Semana do Idoso em Caraguatatuba: Celebração à velhice

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2012: Celebração à velhice

A cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte do estado de São Paulo vem se tornando referência no litoral norte e região. Deste modo, ela prestou uma grande homenagem a todos os idosos do município: ao longo de 10 dias (de 22/09/2012 a 01/10/2012) fez uma extensa agenda com uma programação sobre temas relacionados à velhice, envolvendo todas as secretarias municipais e convocando a população idosa, os familiares e todos que direta ou indiretamente estão envolvidos com as questões da longevidade.

 

Sob a coordenação da Sra. Ivy Malerba e da Sra. Zally Queiroz, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso, a programação contou com atividades sociais, educativas, esportivas, culturais, de lazer, de saúde e de cidadania que foram realizadas em diferentes pontos da cidade, visando esclarecer a população de que envelhecer é parte do ciclo vital humano e de que todos estarão sujeitos a essa importante e tão esperada fase da vida. O principal objetivo foi promover e despertar a consciência da população sobre o processo de envelhecimento visando uma velhice mais harmoniosa e equilibrada, mesmo que as limitações decorrentes desse processo se façam presentes. Mas também objetivou despertar a população idosa no sentido de ser mais participativa, convocando-a a ocupar os diferentes espaços que o município disponibiliza a esse segmento populacional.

Em todas as atividades que foram cuidadosamente programadas, o público se fez presente e participou com grande entusiasmo. Muitos idosos chegaram a declarar o quanto estavam felizes e renovados por serem os protagonistas e de poderem participar de várias atividades com seus familiares e amigos, além de sentirem-se valorizados por ocuparem um importante papel na sociedade. Como sabemos, nossa sociedade é plural e conviver com pessoas de diferentes características – sejam elas etárias, geracionais, étnicas, religiosas, sociais, econômicas ou de gênero – é essencial para a formação dos cidadãos e para a promoção de uma sociedade mais respeitosa, equilibrada e saudável

Um dos pontos fortes da festividade foi o envolvimento das escolas municipais na programação. Elas foram convidadas a trabalhar com seus alunos sobre o processo de envelhecimento, objetivando envolver os pequenos numa educação humanitária e assim educar para o envelhecimento. Sabemos que muitas pessoas têm medo da velhice e de envelhecer já que existe um estigma negativo dessa fase da vida que é muito comum no mundo atual. Assim, envolver as escolas na semana de celebração aos idosos é um grande passo em direção ao futuro não apenas das crianças, mas também de suas famílias e de toda a sociedade.

Durante a programação, as Escolas Municipais Prof. João Batista Gardelin e Profa. Aida de Almeida Castro Grazioli – que já participam do projeto “Encontro de Gerações”, coordenado por Divina de Fátima dos Santos – receberam o coral composto por idosas do Centro de Convivência da Terceira Idade Estrela do Mar do município de Caraguatatuba. Elas apresentaram um rico repertório musical, contagiando e conquistando a todos e promovendo um encontro intergeracional. As crianças proporcionaram grande alegria às componentes do coral, aos professores e aos demais presentes, cantando juntos com as idosas: a emoção foi geral. Ao longo da semana as professoras, juntamente com os pequenos, confeccionaram cartões e mensagens que foram entregues às integrantes do coral e, também, aos idosos que frequentam o Centro de Referência da Melhor Idade – CREMI.

As atividades se encerraram no dia 01 de Outubro – data em que se comemora o Dia Internacional da Pessoa Idosa – com inúmeras apresentações de diferentes grupos da terceira idade que deram o tom e o colorido às apresentações de vídeos, dança, música e teatro que foram prestigiadas por uma grande e entusiasmada plateia que pode apreciar as várias apresentações juntamente com seus familiares e amigos.

Vale lembrar que toda essa programação só foi possível porque contou com uma grande equipe de profissionais e envolveu praticamente todas as secretarias do município, a FUNDACC, o conselho Municipal do Idoso e inúmeros colaboradores e voluntários.  O objetivo primordial do evento foi celebrar a data, valorizar a pessoa idosa, educar a população conscientizando-a que envelhecer faz parte do ciclo vital e que a melhor forma de enfrentar o preconceito é promover a educação da população em geral.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Objeto de pesquisa de mestrado é destaque na coluna de Lucila Cano

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Objeto de pesquisa de mestrado é destaque na coluna de Lucila Cano

A colunista abordou o tema do trabalho derivado da pesquisa de mestrado que fora produzido pela Doutora Divina. Reproduzimos a matéria abaixo.

Original:

https://educacao.uol.com.br/colunas/lucila-cano/2012/08/17/palavras-que-estimulam.htm

PALAVRAS QUE ESTIMULAM

Por Lucila Cano
17 de agosto de 2012

Crianças e idosos estão nos extremos da vida. São os mais necessitados de atenção, afeto e compreensão. São os mais vulneráveis ao cotidiano desrespeitoso dos tempos atuais.

Crianças e idosos são um desafio e uma oportunidade para reaprendermos a viver em harmonia. Eles são os protagonistas do projeto Encontro de Gerações, de Divina de Fátima dos Santos, psicóloga e mestre em Gerontologia pela PUC-SP.

O projeto se sustenta na troca de correspondências entre crianças e idosos e na mudança de atitudes e de construção de valores que decorrem dessa interação.

Realizado em Caraguatatuba (SP) ao longo de 2011, o Encontro de Gerações foi premiado na II Mostra Estadual de Práticas Inovadoras em Psicologia, promovida pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo em dezembro passado.

Experiência e mais prêmios

A proposta de aproximar crianças e idosos surgiu quando Divina atuava na área de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em escola do SESI-SP. Na época, ela já se dedicava ao estudo do envelhecimento. Sua pesquisa de mestrado na PUC-SP – “Relações Intergeracionais: palavras que estimulam” – se pautava pelo uso de cartas como forma de comunicação entre crianças e idosos.

A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas com idosos, conteúdos de cartas escritas por estudantes do curso de EJA em fase de alfabetização, com idades entre 18 anos e 72 anos, e crianças do ensino regular de uma das unidades do SESI-SP, na faixa dos 8 anos aos 10 anos.

Havia uma preocupação inicial de melhorar a leitura e a escrita dos alunos, mas alguns fatores contribuíram para ampliar o âmbito do trabalho. Além de aspectos emocionais, relacionados à sua vida pessoal, Divina queria saber por que tantos idosos das aulas de EJA queriam aprender a escrever. Ela também queria entender a forma de interação entre as crianças e os idosos, para poder identificar os significados dessa troca.

Alguns dos temas abordados foram religiosidade, sonhos, palavras certas, o mundo do trabalho e a aposentadoria, a comunicação pictográfica e por símbolos, a troca de olhares. Eles renderam discussões e reflexões. A troca de cartas beneficiou a interação, a mudança de atitudes e a construção de valores éticos para a vida escolar, familiar e social de ambas as partes, crianças e idosos.

Com essa pesquisa, que antecedeu o Encontro de Gerações, Divina obteve o seu diploma de mestrado e conquistou o primeiro lugar em dois eventos de Gerontologia, um no Chile e outro em São Paulo.

Próximos passos

Uma etapa significativa do Encontro de Gerações ocorreu em 2 de dezembro de 2011. Após quase um ano de troca de cartas, idosos e crianças se conheceram pessoalmente. De um lado, eram 54 frequentadores do Centro de Convivência da Melhor Idade (Cremi), onde Divina atua como voluntária, e de outro, 51 alunos da Escola Municipal Professora Aída A. C. Grazioli.

Segundo a pesquisadora, “a correspondência serve para que tanto idosos quanto crianças se expressem, falem de suas vidas, expectativas, dificuldades. Um aspecto positivo é o quanto os idosos se sentem valorizados, porque percebem que a sua experiência é significativa na relação com as crianças. Mães de crianças que participaram do projeto relataram melhoras no relacionamento familiar e até no processo pedagógico, porque muitas delas superaram dificuldades com a escrita”.

Para a tese de doutorado em Psicologia Clínica, também pela PUC-SP, Divina segue trabalhando no projeto, em Caraguatatuba. Além da Escola Aída A. C. Grazioli, conta com os alunos do 4º ano da Escola Municipal Prof. João Batista Gardelin. Ao todo, participam da troca de cartas 60 idosos e 60 crianças do ensino fundamental de ambas as escolas.

Nas palavras de sua idealizadora, “o Encontro de Gerações estimula o convívio respeitoso de parte a parte. Além das mudanças de comportamento no convívio social, familiar e escolar, essa interação favorece a prática de valores, como a tolerância e o respeito, entre pessoas de idades e classes sociais distintas”.

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* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

 

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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética (a coluna).

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Brilho e Alegria na Festa Junina do CREMI em Caragutatuba

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Festa Junina CREMI 2012- Brilho e Alegria

Por se tratar de uma festa folclórica e popular, ela ajuda na manutenção da memória e revitaliza as energias dos participantes, aproximando todos num verdadeiro encontro intergeracional.

O mês de junho tradicionalmente é o período das festas juninas e suas festividades acontecem por todo o país com muitas danças, fogueiras e diversão. Assim também é no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.
Os frequentadores do CREMI aguardam ansiosos por esse dia, pois para a maior parte deles, é o momento de reviver a alegria do passado e emocionar-se novamente nos dias de hoje com muita música, dança e guloseimas, como milho, canjica, arroz doce, pipoca, quentão e paçoca.

Várias quadrilhas compostas por idosos e profissionais – Educadores, Terapeutas Ocupacionais, Assistentes Sociais, Voluntários, Ajudantes, etc. – se apresentaram no último dia 22 de junho, tudo com muita alegria e dança. Não faltou diversão.

“Adoro me fantasiar para esta festa, me sinto como uma garotinha”, disse uma animada senhora. “Eu não sei dançar, mas estou me divertindo vendo as quadrilhas”, disse um morador da Vila Dignidade (residencial para idosos do Município), que aproveitou o momento para fazer convite a todos para conhecerem o local, afirmando que gosta muito da sua nova casa: ”Lá é bem legal e tranquilo, vão nos visitar.”

É importante esclarecer que por se tratar de uma festa folclórica e popular, ela ajuda na manutenção da memória e revitaliza as energias dos participantes; portanto, trata-se de um importante evento para ser comemorado com toda a família, aproximando todos num verdadeiro encontro intergeracional que necessita ser mantido vivo.

Vale lembrar que a festa Junina do CREMI contou com o apoio de todos os funcionários e vários voluntários que trabalharam muito para que tudo ocorresse com muito brilho e alegria. Além disso, o evento contou com o patrocínio da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso, da Secretaria da Educação, da Secretaria da Assistência Social e do Conselho do Idoso da Cidade de Caraguatatuba. Parabenizamos os organizadores do evento pela valorização e respeito à pessoa idosa.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Violência contra o idoso: conhecer, combater e denunciar

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Violência contra o idoso: conhecer, combater e denunciar

O dia 15 de junho é o Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa e geralmente acontecem, em diferentes locais do país, seminários, palestras e encontros com familiares, interessados e profissionais numa tentativa de esclarecer o público em geral para essa importante temática cada vez mais urgente devido à crescente longevidade humana.

 

Na cidade de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, aconteceu a palestra Violência contra o Idoso: conhecer, combater e denunciar, proferida por Zally Queiroz, uma iniciativa para chamar a atenção da população local para a causa.

Zally Queiroz iniciou sua conversa com os frequentadores do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade, levando-os a refletirem sobre o que é de fato violência e questionou com os presentes sobre quem já sofreu algum tipo de violência. Nesse instante, muitos idosos deram vários exemplos de momentos por eles vividos. Assim seguiu a exposição da palestrante para um público participativo que acompanhou atentamente as palavras.

Ao longo da palestra, uma cuidadora da plateia fez o público pensar sobre a questão do abuso e da violência praticados pelo idoso ao seu cuidador e afirmou que muitas vezes o cuidador deseja fazer as coisas da melhor forma possível aos idosos, contudo alguns destes tratam estes profissionais com desrespeito e não entendem que a pessoa a sua frente está ali para auxiliá-lo. 

Zally Queiroz deixou claro que todos têm direitos e deveres. Sabe-se que o idoso muitas vezes é vítima, mas, ele também precisa entender que, assim como os demais membros da família, tem deveres; é preciso que todos respeitem uns aos outros.

Zally deixou claro que todos têm direitos e deveres. Sabe-se que o idoso muitas vezes é vítima, mas, ele também precisa entender que, assim como os demais membros da família, tem deveres; é preciso que todos respeitem uns aos outros. Ela lembrou que muitas vezes os idosos, devido às suas doenças, tornam-se agressivos e briguentos, sendo preciso estar atento à manifestação dessas doenças. Ela esclareceu que em alguns casos, por despreparo, a família sente-se estressada devido ao desgaste provocado por alguns cuidados mais complexos, sobretudo quando o idoso perdeu sua autonomia e isso pode levar alguns cuidadores a uma situação limite, pois os desgastes físicos e emocionais em geral aparecem nesse trabalho. Para evitar esse tipo de situação é fundamental o suporte psicológico a todos os envolvidos e principalmente a capacitação com cursos aos familiares e aos profissionais que desempenham a tarefa de cuidadores, que, segundo ela, é uma tarefa que consome muita energia e fragiliza todos os envolvidos.

Segundo ela, cabe também ao idoso procurar ao longo de sua vida se inovar, ser participativo, praticar atividades físicas, cuidar de si no sentido de manter sua qualidade de vida para preservar sua saúde e autonomia. “Se desejamos viver mais e melhor também temos a nossa responsabilidade no processo: é preciso investir no próprio envelhecimento”, disse Zally.

A violência pode ocorrer na forma física, psicológica, econômica, sexual, como negligência, como abandono etc. Conforme o contexto a violência pode ser classificada como estrutural, institucional e intrafamiliar. A palestrante chamou a atenção dos presentes para ficarem atentos e denunciarem às autoridades sempre que notarem algum tipo de violência contra a pessoa idosa e indicou vários locais para fazer isto, como: Ministério Público, Delegacia de Polícia, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Idoso, Centro de Referência Especializada de Assistência Social, Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguatatuba e o Disque 100 (em seguida a opção 2).

Assim foi finalizada a palestra que contou entre outros com a participação da Presidente do Conselho do Idoso Sra. Cida Waack e de Ivy Monteiro, Secretária Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguatatuba.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Roda de Conversa: Longevidade e Velhice

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Roda de Conversa: Longevidade e Velhice

Por: Divina de Fátima dos Santos;
Sonia Fuentes

O Conselho Regional de Psicologia por meio da sua Subsede no Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo em parceria com a UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba – em São José dos Campos promoveu no dia 29.03.2012 a Roda de Conversa sobre a temática Longevidade e Velhice, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para os anos alargados de nossa velhice.

Esta atividade objetivou refletir sobre o assunto com psicólogos e outros profissionais que atuam na área, de modo a falar um pouco das suas experiências e, dessa forma, estimular outros profissionais a prepararem-se melhor no exercício do trabalho com idosos, o que exige qualificação, consciência da responsabilidade e respeito às necessidades do público “envelhescente”.

O número de idosos vem crescendo e, com o aumento da longevidade, cresce também a necessidade de que mais profissionais estejam preparados para atendê-los e dar suporte ao público idoso em todas as suas demandas.

Com um auditório lotado e bastante interessado no tema, as três palestrantes da noite falaram um pouco das suas experiências no trabalho com idosos. Entre os inscritos para o evento estavam estudantes do curso de especialização em Gerontologia oferecida pela própria Universidade, assim como psicólogos, assistentes sociais, pessoas da comunidade e, também, alguns idosos. Foi uma conversa repleta de informações e novidades, com os assuntos versando sobre os pontos descritos a seguir.

O crescimento do número dos velhos no mundo e a forma com que o mundo está envelhecendo são informações que emanam das estatísticas existentes. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje o Brasil chega quase a 20 milhões de idosos, a projeção é a de que em 2050 teremos aproximadamente 64 milhões. Entre os idosos acima de 90 anos, no ano de 2000 tínhamos 261mil brasileiros; em 2010 esta porcentagem saltou para 75% e o número foi para 449 mil idosos. E existem algumas pesquisas e notícias que apontam a possibilidade de se chegar até a idade de 150 anos no futuro (encarte Jornal Valor –Ano 12 –N 575, de 4 de Novembro de 2011).

Mas será que vale a pena viver tanto? Quais as consequências desta empreitada? Não queremos só prolongar a vida, mas também melhorar a saúde de cada um. Nunca se falou tanto em manter-se jovem e bem cuidado como neste século. Há gostos para tudo e para todos, e também para os diferentes bolsos. Você poderá bancar as 150 pílulas que a Glória Maria consome diariamente para manter-se jovem? Quais seriam as consequências imediatas de viver mais de cem anos?

No que se refere ao papel, às ações e aos trabalhos possíveis do psicogerontólogo, foi traçado um painel histórico do envolvimento da Psicologia com a causa do envelhecimento desde Freud, passando por seus seguidores , Eric Erickson e Jung, até  alguns dos profissionais e pesquisadores atuais como Birman, Goldfarb e Messy.

Quais os campos, ações e locais, onde estudantes voltados ao estudo da Gerontologia podem atuar? Alguns dos novos desafios são apresentados a seguir: criar projetos, ações e oficinas que visem o bem-estar não só físico, mas também social e psicológico para o idoso; criar consultorias para orientar trabalhos para idosos nas Instituições de Longa Permanência; escrever manuais, jornais e notícias voltadas para esta parcela etária; dar aulas de graduação na formação de gerontólogos, em cursos de especialização, comunidades, centros de referências e universidades da maturidade. São, portanto, muitos os campos de atuação profissional e com certeza outros virão.

Divina de Fátima dos Santos, Psicóloga e Mestre em Gerontologia, abordou na noite os assuntos relacionados à família contemporânea e à longevidade. E propôs uma pergunta: Que idoso é este de hoje no ano de 2012? Diante da complexidade em que se encontram as famílias contemporâneas, é preciso também saber que família é esta. É necessário contextualizar, antes de atuar, para abordar melhor a importância do trabalho intergeracional e também do apoio familiar e da melhoria da autoimagem, como consequência destas intervenções.

A Psicóloga e Mestre em Gerontologia, Mariângela Faggionato, discursou sobre seu trabalho com os idosos por meio de oficinas ambientais com o objetivo de preservar a área do Forjo na APA (Área de Proteção Ambiental), na Serra da Mantiqueira, em Campos do Jordão. Este foi um trabalho muito interessante e que resultou num livro de nome “Paralelos de vida”.

Ao perceber o interesse do público em conhecer as experiências em relação ao tema do envelhecimento, a Doutoranda em Psicologia e Mestre em Gerontologia da PUC-SP, Sonia Fuentes, contou sobre sua entrada no campo da Gerontologia, descrevendo a sua trajetória, os percalços e o envolvimento crescente com as questões do envelhecimento entrelaçadas com seus interesses pessoais. Abordou a sua tese de mestrado intitulada “As várias faces do cuidar de si” e contou como foi entrevistar dez profissionais “top” de linha da área do envelhecimento; apesar destes profissionais conhecerem a fundo a Gerontologia, ficou claro que também têm dificuldades em cumprir os “cuidados de si”, relacionados às regras de bem viver propagadas pela mídia que se direcionam na maioria ao cuidar do seu corpo físico. No entanto, em relação à liberdade de escolha de como, onde e quando se cuidar, considerou que estes profissionais conseguem seguir seu livre arbítrio e cuidam de si mesmos de acordo com seus limites e interesses. Não há uma regra de bem viver: pensar isto, seria o mesmo que acreditar que existe uma só velhice e um só modo de envelhecer. É preciso ampliar  nosso olhar e acolher toda a diversidade que se apresenta no envelhecimento.

Ao final do encontro, muitos elogios foram feitos tanto as palestrantes que demonstraram total domínio e grande conhecimento do tema em pauta, quanto à iniciativa do CRP em promover tal debate.

As palestrantes agradeceram à UNIVAP e ao CRP-Vale pela confiança e pela oportunidade concedida em expor seus conhecimentos, bem como de refletir sobre esse tão necessário campo de atuação tanto para os psicólogos quanto para os demais profissionais e sobre a necessidade de especializar-se nas questões do envelhecimento humano.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

II Encontro de Gerações Caraguatatuba

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

II Encontro de Gerações Caraguatatuba

A manhã de sexta-feira do dia 2 de Dezembro de 2011 prometia. Todos os presentes estavam muito ansiosos pela expectativa de finalmente conhecerem a pessoa com a qual trocaram correspondências (cartas). Afinal, ao longo do ano, ao escrever ou ler cada nova correspondência, novas emoções, desabafos, sorrisos, alegrias, desilusões e encantamentos, entre tantas outras emoções, apareciam. Assim o ano passou e o apego pelo correspondente foi sendo vagarosamente construído. Ao longo do ano, acompanhamos várias falas como:

“Hoje minha cabeça está ‘fervendo’, mas preciso me acalmar para escrever para a minha ‘netinha’. Preciso da sua ajuda”.
Palavras de uma senhora do CREMI, momento antes de sentar-se e responder a carta da sua interlocutora.

“Eu tô adorando receber a carta deste menino, acho que ele já é um homenzinho, ele me dá dicas [descreve] de como ele é, então, acho que deve ser um garoto bem forte”
Palavras de outro idoso ao ler uma das cartas recebidas por ele ao longo do ano.

“Você sabe quem é o vovô que me escreveu neste ano?”, perguntou curioso um garotinho assim que desceu do ônibus na chegada ao local de encontro.

São exemplos de fala de alguns participantes. O trabalho da escrita de cartas vem conquistando novas adesões a cada nova correspondência recebida pelos participantes.
Assim, o dia do encontro foi muito aguardado, por todos, gestores e profissionais tanto da Escola Municipal Profa. Aida de Almeida Castro Grazioli quanto do CREMI, mas principalmente entre idosos e crianças.

JOGOS DE ADIVINHAÇÃO

As cadeiras do salão foram organizadas de modo que, os presentes pudessem se olhar e tentar se descobrir a partir de alguns comandos dados pela coordenadora do projeto que sugeriam coisas que pudessem estar escritas nas cartas. Assim, todos foram convidados a se olhar e procurar pelo correspondente. Então lançaram-se frases como: “Quem nasceu na cidade de Caraguatatuba?”, “Quem é de outro estado?”, “Quem correspondeu-se com um menino?”, “Quem correspondeu-se com uma menina?”, “Quem está no projeto pelo segundo ano?”, etc.

Assim criou-se um clima de detetive e de atenção, pois foi necessário pensar nas informações reveladas nas cartas de seus interlocutores e deter-se em alguns detalhes. Na troca de olhares alguns se descobriram e emocionaram-se. Na medida em que a manhã foi passando e os correspondentes revelados, notou-se forte emoção de parte a parte.

Uma das participantes disse: “Eu queria tanto falar um montão de coisas a minha menina, mas na hora só consegui abraçá-la. Eu fiquei muda e meu corpo tremia tanto! Não sei o que me aconteceu. Assim que a vi [a menina] tinha certeza de que era ela a minha correspondente.”

Outro idoso afirmou: “Eu sabia que era ele! Desde que ele chegou aqui!”

Descontração e Música

O encontro ainda contou com momentos de descontração proporcionados pelo Sr. Luiz, de 92 anos, que também participa do projeto desde 2010 e que com sua gaita alegrou a garotada com diferentes músicas, enquanto as crianças esperavam a vez de entrar no ônibus para voltar para a escola ou até, aproveitavam para dançar ao som da gaita. Ele foi muito aplaudido, ao mesmo tempo em que teve de responder sobre curiosidades quanto ao instrumento, desconhecido pela maioria.

Outras Mídias

O Conselho Regional de Psicologia também repercutiu o encontro por meio de seu portal na internet, destacando a reação entre crianças e idosos, além de perfilar a realizadora do projeto. A matéria pode ser acessada aqui:

Apoio

Este trabalho só aconteceu porque existiram várias parcerias, envolvendo muitas pessoas e exigindo muita organização e logística. Assim é fundamental citar alguns nomes que acreditaram na proposta desde o início: Marta Borges, Coordenadora do CREMI, e toda sua equipe de profissionais de diferentes setores; as professoras que trabalharam diretamente com as crianças na elaboração das cartas, Eliana Aparecida Oliveira, Tânia C. Espírito Santo e Katia Aparecida Viana, assim como a coordenadora pedagógica Renata das Neves Silva e a gestora escolar Silvia C. S. Eimert e sua vice Sra. Cassiana S. Welester, além de inúmeras outras pessoas que direta ou indiretamente participaram em diferentes momentos do processo no momento da elaboração das respostas e do envio das cartas aos correspondentes.

O projeto conta ainda com o apoio da secretária municipal da educação Sra. Rute M. Pozzi Casati, do secretário municipal de Assistência Social Sr. Antônio Cornélio de Morais Filho e da presidente do Conselho do Idoso Sra. Cida Waack, todos da cidade de Caraguatatuba, além das famílias dos idosos e das crianças.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2011: Envelhecer é viver

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Semana do Idoso em Caraguatatuba 2011: Envelhecer é viver

Caraguatatuba promove evento com objetivo de eliminar a invisibilidade da pessoa que envelhece. Aliás, essa é a maior queixa de grande parte dos idosos do litoral Norte de São Paulo.

A cidade de Caraguatatuba no litoral Norte de São Paulo vem se destacando na região e se tornando exemplo a ser seguido pelas cidades vizinhas no que se refere ao tratamento dado a pessoa idosa. Neste ano de 2011, com apoio de várias entidades, tivemos uma intensa agenda dedicada aos eventos comemorativos para a semana do idoso. Dessa forma, as autoridades locais, organizadores e parceiros ampliaram o calendário do município destinado ao tema.

O objetivo do evento foi chamar a atenção da população local no sentido de eliminar a invisibilidade da pessoa que envelhece. Aliás, essa é a maior queixa de grande parte dos idosos. Eles afirmam que, conforme vão envelhecendo vão sendo esquecidos e ignorados por boa parte da sociedade e, muitas vezes, inclusive, pelos próprios familiares. A prefeitura da cidade, por meio das suas secretarias da Educação, da Saúde, dos Esportes, da Assistência Social e do Turismo, entre outras secretarias, promoveu uma grande mobilização na cidade, para quebrar essa “invisibilidade” e despertar nas pessoas a sensibilidade para entender que envelhecer faz parte do processo humano: estamos todos envelhecendo e, certamente, seremos velhos algum dia, basta deixar o tempo passar. Assim sendo, se desejamos ser respeitados nas nossas velhices, devemos já educar e conscientizar as pessoas sobre o assunto.

Início das atividades

Os eventos comemorativos da semana da pessoa idosa tiveram início no dia 17/09/2011 no Centro Esportivo da cidade, com uma grande festa, pois nesse dia, além da abertura oficial, ocorreram várias atividades esportivas. Um dos objetivos foi a realização da eliminatória de diferentes modalidades esportivas, cujas competições integram os jogos do JOREMI – Jogos Regionais Municipais do Idoso – que se estenderam até o final do dia 18/09/2011. Dessa forma, com a realização das competições, definiram-se os representantes da cidade de Caraguatatuba no JORI – Jogos Regionais do Idoso.

Segundo os organizadores, a proposta de realizar os jogos juntamente com a comemoração da semana do idoso, visava sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de praticarem algum esporte, de manterem-se ativos e, dessa forma, prevenirem doenças e promover uma melhor qualidade de vida como um todo, assim estimulando as pessoas de todas as idades participantes desse evento a iniciarem alguma modalidade esportiva que melhor se adequasse ao estilo de vida de cada um, não necessariamente visando uma competição.

O terceiro dia de atividades ocorreu no CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – sob a coordenação de Marta Borges que contou com toda a sua equipe de profissionais e vários voluntários. Com uma equipe bastante dedicada à causa do idoso, todos foram sensíveis de modo a preparar inúmeras atividades para seus frequentadores, bem como para seus familiares. Todos foram convidados a participar de vivências estimuladoras que incluíram atividades recreativas, ginásticas e produções manuais com o objetivo de elevar a autoestima dos idosos, e assim torná-los mais participativos tantos em seus lares como na sociedade. Estas atividades provocaram momentos de autorreflexão e estimularam a ação e a participação social de forma mais relevante em suas vidas.

Mas não foi só isso, nesse dia, o CREMI recebeu a visita das crianças da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) da cidade, que fizeram várias apresentações de dança e música para os presentes. As apresentações foram de tal sensibilidade e delicadeza que provocaram grandes emoções aos presentes. Alguns idosos chegaram a falar que ao assistir as apresentações das crianças ficaram mais fortalecidos e com mais vontade de conquistar desejos adormecidos, inclusive voltando a sonhar. “Nada é impossível!” disse Sr. Francisco (78 anos) após ver a apresentação das crianças.

Com o apoio da Secretaria do Esporte, os moradores dos bairros mais afastados do centro da cidade, como as regiões sul (Bairro Travessão) e norte (Bairro Massaguaçu), também vivenciaram diferentes atividades recreativas e esportivas. Os idosos puderam participar de todos os eventos com seus familiares e amigos, neste caso, o objetivo foi envolver a família de forma a estimular e aproximar pessoas de diferentes idades e interesses. Para que todos pudessem participar, professores e organizadores realizaram atividades variadas e interativas.

Uma lembrança àqueles comumente esquecidos

Uma das queixas pontuadas por vários idosos membros do Conselho dos Idosos, como a sua atual presidente, a Sra. Cida Waak, foi em relação aos idosos das casas asilares que normalmente são esquecidos tanto pela sociedade quanto por muito de seus próprios familiares. Segundo sua fala, a semana do idoso deveria também contemplar o despertar para a consciência das pessoas nestas condições.

Para contemplar essa necessidade, os organizadores do evento programaram uma tarde de visita ao Lar Pró Mais Vida e ao Lar Vila Vicentina. Sob o comando das professoras de Dança Sênior, Maria José, e de Ginástica, Amanda Marques, com a participação de muitos idosos frequentadores do CREMI e a colaboração dos responsáveis dos locais foi promovida uma tarde de atividades diferenciadas como músicas e brincadeiras envolvendo e incluindo os residentes destas instituições, o que tornou a tarde mais agradável e descontraída. A visita foi aprovada pela maioria dos internos presentes, já que alguns deles informaram que raramente recebem visitas de familiares e que o encontro trouxe um pouco de alegria aos residentes. Alguns se emocionaram e solicitaram a nós que o encontro da tarde se repita em outras oportunidades. “Você precisa vir aqui nos visitar mais vezes para conversar mais com a gente” disse um senhor, que vive ali a apenas seis meses, à psicóloga Divina dos Santos e, muito emocionado apertou com bastante força a sua mão no momento de se despedir, num gesto claro de agradecimento. O CCTI – Centro de Convivência da Terceira Idade reservou o dia de sábado (24/09/2011) para desenvolver suas atividades para com os idosos, seus familiares e toda a comunidade local. Nesse dia, a ordem foi se descontrair, relaxar e melhorar as relações sociais e a qualidade de vida com atividades que favoreçam as novas relações.

No dia 27/09/2011, a festa foi na Praça Candido Mota e contou com a participação de todos os idosos, familiares, convidados e pessoas que passavam pela praça. A Universidade Aberta da Terceira Idade do Centro Universitário Módulo marcou presença com uma exposição de quadros e a performance do coral com seus alunos para os presentes.

A proposta visava chamar a atenção dos populares e moradores locais convidando-os a participarem do evento para fazê-los compreender que independentemente da idade das pessoas, o mais importante é a sua vivacidade, os seus desejos e os seus sonhos. Sim! Os idosos também sonham. Assim sendo, o objetivo era que os participantes desse evento, que tivessem em seu meio uma pessoa idosa, como avô, avó, bisavô, bisavó ou vizinho, passassem a olhar com um olhar mais respeitoso para essa pessoa. Afinal, o desejo dos “envelhecentes” é poder viver com dignidade, independentemente da idade e da classe social. Assim, todos ali presentes puderam participar de jogos, brincadeiras, palestras informativas e inúmeras outras atividades apresentadas na praça, tomando consciência de seus papeis no mundo atual.

Após esta intensa programação, a finalização das atividades foi no dia internacional da pessoa idosa (01/10/2011) com um grande baile promovido pela Associação dos Aposentados da cidade em grande estilo, agitando toda a comunidade.

A proposta visava chamar a atenção dos populares e moradores locais convidando-os a participarem do evento para fazê-los compreender que independentemente da idade das pessoas, o mais importante é a sua vivacidade, os seus desejos e os seus sonhos. Sim! Os idosos também sonham. Assim sendo, o objetivo era que os participantes desse evento, que tivessem em seu meio uma pessoa idosa, como avô, avó, bisavô, bisavó ou vizinho, passassem a olhar com um olhar mais respeitoso para essa pessoa. Afinal, o desejo dos “envelhecentes” é poder viver com dignidade, independentemente da idade e da classe social. Assim, todos ali presentes puderam participar de jogos, brincadeiras, palestras informativas e inúmeras outras atividades apresentadas na praça, tomando consciência de seus papeis no mundo atual.

Após esta intensa programação, a finalização das atividades foi no dia internacional da pessoa idosa (01/10/2011) com um grande baile promovido pela Associação dos Aposentados da cidade em grande estilo, agitando toda a comunidade.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Homenagem às mães, avós, bisavós e tataravós

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Homenagem às mães, avós, bisavós e tataravós

Os idosos participantes do CREMI fazem questão de registrar com muita alegria de que viver é muito bom.

No mês das mães, o CREMI- Centro de Referência da Melhor Idade da cidade de Caraguatatuba/SP fez uma grande festa que reuniu mães, avós, bisavós, tataravós, seus familiares e amigos. Todos os participantes tiveram a oportunidade de relembrar momentos do passado e celebrar o futuro ao declarar amor à vida.

Entre as homenagens tivemos danças, teatros, músicas e até um repentista que se revezaram no palco para que os presentes pudessem apreciar e se divertir, juntamente com seus filhos, netos e bisnetos.

Notamos que o fortalecimento do convívio intergeracional e do respeito mútuo tem valorizado e proporcionado orgulho entre os envelhescentes de suas próprias idades. Os idosos participantes do CREMI fazem questão de registrar com muita alegria de que viver é muito bom e que sentem-se privilegiados em poder dividir com os amigos presentes mais este momento. Outros disseram que é preciso ter fé, ser perseverante, além de não desanimar diante das inúmeras dificuldades, pois, uma pessoa positiva e feliz supera mais facilmente os desafios do dia a dia.

“Sinto-me privilegiada por poder participar deste momento, afinal já tenho 84 anos, sei que meu tempo esta acabando, mas permanecerei viva através dos meus netos e bisnestos. Isso me dá ânimo para continuar vivendo” disse a Sra. Aparecida Garcia.

O tataravô Sr. Luiz da Silva de 94 anos tocou sua gaita e declamou poesias a todas as mulheres presentes e agradeceu à coordenadora do CREMI, a Sra. Marta Borges, pela organização do evento.

 A Sra. Cida Waak de 83 anos, presidente do conselho do idoso da cidade, brincou com as amigas “Se você somar as idades desta mesa verá que somos mais de meio milhar”, ou seja, mais de 500. “Eu vivo cada minuto da minha vida com muito trabalho e muito prazer”.

Mas vale lembrar que poder estar ao lado de tantas pessoas interessantes, experientes e conhecedoras de uma riquíssima cultura, também proporciona aos mais jovens um grande aprendizado de vida que certamente permitirá que eles se prepararem também para o futuro e o envelhecimento. Afinal, ainda não sabemos o quanto viveremos, mas sabemos que queremos continuar a viver.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Confraternização CREMI 2010

A finalização das atividades do CREMI seguiu de festa e confraternização, que não foram afetadas mesmo com as volumosas chuvas naturais de dezembro

As chuvas que sempre assolam a região do Litoral Norte nesta época do ano não impediram a realização de  um dia de festa e confraternização com a finalização de todas as atividades promovidas pelo CREMI- Centro de Referência da Melhor Idade da cidade de Caraguatatuba.

Nesse dia, a festa foi direcionada a familiares, aos idosos e às crianças que participaram de diferentes projetos direcionados ao público envelhescente. Este dia foi celebrado pelos idosos com muita dança, música e arte, sendo assim um encontro marcado por grandes emoções.

Entre essas atividades de encerramento, tivemos o encontro dos participantes do projeto “Aproximando Gerações pela Escrita”, coordenado por Divina de Fátima dos Santos que envolveu a troca de correspondências (cartas) entre os idosos do CREMI e as crianças dos 4º e 5º anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Aída de Almeida Castro Grazioli do município de Caraguatatuba.  

Um dos objetivos desse projeto foi o de promover o encontro de pessoas de idades distintas, além de integrar e romper barreiras e assim aproximar os diferentes numa tentativa de proporcionar maior flexibilidade e respeito entre pessoas de diversas idades.

Mas não foi só isso, o projeto visou, também, auxiliar as crianças pedagogicamente, pois a troca de cartas possibilita a melhora da leitura e da escrita, ampliando o conhecimento do vocabulário, das regras gramaticais e da língua portuguesa para aqueles que estão em fase de escolarização.

Neste ano, foram 80 participantes de ambos os sexos, sendo 40 crianças e 40 idosos que tiveram a oportunidade de corresponderem-se ao longo do segundo semestre e assim conhecerem outra pessoa diferente do seu círculo habitual de amizade.

É preciso lembra que devido à vida contemporânea, crianças, jovens, adultos e idosos quase não têm tempo de compartilhar suas vidas e encontros intergeracionais são cada vez mais raros. Esse tipo de trabalho ajuda a fortalecer a estabilidade emocional e os laços familiares que se iniciam a princípio na escola ou nos centros de convivência para idosos e que podem expandir-se para outros locais de convivência dessas pessoas. Nesse sentido, mesmos não sendo avós e netos consanguíneos, os participantes deste projeto tiveram a oportunidade de relacionarem-se como se tivessem ao seu lado um avô(ó) ou um neto(a) e isso pode auxiliar e fortalecer a ambos

Agradecemos aos Gestores da Escola Aída de Almeida Castro Grazioli, à Coordenadora Pedagógica Laura, às professoras das crianças que bravamente abraçaram a ideia e encararam o desafio do projeto, às Secretarias da Educação e da Assistência Social da cidade de Caraguatatuba e à Coordenadora Marta Borges do CREMI, pois todos compreenderam a relevância e amplitude social do projeto, facilitando a realização desta proposta.

“Vó é palavra mágica,

Feita de favos de mel,

Por fadas do bem querer,

Ser avó é ter desejos de mudanças,

Aceitar pacificamente as mudanças dos desejos…

É quebra de paradigmas.

Conquista de novos olhares,

São diferentes visões de mundo,

Num mundo mais colorido,

Feito de pura emoção que segue a cada momento,

A cada dia a explodir de prazer o coração,

De excesso de emoção…”

(Maria JoséA. Araújo apud Almeida, Vera)

RevistaEsesc n.5 – 2010

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Respeito? Sim! Privilégios? Não!

Esse foi o slogan da campanha que deu início às comemorações da Semana do Idoso entre os dias 21 e 26 de setembro de 2010, na Cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Ao todo, foram seis dias com atividades variadas, todas direcionadas ao público envelhescente.

Um dos objetivos dos organizadores do evento foi chamar a atenção das famílias e da comunidade local para esse segmento da população que vem crescendo na região, já que alguns sofrem com o abandono e o descaso de parentes, e são esquecidos e ignorados em seu meio social.

                O evento foi um verdadeiro sucesso de público do primeiro ao último dia e recebeu pessoas de toda a região. Elas foram convidadas a participar das inúmeras atividades previamente planejadas e organizadas por toda a equipe de profissionais e de voluntários do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade – coordenado pela Sra. Marta Borges e pela presidente do Conselho do Idoso, Sra. Cida Waak. Ambas se dedicaram pessoalmente pela realização do evento e estavam muito felizes com a participação do público.

A fonoaudióloga Mariana Tolosa e a terapeuta ocupacional Elizabeth Escaño disseram que esse tipo de evento ajuda os idosos a sentirem-se mais respeitados e valorizados, já que para a sociedade, eles muitas vezes são invisíveis. A estagiária de educação física Amanda Marques disse que adora trabalhar com a terceira idade e que com este convívio passou a valorizar coisas que antes não dava atenção. Lúcia e Marco – da secretaria de esporte de Caraguatatuba – disseram que a cada dia de trabalho com os idosos no CREMI, eles ganham força para superar seus próprios limites.

                Caraguatatuba vem se destacando no litoral norte como pioneira na valorização e nos investimentos específicos para a pessoa idosa. A cidade tem se tornado uma das mais escolhidas entre os aposentados que buscam nela um lugar agradável e acolhedor para desfrutar a vida na envelhescência.

A cerimônia oficial de abertura do evento contou com a participação do prefeito da cidade Antonio Carlos, do vice-prefeito Antonio Carlos Junior, da secretária de Assistência Social Márcia de Medeiros, assim como de alguns líderes religiosos locais e de outros representantes de setores de destaque da cidade, mas a grande estrela da noite foram os idosos que lotaram o Auditório do Clube Ilha Morena.

O dia de abertura contou com a apresentação da Dança Sênior realizada por idosos, alunos das professoras Maria José e Mara, que foram ensaiados especialmente para o evento. Alguns deles se emocionaram no momento da apresentação e por poderem mostrar aos seus familiares um pouco das coisas que estão aprendendo nos espaços que os acolhem, seja o CREMI, a Associação dos Aposentados ou o CCTI – Centro de Convivência da terceira Idade “Estrela do Mar”.

Foram inúmeras as atrações e no final da tarde do primeiro dia tivemos uma palestra sobre sustentabilidade com o biólogo André Cabral, seguida de um coquetel ao som do músico argentino Juan Bruera.

No segundo dia as festividades iniciaram bem cedo. Às 9 horas os idosos foram convidados a participarem no espaço do Clube Ilha Morena de um torneio de pesca; outros puderam fazer atividades variadas como as gincanas elaboradas pela equipe do esporte liderada por Lúcia Gardelin e sua equipe que comandaram diferentes jogos e brincadeiras. Mas não foi só isso! Os idosos puderam escrever e declamar poesias de suas autorias ao longo do dia em diferentes momentos, num estímulo pela valorização literária que revelou novos talentos.

A nutricionista Aline Roberta e a cozinheira chefe Sonia Rosa do CREMI comandaram uma equipe de profissionais e voluntários no preparo do almoço do dia oferecido a mais de 190 pessoas idosas que após degustarem a deliciosa refeição foram convidados a assistir o filme “Elza e Fred”. Após o seu término, ocorreu um debate sobre os temas abordados pelo filme que foi coordenado pela pesquisadora do Programa de Gerontologia da PUC-SP Divina Santos, o qual teve grande repercussão e ressonância entre a plateia. Após o debate, alguns idosos agradeceram a oportunidade, pois relataram que ao ver o filme, sentiram-se mais fortalecidos na busca de sua felicidade, afirmando que nunca é tarde para viver plenamente a vida.

                A inauguração da praça do idoso ocorreu no dia 23/09/10, que conta com equipamentos de exercícios para alongamentos que podem ser utilizado de forma autônoma pelos seus frequentadores. A inauguração que contou com a presença das autoridades locais e de vários idosos e ocorreu após uma caminhada ao longo da cidade.

No dia seguinte, os idosos e seus familiares puderam apreciar e curtir a noite no Teatro Mario Covas com atividades promovidas pela FUNDACC (Fundação Cultural de Caraguatatuba) e que contou com apresentações musicais, de piano, de teatro e de dança, dentre outras, todas realizadas por artistas locais e com temáticas voltadas ao público idoso e seus familiares. Um dos destaques da noite foi a dança de salão apresentada por Gloria Leontina (secretária do conselho do Idoso) e seu parceiro.

                A região também valorizou artesãos locais e, em vários dias do evento foram exibidas as bonecas caiçaras. Trata-se da imortalização dos povos caiçaras naturais da região que foram transformados em bonecas confeccionadas com produtos recicláveis, em grande parte por materiais de descarte de pesca de moradores locais. Estas bonecas, que representam as senhoras e senhores pescadores caiçaras, já receberam inúmeros prêmios no exterior devido a sua história e originalidade.

Na noite de sábado, como não poderia ser diferente, o CREMI ofereceu um baile para a terceira idade. O salão ficou lotado pelos amantes da dança; alguns idosos relataram que a música e a dança os mantêm vivos e longe da depressão.

O ultimo dia foi marcado com um almoço comemorativo de encerramento das festividades oferecido pelo presidente do CCTI (Sr. Roberto) e sua esposa (Sra. Marisa) aos idosos asilares no Clube de Convivência Estrela do Mar. Foram mais de 40 idosos que degustaram e prestigiaram o momento que também contou com danças e brincadeiras. Os idosos também homenagearam a Sra. Marta Borges pelo seu esforço e empenho juntamente com sua equipe de profissionais e de colaboradores.

O destaque das festividades da cidade foi o presente dado ao idoso da região com a inauguração da praça do idoso. Mas a maior conquista desse evento foi a grande mobilização da comunidade local e de seus familiares no respeito a velhice. Este é seguramente um exemplo a ser seguido pelos demais municípios e autoridades do país no sentido de ter um olhar diferenciado para a velhice, afinal somos todos envelhescentes.

O evento mobilizou inúmeros setores da cidade e contou com o apoio do Lions Clube de Caragua, do Conselho do Idoso, das Secretarias de Assistência Social, da Educação, do Esporte e Recreação, da Saúde e também da FUNDACC, da Associação dos Aposentados da Cidade, do CCTI e do CREMI.

Parabéns a todos aqueles que direta ou indiretamente participaram da realização deste evento num verdadeiro ato de cidadania!

Abaixo segue poema escrito e declamado no evento pela senhora Terezinha Ferreira dos Santos, freqüentadora do CREMI que revela seu sentimento quando chegou nesse local pela primeira vez. Talvez ela seja uma porta voz de muitos idosos que ali estão.

“Uma História Real”

Na manhã do dia 4 de Março

Sai de casa sem destino de lugar

Meu desespero era tanto

Chorava de soluçar.

Uma igreja eu avistei

Entrei para rezar

Depois de longa conversa

Só falava e chorava

Nenhuma palavra ouvia

De alguém pra me ajudar.

No banco da praça, em frente,

Sozinha me assentei

E de todos os lados olhei

Vi uma banca de jornal

Até lá eu caminhei

E um deles eu peguei

Seu nome é A Melhor Idade

As lagrimas enxuguei

E ainda com dificuldade

Li somente um pedacinho

E emocionada fiquei.

 

CREMI

Abre inscrições para atividades de idosos

(Bem embaixo) Próximo à Rodoviária.

Sai para procurar

O bendito lugar

Me mandaram pra lá, pra cá,

E nada de encontrar,

Desanimada fiquei.

A ultima tentativa pensai

Custou muito, mas agora acertei.

Com muita vergonha cheguei

Por grande porta de vidro entrei

E todos os lados olhei.

Um imenso salão vazio.

No momento me assustei.

De um lado do salão

Um anjo me apareceu

Muito lindo e com sorriso

Alegre me recebeu

Com o jornalzinho na mão

O motivo lhe contei

Porque fui para ali

Em silêncio me ouviu.

Me animou e me abraçou

E com muita delicadeza

Um cafezinho serviu.

Já me senti protegida

Lhe contei que não ouvia

Com muita simpatia

Em um papelzinho escreveu,

Que eu poderia voltar,

Dia e hora até marcou.

Quinta-feira dia 11, às 10 horas

Para a oficina da memória.

Não vi passar os dias

Contei todos os minutos

A minha resposta estava ali

Por isso que na Igreja, não ouvi.

Fui levada por Jesus.

Entrei para o céu em vida

Muitos anjos conheci

Professora Maria José. Mariana.

Amanda. Lucia.

Não vou citar mais nomes

Para não correr o risco

De esquecer algum

Mas amo todos vocês

Só que um todo especial.

O primeiro que encontrei

Tem um nome tão pequeno

E um coração tão grande

Gentil e carinhoso.

Com cinco letras escrevo

MARTA

Você foi enviada por Deus

Para coordenar, e nos ajudar.

Nesta terra de muitas histórias

Vou acrescentar mais uma

Que começou tão triste

Mas acabou com um final feliz

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica