Filosofia no sertão: Professora faz sabedoria dos avós mudar a vida de jovens

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Filosofia no sertão: Professora faz sabedoria dos avós mudar a vida de jovens

Maria Isabel em Duas Passanges (BA), onde nasceu Imagem: Arquivo pessoal

Do Uol

Através do conhecimento transmitido de maneira oral por senhoras analfabetas que a professora Maria Isabel Gonçalves, 33, uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10 em 2020, vem transformando as vidas de jovens do ensino médio no interior da Bahia.

Graduada em Filosofia e Letras, ela dá aula no Colégio Estadual Rui Barbosa em Boninal, cidade com população de pouco mais de 13 mil habitantes situada na região da Chapada Diamantina, a 530 km de Salvador, a professora sempre testemunhou o recorrente desejo entre os jovens de deixarem o local, em busca de uma vida diferente em centros urbanos.

“A maioria quer ir para São Paulo trabalhar, não valoriza a história daqui, não pensa em continuar estudando. É uma região afrodescendente, de porcentagem quilombola, mas que não tem esse reconhecimento sobre a própria cultura, a própria origem, e tampouco sobre os próprios direitos.” A solução encontrada por ela foi recorrer ao conhecimento oral das avós dos próprios jovens para, assim, recuperar a história da região para que valorizassem o local onde nasceram e vivem. Além disso, ensinou-os a compreender melhor seus direitos. Assim nasceu o projeto “As filosofias de minha avó: poetizando memórias para afirmar direitos”

Histórias do passado que valorizam o presente

Através do conhecimento transmitido de maneira oral por senhoras analfabetas que a professora Maria Isabel Gonçalves, 33, uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10 em 2020, vem transformando as vidas de jovens do ensino médio no interior da Bahia.

Graduada em Filosofia e Letras, ela dá aula no Colégio Estadual Rui Barbosa em Boninal, cidade com população de pouco mais de 13 mil habitantes situada na região da Chapada Diamantina, a 530 km de Salvador, a professora sempre testemunhou o recorrente desejo entre os jovens de deixarem o local, em busca de uma vida diferente em centros urbanos.

“A maioria quer ir para São Paulo trabalhar, não valoriza a história daqui, não pensa em continuar estudando. É uma região afrodescendente, de porcentagem quilombola, mas que não tem esse reconhecimento sobre a própria cultura, a própria origem, e tampouco sobre os próprios direitos.” A solução encontrada por ela foi recorrer ao conhecimento oral das avós dos próprios jovens para, assim, recuperar a história da região para que valorizassem o local onde nasceram e vivem. Além disso, ensinou-os a compreender melhor seus direitos. Assim nasceu o projeto “As filosofias de minha avó: poetizando memórias para afirmar direitos”

A tarefa de casa aplicada pela professora aos alunos era bastante simples: registrar, em áudio ou vídeo, as histórias relatadas por suas avós; em seguida, fotografar locais, objetos ou paisagens que haviam aparecido em tais relatos. A atividade encontra sua base teórica no francês Henri Bergson e na filosofia africana Ubuntu, tendo como objetivo exercitar reflexões acerca da região.

A corrente filosófica Ubuntu foi fonte de inspiração para Maria Isabel, uma vez que ela analisa como os relacionamentos entre as pessoas e o lugar onde vivem formam uma parte fundamental para entender uma sociedade. Muitas vezes é resumida com a frase “Eu sou porque nós somos”.

“Estudando filosofia africana, me veio essa ideia de tentar encontrar seus resquícios dentro da cultura das comunidades negras aqui na Chapada. Quando me deparei com ela [Ubuntu], vi que ela fala do ‘nós’, do coletivo. Toda a nossa proposta tinha de ter um olhar desenvolvido para a comunidade, tinha de partir daqui. Eu queria mostrar que no nosso mundo também tem filosofia, nossas avós têm conhecimento”.

Maria Isabel, portanto, não apenas fez com que a memória dos povoados – que até então não era registrada – fosse resgatada, como também estimulou nos jovens a enxergarem de forma positiva o local onde vivem.

“Quando eu perguntava sobre o povoado, eles respondiam com desânimo. A visão é que aqui é um buraco. ‘Tem nada não, professora.’ Eu queria que eles entendessem as riquezas que é esse mundo da gente”, conta Maria Isabel.

 O projeto se iniciou com o terceiro ano do ensino médio. Depois de registrado, cada grupo apresentaria seu trabalho para a escola em um evento no final do ano letivo. A professora afirma feliz que o resultado foi “muito além do imaginado”. Mesmo após alguma relutância, um dos grupos que mais dava trabalho acabou aderindo à ideia passando a acionar a professora apenas para reportar com empolgação o progresso da atividade.

A professora Maria Isabel Gonçalves (no topo à direita) e seus alunos no povoado do Machado (BA) Imagem: Arquivo pessoal

A iniciativa colecionou relatos divertidos e histórias comoventes, bem como imagens de lindas paisagens da chapada baiana e até mesmo poemas com histórias do lugar. Mas não parou aí: a atividade ajudou a transformar a relação que os jovens tinham o local.

A professora relata, inclusive, que um dos grupos chegou a visitar nascentes mortas. Alguns dos rios só enchem com a chuva e devido à época da seca, estavam minguando. “Eles registraram tudo e falavam, espontaneamente, sobre o sonho de revitalizar essas nascentes”, diz Gonçalves.

 A atividade, no entanto, foi além da conversa. Neste ano, já formados, alguns dos alunos se aproximaram de agentes regionais do Ibama para revitalizar a área.

“Eles se engajaram, começaram a conversar com os pais e avós sobre a situação, para falar da influência da ação do homem na natureza. Os mais antigos pensam que a natureza está morrendo porque é assim mesmo e eles agora querem explicar”, relata, orgulhosa

Histórias de bisavó

A ideia que originou a atividade dos relatos deriva da experiência familiar de Maria Isabel. A professora cresceu em meio a área rural do município de Seabra, vizinho a Boninal. Os pais viviam do trabalho no campo, plantando tabaco. A cidade grande era um lugar quase imaginário, um mundo distante, que ela e os amigos buscavam ao desafiar os limites que o marasmo do campo lhes impunha.

“O mundo da gente [na área rural] é muito diferente. Quando era pequena, não tinha livros, só os didáticos da escola. No meu primeiro contato [com literatura], fiquei deslumbrada. A leitura transformou a minha vida”, conta.

Sem possuir televisão e contando apenas com alguns poucos livros, Maria Isabel cresceu ouvindo histórias da mãe, que contava sobre os povoados locais e sobre a bisavó Iaiá Lia, parteira e rezadeira que acabou veio a ser uma líder negra da comunidade.

Tornando-se viúva antes de completar 30 anos, Iaiá criou os filhos fazendo partos. Não era remunerada com dinheiro, mas com insumos como com galinhas, pratos de feijão ou qualquer porção de alimento. Analfabeta, ela transmitia seu conhecimento à família e a outros moradores na base da conversa

Como Lia morreu poucos meses depois de Maria Isabel nascer, a professora não a conheceu. Suas histórias, porém, permaneceram e abriram seus horizontes.

“Essa contação de história foi meu primeiro conhecimento de mundo. Analfabeta, era ela a pessoa que ensinava. O projetou surgiu para trazer esses saberes das mulheres negras como um conhecimento filosófico”, explica a docente. “O povo daqui também tem e faz filosofia”

A educação como ferramenta de transformação social

A conscientização quanto às origens é apenas uma das diversas características do projeto. O escopo principal, explica a professora, é fazer com que os alunos entendam que têm direito a um futuro diferente de tantos conterrâneos que deixam o povoado.

 “O sistema educacional é feito para não funcionar. A gente, que está ali lutando, sabe. O mundo faz [os jovens] desprezarem o lugar em que vivem e muitos acabam indo embora para São Paulo ser peão em obras ou trabalhar como empregadas domésticas. Essa base já está tão emaranhada que eles não têm nem a perspectiva de entrar em faculdade”, conta

Maria Isabel objetiva, junto a outros professores que também ensinam na região, utilizar a escola como a fonte primária para uma transformação social, atuando para que esses jovens possam alcançar um futuro melhor. “A proposta final [do projeto] é que eles percebam seus direitos a educação, saúde e a um ambiente melhor, que são negados o tempo todo. Aqui, um jovem não tem acesso a nada, eles não têm uma biblioteca”, lamenta.

Empreender toda essa mudança social é uma questão que ainda apresenta inúmeros obstáculos, ela reconhece, mas ainda se mostra empolgada. “A escola é a única forma de transformação social, falo pela minha vida. [A educação] transforma as comunidades, que têm muita coisa para ensinar ao Brasil e ao mundo.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Para os professores em quarentena por Christian Dunker

Christian-Dunker

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

"Para os professores em quarentena"
por Christian Dunker

Uma mensagem reconfortante de Christian Dunker  que de forma muito sensível traz alento aos professores que estão sofrendo muita pressão nesse momento de crise. Reflexão sábia e sensível que vem em ótima hora.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Aula debate marca o dia internacional da mulher do centro universitário módulo.

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Aula debate marca o dia internacional da mulher do centro universitário módulo.

Estudantes do curso de Pedagogia participaram no dia 06 de março de uma atividade diferenciada para refletir sobre o dia internacional da mulher, comemorado no mundo todo no dia 08/03.

Com o objetivo de lembrar a importância da data e chamar a atenção dos jovens universitários sobre as constantes lutas das mulheres por direitos iguais. Sabe-se que no Brasil e no mundo ainda existem graves violações de direitos humanos, sendo a violência e o abuso cometido contra mulheres de todas as idades um problema crescente em muitas regiões, tanto do globo, quanto do Brasil. No Litoral Norte de São Paulo esse quadro de violência não é diferente.

Visando refletir e conscientizar os jovens sobre o tema, as Professoras Sandra Fátima Faustino e Divina Fátima Santos promoveram em conjunto com os universitários presentes, uma roda de conversa sobre o assunto em questão a partir de suas próprias experiências de vida, onde puderam relatar momentos de desvalorização e desrespeito sofridos apenas por serem mulheres.

As universitárias puderam propor novas formas de comportamentos, abordando a necessidade de promover uma educação tanto no ambiente familiar, quanto na escola, educando assim, para que haja igualdade de oportunidades, sem formas injustas de privilégios baseadas em gênero afinal, homens e mulheres precisam trabalhar para viverem em parceria e em comunhão.

As atividades da noite foram iniciadas por meio de um exercício de concentração e aquecimento, trabalhando a expressão corporal, retratando a simbologia da afetividade do carinho e sensibilizando para o tema. Em seguida foram exibidos três vídeos curtos, públicos e disponibilizados na internet, para despertar e facilitar o debate e a troca na noite. Entre os vídeos exibidos estão: Igualdade de Gênero (ONU); Depoimento de Madona sobre abuso sofrido; e, O que significa para você fazer algo como uma menina. A intensão dos documentários foi chamar a atenção do grupo para questões muito atuais que de certa forma machucam e depreciam a condição das mulheres no mundo atual. Daí a necessidade de fazer encontros de discussão com futuros jovens educadores.

Observando o interesse e o nível de participação dos universitários durante o debate, conclui-se que as turmas trataram com atenção e respeito o tema: o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, e refletiram sobre a constante luta das mulheres por respeito e igualdade de condições no mundo.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Professora do Centro Universitário Módulo e Faculdade São Sebastião (FASS) participa como integrante de Banca Examinadora

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Professora Divina integra Banca Examinadora

A professora Centro Universitário Módulo e Faculdade São Sebastião (FASS), Dra Divina de Fátima dos Santos participou de sessão pública como membro da mesa examinadora responsável por avaliar o trabalho intitulado “Indústria Criativa: Estudo de Casos das Atividades Culturais Em Uma Obra de Assistência Social Na Região Sudeste De São José Dos Campos/SP” que foi produto da defesa de dissertação de Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional”, apresentada pelo mestrando Fabrício André Faria.  Além da presença da Doutora Divina, a mesa examinadora também foi composta pelos professores doutores Quésia Postigo Kamimura e  Edson Trajano Vieira, que orientou e presidiu  a banca.

A cerimônia ocorreu nas dependências da Universidade de Taubaté (Unitau) e as imagens podem ser vista abaixo:

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Alunos e professores do Centro Universitário Módulo e Faculdade São Sebastião participam do ENID 2019 – Cruzeiro do Sul Educacional

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Alunos e professores do Centro Universitário Módulo e Faculdade São Sebastião participam do ENID 2019 - Cruzeiro do Sul Educacional

O grupo Cruzeiro do Sul promoveu no último dia 19 de outubro o Encontro de Iniciação à Docência – ENID 2019, evento que visa estimular o ofício da docência e que contou com a participação de alunos e professores dos cursos de licenciatura, bem como de docentes de diversas áreas do ensino superior.

Professores e Coordenadores do Grupo Cruzeiro Sul participantes do CAPES e a participação especial do Professor Hermes Ferreira Figueiredo.

Participaram um total de 110 alunos das Faculdade São Sebastião FASS e do Centro Universitário Módulo no município de Caraguatatuba. O evento ocorreu no campus Anália Franco da Universidade Cruzeiro do Sul, na capital paulista, local em que os graduandos participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID e Residência Pedagógica do CAPES puderam compartilhar suas atividades, produções, pesquisas e práticas de ensino, empregadas no âmbito da educação, juntamente com alguns professores supervisores e preceptores das escolas municipais do litoral. Acompanharam os estudantes em sua viagem do litoral à capital paulista os professores da IES que participam do projeto CAPES:  Profa. Dra. Divina de Fatima dos Santos, Profa. Dra. Eliane de Alcantara Teixeira, Profa. Dra. Shirley Cabarite da Silva, Prof. Ms. Edilson Geraldo de Almeida, Prof. Ms Antonio Roberto Alves Felippe, Prof. Ms Evanilde Silva, Prof. Ms. Teofilo Máximo Pimenta, entre outros docentes convidados para participar do evento.

Participantes do ENID 2019 – presentes no cerimonial de abertura.

Os estudantes produziram artigos baseados em suas pesquisas de PIBID e Residência Pedagógica, realizadas em escolas municipais, envolvendo os municípios de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba. Os projetos encontram-se em andamento. Além dos artigos, os alunos confeccionaram banners para serem exibidos durante o evento, que reuniu estudantes do Grupo Cruzeiro do Sul.

Profa. Dra. Shirley Cabarite ao lado do estudante Diego de Paula de Pedagogia do Módulo

Os trabalhos dos alunos foram avaliados por professores do Grupo, que analisaram a coerência e efetividade de cada pesquisa, premiando os trabalhos que se destacaram pela qualidade e inovação.

Professor Ms. Antonio Roberto Felippe ao lado de suas orientandas do Programa Residência Pedagógica – CAPES do Módulo

O evento só foi possível graças à dedicação dos profissionais das diferentes IES que trabalharam juntamente com seus alunos e professores nas escolas públicas no sentido de elaborar e assimilar os conceitos teóricos em sala de aula e sua efetiva aplicabilidade nas escolas públicas, fator imprescindível para a formação desses futuros professores. A maior estimuladora para que o evento tivesse grande sucesso foi a Profa. Dra. Silvia Valéria Vieira que também é Coordenadora Institucional CAPES do Grupo Cruzeiro do Sul. Vale ressaltar o entusiasmo com que coordenou todas as etapas do evento.

Profa. Dra. Silvia Valeria Vieira ao lado de alguns professores do ENID do Centro Universitário Módulo de Caraguatatuba e da Faculdade São Sebastião - FASS.

O Centro Universitário Módulo e a Faculdade São Sebastião, bem como as demais do grupo Cruzeiro do Sul também participaram de exposições de fotografias, onde alunos exibiram imagens captadas em sala e aula e expuseram no evento, o que criou um ambiente de trocas de experiência entre alunos de outras instituições e outros cursos, como História, Letras, Filosofia, Pedagogia, Educação Física etc.

Pela manhã ocorreu a abertura oficial do ENID 2019 e as exposições de banners. Logo após o almoço tivemos palestras e debates em mesas redondas com professores de diferentes faculdades do grupo.

O evento contou ainda com o lançamento do livro Intergeracionalidade: Cartas na Mesa, obra produzida pela Professora Doutora Divina de Fátima dos Santos e que versa sobre o tema da educação, possibilitando aos participantes adquirir seus exemplares durante o lançamento.

Professora Dra. Shirley Cabarite ao lado de Dra. Divina Fatima dos Santos durante o lançamento do livro “Intergeracionalidade: Cartas na mesa”

Os alunos ficaram extremamente felizes com a oportunidade de exibir suas produções em um grande centro urbano, ampliando seus horizontes e ganhando amadurecimento intelectual, além de desenvolvimento cultural. Esse tipo de iniciativa promovida pelo Grupo Cruzeiro do Sul, Centro Universitário Módulo e Faculdade São Sebastião é de extrema importância para viabilizar o desenvolvimento local por meio da educação, uma vez que seja dotada de grande potencial para criar laços com os cidadãos que valorizam cada vez mais o papel desenvolvido pela faculdade.

Durante o ENID 2019, professores participantes no evento foram convidados a ingressar em mesas redondas, onde foram debatidos temas diversos, contando também com a participação de alunos que puderam se inscrever em cada um desses temas. Ocorreram ao todo 180 apresentações em formato de banner e 9 mesas de trabalho, as quais contaram com a participação de 423 alunos e 70 professores além de, palestras e mesas de trabalho.

Imagem do pátio com os banners em exposição.

Agradecemos a todos os apoiadores e idealizadores desse importante evento, que certamente trará contribuição educacional, cultural e emocional a todos os estudantes do evento. Além disso, evento como esse fortalece a figura do jovem futuro professor, uma vez que ele  passa a compreender melhor seu papel e sua importância numa sociedade cada vez mais complexa, que necessita de olhares amplos e sensíveis para a verdadeira educação, sem se esquecer de unir e integrar teoria e prática em sua vida profissional, tanto nas escolas como na comunidade da qual faz parte.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

II ENCONTRO NACIONAL DA CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

II ENCONTRO NACIONAL DA CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL - Novembro/2017.

Equipe de profissionais da FASS e MÓDULO
Ao lado dos Professores Antonio Felippe (Nil) e da Professora Maria Antonia de Lima do Módulo e da FASS.
Recebendo os Prêmios relativos aos trabalhos desenvolvidos em sala de aula: "Oficina do Livro: Colocando as letras e as palavras em Movimento" e "Cine Clube na Escola: Educando Arte e Cultura"

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão – Idoso Carta de Bertioga 2013

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão Idoso - Carta de Bertioga 2013

Como parte das comemorações dos 50 anos do Trabalho Social com Idosos, programa pioneiro no Brasil realizado pelo Serviço Social do Comércio – Sesc – , cerca de 120 profissionais e lideranças idosas, entre técnicos, especialistas, pesquisadores, educadores e gestores, vinculados à questão da velhice e do envelhecimento, vindos de todo o Brasil, do Chile e de Portugal, estiveram reunidos de 8 a 11 de setembro de 2013, no Sesc Bertioga em São Paulo.

Neste Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão Idoso foram analisadas as atuais políticas públicas brasileiras voltadas para a velhice e propostas nas áreas de Formação e Educação Permanente:

Autonomia, Direitos e Cidadania; Gerações e Intergeracionalidade; e Cuidado e Relações Sociais.

Como resultado dessa reunião foram consolidadas as seguintes estratégias: Socioeducativas e intergeracionais; Midiáticas; Financeiras e Fiscais; Políticas intersetoriais e de cuidado, etc.  Tais estratégias estão fundamentadas na visão de um cenário mais favorável em relação ao atual momento que vivemos.

Num país contrastante como o nosso, é mais apropriado falarmos em velhices. Registre-se a posição consensual desse grupo de trabalho: as ações públicas e privadas ainda estão muito distantes do ideal para

a promoção de um envelhecimento digno. A maioria dos brasileiros sofre com a carência de serviços públicos adequados e preparados para lidar com as especificidades introduzidas pela velhice, nas áreas

de previdência, assistência, saúde, educação, cultura, lazer, trabalho, justiça, habitação, transporte, dentre outros.

Acrescentem-se o individualismo, a competição e o consumismo decorrentes dos valores predominantes de nossa época que penalizam de modo especial os velhos, vistos preconceituosamente como seres desprovidos de competências e, portanto, de serventia social. 

No Dia Internacional do Idoso, 1º de outubro de 2013, os participantes deste Fórum apresentam à sociedade brasileira, como resultado das discussões, as perspectivas e estratégias para o aperfeiçoamento das políticas sociais, com vistas a elevar a pessoa idosa a sua plena cidadania.

O Fórum considera a realidade do envelhecimento da população brasileira para as próximas décadas e antevê um cenário futuro de efetivação de políticas setoriais e de direitos, com maior protagonismo, participação social e cidadã da pessoa idosa. O pleno exercício do Controle Social Democrático se fará em articulação com o Estado e a sociedade civil organizada por meio do monitoramento dessas políticas.

Para esse cenário favorável é importante cultivar relações responsáveis, solidárias, intergeracionais e coeducativas para que se concretizem estratégias imediatas e continuadas que permitam ao conjunto da sociedade brasileira a garantia de visibilidade da diversidade na velhice, da intergeracionalidade e protagonismo da pessoa idosa; educação plena; cuidado digno e da participação da sociedade civil envolvida no monitoramento das políticas públicas.

Algumas imagens dos diferentes grupos de trabalhos

Visibilidade Da Diversidade Na Velhice, Da Intergeracionalidade E Do Protagonismo Da Pessoa Idosa 

A pessoa idosa terá suas diferenças valorizadas porque o envelhecimento será reconhecido como uma realidade social e individual única que demanda:

    1.  Interação intergeracional em novos arranjos familiares de maneira compreensiva e respeitosa;
    2. Preparação corporativa, antes e após a aposentadoria, para a participação de pessoas idosas, buscando abolir todas as formas de discriminação etária no mundo do trabalho;
    3. Programas que abordem e valorizem o protagonismo da pessoa idosa, a intergeracionalidade e as diferentes velhices;
    4. Relações intergeracionais frequentes e solidárias nos ambientes de participação social e em outros espaços compartilhados como: sindicatos, movimentos sociais, conselhos, condomínios, partidos políticos, clubes, fóruns, conferências etc.

Educação Plena

No sistema educacional como um todo, formal e informal, haverá:

  1.  Respeito e compreensão intergeracional em um ambiente de mútuo entendimento entre crianças, jovens, adultos jovens e adultos idosos;
  2.  Politização dos sujeitos sociais e reforço a experiências e ações socioeducativas intergeracionais que ultrapassem as próprias fronteiras;
  3.  Programas de capacitação e formação via instituições públicas e privadas que atuem no âmbito do envelhecimento para instrumentalizar os integrantes das organizações comunitárias, a fim de que exerçam o monitoramento das políticas públicas;
  4.  Espaços públicos intergeracionais, inclusive escolas abertas nos finais de semana, com a participação simultânea, a inclusão digital e o acesso a informações, via mídias e meios de comunicação, que contemplem a autonomia e a garantia de direitos dos cidadãos de todas as gerações;
  5.  Utilização de inovações científicas, sociais e tecnológicas que favoreçam o envelhecimento, o cuidado e as relações sociais;
  6.  Inclusão da temática do envelhecimento em todos os cursos de graduação e oferta de cursos universitários para profissionais voltados ao envelhecimento humano e ao cuidado digno em todas as esferas de atenção à pessoa idosa;
  7.  Apoio a pesquisas e criação de instrumentos para um diálogo entre a produção de conhecimentos e as políticas públicas relacionadas ao envelhecimento, bem como a valorização dos programas de extensão universitária relacionados ao cuidado;
  8.  Mapeamento das demandas; identificação e contato de parceiros; estruturação e alimentação de redes; criação de um Observatório para a adequação das grades curriculares, com a inclusão de conteúdos sobre o envelhecimento; e replicação das experiências;
  9.  Cultura de Monitoramento e Avaliação na Área da Educação Permanente com definição de indicadores qualitativos e quantitativos com a participação de todos os envolvidos.

Cuidado Digno

Os serviços públicos e privados de atenção terão maior capacidade e qualidade para cuidar do ser humano na velhice porque haverá:

  1.  Aguçamento do olhar e redimensionamento da questão do cuidado para o autocuidado, o cuidado com o outro, com o coletivo e com o planeta;
  2.  Qualificação do voluntariado e estímulo à solidariedade e responsabilidade cidadã, aproximando a sociedade e a população fragilizada;
  3.  Acessibilidade, ambiência, sustentabilidade e humanização do cuidado;
  4.  Estruturas de apoio ao Cuidado e ao cuidador, extensivas aos profissionais envolvidos, em parceria com instituições de ensino, saúde, assistência social e demais, nas diferentes modalidades legalmente previstas;
  5.  Suporte ao núcleo familiar afetado pela necessidade de cuidados prolongados, por dependência financeira, física, cognitiva e / ou emocional dos envolvidos;
  6.  Rede de cuidado integral, com participação ativa da sociedade em programas de cuidados de curta, média e longa duração, incluindo a presença de cuidadores domiciliares financiados pela seguridade social;
  7.  Mapeamento das pessoas idosas residentes na comunidade e em instituições; utilização de instrumentos de gestão para tornar visíveis suas necessidades, com vistas a cobertura integral das demandas e serviços.
Algumas imagens do encontro com alguns dos participantes

Sociedade Civil Envolvida No Monitoramento Das Políticas Públicas

A sociedade civil estará organizada em conselhos, fóruns, canais institucionais e movimentos sociais para garantir:

 

  1.  Acesso aos direitos fundamentais para toda a população, com atenção e atendimento das políticas públicas setoriais: educação, cultura, saúde, assistência, previdência, justiça, moradia, transporte, esporte, lazer, mobilidade urbana e social, dentre outras;
  2.  Respeito aos acordos e diretrizes internacionais para o cuidado ao longo da vida e em favor do envelhecimento digno, com a plena participação da sociedade civil;
  3.  Sistema de garantia de direitos articulado em rede, fortalecido e com visibilidade;
  4.  Conselhos Municipais paritários em todos os municípios, organizados em câmaras setoriais, dotados de recursos físicos, humanos e financeiros e com processo de eleição direta de seus membros;
  5.  Atuação intersetorial e em rede dos Conselhos de direitos e demais conselhos, em todas as esferas de governo para efetivação das políticas públicas em sua transversalidade;
  6.  Inclusão da questão do cuidado ao longo da vida junto a organizações comunitárias, conselhos, fóruns e órgãos, a fim de tornar públicas as questões que envolvem as políticas de cuidado;
  7.  Políticas relativas ao envelhecimento e ao cuidado instituídas e fortalecidas nos três níveis de governo, com financiamento assegurado;
  8.  Programas de educação previdenciária e de ampliação de acesso a direitos para a população idosa, incluindo aposentadoria pública com remuneração digna;
  9.  Credibilidade nas representações políticas e partidárias;
  10.  Reforma fiscal que atenda melhor as necessidades da sociedade como um todo;
  11.  Divulgação e transparência das informações dos orçamentos e os recursos públicos das políticas setoriais em redes sociais fortalecidas; conhecimento e revisão da utilização dos recursos destinados a
  12. sindicatos, associações e conselhos profissionais, exigindo a prestação de contas;
  13.  Articulação de princípios e políticas legais, entre o Estado e sociedade civil, bem como planejamento estratégico de recursos e estruturas públicas em favor das questões relativas ao envelhecimento, nos níveis federal, regional e municipal;
  14.  Intersetorialidade das políticas públicas, principalmente entre saúde, assistência social e educação – com a criação de núcleos intersetoriais, no nível local, planejando as intervenções e o financiamento juntos, integrando territórios e valendo-se de equipamentos híbridos;
  15.  Políticas habitacionais com moradias acessíveis e inclusivas em locais com acesso a saneamento, iluminação e serviços públicos de qualidade;
  16.  Prevenção, enfrentamento e punição de toda forma de violência contra a pessoa idosa, por meio de atuação em rede de entidades governamentais e da sociedade civil organizada, nos níveis federal, estadual, do Distrito Federal e municipais.

 

Comissão Organizadora do Fórum Perspectivas para Ações junto ao Cidadão idoso.

1 de outubro de 2013

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica

Famílias intergeracionais sob o mesmo teto estão sob o olhar analítico dos profissionais de psicologia

Divina de fátima dos Santos

Doutora em Psicologia Clínica

Famílias intergeracionais sob o mesmo teto estão sob o olhar analítico dos profissionais de psicologia

O número de famílias com várias gerações dividindo o mesmo teto tem sido cada vez maior, tornando-se objeto de estudo de um grande número de profissionais da psicologia com  diferentes pesquisas em várias cidades do Brasil.

É cada vez maior o número de pesquisas com a temática da longevidade e do envelhecimento humano nos grandes eventos e congressos em diferentes partes do Brasil. Não foi diferente no XXXIV Congresso Interamericano de Psicologia, que este ano, acorreu entre os dias 15 a 19 de Julho de 2013 na bela cidade de Brasília. O evento teve a participação de pesquisadores de vários países da América Latina, da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá e até mesmo da Rússia, o que favoreceu o intercâmbio de pesquisadores e assuntos. O evento contou com inúmeros simpósios, mesas redondas, pôsteres, conferências, atividades culturais, premiações e visitas a diferentes entidades de Brasília e de seu entorno. Com uma programação intensa e diversificada, foi bem difícil escolher o que ver.

A psicologia possui grandes áreas de estudo e pesquisa e, em encontros como este, pode-se ampliar o conhecimento nos mais variados temas desta ciência. Os estudos sobre as questões do envelhecimento humano que até recentemente eram bastante tímidos nesses eventos, vêm conquistando maior espaço a cada ano.

Ceneide Cerveny, Rosa Macedo e Divina

A psicogerontologia é uma área relativamente nova entre os psicólogos e há muito a crescer. Para isto, é necessário conquistar mais interessados em pesquisar sobre a velhice, o envelhecimento e seus impactos psicológicos e sociais, uma vez que a longevidade é crescente em nosso país, fruto das conquistas sociais e da melhoria da qualidade de vida entre os brasileiros. O número de famílias com várias gerações dividindo o mesmo teto, coisa não muito comum anos atrás tem sido cada vez maior. Neste congresso conhecemos um grande número de profissionais da psicologia preocupados com essa temática e que vem elaborando diferentes pesquisas em várias cidades do Brasil. Destacamos alguns destes estudos a seguir, os quais tiveram seu registro fotográfico:  da esquerda para a direita, Divina de Fátima dos Santos, Denise Maciel Lobão, Cristina Maria de Souza Brito Dias e Natália Ramos.

A Dra. Denise Maciel Lobão apresentou um estudo intitulado “aprendizagem intergeracional entre idosos e acadêmicos”, no qual relatou sobre o grande entusiasmo de estudantes de psicologia ao trabalharem com idosos e sobre a superação de preconceitos de parte a parte, uma vez que, segundo ela, no início, os jovens universitários tinham resistência e receio em trabalhar com esse público; no entanto com essa iniciativa, estudantes e idosos cresceram juntos e até passaram a fazer novos projetos de integração social. A Dra. Denise é professora de psicologia do desenvolvimento na Universidade Federal do Rio Grande (RS). Ela pesquisa e orienta seus alunos na temática do envelhecimento.

O mesmo ocorreu com a Professora da Universidade Católica de Pernambuco, Dra. Cristina Maria de Souza Brito Dias, que apresentou duas pesquisas desenvolvidas por seus alunos. Na primeira, intitulada “Saúde e qualidade de vida: concepção do idoso mais velho”, os estudantes entrevistaram pessoas acima dos 80 anos com o objetivo de verificar como estes compreendiam o próprio conceito de velhice e como avaliavam sua saúde. A segunda, intitulada “Apoio social e saúde na perspectiva do indivíduo idoso”, foi realizada por meio da análise de como os idosos se apoiam e se veem amparados socialmente; neste caso a pesquisadora apontou que as redes de apoio mais citadas foram as amizades, os familiares e os amigos, que são os grandes fatores responsáveis para um bom envelhecer. A Dra. Cristina apresentou ainda um estudo de sua autoria, sobre uma proposta de intervenção psicoeducativa com avós que criam seus netos e a relação de ansiedade e depressão entre eles, apontando pontos positivos e negativos desta relação.

A Professora Micheli C. Favaretto da Universidade de Cuiabá (MT), apresentou um estudo desenvolvido por seus alunos no CRAS – Boa Esperança de Cuiabá cujo objetivo foi trabalhar a auto estima de um grupo da terceira idade com diferentes atividades; ela relatou sobre a significativa melhora psicológica e de qualidade da saúde de seus frequentadores idosos e do quanto os alunos vem se motivando em trabalhar com este seguimento da população.

Já a doutoranda em psicologia da Pontifícia Universidade de São Paulo, Divina de Fátima dos Santos (foto), apresentou uma pesquisa realizada com idosos acima dos 70 anos, em diferentes cidades do Estado de São Paulo, na qual investigou sobre a imagem social e a identidade na velhice na atualidade. O título foi “Essa imagem refletida no espelho não é minha”. Essa pesquisa comporá um livro (Manual da Longevidade) em fase de elaboração e coordenado pela pesquisadora e professora da PUC-SP Dra. Ceneide Cerveny que contará com vários colaboradores e pesquisadores que abordarão a temática do envelhecimento humano.

A pesquisadora portuguesa Dra. Natália Ramos, da Universidade Aberta de Lisboa, apresentou um importante estudo intitulado “Relações intergeracionais e envelhecimento: solidariedade e desafios contemporâneos”. Ela, e seus colegas pesquisadores portugueses, escreveram um livro intitulado “A voz dos Avós: Migração, Memória e Patrimônio Cultural” (Cidade de Coimbra, 2012) e, muito gentilmente, convidou pesquisadores brasileiros participar do próximo encontro que ocorrerá em Portugal sobre a temática “A voz dos avós”.  Com esse mesma tema, tivemos a apresentação do trabalho intitulado “As avós entre o real e o ideal, na perspectiva transgeracional” que foi apresentado pelos pesquisadores Prof. Paulo Almeida da Universidade Estadual do Ceará, Profa. Julia Bucher-Maluschke da PUC de Brasília e Profa. Juliana Araújo da Universidade de Fortaleza (CE).

Em um congresso com tantos temas igualmente interessantes e pesquisadores de diferentes lugares, foi bem gratificante conhecer um pouco do que vem sendo estudado por nossos colegas e nos alegra saber que é crescente o número de estudantes que estão se interessando pelas questões do envelhecimento, até porque, trata-se de uma importante fase da vida a qual devemos garantir um lugar de destaque não apenas na sociedade como nos meios acadêmicos. Portanto, muitas outras pesquisas necessitam ser realizadas nesta área, por se tratar de uma fase da vida de grande relevância para a psicologia contemporânea.

Psicóloga Divina

Doutora em Psicologia Clínica