tanto! Não sei o que me aconteceu. Assim que a vi [a menina] tinha certeza de que era ela a minha correspondente.”

Outro idoso afirmou: “Eu sabia que era ele! Desde que ele chegou aqui!”

Descontração e Música

O encontro ainda contou com momentos de descontração proporcionados pelo Sr. Luiz, de 92 anos, que também participa do projeto desde 2010 e que com sua gaita alegrou a garotada com diferentes músicas, enquanto as crianças esperavam a vez de entrar no ônibus para voltar para a escola ou até, aproveitavam para dançar ao som da gaita. Ele foi muito aplaudido, ao mesmo tempo em que teve de responder sobre curiosidades quanto ao instrumento, desconhecido pela maioria.

Outras Mídias

O Conselho Regional de Psicologia também repercutiu o encontro por meio de seu portal na internet, destacando a reação entre crianças e idosos, além de perfilar a realizadora do projeto. A matéria pode ser acessada aqui:

Apoio

Este trabalho só aconteceu porque existiram várias parcerias, envolvendo muitas pessoas e exigindo muita organização e logística. Assim é fundamental citar alguns nomes que acreditaram na proposta desde o início: Marta Borges, Coordenadora do CREMI, e toda sua equipe de profissionais de diferentes setores; as professoras que trabalharam diretamente com as crianças na elaboração das cartas, Eliana Aparecida Oliveira, Tânia C. Espírito Santo e Katia Aparecida Viana, assim como a coordenadora pedagógica Renata das Neves Silva e a gestora escolar Silvia C. S. Eimert e sua vice Sra. Cassiana S. Welester, além de inúmeras outras pessoas que direta ou indiretamente participaram em diferentes momentos do processo no momento da elaboração das respostas e do envio das cartas aos correspondentes.

O projeto conta ainda com o apoio da secretária municipal da educação Sra. Rute M. Pozzi Casati, do secretário municipal de Assistência Social Sr. Antônio Cornélio de Morais Filho e da presidente do Conselho do Idoso Sra. Cida Waack, todos da cidade de Caraguatatuba, além das famílias dos idosos e das crianças.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Família e Comunidade em foco: Entrevista com Divina dos Santos

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Família e Comunidade em foco: Entrevista com Divina dos Santos

Esta seção da Nova Perspectiva Sistêmica procura trazer para os leitores temas relevantes das áreas de saúde, educação e desenvolvimento social. Neste número, entrevistamos a psicóloga Divina de Fátima dos Santos, pedagoga, psicóloga, mestre em gerontologia e doutoranda em psicologia clínica na PUC-SP.

O trabalho desenvolvido por Divina foi premiado na II Mostra Estadual de Práticas Inovadoras em Psicologia, realizada em dezembro de 2011, pelo Conselho Regional de Psicologia e divulgado no jornal do CRP, edição 172.

O projeto “Encontro de Gerações”, desenvolvido em Caraguatatuba, utiliza a troca de correspondência entre crianças e idosos para desencadear um processo de mudança de atitudes e de construção de valores éticos.

A troca de correspondência, algo aparentemente simples, gerou envolvimento tanto das professoras das crianças, Eliana Aparecida Oliveira, Tânia Espírito Santo e Katia Aparecida Viana, que acompanharam os alunos na produção das cartas, como das famílias dos participantes. Embora não fosse o objetivo do projeto, o interesse em escrever cartas fez com que muitas crianças tomassem consciência de suas dificuldades com a escrita e evoluíssem bastante motivadas pelas tarefas do projeto.

O acompanhamento dos idosos foi feito por Divina em encontros semanais no Centro de Convivência da Melhor Idade – CREMI. Conversando com cada um deles sobre os significados da troca de correspondência, ela verificou como a concepção que tinham sobre as crianças mudava para alguns, enquanto, em outros casos, o ido-so, após o encerramento do projeto, manifestava a vontade de ajudar a criança com quem havia se correspondido em alguma situação de vulnerabilidade.

Da escolha da profissão à Gerontologia

Helena Maffei Cruz (NPS): Como foi o caminho para escolher a psicologia como profissão?

Divina dos Santos (DS): Antes de estudar psicologia, eu me graduei em pedagogia. Acredito que foi um processo natural, pois a interdisciplinaridade, de certa forma, sempre fez parte da minha vida: no meu caso, ambas as graduações se complementam e auxiliam na atuação profissional cuja caminhada sempre se manteve em duas frentes, tanto como educadora quanto como psicóloga, e em distintos locais e com pessoas de diferentes idades.

NPS: O que lhe causou mais interesse durante a graduação?

DS: Foram diversas coisas. Vale lembrar que muitas de minhas descobertas ocorreram na faculdade em ambos os cursos. Passei a maior parte da infância vivendo em um sítio localizado numa cidade pequena no interior do Estado de São Paulo, de modo que as pessoas que estavam à minha volta tinham pouca escolaridade. Tive, porém, a sorte de, em meu caminho, encontrar grandes professores verdadeiramente comprometidos com o ensinar, e me encantei com muita coisa que estudei e li durante a graduação, na qual também tive amigos entusiasmados e que muito me influenciaram ao longo da vida. Além disso, sempre fui bastante interessada por tudo que fiz e faço até hoje. A paixão me move. Algumas disciplinas que fizeram diferença em minha vida foram filosofia e sociologia, por ampliarem minha visão sobre o mundo e me ajudarem a compreender minha realidade.

E a antropologia, que me fez entrar em contato com minhas raízes e entender a miscigenação do povo de nosso país, valorizando-o e respeitando-o nas suas diferenças. Também as várias disciplinas da psicologia, do psicodrama e da psicopedagogia me tornaram mais humana e sensível. Aos poucos, fui amadurecendo e percebendo as diversidades, dificuldades e complexidades do nosso povo ao longo da minha formação, e depois fui percebendo que somos fruto da cultura, da história, do tempo e das oportunidades a nós oferecidas, entre tantas outras coisas. Assim, comecei a me interessar verdadeiramente pelas pessoas, suas alegrias, suas tristezas, suas maneiras de viver e se relacionar com o mundo.

NPS: Como foram seus caminhos profissionais?

DS: Tive a oportunidade de trabalhar com diferentes coisas ao longo da vida. Iniciei meu caminho profissional na área de Recursos Humanos em grandes empresas. Depois, aos poucos, fui direcionada para a área da educação e da psicologia.
Por um longo tempo, prestei atendimento à comunidade, como psicóloga e pesquisadora, nas clínicas-escolas da PUC, da USP e da SOPSP (Sociedade de Psicodrama de São Paulo), enquanto me aprimorava por meio de diferentes cursos de extensão. Desde minha formação em psicologia e em psicopedagogia, também venho trabalhando em consultório particular. Como professora e psicopedagoga, trabalhei com alfabetização no curso de EJA (Educação de Jovens e Adultos) durante muito tempo, com crianças que apresentavam dificuldade de leitura e de escrita nas escolas municipais em convênio com a PUC-SP. Esses trabalhos me fizeram crescer tanto como educadora quanto como psicóloga, no sentido de compreender melhor o ser humano com suas limitações, desejos, perseverança e em relação à superação de desafios nos inúmeros obstáculos existentes na vida de cada um, começando pela fome.

NPS: O que a levou à gerontologia?

DS: Passei boa parte da infância com minha avó e acredito que nossa convivência favoreceu minha admiração, fascínio e interesse em ouvir suas histórias de vida, não apenas as dela, como também a de todas as pessoas idosas que tive a oportunidade de conhecer. Lembre-se de que, quando eu era criança, não existia Internet nem Google. Naquela época, os velhos eram os únicos detentores do saber e eram valorizados por isso.
Tive a experiência de cuidar de meu pai, que sofreu da doença de Alzheimer, vindo a falecer aos 78 anos, período no qual pensei muito sobre a impotência e os limites do ser humano. Sofri e aprendi muito com sua doença e morte. De certa forma, essa experiência também despertou meu interesse em saber mais sobre o processo de envelhecimento, suas limitações e peculiaridade positivas. Penso que todos esses fatores de ordem pessoal, somados ao fato de eu ter trabalhado como professora de EJA na rede SESI–SP (Serviço Social da Indústria), me direcionaram para a Gerontologia.

Quando fui professora de alfabetização de jovens e adultos, a convivência em sala de aula com alunos de idades avançadas, mas cheios de esperanças e desejos por novas conquistas, possibilitou-me experimentar uma vivacidade que me surpreendia nas jornadas de trabalho. Na sala de aula na qual atuava como professora, ocorria, a cada noite, uma troca de energia que é difícil de explicar. Aquilo me fazia sentir renovada e estimulada a correr atrás dos meus sonhos, visto que alguns alunos idosos, até mesmo septuagenários, estavam ali, na minha frente, buscando um sonho que ficou adormecido no tempo, mas não esquecido: o de se alfabetizarem e de se tornarem leitores e poderem desvendar o mundo pelas letras.

Eu ficava curiosa em saber mais sobre aqueles alunos tão especiais e que, naqueles momentos, encontravam uma possibilidade de transformarem suas esperanças em realidade. Fui tomando consciência de minha responsabilidade, pois eles depositavam em mim a possibilidade de concretização de seus sonhos. Embora muito simples, humildes e iletrados, traziam em suas bagagens muitos ensinamentos, experiências de vida e desejos de continuar conquistando as coisas que o mundo contemporâneo oferece, bem como aquelas que não tiveram oportunidade de vivenciar e de aprender quando eram mais jovens. Por isso, digo que minha caminhada para a gerontologia foi bastante influenciada por essa experiência docente.

Origem do Projeto "Encontro de Gerações"

NPS: Como surgiu o projeto “Encontro de Gerações”?

DS: Em verdade, o projeto surgiu inicialmente como um trabalho pedagógico para a EJA: eu queria estimular meus alunos a escrever e melhorar suas narrativas, já que uma das funções de um alfabetizador é ensinar as regras correspondentes básicas e despertar nos alunos o interesse tanto pela leitura quanto pela escrita. Como sabemos, escrever cartas é um excelente recurso pedagógico muito utilizado em escolas. Em geral, meus alunos eram inseguros, tinham medo de escrever e eu precisava encontrar uma forma de estimulá-los e fazê-los superar seus temores, além de tornar o processo de escrita prazeroso para eles. Então convidei outras professoras na escola na qual trabalhava para fazer esse processo de troca de cartas com os alunos (no caso, crianças em processo de escolarização, que estivessem no mesmo nível de aprendizagem, para que, de fato, pudessem compreender e ajudar uns aos outros na aquisição e superação das dificuldades da escrita.

No início, os alunos adultos mais velhos ficaram desconfiados da proposta, e muitos se recusaram a participar do projeto. Eles não acreditavam que crianças tão pequenas fossem capazes de compreendê-los. Além disso, a autoestima deles era tão baixa que não acreditavam que suas histórias de vida pudessem ser interessantes para alguém, principalmente para uma criança. Para motivá-los a participar, exibimos na escola dois filmes importantes, seguidos de debates com os alunos:“Central do Brasil” e“Narradores de Javé”. Após esse trabalho de sensibilização, o medo de não serem aceitos por seus correspondentes foi superado aos poucos. As crianças já tiveram reação diferente e se encantaram com a ideia de poder escrever para estudantes mais velhos. Assim iniciamos o projeto que, pouco a pouco ganhou força e transformou-se em grande sucesso. A princípio, as cartas eram tímidas, com poucas palavras, mas à medida que o tempo foi passando e novas cartas foram trocadas, eles começaram a se soltar. Quando vi a emoção deles no momento de receber, ler e responder as cartas recebidas, notei que essa proposta de trabalho continha muito mais que um simples projeto pedagógico de melhora da escrita. Estava havendo uma grande “transformação” e muito aprendizado para todos os envolvidos. Os dados e resultados desse trabalho estão na minha dissertação, defendida e aprovada na PUC-SP em 2010, intitulada:“Relações intergeracionais: palavras que estimulam.

Atualmente resido em Ubatuba onde, para dar continuidade aos meus estudos de doutoramento, procurei alguns gestores na área de educação e no CREMI (Centro de Referência da Melhor Idade) de Caraguatatuba-SP. Propus o projeto “Encontro de Gerações” às citadas instituições, explicando que este envolvia uma pesquisa de pós–graduação, mas também apresentava alguns benefícios inerentes às suas finalidades. Tive sorte, fui muito bem acolhida e os responsáveis me deram todo apoio. Também encontrei algumas professoras interessadas em participar. Daí iniciamos um trabalho piloto em 2010 para avaliar a reação dos participantes, e, como tudo correu bem, o “Projeto Encontro de Gerações” continua ativo até hoje. Participam dele os idosos do CREMI e as crianças dos 4º e 5º anos do ensino fundamental do município.

Esse é um trabalho que envolve muita gente, por isso é preciso ter muito cuida-do. Afinal, lidamos com os sentimentos e as emoções dos participantes, que, muitas vezes, colocam todo um sonho naquele papel e na pessoa com quem se está intera-gindo. Além disso, há uma logística que precisa ser muito bem planejada, pois, além das crianças e dos idosos, este trabalho reflete diretamente em toda a comunidade escolar e em seus familiares. As professoras trabalham com as crianças, a mim cabe a responsabilidade de trabalhar com os idosos.

Cabe destacar, que sem o apoio das autoridades locais, dos gestores das escolas, das professoras e dos pais dos participantes no projeto e dos funcionários das instituições envolvidas, esse trabalho seria impossível. Eu, que coordeno toda essa logística, sou muito grata a todos que confiam em mim e apoiam essa iniciativa, cujo inestimável suporte tem sido importante para o sucesso de nosso projeto.

NPS: Quem foram seus parceiros teóricos nessa caminhada?

DS: Devo acrescentar que tive uma grande mestra na minha vida, minha avó Roberta, como já disse, grande companheira e responsável por muito do que sou hoje, que, já analisando alguns aspectos da minha formação profissional, me ensinou muitas coisas que não se encontram em livros. Também tive inúmeros e preciosos companheiros teóricos, autores que revolucionaram minha forma de pensar, para citar apenas alguns: Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Pablo Neruda, José Saramago, Jacob Levy Moreno, Carl Gustav Jung, Sigmund Freud, Edgar Morin, Rosa Cukie, Sergio Perazzo, Ivani Fazenda. Claro que nunca poderia me esquecer do apoio que meu marido, também professor, vem prestando ao meu trabalho.

NPS: Quais pressupostos estão presentes na sua prática?

DS: A longevidade é um fato concreto em nosso país, então precisamos aprender a envelhecer. O projeto em pauta permite essa reflexão. De modo geral, infelizmente, a sociedade despreza o velho e tudo que ele representa. Mas é preciso encarar a velhice sob outro prisma, pois todos envelheceremos e, se desejamos ser respeitados na velhice, devemos aprender a respeitar os velhos de hoje, um preceito elementar da boa educação. No processo de troca de cartas, as crianças têm a possibilidade de aprender com uma pessoa idosa e, em geral, diferente do seu meio familiar; com isso, ela termina por tender a ser mais respeitosa com os idosos. Já os idosos têm a possibilidade de passar seus conhecimentos de mundo e suas experiências de vida a alguém interessado em suas histórias, melhorando, com isso, sua autoestima e sua qualidade de vida. Outro dado concreto é que as crianças podem estar solitárias e os idosos geralmente estão, e a possibilidade de trocar cartas elimina o sentimento de solidão de certa forma. E, para as crianças, esta superação da solidão, bem como a interação com alguém com uma experiência acumulada, pode se refletir na superação de um possível fracasso escolar.

NPS: O que mais você gostaria de contar para a nossa revista?

DS: Pessoalmente, eu acredito no ser humano e na vida, penso que vale a pena lutar por um mundo melhor, mais respeitoso e mais justo. O projeto “Encontro de Gerações”, realizado por meio de cartas, me fez ver que a idade não importa, sempre temos muito a ensinar e a aprender e necessitamos estar abertos para ver e compreender os outros, independentemente de sua faixa etária. Este trabalho pode ser reaplicado e multiplicado em diferentes escolas, sempre com respeito e seriedade, a fim de serem atingidos seus sadios objetivos.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica