Oficina de Estímulo à Memória na Universidade Aberta

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Oficina de Estímulo à Memória na Universidade Aberta

Durante a quinta-feira, 23/11/23 estudantes do curso de Psicologia participaram das atividades da Universidade Aberta – uma parceria entre Módulo e SEPEDI.
A atividade contou com a presença do palestrante gerontologo e estudante de Psicologia Alex Ferreira, que elaborou uma oficina com diversos estímulos à Memória.
A ação proporcionou uma tarde envolvente de exercícios que estimularam a criatividade, a lógica, a memória,  levando à sensações que deixou os participantes com desejo de repetir a experiência.

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Abaixo, imagens do evento:

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Expo + Fórum e Coquetel marcam o lançamento do livro Intergercionalidade: Cartas na Mesa

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Expo + Fórum e Coquetel marcam o lançamento do livro Intergercionalidade: Cartas na Mesa

Baseado na pesquisa desenvolvida por Divina de Fátima dos Santos, durante a produção de sua tese de doutorado, o livro Intergeracionalidade: Cartas na Mesa teve seu lançamento oficializado entre os meses de setembro e outubro de 2019.

Sua pré-venda teve início na ocasião do evento Expo+Fórum da Longevidade, sediado na ExpoCenter em São Paulo no dia 29 de setembro e que contou com a participação de diversos profissionais que atuam no setor de qualidade de vida.

No primeiro dia do mês de outubro, também na cidade de São Paulo, Divina promoveu o coquetel de lançamento de sua obra. A celebração ocorreu no Espaço Vila dos Louros, na Vila Madalena e reuniu amigos e familiares que apreciaram momentos de confraternização durante o lançamento oficial de Intergeracionalidade: Cartas na Mesa.

Confira as imagens abaixo!

Pré-venda na Expo+Fórum da Longevidade

Coquetel de lançamento

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

A arte de morar só e ser feliz na velhice

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

A arte de morar só e ser feliz na velhice

Divina Fátima Santos
Ana Maria R. Tomazzoni
Flamínia Manzano Moreira Lodovici
Suzana da A.Rocha Medeiros

Este estudo visa a analisar os motivos que levam uma pessoa a viver sozinha na terceira idade e o que ela pensa a respeito da ILPI – Instituição de Longa Permanência para Idosos. Como uma das etapas da pesquisa, realizamos entrevistas com 15 pessoas idosas que vivem sozinhas, de ambos os sexos, com idades variando dos 60 aos 93 anos e diferentes graus de instrução, que vivem em São Paulo, Grande ABCD (SP) e em uma cidade de Santa Catarina. Nosso objetivo inicial foi tentar entender as razões pela opção solitária de moradia, uma vez que vem crescendo o número de pessoas idosas que vivem sozinhas, em parte devido à longevidade humana que ora se verifica. Trata-se de uma análise qualitativa efetuada a partir das respostas dos idosos entrevistados, obtidas no primeiro semestre de 2010. Verificou-se que morar só, no sentido de ter autonomia, independência, pode ser desejo de muitas pessoas como condição para ser feliz, embora se constate quase como uma impossibilidade para grande parte da população.

Velhice e Moradia

O Brasil, do mesmo modo que outros países desenvolvidos, já sabe que tem um novo desafio – a velhice – com as consequências que isso acarreta. Uma delas é a questão de onde morar. Até agora falávamos em convivência de três gerações; doravante teremos de inserir uma quarta geração, pela maior expectativa de vida apresentada pelas pessoas, conforme dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). A estimativa da OMS é de que existam 670 milhões de homens e mulheres com mais de 60 anos no mundo. Em 2050, eles serão 1,97 bilhão, um crescimento de cerca de 200%.

A expectativa de vida da humanidade, que era de 50 anos em meados do século XX, saltou para 80 anos em 2010. No Brasil era de 43 anos em 1945, e hoje é de 73. O IBGE já projeta uma inversão no perfil demográfico do país, com mais idosos do que jovens, para logo mais, em 2030, ou seja, dentro de 20 anos.

Esses números dão uma clara dimensão da reflexão necessária e das medidas que têm de ser tomadas por governos, sociedades, empresas e pessoas, para que todos possam enfrentar na hora certa o que a nova realidade começa a impor.

Ao falar em velhice, faz-se necessário pensar de forma ampla e desse modo compreender o envelhecimento como fenômeno multifacetado e particularizado ao mesmo tempo, pois a velhice é constituída por características específicas (biológicas, sociais, psicológicas, históricas, culturais, de gênero) que formam um todo, o complexo ser idoso.

Essa complexidade, associada à diversidade desse ser idoso, revela comportamentos, ações e desejos únicos e heterogêneos, diretamente interligados na relação entre ser e ambiente e, nesse contexto, entre o idoso e sua moradia.

Vemos, portanto, que a relação entre o idoso e sua moradia representa a expressão de sua identidade, com as suas marcas significativas e pessoais, para a construção de seu meio de proteção e de bem-estar, um espaço próprio sob seu domínio e controle.

Para ter acesso ao artigo completo, clique aqui!

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Livro sobre relações triangulares conta com participação de docente do Centro Universitário Módulo

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Livro sobre relações triangulares conta com participação da professora Dra Divina

Por Patrícia Pereira

O artigo “avós, filhos e netos – um estudo sobre relações intergeracionais”, de autoria de Divina de Fátima dos Santos, docente do Centro Universitário Módulo (Caraguatatuba/SP) e da Faculdade de São Sebastião (FASS), e de Gabriela Garcia Plaza Teixeira e Renata Plaza Teixeira, integra o livro “Relações triangulares: dois é bom, três é demais?”, publicado pela Juruá Editora. O lançamento da obra ocorreu no dia 3 de setembro de 2019 na Livraria da Vila, no Jardim Paulista, em São Paulo/SP.

Professora Divina explica que a obra surgiu a partir de uma reflexão sobre como viver em sociedade nos tempos atuais e como as pessoas se relacionam entre seus graus de parentesco.De acordo com ela, a linguagem é acessível e permite aos estudantes elucidarem conceitos, fornecendo também ao leitor leigo a compreensão da dinâmica familiar com exemplos do cotidiano.

Entre os temas do livro estão: família e relações familiares, casamento intercultural, temática do casamento, bullying escolar e seus motivos, o nascimento dos filhos, trans-geracionalidade e depressão, crianças em terapia, família e escola, entre outros abordados nos capítulos. A temática do artigo do qual a docente do Módulo participou aborda questões referentes às relações vivenciadas entre gerações. “Trata-se de como se dá a relação entre avós, filhos e netos, gerações que coabitam, dividem, se educam, reeducam, trocam experiências entre si no meio interno e externo”, disse Divina.

O artigo da professora é encontrado no 39º capítulo e contém 22 páginas. Todas autoras do livro fazem parte de um grupo de pesquisa de famílias, da PUC/SP, sob orientação da professora CeneideCerveny. Para a produção dos textos, as autoras desenvolveram pesquisas sobre triangulações familiares. “O tema é contínuo, com diversas perspectivas a serem abordadas”, completou a docente.

Saiba mais sobre a autora

Divina de Fátima dos Santos é doutora em psicologia clínica (2015) e mestre em gerontologia social (2010) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Tem graduação em pedagogia pela faculdade de educação da PUC/SP na habilitação administração escolar (2007) e em orientação educacional pela Universidade Paulista (1992) e graduação em psicologia clínica pela Universidade Paulista (1996). A docente tem ainda especialização em psicodrama (2002) e em psicopedagogia (2005) pela PUC/SP. Atualmente, Divina é professora dos cursos de graduação e pós-graduação do Centro Universitário Módulo, em Caraguatatuba (SP), e da Faculdade São Sebastião (FASS), onde coordena o núcleo de apoio psicológico e psicopedagógico dos alunos. A docente é colaboradora do www.portaldoenvelhecimento.org.br e do Conselho Regional de Psicologia do Vale de Paraíba e Litoral Norte de São Paulo, além de desenvolver pesquisas envolvendo encontros intergeracionais, coeducação entre gerações e escrita terapêutica.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Breve reflexão sobre a intergeracionalidade na pesquisa científica

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Breve reflexão sobre a intergeracionalidade na pesquisa científica

02/03/2019 José Carlos Ferrigno

Devemos cultivar a humildade, a paciência, a perseverança e, sobretudo, a capacidade de auto-observação durante nossas investigações sobre a intergeracionalidade.

Atividades, projetos e programas intergeracionais têm se multiplicado dentro e fora do Brasil desde os anos 90, a partir da percepção de que a aproximação de velhos e jovens pode se constituir como uma resposta ao distanciamento ou até mesmo aos conflitos de geração. Comumente compostas por atividades lúdicas, culturais e de lazer, tais programas são voltados para a coeducação e a solidariedade etária. Também podem se apresentar em ações voluntárias e militantes, adquirindo mais fortemente um caráter assistencial e/ou político. Nesse caso, temos gerações ombro a ombro trabalhando em prol da comunidade, como é o caso das comissões intergeracionais em ações comunitárias, sobretudo na Inglaterra e na Alemanha, países em que esse tipo de intervenção se encontra mais desenvolvida.

As ações intergeracionais também podem ser percebidas como aliadas na luta contra discriminações ao “diferente”, perfilando-se ao lado das mobilizações contra o preconceito à mulher, ao negro, ao homossexual, ao imigrante etc. De fato, tanto o velho quanto a criança e também o adolescente não são devidamente respeitados em seus direitos e na expressão de seus desejos e potencialidades, como bem ressalta Divina dos Santos em sua tese de doutorado (SANTOS, pp.40-41). Mas, felizmente, há resistência a essa opressão, é bom lembrar Simone de Beauvoir quando ela nos fala sobre a salutar cumplicidade de avós e netos na resistência às imposições do dono e da dona da casa, a chamada geração intermediária, frequentemente detentora do poder econômico, físico e psicológico no ambiente familiar (BEAUVIOR, 1990, p. 270). Também por isso, a relação avós e netos é especial porque pode ser um contraponto ao nosso contexto socioeconômico marcado pela competição, pelo individualismo e pelo consumismo.

A intergeracionalidade merece uma abordagem científica. Nesse sentido, como devemos agir como pesquisadores das relações intergeracionais? Como abordar os entrevistados? Ecléa Bosi em “O Tempo Vivo a Memória”, no capítulo intitulado “Sugestões para um jovem pesquisador” nos diz: “Às vezes falta ao pesquisador maturidade afetiva ou mesmo formação histórica para compreender a maneira de ser do depoente(ou de nossos sujeitos jovens e velhos, diria eu). Somos em geral (prossegue a autora) prisioneiros de nossas representações, mas somos também desafiados a transpor esse limite, acompanhando o ritmo da pesquisa” (BOSI, 2003, p. 61). Nessa perspectiva, penso que devemos cultivar a humildade, a paciência, a perseverança e, sobretudo, a capacidade de auto-observação durante nossas investigações.

Ainda bebendo do rico manancial nos deixado por Ecléa, na mesma obra acima citada, dessa vez no capítulo “Entre a opinião e o estereótipo”, ela comenta a alvissareira possibilidade do pesquisador desenvolver amor por seu objeto de estudo e de sua ação profissional. Assim o fazendo, ela sugere que mais do que a aquisição de técnicas, pode-se falar, então, de uma conversão à causa de pessoas oprimidas e estigmatizadas (BOSI, 2003, p. 61).

Outro aspecto que considero importante é a compreensão de que a ciência nos solicita parcimônia em nossas conclusões. Devemos ser econômicos em relação aos resultados de nossas pesquisas, evitando afirmações categóricas, por mais sedutoras que possam ser. É um longo processo, decorrente de uma prática constante e sistematizada. É a práxis, reflexão resultante da digestão e da assimilação de nossas práticas cotidianas. Determinadas ações que desencadeamos, em uma primeira etapa, são movimentos que levam a uma sensibilização, uma espécie de prontidão para começar a pensar no assunto. A mudança de atitudes e comportamentos demanda tempo. Isso vale para pessoas e para instituições.

“O pesquisador deve ser sensível e aderir à causa de seus sujeitos. Quando estudamos as gerações, devemos estudá-las não como algo estranho à nossa natureza, como um objeto de estudo em relação ao qual mantemos distância em uma (impossível) neutralidade. Mas sim com nossa própria geração, nossas experiências, nossa história de relação com os mais velhos e com os mais novos. Já fomos crianças, seremos velhos (ou já somos)”

Cora Coralina, durante entrevista no Sesc Pompéia, em São Paulo no ano de 1982, ao ser perguntada sobre o que achava da idade que tinha respondeu: “Eu tenho dentro de mim todas as idades, da criança, da moça e da velha”. Essa experiência interna nos fornece elementos importantes para pensarmos sobre as gerações. Devemos estar alerta para o valor da empatia, pois devemos nos esforçar para entender o sentido que nossos sujeitos pesquisados dão às suas vidas, suas escolhas, representações, desejos e posição no mundo, para sondarmos e descobrirmos algo dos profundos de sua subjetividade. O tempo dirá sobre a eficácia dos programas intergeracionais. O ideal é que no futuro, ações dessa natureza não sejam mais necessárias, na medida em que recuperarmos o vigor da vida comunitária (se o recuperarmos). As perspectivas desses programas são promissoras, mas, elas não são panaceias, não tem o poder de revolucionar as relações sociais. É preciso lembrar que as dificuldades do diálogo intergeracional devem ser compreendidas no contexto maior das relações humanas no mundo em que vivemos. Portanto, em última instância, o bom convívio entre pais e filhos, avós e netos, velhos e moços dentro e fora da família depende da transformação radical das estruturas econômicas e de suas superestruturas políticas. Quando se trabalha com o objetivo da aproximação de pessoas marcadas pela diferença, no nosso caso a etária, o primeiro passo é buscar que se familiarizem umas com as outras. Nesse caminho as diferenças são paulatinamente conhecidas e, posteriormente, na melhor das circunstâncias, aceitas. O grau máximo desse processo é o desenvolvimento da admiração pelo outro por ele possuir algo que me falta e daí desejar sua presença para que se dê essa complementação, na forma de um constante aprendizado recíproco. Temos aí uma relação igualitária, sem dominação. Mais uma vez, recordo Ecléa Bosi quando pondera: Quando duas culturas se defrontam, não como predador e presa, mas como diferentes formas de existir, uma é para a outra como uma revelação” (BOSI, 2003, p. 175). Isso vale para povos, isso vale para pessoas.

Referências
BEAUVOIR. Simone de. Velhice. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira, 1990.
BOSI, Ecléa. Sugestões para um jovem pesquisador. In: BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Atelier Editorial, 2003.
SANTOS, Divina de Fátima dos. Olha para mim: encontro de gerações intermediado pela escrita de cartas. Tese de doutorado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2015.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Manual da Longevidade – Guia para a Melhoria da Qualidade de Vida os Idosos

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Manual da Longevidade - Guia para a Melhoria da Qualidade de Vida os Idosos

Manual da Longevidade - Guia para a Melhoria da Qualidade de Vida dos Idosos

O livro aborda aspectos do envelhecimento focando nas perspectivas trazidas por tal processo. Para isso, a obra conta com a participação de especialistas que apresentam estudos e reflexões sobre identidade, lazer, cultura, saúde entre outros assuntos que se relacionam às pessoas idosas. O tema do envelhecimento ainda carrega diversas questões sobre mudanças, qualidade de vida e sobre a compreensão de modo geral sobre essa importante tapa da vida.

Avôs e Netos na Contemporaneidade

Por Divina de Fátima dos Santos e Jucileide do Socorro Tavares Maciel

Numa sociedade marcada pela pluralidade, por culturas diferenciadas, por valores cada vez mais pessoais, pensar na família enquanto referência, tem se mostrado muito difícil, na medida em que se observa um novo contexto social que, segundo Wagner (2011), é marcado por um novo panorama que assinala a necessidade de tratar de “famílias” no plural, descartando a singularidade.

Partindo desse pressuposto, é importante considerar o pluralismo contextual, as regras sociais e as atitudes, bem como a evolução da sociedade (aumento da oferta de trabalho, avanço da tecnologia e processo de globalização). Isto por sua vez tem implicado em novas demandas sociais (incremento da competitividade, aumento do desemprego estrutural e precariedade populacional).

O futuro da organização familiar é colocado em discussão, haja vista, que vários são os modelos ora instalados, o que resulta em mudanças paradigmáticas. Repensar a questão identitária da família, suscita refletir também sobre os valores e padrões, tarefa considerada difícil, na medida em que, segundo Wagner (2011), as famílias conjugais, monoparentais, de 2º casamento, homoafetivas, entre outras, funcionam direcionadas às suas respectivas composições.

Pensar em modelos de família significa a priori compreendê-los como um sistema que se caracteriza por grupos de pessoas com especificidades e com papéis próprios. Portanto, este sistema independente do modelo é formado por membros que ora se aproximam e ora se distanciam. Estes membros estabelecem acordos e regras, mas às vezes apresentam dificuldades em manter a demarcação das fronteiras que caracterizam as relações sociais.

No âmbito das discussões e dos papeis relacionados à família, é fundamental refletir sobre o papel dos avós nessa sociedade marcada pela heterogeneidade. Segundo Leite (2002), crianças e velhos são sujeitos não reconhecíveis pela sociedade. Os velhos “porque já foram e as crianças porque ainda não são” (FERRIGNO, 2003). Observa-se nesse contexto uma discriminação concreta, como se a eles o presente não pertencesse. Na tentativa de se manter no contexto dessas tensões, avós e netos procuram insistentemente realizar ações que contestem o quadro supracitado. Segundo os autores, estes sujeitos são mediatizados pela cultura num trabalho de criação, recriação, produção e reprodução; por outro lado, contraditoriamente são descartados como se não fizessem parte dessa mesma cultura.

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Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Cartas Intergeracionais: seus efeitos e significados

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Cartas Intergeracionais: seus efeitos e significados

O Brasil tem atualmente 11,8% da população de idosos, e é previsto que em 2025 seja a 6ª maior população de idosos do mundo. Por este motivo, diversos recursos de trabalho para esta população vêm sendo desenvolvidos, uma dessas são as práticas Intergeracionais (BODSTEIN; LIMA; BARROS, 2014).

Para Goldfarb e Lopes (2006 apud Santos, Cerveny e Silveira, 2012), a aproximação de diferentes gerações, inclusive entre crianças e idosos, pode promover e facilitar crescimentos para ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo de viver plenamente a vida cultural e social.

Escrever cartas na escola é uma prática comum para as crianças no Ensino Fundamental, apesar de parecer coisa ultrapassada na atualidade devido a tecnologia, o uso quase exclusivo de computadores e celulares com internet. Portanto, pode-se questionar a função da escrita de cartas neste contexto. De acordo com Santos, Cerveny e Silveira (2012, p. 112) “escrever cartas constitui-se uma das inúmeras maneiras possíveis de entrar em contato com outras pessoas com as quais podemos iniciar ou manter um relacionamento”.

Em um centro de referência para a terceira idade de Caraguatatuba foi realizado o projeto “Encontro de Gerações”, baseado em trocas mensais de correspondências entre idosos que frequentam o centro e crianças na faixa de 10 anos que são estudantes do ensino fundamental da rede municipal de ensino (SANTOS; CERVENY; SILVEIRA, 2012).

A troca de cartas promoveu a autoria, além de ativar a imaginação das crianças e dos idosos. A prática também se torna um recurso de estimulação da memória, na medida em que os idosos escrevem sobre suas experiências passadas. “Escrever dá “vida” e significado a um pequeno pedaço de papel tecnicamente sem valor, além de tornar presente os ausentes” (SANTOS; CERVENY; SILVEIRA, 2012, p. 113).

De acordo com Pennebaker e Beall (1986 apud Santos, Cerveny e Silveira, 2012) a escrita funciona como um recurso de ressignificação de si e dos outros pela influência no comportamento das pessoas, uma vez que passam a acreditar mais em si mesmas. As palavras escritas são relatos que podem revelar sentimentos e significados. Não são recursos inventados pela psicologia, mas disparam aspectos cognitivos, afetivos e emocionais, mobilizam relações potentes, pois são abertas e abrem os processos de significação.

A partir disto, sugere-se que a troca de Cartas Intergeracionais se qualifica como uma tecnologia psicossocial, pois é um processo que estabelece relações “intercessoras”, ou seja, produz algo entre os sujeitos, é um processo que existe para os idosos e para as crianças e não teria existência sem o momento da relação em processo. Portanto, este processo caracteriza-se como uma tecnologia psicossocial pela potência de agenciar o encontro, de possibilitar trocas, relações de acolhimento e estabelecimento de vínculo (MERHY; FRANCO, 2003).

Dito de outra forma, a utilização de um processo sistematizado, que consiste na troca de correspondências entre idosos de uma instituição e criança de uma escola, é um “processo de construção social, política, cultural, subjetiva”, que configura “um novo sentido para as práticas assistenciais, tendo como consequência o impacto nos resultados a serem obtidos” (MERHY; FRANCO, 2003, p. 09).

Esta tecnologia psicossocial poderia ser aplicada, por exemplo, nos atuais Centro de Convivência do Idoso (CCI). Neste serviço, são organizados grupos de convivência, com uma média de 20 participantes, e encontros de duas horas semanais. As atividades são planejadas com o objetivo de contribuir para o processo de envelhecimento saudável, autonomia, sociabilidade e fortalecimento de vínculos.

Atividades Intergeracionais são conhecidas pelos trabalhadores deste serviço, contudo a novidade está nas cartas como dispositivo, e no “manejo” do vínculo entre as crianças e os idosos que é viabilizado. Este processo pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia, na medida em que o idoso escreve sozinho as suas cartas, escolhe o conteúdo da comunicação, e lê as que são endereçadas a ele. Além disso, muitas memórias podem ser evocadas e, novos sentidos produzidos.




REFERÊNCIAS
BODSTEIN, Airton; LIMA, Valéria Vanda Azevedo de;  BARROS, Angela Maria Abreu de. A vulnerabilidade do idoso em situações de desastres: necessidade de uma política de resiliência eficaz. Ambiente & Sociedade, v.17, n.2, pp.157-174, 2014.

MERHY, Emerson Elias; FRANCO, Túlio Batista. Por uma composição técnica do trabalho centrada nas tecnologias leves e no campo relacional. Saúde em debate, v. 27, n.65, Rio de Janeiro, 2003.

SANTOS, Divina de Fátima dos; CERVENY, Ceneide Maria de Oliveira; SILVEIRA, Nadia Dumara Ruiz. Vivendo, escrevendo e reescrevendo a vida: Encontros Intergeracionais. Revista Portal da Divulgação, n. 28, ano III, p. 111-117, 2012. Disponível em: . Acesso em 25 mai. 2016.



Fonte: Plataforma Psicossociais

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão – Idoso Carta de Bertioga 2013

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão Idoso - Carta de Bertioga 2013

Como parte das comemorações dos 50 anos do Trabalho Social com Idosos, programa pioneiro no Brasil realizado pelo Serviço Social do Comércio – Sesc – , cerca de 120 profissionais e lideranças idosas, entre técnicos, especialistas, pesquisadores, educadores e gestores, vinculados à questão da velhice e do envelhecimento, vindos de todo o Brasil, do Chile e de Portugal, estiveram reunidos de 8 a 11 de setembro de 2013, no Sesc Bertioga em São Paulo.

Neste Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão Idoso foram analisadas as atuais políticas públicas brasileiras voltadas para a velhice e propostas nas áreas de Formação e Educação Permanente:

Autonomia, Direitos e Cidadania; Gerações e Intergeracionalidade; e Cuidado e Relações Sociais.

Como resultado dessa reunião foram consolidadas as seguintes estratégias: Socioeducativas e intergeracionais; Midiáticas; Financeiras e Fiscais; Políticas intersetoriais e de cuidado, etc.  Tais estratégias estão fundamentadas na visão de um cenário mais favorável em relação ao atual momento que vivemos.

Num país contrastante como o nosso, é mais apropriado falarmos em velhices. Registre-se a posição consensual desse grupo de trabalho: as ações públicas e privadas ainda estão muito distantes do ideal para

a promoção de um envelhecimento digno. A maioria dos brasileiros sofre com a carência de serviços públicos adequados e preparados para lidar com as especificidades introduzidas pela velhice, nas áreas

de previdência, assistência, saúde, educação, cultura, lazer, trabalho, justiça, habitação, transporte, dentre outros.

Acrescentem-se o individualismo, a competição e o consumismo decorrentes dos valores predominantes de nossa época que penalizam de modo especial os velhos, vistos preconceituosamente como seres desprovidos de competências e, portanto, de serventia social. 

No Dia Internacional do Idoso, 1º de outubro de 2013, os participantes deste Fórum apresentam à sociedade brasileira, como resultado das discussões, as perspectivas e estratégias para o aperfeiçoamento das políticas sociais, com vistas a elevar a pessoa idosa a sua plena cidadania.

O Fórum considera a realidade do envelhecimento da população brasileira para as próximas décadas e antevê um cenário futuro de efetivação de políticas setoriais e de direitos, com maior protagonismo, participação social e cidadã da pessoa idosa. O pleno exercício do Controle Social Democrático se fará em articulação com o Estado e a sociedade civil organizada por meio do monitoramento dessas políticas.

Para esse cenário favorável é importante cultivar relações responsáveis, solidárias, intergeracionais e coeducativas para que se concretizem estratégias imediatas e continuadas que permitam ao conjunto da sociedade brasileira a garantia de visibilidade da diversidade na velhice, da intergeracionalidade e protagonismo da pessoa idosa; educação plena; cuidado digno e da participação da sociedade civil envolvida no monitoramento das políticas públicas.

Algumas imagens dos diferentes grupos de trabalhos

Visibilidade Da Diversidade Na Velhice, Da Intergeracionalidade E Do Protagonismo Da Pessoa Idosa 

A pessoa idosa terá suas diferenças valorizadas porque o envelhecimento será reconhecido como uma realidade social e individual única que demanda:

    1.  Interação intergeracional em novos arranjos familiares de maneira compreensiva e respeitosa;
    2. Preparação corporativa, antes e após a aposentadoria, para a participação de pessoas idosas, buscando abolir todas as formas de discriminação etária no mundo do trabalho;
    3. Programas que abordem e valorizem o protagonismo da pessoa idosa, a intergeracionalidade e as diferentes velhices;
    4. Relações intergeracionais frequentes e solidárias nos ambientes de participação social e em outros espaços compartilhados como: sindicatos, movimentos sociais, conselhos, condomínios, partidos políticos, clubes, fóruns, conferências etc.

Educação Plena

No sistema educacional como um todo, formal e informal, haverá:

  1.  Respeito e compreensão intergeracional em um ambiente de mútuo entendimento entre crianças, jovens, adultos jovens e adultos idosos;
  2.  Politização dos sujeitos sociais e reforço a experiências e ações socioeducativas intergeracionais que ultrapassem as próprias fronteiras;
  3.  Programas de capacitação e formação via instituições públicas e privadas que atuem no âmbito do envelhecimento para instrumentalizar os integrantes das organizações comunitárias, a fim de que exerçam o monitoramento das políticas públicas;
  4.  Espaços públicos intergeracionais, inclusive escolas abertas nos finais de semana, com a participação simultânea, a inclusão digital e o acesso a informações, via mídias e meios de comunicação, que contemplem a autonomia e a garantia de direitos dos cidadãos de todas as gerações;
  5.  Utilização de inovações científicas, sociais e tecnológicas que favoreçam o envelhecimento, o cuidado e as relações sociais;
  6.  Inclusão da temática do envelhecimento em todos os cursos de graduação e oferta de cursos universitários para profissionais voltados ao envelhecimento humano e ao cuidado digno em todas as esferas de atenção à pessoa idosa;
  7.  Apoio a pesquisas e criação de instrumentos para um diálogo entre a produção de conhecimentos e as políticas públicas relacionadas ao envelhecimento, bem como a valorização dos programas de extensão universitária relacionados ao cuidado;
  8.  Mapeamento das demandas; identificação e contato de parceiros; estruturação e alimentação de redes; criação de um Observatório para a adequação das grades curriculares, com a inclusão de conteúdos sobre o envelhecimento; e replicação das experiências;
  9.  Cultura de Monitoramento e Avaliação na Área da Educação Permanente com definição de indicadores qualitativos e quantitativos com a participação de todos os envolvidos.

Cuidado Digno

Os serviços públicos e privados de atenção terão maior capacidade e qualidade para cuidar do ser humano na velhice porque haverá:

  1.  Aguçamento do olhar e redimensionamento da questão do cuidado para o autocuidado, o cuidado com o outro, com o coletivo e com o planeta;
  2.  Qualificação do voluntariado e estímulo à solidariedade e responsabilidade cidadã, aproximando a sociedade e a população fragilizada;
  3.  Acessibilidade, ambiência, sustentabilidade e humanização do cuidado;
  4.  Estruturas de apoio ao Cuidado e ao cuidador, extensivas aos profissionais envolvidos, em parceria com instituições de ensino, saúde, assistência social e demais, nas diferentes modalidades legalmente previstas;
  5.  Suporte ao núcleo familiar afetado pela necessidade de cuidados prolongados, por dependência financeira, física, cognitiva e / ou emocional dos envolvidos;
  6.  Rede de cuidado integral, com participação ativa da sociedade em programas de cuidados de curta, média e longa duração, incluindo a presença de cuidadores domiciliares financiados pela seguridade social;
  7.  Mapeamento das pessoas idosas residentes na comunidade e em instituições; utilização de instrumentos de gestão para tornar visíveis suas necessidades, com vistas a cobertura integral das demandas e serviços.
Algumas imagens do encontro com alguns dos participantes

Sociedade Civil Envolvida No Monitoramento Das Políticas Públicas

A sociedade civil estará organizada em conselhos, fóruns, canais institucionais e movimentos sociais para garantir:

 

  1.  Acesso aos direitos fundamentais para toda a população, com atenção e atendimento das políticas públicas setoriais: educação, cultura, saúde, assistência, previdência, justiça, moradia, transporte, esporte, lazer, mobilidade urbana e social, dentre outras;
  2.  Respeito aos acordos e diretrizes internacionais para o cuidado ao longo da vida e em favor do envelhecimento digno, com a plena participação da sociedade civil;
  3.  Sistema de garantia de direitos articulado em rede, fortalecido e com visibilidade;
  4.  Conselhos Municipais paritários em todos os municípios, organizados em câmaras setoriais, dotados de recursos físicos, humanos e financeiros e com processo de eleição direta de seus membros;
  5.  Atuação intersetorial e em rede dos Conselhos de direitos e demais conselhos, em todas as esferas de governo para efetivação das políticas públicas em sua transversalidade;
  6.  Inclusão da questão do cuidado ao longo da vida junto a organizações comunitárias, conselhos, fóruns e órgãos, a fim de tornar públicas as questões que envolvem as políticas de cuidado;
  7.  Políticas relativas ao envelhecimento e ao cuidado instituídas e fortalecidas nos três níveis de governo, com financiamento assegurado;
  8.  Programas de educação previdenciária e de ampliação de acesso a direitos para a população idosa, incluindo aposentadoria pública com remuneração digna;
  9.  Credibilidade nas representações políticas e partidárias;
  10.  Reforma fiscal que atenda melhor as necessidades da sociedade como um todo;
  11.  Divulgação e transparência das informações dos orçamentos e os recursos públicos das políticas setoriais em redes sociais fortalecidas; conhecimento e revisão da utilização dos recursos destinados a
  12. sindicatos, associações e conselhos profissionais, exigindo a prestação de contas;
  13.  Articulação de princípios e políticas legais, entre o Estado e sociedade civil, bem como planejamento estratégico de recursos e estruturas públicas em favor das questões relativas ao envelhecimento, nos níveis federal, regional e municipal;
  14.  Intersetorialidade das políticas públicas, principalmente entre saúde, assistência social e educação – com a criação de núcleos intersetoriais, no nível local, planejando as intervenções e o financiamento juntos, integrando territórios e valendo-se de equipamentos híbridos;
  15.  Políticas habitacionais com moradias acessíveis e inclusivas em locais com acesso a saneamento, iluminação e serviços públicos de qualidade;
  16.  Prevenção, enfrentamento e punição de toda forma de violência contra a pessoa idosa, por meio de atuação em rede de entidades governamentais e da sociedade civil organizada, nos níveis federal, estadual, do Distrito Federal e municipais.

 

Comissão Organizadora do Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão idoso.

1 de outubro de 2013

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica